The first 200 lines.
ELE & ELA
Cada história tem pelo menos duas versões.
A tua e a minha.
A nossa e a deles.
A dele e a dela.
Ou seja, há sempre alguém que mente.
Como te atreves?
Atreves-te a acordar-me?
Como estás, querida?
Posso fazer-te uma pergunta?
- Quem é a maior? - Eu!
- E a melhor? - Eu!
- E corajosa? - Eu!
Certíssimo. Vamos tomar o pequeno-almoço.
Vamos!
Adoro-te, querida.
Merda.
Pegaste no meu carregador?
Zoe, o meu carregador?
Não sei.
- Então? - Queres ter chifres?
Noite longa?
Nem por isso. O que queres, querida?
- Morangos. - Sim?
Morangos? É para já.
Não te ouvi chegar.
Tu não ouvirias os Megadeth no máximo.
Não comeces. A vodca é mais barata do que o Ambien.
Ela tem treino de futebol hoje.
- A que horas começa? - Entre as 15 e as 16 horas.
Às 16h30. Às quartas-feiras é às 16h30.
O que foi?
Nada. Cheiras bem. É estranho.
Merda. Não, espera.
- Não a posso levar. - Porquê?
- Combinei algo com a Barbara. - Não vou?
Calma, filha. Como assim? Acho que...
Queres dizer à Barbara que não posso ir hoje?
Eu levo-te ao treino, filhota. Mas venho do trabalho.
Já sabes como é.
Tens de estar pronta.
Isso quer dizer água, chuteiras e...
- Caneleiras. - Isso mesmo, filhota.
Adoro-te, Meg.
Adoro-te.
- Adeusinho. - Adeus.
Adeus.
Bom dia. Estou a ir!
O que é isto? Entrega no carro?
- Está quente. - Obrigado, Priya.
Pronto. Vamos lá.
Aonde vamos?
Não recebeu a minha mensagem?
O meu telemóvel pifou. O que foi?
Temos um cadáver.
ENCONTRARAM O PÉ GRANDE?
NÃO... ENCONTRARAM O CORPO DE UMA MULHER.
O anestésico atenuou a dor, mas a raiz está fraturada.
Está a causar uma infeção.
Duas opções.
Antibióticos. Talvez salve o dente.
Ou tirá-lo.
Eu tirava-o, mas não ficaria um ano sem vir às consultas.
- Dê-me os comprimidos. - Está bem.
Escreve o nome da pessoa que encontrou o corpo.
Denúncia anónima.
Anónima? O quê?
A Kimmy não conseguiu um nome? O género, nada?
Não, disseram-me que os primeiros indícios...
Indícios de quem? Do Walters?
- Sim. - Pois.
O Bill da central? Vá lá.
Os idiotas não veem um caso de homicídio há uma década.
Vá lá, Boston. Não faças isso.
És melhor do que isso.
É um possível homicídio, não sejas influenciada por essa treta.
Queres factos, não indícios.
Sem palpites.
Se te vierem com palpites, ignora essa merda,
sobretudo se forem daqui.
- O senhor é daqui. - Sim, sou.
Obrigado por referires isso.
Muito bem. Aqui vamos nós.
Tem em mente que as coisas são mais lentas aqui.
Não é como em Atlanta?
Não se encontram muitos cadáveres em Dahlonega.
- Bom dia. Inspetora Priya Patel. - Bom dia.
- Como está? - Olá. Bem.
- Bom dia, inspetor. - Bom dia.
Este caso é interessante.
Sim?
Muito brutal. Espero que não sejam sensíveis.
Um dos piores que já vi.
Temos a hora aproximada da morte?
Ainda não.
Encontraram alguma arma?
Não.
NOTÍCIAS DE CONFIANÇA
Olá, Sam. Não está a dar.
Vejamos.
Expirou no ano passado.
Já está, Mna. Andrews.
É bom tê-la de volta.
Obrigada.
- É a Anna? Olá. - É a Anna?
Sabias que ela ia voltar?
Anna!
- Lexy, não era? - Ainda é.
Estás incrível. O que te aconteceu à cara?
Com licença, vou ver o Jim.
- Vais voltar? - Claro.
Pessoal, vamos para o ar dentro de dois minutos.
Que bom que voltaste.
Deste-lhe o meu emprego?
Credo, Andrews. Sabes que não é assim tão simples.
"Lexy, a Anna voltou. Estás despedida." Mais simples é impossível.
Chama-a e eu faço-o por ti.
Ela tem contrato.
- Eu também tenho. - Tinhas.
Não podia mantê-la como pivô substituta para sempre.
Ela ia sair.
Como fizeste daquela mulher o rosto da estação, Jim? Em Atlanta?
Sou daltónico.
Olha, Anna.
Sou pai.
Não consigo imaginar o inferno que viveste.
Lamentamos por ti.
Todos nós.
Mas ainda assim, desapareceste durante um ano.
Não preciso da tua compaixão.
Não que não agradeça, Jim, mas não há necessidade.
Agora estou bem.
Farei tudo para reconquistar o meu emprego.
Porquê agora?
Que diferença faz? Estou pronta.
Trabalhei muito durante muito tempo para desaparecer.
Desculpa, Anna. Não posso fazer nada.
- Dahlonega. - Como?
Encontraram um corpo.
Eu sei.
Deixa-me ir como repórter.
Repórter?
Queres fazer tudo, mas isso é de mais.
- Nasci lá. - Não sabia.
Cresci lá. Eu conheço-os, vão falar comigo.
Sobre o quê? É um corpo. Vemos isso diariamente.
Em Atlanta, não numa cidade pequena
e não quando uma mulher branca é morta.
Como sabes que é um homicídio e que ela é branca?
Em Dahlonega? Acredita, ela é branca.
Pode não ser nada.
Se não for, vou-me embora, mas acho que ambos sabemos que não é nada.
Repórter?
- Salário de repórter. - Sim.
E a tua cara? Vão pensar que estás a ter um AVC.
Anestesia. Passa ao almoço.
E o operador de câmara, quem queres?
O Richard.
O Richard?
Jones?
O marido da Lexy? Conhece-lo?
Não, mas ouvi dizer que é o melhor.
Uma história, Andrews.
Se me arranjares problemas, sais.
Tens duas horas. Vamos para o ar às 18 horas.
Obrigada, Jim.
Sim, sou um sortudo.
Merda!
O número de facadas, o padrão frenético,
faz-me pensar na mensagem que o assassino quer enviar,
consciente ou inconscientemente.
Ela é falsa.
Nada sugere a falsidade como motivo para este tipo de violência.
É essa a mensagem.
Está nas unhas.
Já viste um cadáver?
Claro.
Onde?
Na escola.
É diferente, não é?
Sim. Hei de me habituar.
Esperemos que não.
FALSA
Quero que todos aqui se perguntem:
"Preciso de estar aqui?"
Se a resposta for não, pirem-se
e vão isolar o perímetro lá em cima.
Os restantes, venham cá.
Todos sabemos quem é a pessoa deitada no capô daquele carro.
Morreu uma mulher. Temos de respeitar isso e a família dela.
Não quero que o marido dela saiba da sua morte hoje
porque o departamento se desbroncou.
- Faremos isto como profissionais. - Sim, senhor.
Vai saber por mim.
Não quero que mais ninguém fale com ele.
- Entendido? - Sim, senhor.
Preciso do telemóvel dela.
Quero esse telemóvel imediatamente, está bem?
Se alguém encontrar o telemóvel,
não mexam em nada, tragam-mo.
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