Rita Cadillac : A Lady do Povo

Rita Cadillac : A Lady do Povo

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Rita Cadillac-A Lady do Povo 2007 SOURCERip xvid dCd
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په خپور شو: 2019-02-24
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Eu só não sei onde foi parar, porque eu tenho.

Eu acho que eu sei. Sabe aqueles tabuleirinhos?

- E aí, Luiz? Meu bebezinho. - Nem falo nada...

Aqui, olha, bota o caldo.

O caldo direto aqui?

É, tira do plástico e bota eles aí. Isso aí?

Ontem eu não jantei nada...

Eu cheguei já eram dez horas.

Sai, sai, sai! Que você vai fazer?

Pronto.

Feijão, arroz, couvezinha e carninha.

Couve eu não quero.

Come um pouquinho de couvinha. Um pouquinho só.

Um pouquinho, tá?

Pena que não está tão calor, não é?

Um depoimento com a Rita, com ela fazendo as unhas,

os pés, você com ela lá e eu vou fazer umas perguntas...

Certo. Tudo bem.

Quando é que vai ser esse depoimento?

Quarta-feira, 15 horas. 15h30 a gente começa.

Como é que você está se sentindo?

Nervosa.

- Hoje é o primeiro dia. - É?

É. Fizemos uma entrevista com seu filho.

Ah, é?

- Gente, vamos entrando? - Vamos entrar!

Foram duas pessoas que batizaram a Rita Cadillac.

Uma foi o Franco, um amigo meu dono de uma boate no Rio de Janeiro.

Quando eu entrei para o Chacrinha, eu entrei como Rita só,

mas na primeira semana já contaram

para o Chacrinha que meu apelido era Rita Cadillac.

Aquilo parece um Cadillac. "Mas por quê?"

Porque o Cadillac, na época, era o carro da moda, entendeu?

Era o carro da onda, o carro da moda.

Aquele rabo de peixe que tinha o Cadillac

e ela tinha um corpo muito bonito, tinha uma bunda muito,

muito bonita, acentuada, como ela tem até hoje ainda.

Ela marcava. A grande marca dela era a bunda dela.

Tanto que na primeira vez que ele falou: "Um som para Rita Cadillac",

a lesada aqui, como sempre, ficou parada,

achando que era uma outra Rita que ia entrar para dançar e acabou.

Na terceira vez é que eu me toquei que era eu mesma.

Aí eu fui, dancei e ali fui batizada Rita Cadillac

e a partir dali não existe outra Rita a não ser a Rita Cadillac.

Um sambinha para a Rita Cadillac.

O programa do Chacrinha, 50% do sucesso era,

naquela época, era dedicado às chacretes.

Um programa com 20 mulheres dançando você tem que...

O papai dava destaque, ele sabia para quem ia até.

Ele dava um certo carinho maior, um destaque maior.

Ele tirava proveito daquilo.

Então eu tinha que fazer alguma coisa diferente.

Então eu botei na cabeça que eu era a gostosa do programa,

que eu era a poderosa do programa.

Eu construí o personagem assim.

"Vamos agora, maestro, uma pantera para Rita Cadillac."

Aí o maestro tocava a música da Pantera.

Isso tem muito amor para dar.

Teve muitas chacretes que marcaram, mas a Rita,

realmente foi a chacrete que mais marcou.

Durante esses anos todos que esteve com a gente, ela ficou mais...

mais de dez anos, doze anos, dançando com a gente.

Então tinha a chamada de comercial, que era o "Roda-Roda".

Todas faziam diferente, faziam grandes assim

e eu falei assim: "Pô, vou fazer grande e vai continuar igual, né",

Então vamos lá no pequenininho, assim, o dedinho,

para ficar uma imaginação...

Para ser chacrete, ela tem que dançar bem,

tem que fotografar bem,

tem que ser simpática e tem que ter um bom visual.

Então, eu mentalizo o tipo de mulher que a pessoa que está em casa gosta.

As adolescentes olhavam a gente, assim,

como se tivessem realizado o sonho delas, não é?

Porque chacrete, naquela época de 80, 83, 84,

era o máximo ser chacrete.

Era um época de glamour, muito glamour,

porque eu acho que nós tínhamos muito glamour, nós tínhamos muito luxo.

Era muita purpurina, muita roupa bonita.

Então, mexia com o imaginário deles.

Nós não éramos tudo aquilo que as pessoas imaginavam que nós éramos, não é?

Nós éramos um pouco ousadas mesmo.

Enquanto as pessoas estavam na praia com um fio dental,

a gente fazia show com fio dental.

E as outras, existiam as meninas que trabalhavam no Bolinha,

elas iam fazer show de maiô, entendeu? Então, eles tinham uma

imagem da gente, assim, sabe: "Nossa, elas topam tudo, elas fazem tudo".

Ninguém era pudica, nem era certinha. Nada disso.

Porém, não éramos o que nós tínhamos fama.

Quem vai querer? Quem vai querer?

Chacrinha era a pessoa mais debochada contra a censura.

A marca da censura, para nós, chacretes, era a Solange, não é?

Doutora Solange. Eu chamo de tia.

Então, a gente, antes de entrar no programa,

eles queriam ver que maiô que nós usávamos.

O problema é que tinha umas lá que botavam

o maiozinho mais para cima, cavava mais o maiô, entendeu?

Faziam uma cavadinha, entendeu? Uma entradinha.

E eu, muito sempre safadinha...

Meu manequim era 40, 42, mas eu dizia que era 38.

Sempre fiz isso.

"Nhact"! Para aparecer bem o bumbum mesmo.

Alô! Palmas para Rita Cadillac.

Eu nasci, meu pai não me conheceu.

Meu pai morreu quando eu tinha 13 dias, então logo depois minha mãe apareceu

na casa da minha avó, comigo nos braços, dizendo que eu era filha

do filho dela.

E que ela morou um tempo com a minha vó, minha mãe e eu,

e depois, um dia, um belo dia, ela foi embora

me carregando, me levando e eu fui embora.

A minha vó sentiu muita falta de mim,

porque a única presença do filho dela seria eu.

E ela foi me buscar, eu ainda bebê.

E eu voltei...

para os braços dela e nunca mais vi minha mãe.

A imagem que eu tenho do meu pai é pela minha vó, construída.

Que sempre falou para mim que ele era um homem de caráter

um homem honesto, um herói de guerra.

E eu construí a imagem do pai perfeito.

Claro que ele devia ter seus defeitos.

Acho que o maior defeito foi não ter casado com a minha mãe

e não ter me dado o nome.

A minha vó sempre dizia que eu tinha os olhos no meu pai.

Meio triste, meio caído, mas que falava muito com os olhos.

Aqui é o Colégio Assunção, onde eu estudei.

Colégio de freira. Para mim foi uma prisão,

porque eu era interna, não é?

As freiras eram bem rígidas aqui, você tinha uma disciplina.

Acordar as cinco da manhã, tem que tomar banho gelado, é terrível.

Ter que rezar o tempo inteiro, é terrível.

Ter que comer o que você não gosta, era terrível.

E também o abandono, porque "hoje é dia das mães", eu não tinha mãe.

Festa do dia dos pais, eu não tinha pai para vir.

Era isso aqui que eu tinha.

Então não enxergava aqui para baixo, não enxergava o resto.

Essa era a minha visãozinha.

Enxergava aqui ao longe o mar, o Pão de Açúcar,

mas não tinha outra visão a não ser esse pequenininho aqui, olha.

Meu Carandiru foi isso aqui.

Minha avó, ela era uma mulher que veio de Alagoas

em uma companhia de teatro, fugida.

Ela veio para o Rio de Janeiro, se tornou modista.

Era uma mulher muito alegre, ela cantava o dia inteiro.

Bebia...

Era uma garrafa de uísque todo santo dia.

Apesar da minha vó me carregar para os jogos,

que ela jogava toda noite, ela ia jogar fora na casa das amigas,

e ela me carregava junto.

E apesar disso, ela me educava muito...

Uma educação muito rígida, uma educação muito formal,

uma educação sem eu saber até o que que era sexo.

Na época da ditadura, ela foi presa e eu só fiquei sabendo anos e anos atrás.

Escondeu muita gente lá em casa,

porque ela falava assim: "Olha, você não pode falar para ninguém

que tem uma pessoa aqui em casa. Pra ninguém."

E eu ficava de boca calada. E eu morava em frente a um quartel.

Aqui era o quartel. Que aqui era fechada essa rua.

- É? - É.

Porque anos 70, não é? Imagino... Por causa da...

Época da repressão. Então aqui era tudo fechado.

Então não tinha essa barulheira, esse movimento?

Não, não tinha não.

E também não tinha tanto carro, nem tanto ônibus assim, não é?

E onde era que você morava?

- Mostra para mim. - Eu morava aqui.

Edifício Lucy. Evaristo da Veiga, 49, apartamento 503.

Quais são as lembranças que esse lugar te traz, Rita?

Tudo de bom, não é? Porque foi aqui que eu cresci,

foi aqui que foi a minha infância,

foi aqui que eu tive um lar.

Olha, continua a parede a mesma.

A porta é a mesma, só que eu morava aqui.

- Era de fundo o seu apartamento, né? - Era de fundo.

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