Effie Gray

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Era uma vez uma linda menina...

que morava em uma casa muito fria na Escócia.

A casa era fria...

pois o avô de alguém havia cometido suicídio ali.

Um dia, o neto veio visitar a casa...

e pensou que a menina fosse um anjo.

O neto estava sempre ocupado.

Lia, pensava, desenhava e escrevia.

E escreveu uma história só para ela.

(A Lenda de Stiria, de Ruskin, foi escrito para Effie em 1841)

Ela tinha 12 anos de idade.

Os pais dela eram adoráveis, já os pais dele não.

Quando ela cresceu, ele se casou com ela.

Euphemia "Effie" Chalmers Gray

-Vamos. -Não pode se casar com ele.

Por quê? Eu o amo muito.

É rico e famoso, não vai ter tempo para você.

Não fale asssim... você vai morar em Londres.

Em Londres, Sophia, esquecerei a Escócia.

E você virá em seguida.

Iremos a festas com lindos vestidos amarelos.

Dançaremos com músicos, poetas e grandes artistas,

que pintarão seu retrato.

-É verdade? -Sim, claro.

Vai ser emocionante. Vamos...

Precisamos de mais fronhas para os travesseiros.

As minhas podem ser rosas?

"A natureza deve guiar cada movimento de seu pincel,"

"apenas pintá-la como realmente deve ser,"

sem selecionar nada, sem desprezar nada.

Mostrem a obra de Deus.

Para simplificar, pintem tudo o que virem,

desenhem tudo o que virem.

"Agradeçam a Deus pelo dom do matrimônio."

"Oremos para que este casamento seja fortalecido."

Diante de Deus e destas testemunhas...

eu os declaro marido e mulher.

(eles se casaram em 10/4/1848 em "Bowerswell House"...

casa em que vivia os pais de Effie, comprada dos Ruskins)

-Que Deus os abençoe! -Obrigada!

Amigos...

apesar de não ser um artista, fui agraciado com uma musa.

Considerem este homem, o mais afortunado dos mortais.

Doravante, unido a vocês de corpo e alma.

Sophy...logo nos veremos em Londres.

Adeus!

Sabe o que acabou de me ocorrer?

É a primeira vez que estamos a sós.

Feche os olhos.

Sublime!

(Casa dos Ruskins, Herne Hill, 6 km de Londres)

Finalmente chegamos, obrigado Alfred.

Bem-vinda a Denmark Hill.

Não...bem-vinda ao lar.

George, aí está você!

Eis a sua nova patroa.

Não seja tímido, estenda-lhe a mão.

Ele é uma excelente pessoa e muito educado.

Avise-os que chegamos.

-Queridos... -Amor.

Felicidades, bem-vinda à família.

Estamos felizes em vê-la finalmente entre nós.

Obrigada!

A viagem foi agradável?

A viagem de trem foi bem cansativa.

Mas tudo melhorou quando tomamos sua carruagem.

Ela é muito confortável, a melhor que há no mercado.

-Como uma cama de plumas. -Venha, entre...

-John... -Ah!

A Sra. Ruskin irá preparar o banho dele.

Estava ansiosa pelo seu retorno. Agora venha!

Queria me trocar...

Claro...mas, haverá tempo de sobra para isso.

Gostaria de mostrar-lhe algo.

Este foi adquirido na ocasião de sua boda.

Os ensaios de John fizeram do Sr. Turner um sucesso.

Este quadro agora vale o dobro.

(Quadro: O Grande Canal, de J. Mallord William Turner)

"Abençoai-nos e protegei-nos contra todo mal."

"Guia e orienta nossos passos."

"Obrigado Senhor, por trazer o tesouro dessa casa a salvo."

-Amém. -Amém!

Espero que tenha melhorado, Sra. Ruskin.

Sentimos sua ausência no casamento.

-Foi uma pena não ter participado. -Não importa, agora já passou.

Está mais magra do que no ano passado, querida.

Sim, as dificuldades de meu pai afetaram a todos.

Esses dias terminaram...

não precisará mais se preocupar com dinheiro.

Porém, você, meu menino...

parece ainda mais robusto do que antes!

Foi o ar da Escócia.

Bobagem, é impossível sentir-se bem ali.

Sua tosse atacou-o por todo o inverno, não?

Estou melhor...

e bem saudável.

Começarei a pintar novamente.

John me desenha constantemente,

já deve ter gasto uma fortuna com lápis e papel.

Quem não o faria diante de tal modelo?

Para você, querida, um presente de boas-vindas.

É uma das minhas prediletas.

Deve ser sua, já que lhe pertencerá...

quando eu morrer.

Não, pode deixar!

Sabe como são as mães.

Bom dia, senhora.

Espero que tenha dormido bem.

O que vai querer?

-Todos já tomaram o desjejum? -Ah, sim senhora!

Às 7 hs em ponto, toda manhã.

Não fui avisada.

O cansaço era tanto que nem sequer ouvi John.

Não se preocupe, senhora. Ovos?

-Obrigada...ah, Anna! -Pois não, senhora?

Sabe onde está John... o Sr. Ruskin?

Trabalhando, senhora.

Effie!

John.

Vi que aqui é onde trabalha...

Perdão, quebrei sem querer.

Sim, sem problema.

Conseguiu dormir?

Creio que sim...

eu o vi.

Você não dormiu? Estava tão cansada.

Sim, logo depois.

O que deveríamos ter feito?

O que fazem os casais?

Sei tanto quanto você.

Mas agora tenho de trabalhar.

Vou me sentar e ler um pouco.

Querida, ficará entediada aqui.

Não gostaria de ajudar minha mãe a cuidar do seu jardim?

-Bom dia. -Bom dia, minha filha.

-Dormiu bem? -Sim, obrigada.

-Fez o desjejum? -Sim, obrigada.

-John disse para ajudá-la. -Me ajudar? Não!

Ninguém põe a mão nas minhas rosas, John sabe disso.

Bem, então vou ajudar John.

-Ajudá-lo? -Com seu trabalho.

Isso é improvável.

Posso tomar notas, apontar seus lápis...

Minha querida...

você se casou com um homem extraordinário.

E a melhor ou a única forma de ajudá-lo...

é deixando-o sozinho.

Sozinho? Mas somos recém-casados?

John precisa de tranquilidade para trabalhar,

só assim irá manter sua reputação.

E você, é claro, anseia por elevar-se socialmente.

E eu vou fazer o quê?

Bem, eu me contento com minhas rosas...

e minha bíblia!

"Senhor, creio que este jovem"

"está na fase mais crítica de sua carreira."

"Em um nível no qual, ou mergulhará no vazio,"

"ou atingirá o seu ápice."

"A direção vai depender da metodologia aplicada."

Chegaremos atrasados.

Casamentos, filhos, carecem de paciência.

Ela está pronta.

Diga algumas palavras.

("Ophelia", John Everett Millais, 1851)

("Retorno da Pomba à Arca". Millais, 1851).

("Ordem de Libertação", J. Everett Millais, 1853)

Tento encontrar a verdade...

e a pureza de uma antiga era,

a honestidade que, acredito, não existe mais.

Esta liberdade, não deve ser nem será permitida.

Não há lugar, senhor, para tais criações...

ofensivas e desfiguradas...

nas venerandas paredes desta grande instituição.

Senhores, por favor!

Essa discussão tão interessante pode prosseguir no jantar.

Digo que é sua responsabilidade, Sir Charles Lock,

como presidente desta Academia,

proteger-nos destas... medonhas composições.

Retire os quadros antes da Abertura, eu lhe imploro.

Não ceda, eles são meros diletantes da arte.

Exatamente, são uma vergonha para estas paredes.

Senhores, por favor, calma!

Obrigado.

Qual é o propósito da arte?

Então, qual seria o objetivo?

Idealizar, sentimentalizar?

Obviamente não!

O objetivo é...revelar a verdade.

O objetivo é exprimir Deus!

Mas não de maneira caricata.

Nem ofensivamente!

-Deixem-no terminar. -Vamos ouvi-lo.

Se Deus criou a natureza,

também criou a decadência,

a morbidade, a fealdade.

Concordo que o Sr. Han Sylvia...

não é alguém digamos apaixonante,

mas a fidelidade, a honestidade,

valem mais do que mera beleza convencional, percebem?

Ele pintava o que via.

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