Первые 200 строк.
É favor comparecer à cerimónia de:
Célestin Lemoine, estalajadeiro, que faleceu aos 68 anos.
Devia ter bebido menos calvados; ainda estaria vivo.
Do senhor Hippolyte LEMOINE, seu primo,
senhorita Javotte LEMOINE, sua prima, viúva Augustine LEMOINE, sua cunhada,
A cunhada dele, mas também algo mais, não?
Das famílias Granville e Lenormand, primos e primas. Vamos à igreja.
- Está bem, então vamos. - Sim.
Olá, senhor presidente da câmara.
- Olá, doutor. - Quem vem hoje cá?
O médico cura os vivos e o presidente da câmara enterra os mortos.
- Ele não fica parado, não é? - Não.
- Olá, doutor. - Firmin.
- Está tudo bem? - Sim, menos com a patroa.
- Está na cama há oito dias. - E não dizes nada?
Se tivesse sido o teu cavalo ou o teu porco...
- Passo lá mais tarde. - Não há pressa.
Senhor presidente da câmara.
- Olá, senhor presidente da câmara. - Olá, Testu.
- Como está a tua filha? - Melhor, a febre passou.
Vai recuperar rapidamente. Dentro de dois dias estará de pé outra vez.
- Posso vê-la? - Sim.
Bebes uma chávena de café antes de subires?
Não digo que não. Este é o pessoal docente.
- Olá, Pitcher. - Bom dia, senhor presidente da câmara.
- A tua filha vem, não vem? - Ainda esta noite.
A pequena Madeleine. Ajudei no parto dela...
- E agora é professora. - Não exageres, é apenas professora.
- Ela substitui a senhora Surret. - Sim, eu sei.
- Um calvados com café? - Não, obrigado.
Não te vejo desde que levaram Célestin Lemoine.
- Sofreu muito? - Não, estava inconsciente, foi um ataque.
- Quem vai herdar a estalagem? - Não: "quem herda a estalagem".
O nosso professor tem razão, tem de estar correto.
Não digas "herdar a estalagem", mas "herda a estalagem".
É assim? Então, quem herda... A quem fica a estalagem?
"O Buraco Normando" é um bom estabelecimento.
Sim, com uma grande propriedade.
Como Célestin era solteiro, a herança vai
para a viúva do irmão, Augustine.
Certamente, sobretudo porque fazia tudo por isso.
Víamos mais vezes na estalagem do que na sua própria loja de charcutaria.
Bom dia.
- O que deseja hoje? - Venho buscar as patas.
- A patroa não está? - Está a preparar-se para o funeral.
- Pois é. - Volto já.
Senhora Augustine.
- O que foi? - A senhora Vacher veio buscar as patas.
- Na câmara frigorífica, está lá o nome dela. - Está bem, obrigada.
Que parva, tenho de fazer tudo sozinha.
- Javotte... Vens? - Claro, não há nenhum incêndio.
Porta-te bem e ajuda-me com o meu véu. Encontrei o teu.
- Tenho mesmo de o usar? - Por acaso és um animal selvagem?
- És prima dele e ponto final. - Mas, mãe...
Com a herança dele, podes comprar coisas bonitas para ti.
Pobre Célestin. Será que escolho Hippolyte?
Esses sapatos estão um pouco apertados.
São apenas bolas de naftalina.
Vou cheirar bem.
Está tudo a correr bem.
Estás a usar o fato do teu tio?
Um pouco apertado nos ombros e nas nádegas.
- E os sapatos apertam um pouco. - Quem quer ser bonito tem de sofrer.
- E a tua gravata? - Ah, sim, ajuda-me um pouco.
Maria, a tia Augustine não diz nada, espero eu.
Irias a um funeral com roupa de trabalho?
E eu não dou nada àquela mulher com a mão esquerda.
- O que tinha a mão esquerda dela? - Grande cabrão.
Não percebes o que ela fez com o tio?
Tio e... Oh...
Uma coisa dessas não se faz na família, pois não?
Faz-se, sim, isso já acontece há muito tempo. E depois havia ainda a estalagem. Não sejas tão parvo.
- A estalagem? - Para o dote da Javotte.
- As tuas luvas? - Está tudo bem.
A minha prima é bonita, casava com ela já se ela disser "sim"...
Não penses que já és um homem, ainda usas fraldas.
Um homem...
O teu tio gostava de ti, mas punha-te no galinheiro.
A Javotte não quer criados, por isso não sonhes. Põe o chapéu.
O meu tio era magro, mas tinha uma cabeça grande.
São clientes para gasolina. Já vou...
Porque é que não vem ninguém?
- Cá estou. - Eles ficam em vossa casa...
- Mas... - Vinte litros, por favor.
Querida...
- O que foi? - Olha para a cara dele.
Ele é engraçado.
- É para uma festa local? - Deixa ver...
O teu fato está perfeito. Onde o arranjaste?
Em casa do meu tio, estava numa caixa com bolas de naftalina.
- Quem representas? - O sobrinho dele.
- Em quê? - O funeral.
- De quem? - De Célestin Lemoine. - Não o conheço. É engraçado?
Não. Estás a brincar, mas é triste. Muito triste.
São 1204 francos.
- Pode ficar com o troco. - Obrigado.
- A que horas é o espetáculo? - Às 11 horas.
Passamos por lá para aplaudir.
- Diverte-te. - Essa é boa.
Como são estúpidos. Adeus.
- Maria, ainda tenho de guardar o dinheiro. - Mete-o no bolso. Ah, sim.
Vamos.
Os meus sentimentos.
Os meus sentimentos.
Os meus sentimentos.
- Hippolyte. - Hã?
Corre à estalagem pelo notário. Tenho de ir à loja.
Faz café e arruma o teu fato.
- Já? - Faz o que eu digo... - Sim, tia.
Não precisas de ser tão duro com ele. O tio dele sabia o que fazia.
- O que será feito dele? - Se quiser ficar, tem de trabalhar.
E eu? Gritar não serve de nada.
Maria, conheces os meus princípios.
- Vens, Javotte? - Já, mamã.
Adeus.
- Não podes ir ao baile. - No próximo domingo, não.
- Para a outra festa, eu desenrasco-me. - Qual?
Vou simplesmente dizer que fico a tomar conta dos filhos da tua irmã enquanto eles dançam.
- A minha irmã não dança. - Parvo, pareces-te com o Hippolyte.
Adeus.
Coitado do tio. É assim a vida, não é?
A mãe vem já com o notário. Está tudo pronto?
- Sim. - Muito bem.
Javotte.
Javotte...
Não é bonito? O tio gostava muito desta colcha.
Comprou-o em Rouen. Toca-lhe.
Macio e quente, como um pintainho sob as asas da mãe.
O que estás a fazer agora? Não toques em nada.
- É o fato de domingo dele. - Ele está morto, afinal.
Não me consigo habituar. Ainda o ouço dizer: "Hippolyte, és um sacana".
- "Hippolyte, és um corniaud". - Gostavas disso?
Dizia-o com tanto carinho.
Tenho de convencer a mãe a deitar tudo fora.
Deitar o quê fora?
Uma casa de banho aqui, uma parede divisória ali.
- A casa ainda está a desmoronar-se. - Sai da frente.
- Uma casa de banho aqui. - Para quê?
Os clientes têm de poder lavar-se.
- Eles só vêm para dormir. - Nunca pensas.
"Le Trou Normand" está a mudar, e isso não te diz respeito.
Javotte, Javotte.
- O quê? - Diz...
- Diz... - O que se passa?
Isto pode vir a ser o nosso quarto.
- O nosso quarto? - Sim.
A cama do tio com aquela colcha tão bonita...
Essa será a nossa cama quando nos casarmos.
Casar? Com um labrego daqueles?
Decerto nunca te olhaste ao espelho?
O meu café...
Senhor notário, estamos a ouvir.
Vou ler o testamento do falecido...
Maria, serve e sai desta sala.
É um pouco da família, pode ficar.
- É assim? - Dá-me os papéis.
- Onde está Hippolyte? - O que queres dele?
- Ele tem de estar presente. - É mesmo necessário? - Sim, é o sobrinho.
- Hippolyte... - Hippolyte...
- Vai buscá-lo. - Está bem.
Hippolyte!
Hippolyte!
- És surdo ou quê? - O que se passa?
- Vem comigo. - Para quê?
- Toda a gente tem de estar presente. - É assim?
Hás de receber qualquer coisinha.
Olá, Hippolyte.
- Bom dia, senhor notário. - Comece a ler.
Este é o meu testamento. Eu, Célestin Lemoine,
deixo os meus bens, a estalagem "Le Trou Normand"
situada em Courteville, incluindo os edifícios,
3 hectares de terreno, estação de serviço e todo o mobiliário: lavadouro, cave,
e o seu conteúdo ao meu sobrinho Hippolyte Lemoine.
- Estás a ler isso mal. - Está claramente escrito: Hippolyte Lemoine.
Ele não me podia fazer isto: deixar a estalagem àquele idiota?
Cala-te, sua cabra. Fico contente por ele.
- Fico com a estalagem? - Calma, senhoras...
- Posso falar? - Está bem.
Finalmente. Sente-se.
Há uma condição para a herança.
Diga.
- Ao meu sobrinho... - Já sabemos...
Filho do meu irmão e de Seraphine...
Mas como Hippolyte não percebe nada de negócios e não pode gerir um negócio,
tem primeiro de adquirir conhecimentos. Por isso estabeleci uma condição.
Para receber a herança,
Hippolyte tem de obter um certificado dentro de um ano.
Hippolyte de volta à escola... É mesmo para rir.
Nunca ficará com a estalagem, isso já é claro.
Hippolyte, ouviste? O que dizes?
Diz que sim.
Não vou voltar à escola. Isso foi há demasiado tempo.
- E tenho demasiado trabalho na estalagem. - Estás a ver?
És sensato. Faz com que ele assine a renúncia.
Calma, minha senhora.
Há ainda um segundo envelope que só pode ser aberto depois do exame.
- Ou depois de 15 dias. - Eu sei o que está lá dentro.
- Mas vamos esperar 2 semanas. - Está bem.
Hippolyte, vem ao meu escritório daqui a pouco.
- Pensa bem nisso. Adeus. - Adeus.
No comments yet. Be the first to leave one.