As primeiras 136 linhas.
[motor elétrico do ônibus assovia suavemente]
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É o titânio da articulação.
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- Desculpa o transtorno. - Imagina.
Eu tô sempre arrumando problema.
O senhor vai abrir as caixas 572, 1058 e 1300.
- Correto? - Uhum.
[bipes sequenciais suaves, ruídos computacionais pulsantes]
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- Vamos pra dentro! - Vai lá. Mais rápido!
Aqui! Por aqui.
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Parado!
- No chão! - Não tem saída!
Você tá cercado!
- Anda! - Parado aí!
- Vamos! Anda, vai! - Vai, vai!
- Anda, porra! -
- Que é isso? - Perdeu, vagabundo! Vamos!
Larga a moça, ajoelha devagar.
Vai, levanta as mãos pra cima. Vamos!
Vai, larga a moça. Não tem saída, não. Bora!
Ô! Ei! Perdeu, vagabundo! Vamos!
Abre a porta, irmão. Não tem pra onde ir, não, mermão. Bora!
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Vai atrás dele!
Cadê ele?
Porra, caralho!
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- Vamos sair daqui. Vem! -
Já era pra mim parar.
Não fala besteira, porra. Levanta!
Levanta!
Olha pra mim.
A gente vai terminar isso junto. Tá ouvindo? Vamos terminar junto!
Toma. Toma, pega.
- Você vai ter que terminar isso sozinho. - Não.
Levanta.
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- Vou pegar a moto. -
Irmão!
Não vou te deixar aqui.
Eu sei.
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O ano é 2035.
E o mundo mudou.
Mas isso não importa.
Porque, desde que o mundo é mundo, sempre existiram três tipos de pessoas.
Os que lutam por si, os que lutam pelos outros
e os que lutam até o fim.
Meu nome é Maria
e eu nasci predestinada pra ser uma campeã.
Como a minha mãe.
Que salto incrível! Helena Santos do Brasil!
- Eu dei minha vida por esse sonho. -
- Isso! - Eu treinei pra caralho.
Vai! Não desiste!
Boa! Que bom…
A minha mãe me preparou pra assumir o lugar dela.
E eu estava pronta.
Eu seria uma grande campeã.
- - Como ela.
E a filha da grande recordista Helena Santos
é a próxima competidora
na prova de salto em distância.
Ela segue os passos de sua mãe, tentando quebrar mais um recorde mundial.
[prótese emite zumbido agudo de energização]
- - Peraí, só um pouquinho.
Só tem dois detalhes.
Eu não sei se você percebeu, mas essa aí não sou eu.
Essa é a minha irmã, Gabi.
E isso na perna direita dela é uma prótese biônica.
Com esse supersalto,
Gabi Santos é a nova recordista mundial!
É, esse era pra ser o meu lugar.
Meu destino era ser uma mulher superpoderosa,
como a minha mãe.
Aí, justamente quando a minha carreira estava decolando,
a revolução biônica aconteceu.
E mudou tudo.
Gabi Santos,
a primeira paratleta brasileira
a se tornar biônica.
Ganha medalha de ouro no primeiro Pan Biônico.
Que maravilha!
É! Essa vitória é pra vocês!
- É pra vocês, galera! -
Acontece que eu sou do tipo que luta até o fim.
Afinal de contas, eu era uma predestinada.
E o destino tinha acabado de me dar uma segunda chance.
Átila Hirsh, 36 anos, conhecido como Miúdo.
Ex-boxeador ranqueado…
O cara era uma verdadeira promessa do esporte.
Sei. Os biônicos apareceram e a carreira dele evaporou.
O que a gente sabe até agora é que esse Miúdo
amputou o próprio braço num acidente forjado
pra ganhar uma prótese biônica.
Mas a armação foi descoberta e cancelaram a autorização da prótese.
Prótese pirata. E como controla isso?
Precisa do implante, não?
Sim, o NIM.
É praticamente impossível colocar as mãos num chip desses.
Pois é. Há mais ou menos um mês,
o corpo de um paratleta biônico morto por overdose
foi roubado de um necrotério lá em Buenos Aires.
Eles acharam o corpo uns dias depois com um buraco na cabeça e sem o NIM.
Aposto que esse NIM veio parar na cabeça desse aqui.
Tira uma foto dessa tatuagem. Dá uma fuçada, vê o que você descobre.
Vamos lá.
- Vai! -
- Isso! Vai, vai, vai! -
Treinei teu irmão desde moleque.
Cria minha.
Filho meu, porra.
Jab, cruzado, jab! Isso!
Sei nem o que falar, irmão.
Não precisa falar nada.
Ninguém precisa falar nada.
- - Quem é?
Quem é esse aí?
O garoto que apareceu no ginásio outro dia.
- Tá doido pra ajudar. -
Entende tudo de tecnologia, parceiro.
Como é que é teu nome, moleque?
Tio Hard.
Quê?
Tio Hard.
Tio Hard.
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