The first 200 lines.
Desculpe, importa-se de trocar de lugar?
- Agora? - Sim, agora.
Muito obrigado.
Quer voltar a trocar?
Estou?
Quem fala?
Por favor. Sou só uma mulherzinha, sozinha numa floresta negra.
- Vou apanhar-te! - O meu marido está quase a chegar.
O que te deixa e fode outras em hotéis demasiado caros?
- Sim, esse. - Compreendo.
Está bem, só um beijinho.
Sabes o que farei contigo mais logo?
- Não. - Vou apalpar-te.
- Não, apalpar não... - "Não, apalpar não..."
Mas vou lamber-te por baixo do queixo.
E enfiar a língua na tua orelha e deixar-te surda durante dias...
Estou? Liv?
Estou? Liv?
O meu marido guarda algemas na cómoda.
- Algemas... - Prometes ser bonzinho,
se me algemar antes de chegares?
O que quer que te faça, faço-o por ti.
Estou tão desamparada!
Fecha os olhos. Estou à frente da porta do quarto.
Agora, estou a abri-la. E estou a aproximar-me da cama.
Sinto a tua respiração nas minhas pernas.
Não, não tão rápido!
Só estou sentado na ponta da cama.
Depois, acaricio a tua bochecha.
Depois, deixo a minha mão direita deslizar pelo teu pescoço.
Desce ao longo das tuas costelas, passa pelo teu peito.
Não lhe toco, só passo por ele.
Depois, faço um círculo à volta do teu umbigo.
Depois continuo a descer, mais para baixo.
E começo a apalpar as tuas cuecas e os caracóis.
- Não, apalpar não... - "Não, apalpar não..."
- Ficaste duro? - Sim!
Mas não estou a tocar-te. Só estou a respirar em cima de ti.
E ficarei assim durante mais dez minutos.
Já te consigo sentir aqui!
Não. Estou só a ver-te ficar molhada.
Eu sinto-te. Estás quase a tocar...
Já te sinto lá em baixo... Só mais uma fração de centímetro...
Estou?
Andreas?
- É a familiar mais próxima? - Sou.
- Não tem pais? - A mãe dele morreu.
O pai desapareceu, quando ele tinha dois anos.
A lesão mais grave é lombar, em direção à T10.
É o sistema nervoso que controla os músculos abaixo da cintura.
Quanto tempo demora a curar?
É a coluna que está danificada. Os danos são irreparáveis.
- Mas... - Ele vai ficar assim?
- Para o resto da vida? - Começaremos a reabilitação
mal as fraturas estejam estabilizadas.
Mas ele poderá voltar a andar?
Ele terá um grande grau de mobilidade.
Mas ficará confinado a uma cadeira.
A pior altura costuma ser antes de se habituarem à ideia.
Haverá outras coisas que não poderá fazer?
As funções da bexiga e do reto. Mas temos cateteres, clisteres...
- Para o resto da sua vida? - Descobrirá isso tudo.
São só técnicas diferentes.
Mas devia estar ciente das primeiras depressões.
E elas chegarão?
Mais uma coisa. Ele está impotente.
Mas há muitas ferramentas que a podem ajudar, quando chegar a isso.
Não digo que ache que vá ser fácil.
Mas achamos que podemos ultrapassar isto.
Como é que a Liv está a lidar?
Está a lidar bem. Tem de ser.
Vai ser difícil para ela.
Sim, difícil. Mas muitas coisas vão ser iguais ao que eram.
Tio Karl, chegas-me a água?
- Sim? - Obrigado.
Há... Muitos casais separam-se.
A nossa situação financeira não deve ser um problema.
Tenho muitas oportunidades de emprego.
Mas há aquilo com que sonhamos...
Andreas, estarei sempre aqui, se precisares de mim.
Eu sei. Sempre foste um pai para mim.
- Andreas Karlsen? - Sim?
SETE MESES DEPOIS
Merda!
Credo!
Olá?
Mil e um, 1002, 1003,
mil e quatro, 1005!
- Andreas Karlsen? - Sim.
Wagner, dos Serviços de Ajuda Doméstica.
Quer a rampa até à porta a direito ou com um ângulo?
Há muitas coisas a fazer aqui.
Terá uma porta nova. Com comando. Como o da TV.
Compreendo. Mas o que faço se a luz for abaixo?
Esta é a sua esposa?
Quanto tempo demora a instalar uma porta?
- Depende. Ela está no trabalho... - Depende de quê?
De quanto trabalho há. É uma casa antiga...
Gosto de como é.
- Posso remover a soleira, se quiser. - Como?
Disse que podia remover a soleira, se quiser.
- Quanto tempo demoraria? - O elevador de cadeira demorará uns dias.
- Ama-a? - A quem?
À sua esposa. Planeiam envelhecer nesta casa?
Acho que se devia concentrar na rampa.
Claro. Mas como a quer?
Como a quero...
Quem precisa das pernas...
- Olá! - Estacionou na entrada?
Estou a aproximar-me. Fecha os olhos.
Não te estou a tocar.
Estás à espera. Fecha os olhos.
Cheiras algo.
Continuo a não te tocar.
Estás à espera...
Estás a salivar...
Andreas, não tens de fazer isso.
Vais deixar-me outra vez.
Tentei encontrar outra pessoa.
Não resultou.
É a ti que quero.
Wagner? Chama-se Wagner?
Ou é um pseudónimo que lhe deram nos Serviços de Ajuda Doméstica?
Não. Eu...
Chamo-me Wagner.
Está muito barulho para a Liv. Ela tem de treinar.
- O barulho acaba daqui a nada. - Não me estão a incomodar.
"Valse triste", Jean Sibelius, opus 44.
- Sim. - Enquanto Paavari dorme,
a sua mãe dança com a Morte.
Acha que a Morte é o seu falecido marido.
- É de uma peça. - Escrita pelo cunhado de Sibelius.
- É muito fraca. - Vou para a cama.
Se trabalho, trabalho. Quanto mais rápido ficar acabado...
Acho que é muito longe de onde mora.
Na verdade, não tenho casa.
Talvez tenha um sítio onde eu possa dormir?
- Esqueci-me que estava tão desarrumado. - Durmo de olhos fechados!
- O colchão é só espuma de borracha. - São os melhores.
De dormirmos num macio, engordamos.
Não pode viver... Não pode dormir aí em baixo.
A alternativa é dormir no carro.
Mas lá não tem chuveiro.
Não desiste.
Liv, estavas a fingir.
Está tudo mal, quando...
- Sei que não sentes nada. - Não sinto?
Pomos um gancho no teto?
Seria útil para o Andreas.
- Certo. Está tudo em ordem. - Sim.
- Obrigado por toda a ajuda, Wagner. - Obrigado.
Queria acabar hoje.
Não pode fazer 30 anos sem ver uma luta a sério.
- A propósito, parabéns! - Como sabia?
- Talvez tenha outros planos? - Não tenho planos especiais.
Comprei três bilhetes.
Liv! Vamos fazer alguma coisa especial, esta noite?
Achei que podíamos festejar em casa, calmamente.
- Vá lá! - O Wagner tem um presente.
Não veremos nada daqui.
Sim! Vamos! Bate-lhe!
Estava cheio de gente lá, comecei a ficar com dor de cabeça.
Mas já estou bem. Mas falamos quando chegar a casa, sim?
Está bem. Adeus!
Achava que ias estar em casa, a fazer uma festa de anos grande.
Pensámos nisso, mas com a renovação, era inconveniente.
Sim, talvez fosse demais para a Liv.
- É uma transição. - Como assim?
Não é como se tivesse acontecido algo.
- És o mesmo homem que sempre foste? - Sou.
Só que faço chichi sentado e tomo uma injeção antes de foder.
Sim, acho que sim.
Como é que a Liv tem aguentado?
Bem, ela tem os seus problemas.
Devo ser o único homem que não sente nada físico ao toque dela.
Não é estranho que ela sinta falta...
de te dar prazer.
Claro que não. Vai ficar tudo bem.
Não tenhas problemas em gostar dela.
É frustrante não poder dar nada em troca.
Sim, mas ela deve fazer como quiser.
Tem de ter a liberdade para te escolher.
Ela teve de partir, para voltar.
Vamos dançar tango!
- Como estava o Karl? - Bem!
Acho que vou para a cama.
Interrompi alguma coisa? Se sim, peço desculpa.
É bom que eu vá para a cama.
Não. Tenho de me levantar cedo. Terminei o meu trabalho.
Foi um prazer conhecê-lo. Adeus.
Podes dormir com o Wagner, se quiseres.
- Estás a ser injusto e sabes disso. - Falo a sério.
Bebemos um copo, enquanto esperávamos por ti. Foi só isso.
Não confio em ti quando sei que estás frustrada. Talvez seja injusto.
Mas conheço-te. Por isso, é melhor que me deixes.
Agora que temos um elevador de cadeira e tudo?
- Desculpa. - Andreas...
Estou a falar a sério! Não podes dormir com o Wagner, se é isso que queres?
- Talvez seja mais fácil se não estiver. - É a isso que me refiro! Estás aqui!
O Andreas achou que eu queria muito dormir consigo.
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