All the Gold in the World

All the Gold in the World (Tout l'or du monde)

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Publicado em: 2026-07-28
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As primeiras 200 linhas.

TODO O DINHEIRO DO MUNDO

Não se apresse. Temos tempo de sobra.

Tem pressa.

A estrada não é só para si, palerma.

O senhor não é muito educado.

Merece um pontapé no cu.

Olá, patrão.

- Casas antigas. - Algumas têm mais de 500 anos.

- Tem de ir abaixo. Vamos? - Vai divertir-vos.

Senhor Victor Hardy, o presidente da câmara e os vereadores.

A nossa aldeia está em destaque,

porque, segundo as estatísticas oficiais...

Lemos no jornal.

O nosso fotógrafo já está a trabalhar.

Não é bonito? Ele morreu aos 85 e a mulher aos 93. Foto.

E este viveu de 1850 a 1938. Foto.

- Este chegou aos 92, e aquele também. - E os 100-centenários?

Também há bastantes. Veja, 1858-1959.101 anos.

E veja este, ainda mais velho. E aquele ali.

- Aqui envelhece-se. - Compramos tudo.

- De graça. E depois voltamos a vender. - Com um slogan apelativo.

Espere. Não.

- Aqui vive-se muito tempo. - Viva...

- Longueville. - Longueville...

- Longueville, um golpe de mestre. - Com boa publicidade.

Quem ama a vida vai morar em Longueville.

- A câmara municipal de Cabasse... - Obrigado, senhor presidente da câmara. Obrigado.

- Tudo nosso. - Bem feito, Fred.

Convencê-los a vender sem esbanjar dinheiro.

- Assinaram todos? - Sim, menos um. Quer falar consigo.

- E ele está aqui. - Vá buscá-lo.

Senhor Dumont, pode entrar. O senhor Hardy está cá.

Sim, por aqui. Por aquela porta.

- Aqui são um pouco parvos. - Ainda bem.

- Onde fica o terreno dele? - Aqui. Aquele terreno por construir.

No meio da propriedade. E é lá que fica a nascente.

Ele não faz a mínima ideia. Entre, senhor Dumont.

- Encantado de conhecê-lo, senhor Dumont. - Já nos conhecemos.

- Quando? - Recentemente. Na estrada.

- O seu motorista não foi muito educado. - Não me diga.

Disse que eu merecia um pontapé no cu.

- Não consigo imaginar isso. - Então eu estou a mentir?

- Fique. Acreditamos em si. - Foi um mal-entendido.

- Vai repreender o motorista. - A sério.

Sente-se um instante e depois assine ali.

Merece um pontapé no cu.

- É isso mesmo. - O senhor tem toda a razão.

- Concorda comigo? - Completamente.

- Então vá buscá-lo. - Quem?

O seu motorista. Para lhe dar o que merece.

Muito engraçado.

Esse senhor Dumont pode ser mesmo engraçado.

- Assine. Nós fazemos o resto. - Vamos punir o culpado.

Primeiro esse pontapé no cu. Depois falamos.

- Está a brincar. - Não pode querer...

Eu não exijo nada. Vocês é que querem algo de mim.

- Por favor, senhor Dumont. - Não podemos conversar?

O senhor Hardy quer o seu bem. Sente-se, e falamos.

Ou tem pressa?

Nunca tenho pressa. Tenho tempo de sobra.

O rapaz está claramente surpreendido. Tem de se habituar à ideia.

É lógico, imagine só.

- Acho que ele pediu tempo para pensar. - Com razão. É preciso tomar o seu tempo.

Tudo isto é dele.

Tem de aceitar. Venha comigo.

- Vamos. - Vou sozinho, não preciso de testemunhas.

E despache-se um pouco.

- Senhor Dumont? - Quem está aí?

- Estou pronto. - O que quer?

Não quero nada. O senhor quer alguma coisa.

Ah, é para... Não tem pressa.

Faça favor.

O brutamontes atingiu-me bem.

Resolvido. Deixe-o assinar, e podemos ir.

Não quero ver mais aquele velho.

- Ainda não está resolvido. - Como assim? Ah, sim.

Essas pessoas são brutamontes. Falam outra língua.

- Essa era a combinação, não era? - Ao que parece, sim.

Só precisa assinar ali.

Só preciso assinar ali? Então assino ali.

Então ficou combinado. Mas primeiro tenho de falar com Toine.

- Toine? - O meu filho.

Mas o seu filho não é o dono, pois não?

Não, sou eu. Mas quem ma deixou? O meu pai.

E ele recebeu a casa do pai dele.

Passou de pai para filho enquanto houve Dumont.

Não o vendo sem falar com o Toine. Não posso fazer isso.

- Onde te meteste, Fred? - Um instante.

Tem de falar com o Toine.

- Farei isso quando o vir. - Agora mesmo.

- Agora mesmo? Mas ele está lá em cima. - Lá em cima?

- Nas montanhas, com as ovelhas. - Então vamos para lá.

Para as montanhas? Eu fazia isso quando era novo.

São dois dias a pé, e não há estradas. Portanto...

Quando é que ele volta?

Depois do verão. Com as ovelhas.

- Vens outra vez? - Já vou.

- Quer sopa? - Não, obrigado. Numa outra ocasião.

- Toine, não me reconheces? - É o presidente da câmara.

- Você me deu um grande susto. - Viemos cumprimentar-te.

Olá, Toine. Prazer em conhecer-te.

É a cara do pai.

- Quem é esse? - Um amigo do teu pai.

Ele acabou de me oferecer sopa.

E disse-me que queria falar contigo.

- É mesmo? - Sim, é mesmo.

Não gostarias de voar connosco?

Eu? Naquilo?

Gostava disso.

- Senhor Dumont. - Mathieu.

Olá, pai.

- O que fazes aqui? - Querias falar com ele, não querias?

Eu disse: depois do verão, quando voltar com as ovelhas. Só então.

Abraça o teu pai e diz-lhe que tem de ser sensato.

Não pões os pés em casa antes de as ovelhas voltarem.

- Você disse que ele queria falar comigo. - Eu trato disso.

- Que cabeça-dura és. - Vou ensinar-te.

- Não me vais matar a tiro, pois não? - É só chumbo.

Para ladrões de maçãs.

Vai-te embora ou disparo.

Todos os Dumont eram cabeças-duras, mas tu és o pior.

Queria disparar contra mim. A mim, o presidente da câmara.

Eu vou.

- Ouça, senhor Dumont. - Pare com isso.

- Ele pertence às suas ovelhas. - Mas você queria...

Depois do verão. E quando digo algo, é a sério.

Quero esclarecer uma coisa. O seu filho não tem culpa.

Ah não?

- E quem toma conta das ovelhas agora? - As ovelhas?

Sim. Diga lá. Você sabe tudo tão bem, não é?

- O teu pai perguntou... - Quem toma conta das ovelhas.

Bem, o homem da barba.

- O homem da barba toma conta delas. - Não percebe nada disso.

Não percebe nada disso?

- Juntamente com o sobrinho dele. - Muito bem.

- O sobrinho dele ajuda-o. - Que sobrinho?

Acho que o sobrinho do homem da barba.

Ele tem de rir.

Esse sobrinho é um idiota.

Não, não esse sobrinho.

- Qual então? - O outro sobrinho é o idiota.

É o outro sobrinho.

Toine, não podias pôr os pés em casa.

- Mas ele é seu filho. - Ele pode entrar, não pode?

Eu vivo aqui e já não sou criança.

Ah não? Veremos.

- E amanhã... - A inauguração festiva.

- Todos esses jornalistas. - A rádio, os convidados de honra.

- Tudo isso vai por água abaixo. - Por causa daquele cabeça-dura.

- Se ao menos pudéssemos... - Matá-lo.

Isso vai ser difícil.

Embora...

- Vou explicar-te, Toine. - Talvez tenhamos insistido demasiado.

- Ele bateu-me. Na minha idade. - É terrível.

Falamos a sério.

É isto: queremos comprar a vossa casa e terreno, e o teu pai...

- Abre, Toine. - Um momento.

Temos a autorização do teu pai...

- Podia ter revidado. - Certamente, mas não adiantava nada.

Têm de chegar a acordo sobre a venda.

- Abres ou não? - Já vou.

- O teu pai disse que sim. Agora falta tu. - Tenho de ir.

Sim, para Paris ou algo assim.

- Um lugar sem preocupações. - Onde quer que seja.

Se preferires viver fora, construímos-te qualquer coisa.

Então poderás levar uma vida diferente. Para o teu bem.

Mais ainda, é o teu dever.

Valha-me Deus. Abre, ou pego no meu machado.

Estamos prontos.

Tu dizes que sim, agora falta ele.

- Talvez ele compreenda... - Certamente.

Quando estiver no fundo do poço.

- O fundo do poço? - Sim, foi isso que ele disse.

- Deixar-me de fora. Onde está ele? - Está enganado, senhor Dumont.

Guardei ovelhas até aos quarenta anos.

E agora desaparece.

Toine, aparece. Onde estás?

- O Toine não está, senhor Dumont. - Eu vou encontrá-lo.

Ajuda, senhor Hardy. Ajuda.

O que faz junto ao meu poço?

Saia daí.

Aquela gente pensa que tudo é permitido.

Fique aí. Não se mexa.

Vou mostrar-lhes uma coisa.

Apanha-o, Toine. Apanha-o.

Vou buscar um cartucho.

Como ele é desajeitado. Ajuda um pouco.

Devia ter-te deixado fazer o que querias, idiota.

Vê onde terias acabado sem ele.

- Nesse buraco negro. - No nada.

Podes levar um tiro de chumbo.

Quando precisas de uma coisa dessas, recusa-se a funcionar.

Valha-me Deus. Isso está a ferver como o inferno.

Que mal fiz eu a Deus? Hei de responsabilizá-los por isso.

Não lhe dês demasiado de beber, Rose.

Pobre Toine. Conhece-lo, ele não fica mau quando bebe.

Eu também estou aqui para defender a tua honra.

Conto consigo, senhor Jules. Boa noite, Rose.

Tira uma carta.

Viu? Põe-o de volta agora. Chega mais perto.

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