Way of Youth

Way of Youth (Le Chemin des écoliers)

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په خپور شو: 2026-07-30
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O CAMINHO MAIS LONGO

- Ainda podes vir connosco. - Não, Yvette.

- Então vai logo a seguir. - Não, lembras-te da última vez?

A culpa é minha. Da próxima vez não vamos ao cinema.

Então, sim, ao cinema. E ficamos juntos.

- E todas as noites depois disso. - Claro.

Tens a certeza?

- Já falaste com os teus pais? - Ainda não.

Como é que o vais dizer?

Que o Tiercelin me convida para ir com ele nas férias da Páscoa.

- Isso não é bom? - Depende dos pais.

Então devo dizer que passo as férias contigo?

Não consegues mesmo mentir.

Precisas de duas semanas comigo, completamente sozinho.

- Sim, preciso disso. - Precisas ou apetece-te?

A que horas chegaste a casa ontem à noite?

- Estavas a dormir. - Isso não é resposta.

Às 12. Tinham roubado a roda da frente do Tiercelin.

Estavas no cinema, não estavas?

- O que é isso? - Leite com chocolate.

- E olha, manteiga verdadeira. - Do amigo Tiercelin dele.

- O pai dele tem um restaurante. - É precisamente por isso que não gosto.

- Mas não é mercado negro. - Só troca.

- Sem trocadilhos, por favor. - Queria dar-me um livro americano.

Eu disse: antes chocolate e manteiga.

A literatura americana tem afinal utilidade.

Sabes o que o Tiercelin pediu ao Antoine?

Para ir de férias para a Borgonha com ele.

- Disste que sim? - Porquê não?

É uma questão de discrição.

É bom para ele. Devias ver a cara dele.

Sai todas as noites e dorme pouco.

Dorme na escola,

mas tu é que estás com mau aspeto. O amigo dele não me leva.

Porquê não? Podemos ir os quatro.

Bom dia, senhor Tiercelin. Somos a família Michaud.

Anda lá, onde está a manteiga?

- Se não concordas comigo... - Diz tu, Charles.

Vai com o Tiercelin então.

- Obrigado, pai. - De nada.

- Vais para a escola? - Posso ir contigo?

- O que tens hoje? - Química e história.

Combinação estranha.

- É chocolate. - Não estou a falar disso.

A reação escreve-se assim...

- E esse teu caixão? - Falhou.

- Pena, isso podia render qualquer coisa. - Tenho melhor: champanhe.

- Champanhe? - Vai resultar?

Duas mil garrafas. O tipo de Épernay já procurava outra pessoa.

- Tens um transportador? - Pela Yvette,

uma certa Lulu. Já o fez várias vezes e não é nada gananciosa.

E os alemães?

Vai com a carga, de uniforme alemão.

Bravo, melhor é impossível.

- O que é que ele faz ali? - Eu castiguei-o.

Vai para o teu lugar.

Com que direito é que o castigaste?

Exijo um tratamento respeitoso.

Respeito? Baixa a tua saia, ainda apanhas frio.

Isso não é para uma criança, e certamente não é para o Olivier nem para mim.

Não, senhora. Eu não o tenho.

Percebo, mas só daqui a três semanas. Com sorte.

- O que foi isso? - Aquelas pessoas da rue Monge.

- A wc-sanita deles está partida. - Então substituímo-la, não é?

- Sim, ainda esta manhã. - Não, mas o mais depressa possível.

O Lemontier ainda tem sanitas. Não os vais fazer esperar três semanas, pois não?

Se o tiverem aguentado três semanas,

vão ficar tão agradecidos que pagam 5000 francos.

Não, nada de mercado negro à custa dos nossos inquilinos, Solange.

Negociamos com os fornecedores. Se as wc-sanitas são impossíveis de arranjar...

- Não são. - Em breve serão.

Tome nota de uma carta. Rue Monge.

Na sequência da nossa conversa telefónica, informo-o...

- Posso saber o que isso significa? - Que toda a gente está com dificuldades agora.

O nosso fornecedor de material de canalização...

- Mesmo que exista apenas uma empresa honesta... - Então somos nós, mesmo que fechemos as portas.

Contacto entrará em contacto consigo sobre a sua sanita.

Não vamos à falência, vamos continuar respeitáveis.

- Quando se trata de uma sanita. - Sim, isso assenta-te bem.

O grande senhor respeitável.

Em que ponto é que eu estava?

Contacto entrará em contacto consigo sobre a sua sanita.

Cagas-te nas calças e és um hipócrita.

És um vigarista. E estou-me nas tintas para ti.

Com os melhores cumprimentos... escreve-o já.

- Que grande sacana eu sou. - Eu também.

E a viagem para a Borgonha?

O pai resmungou um pouco, mas resultou. Dez dias em casa da Yvette.

Quando estás a noite toda com uma mulher,

a que horas é que se deve fazer amor? Quantas vezes?

O mínimo possível. Horas depois, e cansas-te disso.

- Estou a falar a sério. - Eu também.

Adeus, senhor Dominique.

- Olá, rapazes. - Adeus, pai.

- Tenho dois bilhetes para o boxe. - Tenho trabalhos de casa.

Então não disse nada.

Marcel, traz a mesa de jogo.

- Senhor Tiercelin, aquele champanhe... - Sim?

E o melhor ainda não o sabe: o transportador tem um uniforme alemão.

Um bom conselho: não fales tanto. Não precisamos de saber isso.

O teu pai não é muito simpático.

Recebes 200.000 francos. Queres também um sorriso a acompanhar?

- Posso sentar-me aí? - Estás bem aí.

- Zaragata com a Flora? - As mulheres...

Eu pensava até na aula: fazer amor, despir-se, tudo tempo perdido.

À nossa idade, temos coisas melhores para fazer.

- Isso não o exclui, pois não? - Exclui, sim.

Olha para ti, não tens grande ar de esperto.

- És inteligente o bastante para dois. - Sem brincadeira.

Eu amo-a, e não me envergonho disso.

Não. O amor é como o tabaco.

Na primeira vez, pensas que estás a fazer algo de especial.

Quando percebi isso, não quis mais tabaco.

- E trato as mulheres da mesma forma. - É a tua escolha.

Ir para a cama com a Yvette é assim tão importante?

Estou simplesmente feliz.

O que é tão importante que não possas ir para a cama com a Flora?

- Tenho de estar em forma. - Para quê?

Ah, sim, a tua parte nessa história do açúcar.

- Vai já levar-lhe o teu ordenado da semana. - Como assim? A Yvette ama-me.

Talvez, mas também quando estás liso?

- Ela nunca pede dinheiro. - Porque lho dás logo.

Dá-lhe lembranças minhas. A sério.

- Então era isso. O que queres beber? - Um copo de leite.

- Leite? Que insulto. - Não faças essa cara.

O que é que se passa com a minha cara? Não podes ser um bocadinho mais simpático?

Mandaste embora aquele industrial de Dinant por tua causa.

Ele adorava-me. E vinha só de quinze em quinze dias.

- Dinant é interurbano. - Que bruto és tu.

Se ao menos me tivesses traído, mas nem isso.

Quer desculpar-me?

- Nada de beijo? - Não gostas de leite.

- E logo à noite? - Tenho de trabalhar.

- Exame final, imagina. - Sim, uma formação.

Então podes explorar os homens. Caso contrário, só as mulheres.

Formação... depois tornas-te funcionário público ou professor de piano. Não é para mim.

Não digas isso ao Paul, o teu filho. Como tu antigamente. Um

intlectual. Mas aqui também aprendeu muitas coisas.

Viste-o com a Flora? Nada de conversa bonita. Autoridade, isso é que conta.

Um homem de verdade, acredita em mim.

Cuidado.

Olá, Chou. A mamã está em casa?

- E o dentista? - Não doeu.

Sim, mas foste corajoso.

Estás atrasado.

Mas tenho duas boas notícias. Com qual começo?

- O champanhe correu bem. - Sim, é o que mais te interessa.

- E a segunda? - Já não me lembro.

- Tenta. - Não faço ideia.

- Pensa. É um homem. - Conheço-o?

- Não, de preferência não. - O teu pai. O que disse ele?

- Mas que coisa. - Sabia que ele ia dizer que sim.

Sabias isso. Vou para a Borgonha.

O campo cheira bem. Vamos rebolar na relva.

Vou mandar o Chou embora.

Vai ver um livrinho com o porteiro um bocadinho.

- Isso eu já sei. - Não faz mal, olha para as imagens.

Agora precisamos de dois.

Sabia que ele ia dizer que sim.

Entra.

Ficas tu a tomar conta da casa?

- Quero ir para casa, estou aborrecido. - Então vai.

- Não chego à campainha. - Vem cá.

- Há notícias do teu pai? - Sim, ele está numa salada.

Não salada, stalag. É um grande campo para prisioneiros.

- O que é que fizeram? - Nada.

- Tenho de ir. - Tens sempre de ir.

- A sério, tenho trabalhos de casa. - Trabalhos de casa.

- Desculpe, mas esta jovem senhora... - O porteiro deixou-me sozinho.

É simpático da sua parte, senhor.

Senhor Coutelier, faz favor de fazer uma coisa por mim?

- Se puder... - É para um amigo. Venha comigo.

Antoine, vem. O senhor Coutelier vai fazer os teus trabalhos de casa.

- Que trabalhos de casa? - Explica-lhe.

Não sei se está certo. Tenho vergonha...

- O senhor Coutelier é professor. - Eu era.

De certeza que se lembra. O meu amigo não tem tempo para os trabalhos de casa.

- Não percebo... - É simples:

Ele não tem tempo e é a sua matéria. Diga o seu preço.

Parece-me uma transação bastante estranha.

Os franceses têm de se ajudar uns aos outros, não têm?

Não lhe prestaria nenhum serviço com isso.

- Bem, na verdade... - Um mau serviço também é um serviço.

- Quanto? 200? - Pelo menos.

- Por favor... - 300?

Isto é absurdo.

Se preferir comida: leite, café, chocolate, óleo...

É pela pátria. Os meus trabalhos de casa.

O amor à pátria não nos impede de amar o mundo...

- Não concordo. - Com quem?

Mas é um belo tema. Patrie, patria, terra dos antepassados.

Devemos aprofundar sobretudo o conceito de 'antepassados'.

Vê? O senhor é que sabe melhor.

Dê-lhe o dinheiro. Mas não por muito tempo, ele tem de o copiar.

- Tão jovem e já tanto dinheiro? - Tira partido disso.

- Não devias ter dito isso. - Ele faz-te os trabalhos de casa.

- Sim, mas mesmo assim. - Amo-te.

Pode acrescentar-se mais alguma coisa?

- Os binóculos. - Não vais querer perder isso.

- Para os teus passeios pela Borgonha. - Demasiado peso.

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