لومړۍ 200 کرښې.
- DJ Vika! - DJ Vika!
Adorava ter uma avó como a senhora.
Tão fixe!
É uma mulher e peras!
Tira-nos uma foto, está bem?
É espetacular! Respeitamo-la muito!
Posso tirar uma fotografia?
São meus netos. Vou adotar-vos a todos.
Vika! Vika! Vika!
Isso.
Ralhe com alguém! Isso mesmo!
E, agora, dispare!
Fixe! Espetacular!
É uma mulher do espaço.
- Caramba! - Agora é que as coisas vão acontecer.
Disse a mim mesma que não seria aquela pessoa velha,
que só fica sentada como uma planta na janela.
Vou mostrar que é possível viver de uma forma diferente.
Maravilhoso! Que petardo!
Trabalha de pé?
Trabalho a noite inteira, até às 4 ou 5 da manhã.
Comecei como DJ depois da reforma. Era professora de educação especial.
Trabalhei 30 anos numa prisão juvenil, atrás das grades!
Quando fui contratada, disseram-me:
"Uma rapariga? Aqui? Num buraco destes? Vai para a televisão."
E eu: "Quero trabalhar aqui. Aceita-me?"
Deu-me duas semanas para provar o meu valor.
E eu fiquei.
Mais tarde, tornei-me gerente, depois diretora das instalações
e, por fim, reformei-me.
Incrível.
Queres transformar uma avozinha de 80 anos numa modelo, meu querido?
O meu marido deve estar a dar voltas na sepultura.
Esta está brutal.
- Parece... - Está brutal.
A avó da casa de banho!
IGUALDADE TOLERÂNCIA
Bem-vinda à minha caverna.
É a primeira vez que vejo um estúdio tão profissional.
Isto é um sintetizador...
- Para efeitos especiais? - Para...
É? Para efeitos especiais?
É, mas também dá para tocar.
Muito à frente!
E soltar.
No início da batida, solte.
Scratch de dança básico. E aqui.
Boa. Muito bem.
Vika e Varsóvia.
O Vístula...
Vístula, Vika, Varsóvia.
Para a direita.
E sorriso.
- Tem netos, não tem? - Tenho, meu querido.
O meu neto é da tua idade.
- Ele vai às suas festas? - É por isso que digo que és meu neto.
Costuma vê-los em festas?
Eles não têm tempo, sabes.
São completamente diferentes.
Acho que a minha neta até tem alguma vergonha.
Vergonha de mim.
Custa-me dizer, mas não somos muito chegadas.
Mas eu não quero comprar relações.
Deixo tudo para a natureza.
Não se pode forçar.
Olá.
- Que cheiroso! - Eu?
O meu marido emprestado.
Olá!
A nadar em aftershave.
Olá, Vika. Onde é que estavas? Estava farto de tocar à campainha.
Estava surda.
Vamos lá.
Pronto.
Senhoras e senhores, vamos dar as boas-vindas à Sra. Szmyt,
também conhecida como DJ Vika no mundo do entretenimento, digamos.
É considerada a DJ mais antiga da Polónia.
Costumava perguntar-me
se seria possível fazer alguma coisa nesta idade.
Estamos mais perto do fim do que do início.
É por isso que não penso nisso.
Quando vejo a minha data de nascimento, pergunto-me quanto mais tempo continuarei.
No outro dia, não conseguia sair da banheira.
Virei-me de barriga para baixo, levantei-me com os cotovelos
e, não sei como, lá consegui.
Ia chamar o vizinho, querem ver?
Para me vir tirar do banho. Tive de aprender a fazer tudo sozinha.
Não há mais ninguém por perto.
Não falo a ninguém do meu sofrimento.
Acho que não se deve.
É melhor passar uma imagem de saúde, certo?
De que se consegue lidar com tudo.
E chorar no sossego da casa também não fará mal nenhum.
- Odeio olhar para velhos! - Pode odiar o que quiser.
Basta ver-se a um espelho e aí está.
Eu mostro a velhice sendo eu própria velha.
Tenho a coragem de me mostrar.
- Vivo em público, mas tento... - Não é preciso mostrar.
Não, é. Não se pode fugir da velhice.
Somos nós que o podemos mostrar de uma forma bonita.
Não vamos para novos, meus queridos. Só para velhos.
Sem um espelho, não se vê.
Querida, vemo-nos ao espelho todos os dias e só temos de nos amar.
Tal como somos. Só assim teremos uma vida mais saudável.
E a senhora é uma mulher linda, a sério.
- Prefiro tocar para os gays. - Sem dúvida. Vá, é a tua vez.
Prefiro olhar para os jovens porque, quando olho para eles,
penso que ainda tenho muito tempo.
Já quando olho para os idosos,
penso que é uma chatice e quanto mais tempo de vida me resta.
Se olharmos para eles,
não sabemos se vamos conseguir tudo o que ainda queremos fazer.
Não encontro o sítio certo. Raios.
Não é assim tão fácil, rapariga.
- Olha para este caos! - Vamos atrasar-nos. Bolas.
Havemos de nos desenrascar.
E se nos atirarem tomates?
Tomates eu aguento. Espero é que não nos atirem pedras.
Ouve isto... Vamos começar com esta.
Vai pôr toda a gente a dançar.
- Encaminha-os para a pista de dança. - Está bem.
Venham para a pista de dança. Cavalheiros, convidem as senhoras.
Aqueles que dançam nunca envelhecem. Venham todos.
Boa. Sorri.
- Ótima. Dá uma olhadela. - É a minha vez.
Já está? E mais uma.
Olha, "Paraíso". Café e dança.
- Pergunto-me se farão bailes. - Porque não vamos?
Não sei se fazem noites de dança em estâncias turísticas como esta.
- Quando fui a Szczawno... - Pensava que era uma casa funerária...
Dizes com cada coisa, Vika.
É apenas um spa de medicina natural.
Quando estou perto de pessoas,
observo as diferentes relações familiares.
Alguns filhos levam as mães de férias.
E quando pergunto por novidades,
dizem que as convidaram para almoçar e coisas do género.
Não censuro os meus netos,
de modo algum,
mas não me ligam todos os meses.
É mais ou menos de seis em seis meses.
- Isso é pouco. De seis em seis meses? - Sim, não é todas as semanas, de todo.
Não tive a possibilidade de dedicar tempo aos meus netos.
Trabalhava e ia ao estrangeiro quando eles estavam a crescer.
Nunca tive uma vida que me permitisse tomar conta dos netos.
Nada justifica a falta de interesse
ou o facto de ela nunca te telefonar ou visitar.
Não há desculpas.
Bom, é por isso que não me envolvo.
Além disso, em relação à velhice,
tenho andado a pensar
e... por muito próxima que seja a relação,
a velhice é sempre um problema.
Uma pessoa idosa é uma espécie de problema,
um fardo para os jovens.
É como que uma dor de cabeça.
Um fardo.
Chegou à caixa de correio. Deixe a sua mensagem após o sinal.
Adeus, meu amor.
Adeus.
Vou-me embora.
O que uma pessoa mais precisa na vida
é, certamente, de ternura.
Mas uma ternura...
Um tipo de ternura que já não se pode...
Já não se pode ter.
Não é possível.
Se o parceiro morreu, é difícil.
Sim...
Depois lembro-me que estou velha...
Algo que esqueço
quando passo música.
- Vais usar isto para te tapar? - Vou usar um bocadinho, sim.
Lembrei-me de uma anedota.
Um rapaz bêbedo vai para a cama com uma rapariga.
Ele acorda na manhã seguinte
e olha para ela, mas ela está muito velha, enrugada, feia.
Ele pergunta: "Quantos anos tens?"
"Que idade pareço ter?"
E ele diz: "As pessoas não duram tanto tempo."
É por isso que eu não tenho casos.
Mas será uma coisa boa?
O tempo o dirá.
Se estiveres em forma, tudo bem, senão...
O que eu mais temo, no entanto,
é uma doença que me torne dependente de alguém.
Não pode subir porque ainda está a aquecer.
Um balão requer paciência.
Eles estão a fazer mal. Aquele já está estragado.
- Não quer voar... - Não.
Simplesmente não quer.
Vai! É isso mesmo! Voa!
Bravo, bravo!
Está a voar!
Estão a ver? Voou!
Querida.
Olha para aqui.
Olha como ficaste linda.
Era isso que eu queria captar, contigo.
Veste o casaco.
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