The first 200 lines.
Vejo isso todos os dias.
A ilusão do amor.
Ficaria surpresa...
Vejo aqueles que ainda não viveram a desilusão.
Aqueles a meio-caminho da desilusão.
Aqueles que se esmeram para não ficarem desiludidos.
Faz parte do meu trabalho. Sexo, carinho...
casais, família, amor...
Aprende-se muito.
Tudo parece estar bem.
Ela, por exemplo...
Sabem onde está o pai das crianças?
Nem ela.
Esta passou anos à espera do amor da vida dela
para acabar por encontrá-lo numa proveta congelada.
E eles, parecem queridos, não?
Bem, não.
Tantas pessoas completamente enganadas acerca das suas vidas.
Caçando um conto de fadas, contentando-se com o que podem.
Que canseira!
Tudo porque não podem aceitar uma triste e simples verdade:
O amor, o amor verdadeiro...
no melhor dos casos, é improvável.
O amor não é para todos.
Apenas para alguns privilegiados.
E se tem a sorte de o encontrar, acabará por perdê-lo.
É melhor aceitá-lo pelo que é, na realidade...
- Está à espera de alguém? - Não, pode sentar-se.
Aceite que passa depressa.
Transforme-o em algo divertido.
Aprenda que o que o torna fixe, é acabar tão facilmente quanto começa.
- Espera. - O que foi?
Amo-te.
TODO O MUNDO AMA ALGUÉM
Mãe? É no que dá ter-te deixado a chave!
Como estou?
Vais vestida de branco?
Claro!
Não vais chocar o padre?
Claro que não, adorou a ideia!
A Clara chegou? O que acha?
Que é cínico eu casar de branco.
Pois.
E que disse o pai?
Nada, dá azar. Não me viu.
Qual azar, qual carapuça? Faz 40 que vivem juntos!
E de repente acreditam no casamento.
Lembras-te do teu?
Não precisamos acreditar, temos provas empíricas.
O vosso avô ficaria feliz por eu finalmente casar...
com um padre e o resto.
Morreu receando que vocês fossem para o inferno
por terem nascido fora do casamento.
Não te preocupes, ainda temos razões para ir lá parar.
Vai lavar-te, tresandas a álcool.
Que bom!
Aliás tens de provar o teu vestido, chegou de Los Angeles.
Não posso, tenho uma paciente e um parto.
É sábado.
Também se nasce aos sábados!
Malcriados, que me estragam os fins-de-semana!
Diz lá...
Onde dormiste?
Dormi fora, não sabia que ia cair numa emboscada
logo de manhãzinha.
Saíste nua?
Não à partida, mas foi no que acabaram as coisas.
Nem acredito que os pais casem antes de ti.
É assim que costumam correr as coisas.
Também não posso acreditar que uma mulher como tu
não arranje par para a boda.
O tipo de ontem não servia?
Esse tipo, nem para o que eu queria ontem serviu.
Não podes continuar a ir com gajos que não suportas
ao ponto de deixar a tua roupa.
Ele não era grande coisa.
Sabes lá? Piraste-te logo.
Já me apaixonei, sei como é e o que faz.
E sei reconhecer o que não é.
Foi há mil anos!
Oito.
Tens de tentar.
Porquê?
Porque na minha idade, tudo o que vem à rede é peixe?
Porque precisas de alguém que te acompanhe.
E se não atinares, a esposa não vai sossegar
enquanto não te unir a um dos primos de Guadalajara.
E esses não têm problema em curtir com as primas!
Arranja um tipo giro.
E se for Mexicano, conta como prenda de casamento.
Giro e Mexicano.
Está bem.
Vamos, força!
Aqui temos!
Parabéns. Saiu-se muito bem.
Está bem?
Está ótimo!
Um rapazinho novinho em folha.
- Parabéns. - Obrigada.
O que foi?
Vim só buscar as fichas do berçário.
Estava presente quando a Sra. Betanzos...
Eu sei.
Obrigada.
O que fez o seu namorado?
- Desculpe? - Ou namorada...
Mandou-lhe tantas flores, algo deve ter feito.
Pois. Bem...
Namorado nenhum.
São amostras de centros de mesa para o casamento dos meus pais.
Tenho de escolher um.
- Dama de honra. - Renovam os votos matrimoniais? Fixe!
Não, são os primeiros votos, nunca casaram.
Foram hippies nos anos 70, e agora que viveram
felizes juntos há quarenta anos,
precisam de maneiras inéditas...
de o mostrar a todos.
- Desculpe. - Não...
É giro.
Desculpe?
Por acaso tem sangue mexicano?
ALFÂNDEGA - MÉXICO
Estamos tão atrasados!
A minha mãe vai matar-me!
Não é preciso.
Vamos passar uma fronteira.
Pois. Vais precisar disso na volta, mas...
Não verificam? Nem sabem quem somos.
Podem sentir que somos inofensivos.
É verdade, no meu caso é obvio.
Mas no que diz respeito a ti...
O que... Não posso!
- Boa tarde. - Olá.
- Algo a declarar? - Não.
Podem ir.
- Assim está bem. - Obrigada.
A sério. E obrigada por vir, também.
Obrigado por me teres convidado.
- Pronto. - Eu é que conduzo na volta.
- Bem te disse. - É...
Que vista incrível! Olha para isto!
Não há isto na Austrália, pois não?
Há, mas... é bom ver o que vem logo a seguir.
Podes lembrar-me o nome?
- Jacinta. - Jacinta!
O nome da tua avó era Jacinta.
- Nasceu em Sonora. - Sonora.
- E ela... - Devagar.
- Conheceu um Australiano no Texas. - No Texas... isso.
Podemos pôr-lhe um nome mais fácil. Dás-te melhor com Maria?
Sê mais condescendente ainda! Tu é que me pedes coisas ridículas.
- Podes ajudar-me... - Claro.
O que foi?
Nada. Apenas és verdadeiramente feia.
- Tia Clara! - Bobs!
Que bom ver-te!
Trouxeste um namorado!
- A avó vai passar-se! - Que tal, meu?
Nunca vai fechar!
Vai fechar, sim.
O que é essa atitude derrotista?
Vamos, inspira a fundo.
- Obrigada. - Olá!
Detesto-te! És tão bonita!
Não...
Mostra-os, mas é!
- Achas? - Acho.
Bem.
- Olá! - Olá.
Não é Mexicano.
Não, mas tem uma avó Mexicana chamada Jacinta
Jacinta, pois! É verdade! Asher.
Também eu tinha uma avó Mexicana quando conheci a família.
- Timotea. - Isso!
- Tenho tantas saudades dela. - É muito giro.
Obrigado. Tu também.
Ó pai, quando é que tu vais aprender a falar espanhol?
Quando a tua mãe jejuar para Yom Kipur.
Boa sorte, pai.
Olha quem fala.
Obrigado.
Eu, Eva, aceito-te a ti, Francisco,
como meu legítimo esposo, porque...
és o meu melhor amigo.
E olha tudo o que fizemos juntos.
Esta casa.
As nossas queridas filhas.
Tudo foi perfeito.
Porque fi-lo contigo.
Senhora Barrón, amo-a tanto.
Temos uma história maravilhosa.
E fico feliz de a mandar às ortigas, casando.
Filha, as alianças.
Ao documento oficial que consta que não somos bastardas.
A sério?
Daniel?
Que bom ver-te! Não posso acreditar que vieste!
Igualmente.
- Daniel, bem-vindo! - Parabéns!
Queres dar o fora?
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