لومړۍ 200 کرښې.
O CAMINHO MAIS LONGO
- Ainda podes vir connosco. - Não, Yvette.
- Então vai logo a seguir. - Não, lembras-te da última vez?
A culpa é minha. Da próxima vez não vamos ao cinema.
Então, sim, ao cinema. E ficamos juntos.
- E todas as noites depois disso. - Claro.
Tens a certeza?
- Já falaste com os teus pais? - Ainda não.
Como é que o vais dizer?
Que o Tiercelin me convida para ir com ele nas férias da Páscoa.
- Isso não é bom? - Depende dos pais.
Então devo dizer que passo as férias contigo?
Não consegues mesmo mentir.
Precisas de duas semanas comigo, completamente sozinho.
- Sim, preciso disso. - Precisas ou apetece-te?
A que horas chegaste a casa ontem à noite?
- Estavas a dormir. - Isso não é resposta.
Às 12. Tinham roubado a roda da frente do Tiercelin.
Estavas no cinema, não estavas?
- O que é isso? - Leite com chocolate.
- E olha, manteiga verdadeira. - Do amigo Tiercelin dele.
- O pai dele tem um restaurante. - É precisamente por isso que não gosto.
- Mas não é mercado negro. - Só troca.
- Sem trocadilhos, por favor. - Queria dar-me um livro americano.
Eu disse: antes chocolate e manteiga.
A literatura americana tem afinal utilidade.
Sabes o que o Tiercelin pediu ao Antoine?
Para ir de férias para a Borgonha com ele.
- Disste que sim? - Porquê não?
É uma questão de discrição.
É bom para ele. Devias ver a cara dele.
Sai todas as noites e dorme pouco.
Dorme na escola,
mas tu é que estás com mau aspeto. O amigo dele não me leva.
Porquê não? Podemos ir os quatro.
Bom dia, senhor Tiercelin. Somos a família Michaud.
Anda lá, onde está a manteiga?
- Se não concordas comigo... - Diz tu, Charles.
Vai com o Tiercelin então.
- Obrigado, pai. - De nada.
- Vais para a escola? - Posso ir contigo?
- O que tens hoje? - Química e história.
Combinação estranha.
- É chocolate. - Não estou a falar disso.
A reação escreve-se assim...
- E esse teu caixão? - Falhou.
- Pena, isso podia render qualquer coisa. - Tenho melhor: champanhe.
- Champanhe? - Vai resultar?
Duas mil garrafas. O tipo de Épernay já procurava outra pessoa.
- Tens um transportador? - Pela Yvette,
uma certa Lulu. Já o fez várias vezes e não é nada gananciosa.
E os alemães?
Vai com a carga, de uniforme alemão.
Bravo, melhor é impossível.
- O que é que ele faz ali? - Eu castiguei-o.
Vai para o teu lugar.
Com que direito é que o castigaste?
Exijo um tratamento respeitoso.
Respeito? Baixa a tua saia, ainda apanhas frio.
Isso não é para uma criança, e certamente não é para o Olivier nem para mim.
Não, senhora. Eu não o tenho.
Percebo, mas só daqui a três semanas. Com sorte.
- O que foi isso? - Aquelas pessoas da rue Monge.
- A wc-sanita deles está partida. - Então substituímo-la, não é?
- Sim, ainda esta manhã. - Não, mas o mais depressa possível.
O Lemontier ainda tem sanitas. Não os vais fazer esperar três semanas, pois não?
Se o tiverem aguentado três semanas,
vão ficar tão agradecidos que pagam 5000 francos.
Não, nada de mercado negro à custa dos nossos inquilinos, Solange.
Negociamos com os fornecedores. Se as wc-sanitas são impossíveis de arranjar...
- Não são. - Em breve serão.
Tome nota de uma carta. Rue Monge.
Na sequência da nossa conversa telefónica, informo-o...
- Posso saber o que isso significa? - Que toda a gente está com dificuldades agora.
O nosso fornecedor de material de canalização...
- Mesmo que exista apenas uma empresa honesta... - Então somos nós, mesmo que fechemos as portas.
Contacto entrará em contacto consigo sobre a sua sanita.
Não vamos à falência, vamos continuar respeitáveis.
- Quando se trata de uma sanita. - Sim, isso assenta-te bem.
O grande senhor respeitável.
Em que ponto é que eu estava?
Contacto entrará em contacto consigo sobre a sua sanita.
Cagas-te nas calças e és um hipócrita.
És um vigarista. E estou-me nas tintas para ti.
Com os melhores cumprimentos... escreve-o já.
- Que grande sacana eu sou. - Eu também.
E a viagem para a Borgonha?
O pai resmungou um pouco, mas resultou. Dez dias em casa da Yvette.
Quando estás a noite toda com uma mulher,
a que horas é que se deve fazer amor? Quantas vezes?
O mínimo possível. Horas depois, e cansas-te disso.
- Estou a falar a sério. - Eu também.
Adeus, senhor Dominique.
- Olá, rapazes. - Adeus, pai.
- Tenho dois bilhetes para o boxe. - Tenho trabalhos de casa.
Então não disse nada.
Marcel, traz a mesa de jogo.
- Senhor Tiercelin, aquele champanhe... - Sim?
E o melhor ainda não o sabe: o transportador tem um uniforme alemão.
Um bom conselho: não fales tanto. Não precisamos de saber isso.
O teu pai não é muito simpático.
Recebes 200.000 francos. Queres também um sorriso a acompanhar?
- Posso sentar-me aí? - Estás bem aí.
- Zaragata com a Flora? - As mulheres...
Eu pensava até na aula: fazer amor, despir-se, tudo tempo perdido.
À nossa idade, temos coisas melhores para fazer.
- Isso não o exclui, pois não? - Exclui, sim.
Olha para ti, não tens grande ar de esperto.
- És inteligente o bastante para dois. - Sem brincadeira.
Eu amo-a, e não me envergonho disso.
Não. O amor é como o tabaco.
Na primeira vez, pensas que estás a fazer algo de especial.
Quando percebi isso, não quis mais tabaco.
- E trato as mulheres da mesma forma. - É a tua escolha.
Ir para a cama com a Yvette é assim tão importante?
Estou simplesmente feliz.
O que é tão importante que não possas ir para a cama com a Flora?
- Tenho de estar em forma. - Para quê?
Ah, sim, a tua parte nessa história do açúcar.
- Vai já levar-lhe o teu ordenado da semana. - Como assim? A Yvette ama-me.
Talvez, mas também quando estás liso?
- Ela nunca pede dinheiro. - Porque lho dás logo.
Dá-lhe lembranças minhas. A sério.
- Então era isso. O que queres beber? - Um copo de leite.
- Leite? Que insulto. - Não faças essa cara.
O que é que se passa com a minha cara? Não podes ser um bocadinho mais simpático?
Mandaste embora aquele industrial de Dinant por tua causa.
Ele adorava-me. E vinha só de quinze em quinze dias.
- Dinant é interurbano. - Que bruto és tu.
Se ao menos me tivesses traído, mas nem isso.
Quer desculpar-me?
- Nada de beijo? - Não gostas de leite.
- E logo à noite? - Tenho de trabalhar.
- Exame final, imagina. - Sim, uma formação.
Então podes explorar os homens. Caso contrário, só as mulheres.
Formação... depois tornas-te funcionário público ou professor de piano. Não é para mim.
Não digas isso ao Paul, o teu filho. Como tu antigamente. Um
intlectual. Mas aqui também aprendeu muitas coisas.
Viste-o com a Flora? Nada de conversa bonita. Autoridade, isso é que conta.
Um homem de verdade, acredita em mim.
Cuidado.
Olá, Chou. A mamã está em casa?
- E o dentista? - Não doeu.
Sim, mas foste corajoso.
Estás atrasado.
Mas tenho duas boas notícias. Com qual começo?
- O champanhe correu bem. - Sim, é o que mais te interessa.
- E a segunda? - Já não me lembro.
- Tenta. - Não faço ideia.
- Pensa. É um homem. - Conheço-o?
- Não, de preferência não. - O teu pai. O que disse ele?
- Mas que coisa. - Sabia que ele ia dizer que sim.
Sabias isso. Vou para a Borgonha.
O campo cheira bem. Vamos rebolar na relva.
Vou mandar o Chou embora.
Vai ver um livrinho com o porteiro um bocadinho.
- Isso eu já sei. - Não faz mal, olha para as imagens.
Agora precisamos de dois.
Sabia que ele ia dizer que sim.
Entra.
Ficas tu a tomar conta da casa?
- Quero ir para casa, estou aborrecido. - Então vai.
- Não chego à campainha. - Vem cá.
- Há notícias do teu pai? - Sim, ele está numa salada.
Não salada, stalag. É um grande campo para prisioneiros.
- O que é que fizeram? - Nada.
- Tenho de ir. - Tens sempre de ir.
- A sério, tenho trabalhos de casa. - Trabalhos de casa.
- Desculpe, mas esta jovem senhora... - O porteiro deixou-me sozinho.
É simpático da sua parte, senhor.
Senhor Coutelier, faz favor de fazer uma coisa por mim?
- Se puder... - É para um amigo. Venha comigo.
Antoine, vem. O senhor Coutelier vai fazer os teus trabalhos de casa.
- Que trabalhos de casa? - Explica-lhe.
Não sei se está certo. Tenho vergonha...
- O senhor Coutelier é professor. - Eu era.
De certeza que se lembra. O meu amigo não tem tempo para os trabalhos de casa.
- Não percebo... - É simples:
Ele não tem tempo e é a sua matéria. Diga o seu preço.
Parece-me uma transação bastante estranha.
Os franceses têm de se ajudar uns aos outros, não têm?
Não lhe prestaria nenhum serviço com isso.
- Bem, na verdade... - Um mau serviço também é um serviço.
- Quanto? 200? - Pelo menos.
- Por favor... - 300?
Isto é absurdo.
Se preferir comida: leite, café, chocolate, óleo...
É pela pátria. Os meus trabalhos de casa.
O amor à pátria não nos impede de amar o mundo...
- Não concordo. - Com quem?
Mas é um belo tema. Patrie, patria, terra dos antepassados.
Devemos aprofundar sobretudo o conceito de 'antepassados'.
Vê? O senhor é que sabe melhor.
Dê-lhe o dinheiro. Mas não por muito tempo, ele tem de o copiar.
- Tão jovem e já tanto dinheiro? - Tira partido disso.
- Não devias ter dito isso. - Ele faz-te os trabalhos de casa.
- Sim, mas mesmo assim. - Amo-te.
Pode acrescentar-se mais alguma coisa?
- Os binóculos. - Não vais querer perder isso.
- Para os teus passeios pela Borgonha. - Demasiado peso.
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