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Esta noite, um exclusivo do 60 Minutos.
Há dez anos, absolutamente ninguém sabia
que já estávamos todos sob a proteção
de alguém que se autodenominava "Green Lantern".
Um dia, sem aviso, ele revelou-se ao mundo
ao impedir, de forma dramática,
um meteoro de destruir as Cataratas de Victoria.
Revelou-se parcialmente, pelo menos.
A seguir, apresentamos a primeira entrevista de sempre
a um super-herói.
Está nervoso?
Nunca fico nervoso. É um requisito do cargo.
- Claro. - Estou contente.
Nesse caso, diga-me, quem é você?
Sou Hal Jordan.
- Raios, Marcus! - Vais meter-nos em sarilhos!
Vigia mas é a janela!
E o que é que quer que o mundo saiba sobre si?
Sou um veterano da Força Aérea. Era piloto de testes.
A verdade é que...
Sou apenas uma pessoa normal, como você.
Só que é o primeiro Green Lantern da Terra.
Sim, há isso.
Em muitos aspetos, Hal Jordan nasceu para desempenhar o papel
que desempenharia um dia.
O seu pai foi um condecorado piloto de testes
que morreu num acidente aéreo quando o Hal tinha oito anos.
Hal continuou a seguir os passos do pai...
Merda, merda, merda. Ele chegou!
Raios! Vá lá, John, desliga a televisão!
Bem, cá, sou o único aqui,
mas somos como polícias de bairro,
e cada um patrulha um setor da galáxia.
- Desliga-a! - Por favor!
E como é que o escolheram para este setor?
- Há algum teste? - John, desliga-a já!
Só há uma pergunta:
Estamos tramados.
"Tens medo?"
- E respondeu que não. - Querida...
O maior medo de qualquer criança é perder os pais.
Quando isso já nos aconteceu...
... não há mais nada a temer.
Dizes-me o seu nome verdadeiro?
Hal qualquer coisa.
- Hal? - Sim, senhor.
Lá fora. Já.
Tens medo?
Não, senhor.
Vamos comer uns hambúrgueres?
Merda.
Estou atrasado.
Sim, senhor.
Não vais dizer nada?
- Não estás mesmo chateado? - Não, senhor.
Eu estaria.
Desapareço duas semanas sem dar explicações
e apareço de ressaca e atrasado.
- Deves estar um bocadinho zangado. - Não, senhor.
- Ligeiramente irritado? - Não, senhor.
Porque sempre que dizes "senhor" soa mais a "vai-te foder"?
Não faço ideia, senhor.
Deves perguntar-te onde estive.
- Pharon 4 diz-te alguma coisa? - Estamos em formação.
- Ainda não saímos da Terra. - É verdade.
É um planeta de merda que estava à beira de uma guerra civil.
A questão é que, se estou de ressaca,
é porque acabei de comemorar que já há paz.
- Como o conseguiu? - Um pouco de diplomacia,
um pouco de porrada. Tu sabes. - Não, senhor.
- É essa a questão. - Pois. Temos muito tempo.
Com todo o respeito, há quanto tempo é que andamos nisto? Dois meses?
E ainda nem sequer pus o anel.
Não fiques obcecado com a joia. O anel é que te vai escolher.
O importante não era ser escolhido pelos Guardiões?
Podes ter impressionado os Chefões Azuis,
mas não passas dum professor substituto, Júnior.
E não estarás pronto para dar aulas até que o anel o diga.
- Toma. Queres pegar-lhe? - É um teste?
Há um quiosque de tacos a uns cinco quilómetros.
Encontramo-nos lá.
- Estou? - Pai, ele tentou matar-me.
Estávamos a caminho de uma aula de voo e o Jordan tentou matar-me, porra!
Ele não te pode matar. Só está a tentar tirar-te do sério.
- Não conseguiu! - Está a pôr-te à prova.
Eles podem fazer birras.
Nós, não. Respira, controla-te e engole o orgulho.
Tens de manter a calma. Vais conseguir?
- Sim, senhor. Já me acalmo. - Ótimo. Queres isso, certo?
Claro que quero.
Então continua assim e o trabalho será teu.
Pois...
Merda. Estou morto?
- O quê? - Estás com o meu anel.
Isso é alguma piada?
Fiz algo que te irritou? Porque, se fiz, peço desculpa.
- Você, o Hal Jordan, a pedir desculpa? - Claro que sim.
- Devo ter um traumatismo craniano. - Alto aí! Alto!
Vamos começar pelo início. Quem és e porque é que estás a usar o meu anel?
Sou John Stewart, o seu recruta.
Os Lanterns não têm recrutas do seu setor.
Agora, têm.
Em que ano estamos?
- 2016. - Caramba...
Quer explicar-me do que se trata tudo isto?
Sou uma cópia da consciência do Jordan
e da senciência do anel. Vim entregar-me uma mensagem.
- Então, você é o Hal? - Não. Sim. Praticamente.
É como nos carregarmos para um tipo de nuvem
só que, de vez em quando, se fazes falta no mundo real...
Os Lanterns carregam-se semanalmente, para a posteridade.
Para o caso de nos acontecer alguma coisa.
Devia ter-te ensinado isto.
- Não te estava a treinar? - Era o que eu pensava.
De quando é esta cópia?
Claramente, de há dez anos. Ouve, tenho de ir a um encontro.
- Onde é que estou? - A cinco quilómetros, a comer tacos.
Bem, podes levar-nos a voar.
Ainda não te ensinei a voar, pois não?
Proponho-lhe uma coisa. Diga-me você o que quer que lhe diga.
Confio em ti? Quero dizer...
Damo-nos bem?
Damo-nos lindamente.
"Há uma praga em Rushville, Nebraska."
- Só isso? - Eu vou perceber.
- Ena! É o Green Lantern! - Incrível!
- Autografa-me o mapa? - É o Green Lantern.
- Uma selfie ! - Pede-lhe.
- Deixem-no respirar. - Está bem.
Não é um jardim zoológico. Vamos lá.
Vou levar o pedido à mesa, senhor Jordan.
Muito obrigado. Obrigado.
- Vamos lá. - Muito obrigado.
Ouça, não se importa que a minha filha tire uma foto...?
Não, de todo, vem. Põe-te aqui. Assim.
- Pronto. - Obrigada.
- De nada. - Ela tem saudades do fato.
Eu não disse isso.
Diz à tua mãe que ainda o uso em ocasiões especiais.
Adeus.
- Podia ter morrido. - Não querias que te treinasse?
Como é que conseguiste salvar-te? O que fizeste com o anel?
Plástico-bolha.
- Que génio. - Pois.
- A sobremesa é por conta da casa. - Muito obrigado.
Porque é que só o usa em ocasiões especiais?
Quando se é jovem e queres validação,
usas gravata para que as pessoas te levem a sério.
Mas, quando se é mais velho e mais sábio,
percebes que gravatas são um inferno.
- Boa. - Sim.
Boa.
Dá-me o meu anel.
Enviou uma mensagem a si mesmo.
- Desculpa? - O anel.
A cópia da tua consciência.
- Era mais simpático há dez anos. - O que disse eu?
"Há uma praga em Rushville, Nebraska".
Paga a conta.
Cabrão.
Desculpe. Não se pode passar.
A sério? Parece estar meia cidade ali.
Vá lá. Já basta, não acha?
John Stewart. Com Hal Jordan. Somos parceiros.
- Não havia só um Green Lantern? - Tecnicamente, ainda sou recruta.
Como um ajudante.
Pode fazer a chamada?
Olá, chefe.
Apareceu mais um.
Estás a gozar comigo?
Diz-lhe que pode ficar à espera na porra das bancadas
com os outros candidatos a heróis.
- Temos muito trabalho para fazer. - Sim, senhora.
Vamos.
Então?
Fique fora do campo.
- Deixou-me pendurado. - Estava a pôr-te à prova.
Para ver se tinhas capacidade de chegar aqui sozinho.
Está cá há seis horas.
Porque é que continuam a processar a cena do crime?
Há serviços de emergência de dois condados.
Estão a interrogar as testemunhas. Estão a levá-las de dez em dez.
As coisas em cidades pequenas demoram o seu tempo.
Não percebo. Voou até aqui para ficar nas bancadas?
A resposta a esse mistério vem diretamente na tua direção.
Olá, xerife... Kane. Este é o John Stewart.
- Kerry. - John.
- A ser treinado pelo Hal. - Que grande honra.
A mesma honra que foi conhecer o Hal quando ele chegou.
- Não têm jurisdição... - Não temos jurisdição.
- Pois não. - Mas terei.
Não vamos começar outra vez.
Está bem. Você é importante. Anotado.
Mas só tem jurisdição sobre incidentes extraterrestres.
- E esta é a definição de terrestre. - Verá que as vítimas são alienígenas.
- Em que se baseia? - Num palpite.
- Um palpite. - Um palpite muito forte.
Então, por favor, o palco é todo seu.
Bem, está tudo muito calmo para um tiroteio, não acha?
- Estão em choque. - Ou ninguém conhece as vítimas.
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