As primeiras 200 linhas.
Candyman
Muito bem, juntem-se todos Chegou o Candyman
Que tipo de doce querem? Chocolate docinho?
Doce com cobertura de chocolate? Gomas? Escolham à vontade
Vieram ao sítio certo Porque sou o Candyman
Quem consegue pegar na alvorada
Polvilhá-la com orvalho
Cobri-la com chocolate E um ou dois milagres
O Candyman
O Candyman consegue
O Candyman consegue Pois mistura tudo com amor
E torna o mundo saboroso
Ele consegue pegar num arco-íris
Embrulhá-lo num suspiro
Mergulhá-lo no Sol E fazer uma tarte de limão bestial
O Candyman
O Candyman consegue
O Candyman consegue Pois mistura tudo com amor
E torna o mundo saboroso
Está preso.
Ajoelhe-se.
Não fiz nada.
Mãos no ar!
William, disse-te para levares a roupa à lavandaria.
Billy, aonde vais?
À lavandaria.
- Podes lavar a minha roupa? - Não.
Espero que o Sherman te apanhe.
Se o vir, avise-nos.
Não o queremos a assustar mais miúdos.
VIU ESTE HOMEM?
Então, é isso. Aqueles miúdos...
Ainda andam à procura dele.
Não saias depois de anoitecer.
Foi o que eu disse.
LAVANDARIA
SERVIÇO DE EXTERMÍNIO EM TODO O EDIFÍCIO
- Não houve mais informações. - Não sei.
Vem um ruído suspeito do interior do prédio.
Vamos verificar.
- Estás nervoso? - O quê?
Não paras de mexer na garrafa.
- Estás inquieto. - Não.
- Não. - Sim.
Estás nervoso?
Não, estou prestes a ser o melhor amigo da tua irmã. Percebes?
Que acharias disso?
Tudo bem.
É vinho do supermercado?
É Rothschild?
Temos moscatel no frigorífico, se preferires.
Acho que a Postmates entrega vinho.
É um dos teus?
Sim. Já é muito antigo.
Ele detesta que eu o tenha pendurado aí.
A certa altura, há que seguir em frente.
Só que não o fizeste. Não crias uma peça há... dois anos?
Porque és a minha musa e vejo-te pouco, Troy.
Para com isso.
- És incrível. - Obrigado.
- Vá. - Deixa-o respirar.
Ele ainda está lixado por não ter sido o nosso agente imobiliário.
Como se percebe.
Que horror, como aguentas?
Não. Querido, não percebes nada do imobiliário em Chicago.
Ele deve gostar de ti, porque está a exibir o traseiro.
Não exibe sempre?
Pagaste demais, Bri. Não é só o interior que conta.
- Fica perto da galeria. - Pois, é muito prático.
- Qual é o problema da casa? - Nenhum.
Como disse muitas vezes à minha irmã, o bairro está assombrado.
- Tudo está assombrado. - Não comeces.
Pois, mas escolheram um sítio que se chamava Cova Fumegante porquê?
Depois, Pequeno Inferno e...? Beco do Combate?
- Como se chama agora? - Cabrini-Green.
Era um bairro social.
Era habitação acessível com uma reputação muito má.
Ninguém diria.
Porque foi demolido e gentrificaram esta porra toda.
Tradução: brancos construíram o gueto
e depois arrasaram-no quando perceberam que o tinham construído.
- Sem ofensa. - Sem problema.
Aproveitaram para o tornar habitável. Ter-vos-ia feito uma remodelação melhor.
Diziam às pessoas que iam melhorar o bairro.
Mudavam-nas de um sítio para outro,
mas estavam a destruí-lo para poderem urbanizar tudo ao redor.
Como neste bairro.
Querem ouvir uma história assustadora?
- Não. - Temos pena!
Mas eu votei "não".
Troy...
Céus...
A sério?
É bom que valha a pena.
Esta é a história
de uma mulher chamada Helen Lyle.
Era uma aluna branca de pós-graduação a fazer a tese
sobre as lendas urbanas de Cabrini-Green.
Veio fazer investigação a Cabrini algumas vezes.
Fez perguntas, fotografou os grafítis,
as pessoas.
E então, um dia,
ela simplesmente
passou-se.
Decapitou um Rottweiler.
Quando a polícia apareceu,
ela estava num dos apartamentos a fazer anjos de neve numa poça de sangue.
Tretas.
- Troy! - Tretas!
- Onde ouviste isso? - Ela nunca mataria um Rottweiler.
Que exagero, mesmo para ti.
Há artigos sobre isso. Procurem.
As autoridades prendem-na,
mas ela foge quase imediatamente.
Entra em desvario,
deixando um rasto de cadáveres atrás de si e depois
o bebé de uma das moradoras é raptado.
A mãe fica destroçada. Toda a gente procura por ele,
mas nada.
Na noite da fogueira anual,
à vista de todos os moradores,
a Helen chega
com uma oferenda sacrificial.
Com o bebé nos braços, corre para a fogueira, mas depressa a apanham.
Dizem que estava em estado de fuga, a resistir cegamente.
Mas libertaram o bebé.
Enquanto estavam todos preocupados com ele,
a Helen levanta-se
e corre pelo fogo dentro.
E é aí que morre.
Queimada viva
no meio de Cabrini-Green.
O meu rosé ainda está no congelador?
Não queres o moscatel?
O moscatel é um vinho de sobremesa.
Adeus, Bree-Bree.
Adoro-te. E gostei muito de te conhecer.
Anthony, toca a pintar. A minha irmã não quer sustentar-te o resto da vida.
Larga os pesos e pega nos pincéis.
- Troy... - Vá lá!
Ele tem piada.
É ridículo.
Mas tem razão.
Fico feliz pelo Troy finalmente andar com alguém normal.
Estava cansada de ter de me manter a par de todos aqueles estilistas europeus.
Estás a ouvir?
A que horas vem o Clive, amanhã?
Às 10:00.
Estás satisfeito com os quadros que vais mostrar?
Acho que sim.
Há coisas de que ele pode gostar.
Certo.
Parece que ela matou mesmo um Rottweiler. Caramba.
Não quero saber.
Não quero ficar apavorada na minha casa nova antes de dormir.
A tua casa nova é à prova de fantasmas.
- Estava na lista da Zillow. - A nossa casa nova.
Desculpa.
Anda cá.
Quem és tu, meu?
Bem...
Este é o Anthony McCoy de há dois anos.
Quero o Anthony McCoy do futuro.
Quero a grande esperança negra das artes na Chicago de amanhã.
Foi a esse tipo que dei uma exposição individual mal saiu da faculdade.
Ouve, não quero mesmo ter a chatice de te substituir na exposição de verão,
mas és a única pessoa que não me mostrou o que vou expor.
- Estou a trabalhar numa coisa nova. - Curto a vossa história, meu.
Estou a pensar em fazer algo sobre os bairros sociais.
- E sobre a supremacia branca... - Os brancos.
Sim, criam espaços de total abandono para as comunidades de cor,
em especial as negras.
- Tipo aquela de onde vens. - Pois. Bronzeville.
O South Side está muito batido.
Ou Cabrini-Green.
Tenho fome.
Eu também.
Adeus, querido. Não te esqueças que logo vamos à tua mãe.
Às 19:00.
Adeus.
Cabrini Green antes e agora
TORRES CABRINI DEMOLIDAS MAS CASAS GEMINADAS FICAM
FOGUEIRA HELEN LYLE
FUGITIVA HELEN LYLE MORRE EM FOGUEIRA ILEGAL
Antigamente, eles quase nunca vinham cá.
A menos que fosse para prender alguém.
Mas isso foi há muito tempo.
Agora, parece que não querem sair de cá.
De noite, abancam onde ainda moram os últimos de nós.
Um carro-patrulha em cada ponta do quarteirão.
A manter-nos seguros.
Ou a manter-nos cá dentro.
Vive aqui há muito tempo?
Sim, desde antes da demolição das torres.
William. William Burke.
Anthony McCoy.
Precisa de ajuda?
Lar, doce lar.
Quanto mais as coisas mudam, mais ficam iguais.
Tudo bem, meu?
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