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“SÓ É POSSÍVEL CRUZAR O OCEANO
SE TIVERES A CORAGEM DE DEIXAR DE VER A COSTA”
Ouves o silêncio?
Se alguma coisa acontecesse,
sei que não me arrependeria de nada.
A vida é frágil e há um sentimento de impotência.
Já não tenho nada para dar.
Só queria... chegar a casa.
ATRAVESSAR UM OCEANO A REMAR É UMA EXPEDIÇÃO MUITO PERIGOSA.
MUITOS TENTARAM. POUCOS CONSEGUIRAM.
SALVAMENTO DO “PACIFIC ROWER”
O vasto Oceano Pacífico é uma força temível.
Na história humana, poucos conseguiram atravessá-lo.
Foram retirados do mar alto há 11 dias.
REMADOR PERDIDO NO MAR
Onda de seis metros virou o barco.
Duas remadoras passaram 16 horas
agarradas ao casco do barco no Oceano Atlântico.
Foi a sua segunda tentativa falhada.
UM DIA NEGRO NO MAR
Um salvamento dramático no mar. Uma onda gigante atingiu-as,
virando o barco de quilha num ápice.
Ela teve de se agarrar enquanto o barco continuava a virar.
A viagem quase acabou em tragédia.
EMBARCAÇÃO ADORNADA
QUATRO MULHERES, SEM TIMONEIRO
DECIDIRAM CRUZAR O OCEANO PACÍFICO A REMOS.
ESTA É A SUA HISTÓRIA.
A história de quatro mulheres
prestes a embarcar numa aventura incrível.
A primeira tripulação feminina
que vai remar quase 13 000 km no maior oceano do mundo.
Uma espantosa viagem a cruzar o Oceano Pacífico a remos.
QUATRO MULHERES A REMOS NO PACÍFICO
Da Califórnia, nos EUA, a Cairns, na Austrália...
Duas a remar e duas a descansar,
turnos de duas horas, vinte e quatro horas por dia.
Não haverá barco de apoio no Pacífico.
Acham que levará seis meses e meio.
Porquê quatro mulheres tomam esta decisão perigosa,
talvez a travessia mais difícil do mundo?
SÃO FRANCISCO, CALIFÓRNIA, UMA HORA ANTES DA PARTIDA
Laura?
Obrigada!
Sou a Laura Penhaul e faço parte da Tripulação Sem Timoneiro.
32 ANOS
Uma loucura, três anos e meio a preparar.
CORNUALHA, INGLATERRA TRÊS ANOS ANTES DA PARTIDA
Estamos a tentar selecionar a melhor tripulação
e a ver diferentes personalidades.
Estamos agora focadas no nosso treino físico,
mas diria que 80 % vai sair da nossa força mental.
É uma expedição gigantesca.
Uma coisa é pensar, outra é realizar.
JANEIRO DE 2012 LAURA INICIA O RECRUTAMENTO
Um longo caminho até à partida.
Em outubro de 2012, representámos o “Breast Cancer Care”,
e decidi aplicar as minhas poupanças na construção do Doris.
NOVEMBRO DE 2012 INÍCIO DA CONSTRUÇÃO DO BARCO
Um ano e meio depois,
junta-se a remadora Emma Mitchell.
Tivemos muito trabalho para obter os patrocínios.
MARÇO DE 2014 OBTIDOS OS PRINCIPAIS PATROCÍNIOS
Em maio de 2014, recrutámos as últimas e foi quando conhecemos a Izzy e a Natalia,
e as duas suplentes, Lizanne e Meg.
MAIO DE 2014 ADICIONADAS SUPLENTES
Treinámos muito, tanto mental como fisicamente,
para estarmos preparadas para tudo.
PLYMOUTH, INGLATERRA SEIS MESES ANTES DA PARTIDA
Temos de ser flexíveis. Faz parte da expedição.
Para mim, se tens alguém a seguir-te,
é muito fácil dizer:
“Vamos para aquele barco maior
porque vai ser mais confortável,”
em vez de enfrentar a tempestade e fazer o que tens de fazer.
Quando as pessoas duvidam ou não acreditam,
fico mais motivada para chegar ao fim.
PAIS DA LAURA
Ela não queria olhar para trás e dizer: “Gostava de ter feito isso.”
Só disse: “Vamos fazer.”
Primeiro, preciso de meter tudo na cabina.
Depois, podemos ir.
De momento, remar no Doris é o que mais gosto de fazer.
29 ANOS
Veremos se vai ser assim até chegarmos à Austrália.
A Emma começou a remar aos 12, 13 anos.
MÃE DA EMMA
Trocou tudo pelo remo.
Foi fenomenal o impacto do remo nela.
Foi esse foco, essa motivação, que lhe deram força e caráter
e ela adorou.
Ela saía às 5 da manhã.
Regressava enregelada.
Podia ser uma crise de meia-idade, mas, sendo, era mesmo a sério.
40 ANOS
“O que fizeste?” “Cruzei o Pacífico a remos.”
Vamos ver a Natalia a fazer o eletrocardiograma.
LONDRES, INGLATERRA UM MÊS ANTES DA PARTIDA
Olá, Nat!
Em 15 anos, teve uma vida espantosa
a ir de lugar para lugar e a só fazer as coisas
que verdadeiramente adora.
É de loucos. Nunca conheci e nunca conhecerei alguém igual.
PAIS DA NATALIA
Não significa que a queira ver casada e com filhos
se não é esse o destino dela.
Deve sentir-se realizada com o que faz.
As experiências passadas
foram fundamentais para chegar aqui.
É muito estranho.
Parece que estamos a treinar.
Mas... depressa vai ser bem real.
A Isabel escalou montanhas com mais de 6000 metros nos Himalaias
e quando ouviu falar nisto,
encarou-o como um desafio sério e quis participar.
PAIS DA ISABEL
CAMBRIDGE, INGLATERRA UMA SEMANA ANTES DA PARTIDA
Não gosto de me destacar.
30 ANOS
É difícil parar e dizer: “Quero fazer algo mesmo diferente.”
A principal razão é testar-me
e ver do que sou capaz.
Se imaginares que o vento vem dali. Daquela direção.
- Sim? - Sim.
Lanças a âncora de fora ali.
O Tony é o apoio em terra.
Vai estar diariamente em contacto, enquanto estivermos no mar.
Vê se fica bem apertado.
Dizem que as raparigas vão bater imensos recordes.
Vão bater recordes porque isto nunca foi feito.
O facto de nunca ter sido feito atesta o grau de dificuldade.
SÃO FRANCISCO
Vamos remar de São Francisco para o Havai, temos uns dias para reabastecer.
Depois, remamos entre o Havai e a Samoa.
Depois, a última etapa é da Samoa a Cairns, na Austrália.
No total, a viagem é de 8446 milhas.
O que esta viagem tem de especial
é que nunca houve tripulação masculina.
É o primeiro “barco de quatro” que cruza o Oceano Pacífico, a Norte ou a Sul.
Tive momentos que achei completamente devastadora
a ideia de ela ir fazer isto.
Sou a mãe, ela é a minha menina.
Vai entrar nesse enorme oceano
e uma parte de mim está aterrorizada.
Uma sensação de calma muito estranha.
Esperemos que não seja a bonança antes da tempestade.
Até logo.
Adeus!
Gosto muito de vocês!
Vamos remar no Pacífico.
Isto é tão surreal.
Tão surreal.
Três vivas para o Doris!
Hip, hip, hurra!
Hip, hip, hurra!
Hip, hip, hurra!
DIA 1 2080 MILHAS PARA O HAVAI
Então, é o momento.
A viagem começou.
Está mesmo a acontecer.
Estamos a começar a melhorar as rotinas,
a rodar os turnos, o que é bom.
Vai ser um período de ajustamento.
Olá. Acabámos o nosso turno
e há cerca de uma hora, vimos uma baleia à distância.
Meu Deus!
Jesus, é enorme!
Nenhuma de nós tinha visto uma baleia.
Ela mostrou o espiráculo.
Uma até saltou para fora da água.
Sinceramente, fiquei paralisada.
Paralisada, barra, fascinada.
Foi o sentimento mais estranho que tive.
Queria guardar esse momento numa cápsula.
Nunca me senti tão viva.
Meu Deus!
Não há muitas coisas que me façam sentir assim a adrenalina.
Primeiro dia.
Faltam cento e cinquenta e quatro.
12H06 AM
- É 1h30 da manhã. - É mesmo.
1H30 AM
E completámos o primeiro turno noturno.
Então, vamos dormitar até às três?
- E depois... - Sim.
Depois, voltamos a remar às três e um quarto.
6H24 AM
A vida no Doris é simples.
7H10 AM
Tens de remar durante duas horas
e depois tens duas horas para comer ou dormir
ou fazer coisas a bordo.
O Doris é o nosso barco a remos rosa de 8,8 metros.
Tem uma cabina em cada extremidade.
As cabinas são do tamanho de uma pequena tenda para duas pessoas.
Temos painéis solares no topo do barco.
Estão ligados a baterias,
debaixo das camas, nas cabinas.
Se esgotarmos essas baterias, não podemos utilizar o GPS
nem utilizar os aparelhos elétricos.
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