لومړۍ 200 کرښې.
A ÉGUA VERDE
Corre!
A égua verde!
A égua verde!
- Ei! - O que há?
Venha ver. A égua verde.
É a égua verde!
A égua verde!
A égua verde!
Em Claquebue, sob Napoleão III, um dia uma
égua verde nasceu de Jules Haudouin, agricultor e comerciante de cavalos.
Este milagre trouxe fama e riqueza ao pai Haudouin.
As pessoas afluíam de todo o país para ver a égua verde. Lógico.
Vinham até de Paris. Isso diz tudo.
Ei! Senhor!
- Sabe onde está a égua verde? - Ah, você também? Vai pintá-la por cima?
- É menos verde? - Certamente que não!
Tão verde que é escandaloso. Esse animal vai morrer.
Deixem-na morrer, junto com o seu dono. Veja, ela mora ali.
Muito obrigado.
Besta nojenta! Porque não és azul?
Boa ideia. Seria bonito ter o seu retrato.
Quero pintá-la num prado verde.
- Verde sobre verde, não se vê nada. - Vê-se sim, vou pintá-la de vermelho.
Mas ela é verde. Como a reconheces então?
- Está bem, verde então. Mas o prado fica vermelho. - Assim vê-se ainda melhor.
- Aline! - Sim, patrão. Já vou.
Leve este senhor, um pintor, até à égua.
- Ali deixe-o fazer o que quiser. - Por aqui, senhor.
Porque desperdiça o seu tempo?
Desperdiço o meu tempo, portanto isso leva tempo.
Ela é bonita, não é?
- Também pinta nus? - Sempre, afinal pinto animais.
Não quer pintar uma mulher?
Sim, mas veja, é o seu retrato.
A tua boca, os teus olhos e o teu pescoço, não é?
Ela falaria e riria como tu.
- Como rio? - Ouça.
Oh não! Oh não! Larga-me!
Fica quieta!
Fica em silêncio.
- Aquele tarado, isto é demais! - Eu só fazia uma pausa.
Preguiçoso miserável! Vai-te embora, e depressa!
- A sua criada... - Eu cuido das criadas.
Fora com toda esta tralha.
- Eu fico com isto. - Não.
Fico com isso como pagamento pelo quarto. Vá-se embora ou chamo os gendarmes.
És mesmo um bom rapaz. Isto não me custou um cêntimo.
Mas a égua verde morreu aos dez anos de idade,
e deixou Jules Haudouin, a sua mulher e os seus dois filhos desolados.
Apenas ficou o seu retrato,
mas até isso despertou inveja nos vizinhos, pois ela tinha-se tornado uma lenda.
Honoré! O martelo.
Pobre animal.
Porque te tornaste veterinário se não a podias curar?
Na escola não se aprende nada sobre doenças de éguas verdes!
Vamos, vamos!
- Morreu de repente. - Vá lá.
Às vezes parece que vai falar.
De que te ris?
Por nada.
Aí estás pendurada no lugar de honra, beleza.
Ao lado do Imperador. Tenta fazer melhor do que ele.
Oh, Jules!
Aquele idiota ameaça lançar-nos na guerra!
Infelizmente, Jules Haudouin nunca recuperou da morte da sua égua favorita.
E morreu alguns meses depois.
É isso então...
- Vieste. - Claro.
Estamos-lhe agradecidos.
Também estivemos lá pela sua mãe.
Não lhe censuramos nada. Era só o que faltava.
Isso mexe contigo, não é?
Era mesmo uma coisa especial. E ele teve sorte.
Desejo-vos o mesmo.
Obrigado, Zèphe.
Naturalmente, não acontece todos os dias que uma égua verde caia do céu.
A sorte vai para quem a merece.
A sorte vem para quem tem sorte.
Diz-me, o que estás a fazer?
Olha, era só uma brincadeira.
- Patife! Ladrão! - Fica com ele.
Podes ficar com este. E aquele!
- Viste isso? - Mamã, vá lá!
Desculpe.
- Olha. - Honoré! Muito bem, rapaz.
Uma Maloret, imagina. Queres-na para a tua clínica veterinária.
- Sim. "Na égua verde." - Não, ela aborrecer-se-ia.
- Obrigado. - Aqui, em vez disso
dou-te este alegre sujeito. Vocês combinam bem.
Melhor do que a tua República.
- Tal como tu. - Mamã...
Vamos! Já acabou finalmente, rapazes?
Jules morreu mesmo a tempo; o seu receio revelou-se justificado,
veio a guerra. O Imperador tinha tratado bem das coisas.
Lamento, minha senhora, mas a guerra é a guerra. Precisamos de cavalos.
Requisitem todos os cavalos, e depressa.
Se o teu irmão tivesse estado aqui.
Aqui era menos perigoso do que na floresta.
Cala-te.
Franco-atiradores! Assassinos que disparam pelas costas.
Se queres matar soldados, veste-te de soldado.
- Honoré é impulsivo. - Se disparar um tiro,
estamos todos perdidos, mãe, fuzilados.
Cala-te. Aí está ele.
É o seu filho, minha senhora?
Sim, senhor oficial. Às suas ordens.
Está bem. Levo-o comigo como refém.
- Olá, Toucheur. Estás bem? - Não.
- Não devíamos ter vindo. - Mas estamos aqui.
- Não há razão para ficar. - É verdade.
Ouvimos a música deles.
O vento vem de lá.
Então estão a tentar cercar-nos.
Então, recuemos. Dá-me a tua espingarda, vai-te embora.
Esperem pela ordem, raio!
Esperem por mim!
Esperem por mim!
Esperem por mim, raio!
Esperem por mim!
Alto! Alto!
Não, por aí não! Por aí não!
Não em minha casa! Não em minha casa, miserável!
- Viste o Toucheur? - Sim, ele também fugiu.
- Ele entrou em tua casa. - Raio!
Precisas de dois? És um valente.
- Toma, leva um. - Olha lá!
- O que fizeste a Honoré? - Aqui está ele.
Estás louco? Um franco-atirador aqui?
- E tu? - Eu não me escondo na casa dos outros.
Voltaremos depois da guerra. Oh! Ali estão os comedores de palha.
- Meu Deus! - O que fazemos?
Para o meu quarto, debaixo da cama. Depressa!
- Olha, está ali. - Obrigado.
Vamos!
O que se passa?
- Fomos traídos. - Não pode ser?
- Sim, Zèphe traiu-nos. - Oh, aquele canalha... Aquele canalha...
Canalha, podes dizê-lo. Não tremas assim, controla-te.
Não consigo evitar.
Há franco-atiradores na casa.
- O que fazem aqui? - Não faço ideia. Procurem tudo!
Deixem-nos procurar. Aqui não há franco-atiradores.
- Onde é o quarto? - Não há ninguém no quarto.
- Então vamos subir. - Não há ninguém, afinal.
Então vamos subir mesmo assim.
Se tenho de morrer, não será aqui em baixo.
Oh não! Isso não!
Oh! Não pode ser!
Não! Não pode ser.
Desta vez não vou tremer.
Não encontrámos nada, sargento.
Sargento?
- E? - Nada encontrado.
- Ah! É velho. - Pois...
Não faz mal. Afinal de contas, é a guerra.
Não olhe assim. O que fiz de mal?
- Se alguma vez contares... - Contar o quê?
Uma mulher que se sacrificou por nós.
Não sei o que queres dizer.
- Foram-se embora? - Sim, foram embora.
Bem, cá estamos. Estávamos no sótão.
- Não foram lá acima. - Não.
Faz uma omelete ou algo parecido.
Temos ambos fome. Tu não?
Sim, eu também.
A mãe não tinha arrependimentos; não fez nada de errado, obrigaram-na.
Mesmo assim foi confessar-se. "Teve prazer?", perguntou o padre.
"Certamente", respondeu ela. O padre disse:
"Isso muda tudo se teve prazer."
Teve então de expiar amargamente.
Tão gravemente que a pobre morreu em seis meses.
No seu funeral apareceu o velho Maloret.
Zèphe também estava lá.
Com a sua mulher Anaïs.
No entanto, Zèphe causou a sua morte prematura.
Mas não se arrependia de nada.
Mas um ano depois, cada um por sua vez, Zèphe Maloret teve de enterrar o pai.
Os irmãos Haudouin e toda a sua família fizeram uma visita de cortesia.
As famílias não lutavam, mas não se suportavam.
E então passaram 20 anos. Mas o que são 20 anos numa rixa familiar?
Olá, Parisienne, vens aqui descansar?
Não a vi. Vire-se, Honoré. Desculpe.
Não peça desculpa. A visita de uma bela rapariga é sempre bem-vinda.
Esta não é uma posição para receber elogios.
Mais para outra coisa. Veja.
E se te fizesse pagar pelo direito de passagem?
Eu resistiria. Poderia ser meu pai.
Exatamente. Se eu fosse teu pai, não resistirias, dizem.
- Se acredita no que se diz. - Sim. Os Malorets são todos assim.
De pai para filho.
Mais de pai para filha, diria eu.
O que estás a fazer? Porque esfregas a cozinha?
- O teu irmão vem domingo. - Ele não come do chão.
O veterinário gosta de ver a sua casa limpa.
"A sua casa"?
Não o vendeste?
Não foi bem vendida, ele comprou-me a parte.
Porque aparentemente lhe devia dinheiro.
Ele trata bem dos seus assuntos. Não como alguém que conheço.
No comments yet. Be the first to leave one.