The first 200 lines.
Senhor Clemenceau.
Os vossos polícias tornaram-se agora cérebros.
Incógnitos.
Deixaram as suas bicicletas e cavalos.
Entretanto, nos romances…
Alguns contam-nos como
fazer um assalto calmamente… para matar o tempo.
Gostava de os ver.
No nosso lugar.
Para não apanhar vinte anos.
Contacto.
Um problema?
Não percebo nada.
Ontem à noite ele arrancava de imediato.
O que isso quer dizer?
Nenhuma compressão de todo.
Um motor novinho em folha.
Lecoq, passa-me a chave.
Não funciona?
Meu Deus, vejam! - Areia.
Que cabrão fez isto?
O que está a acontecer?
Isto não é nada menos que sabotagem.
Os apoios da cambota atacados pelo ácido.
Areia no cárter.
As válvulas limadas.
Isto é trabalho de profissional.
Se conhecia um mecânico, está tudo perdido.
Nem vale a pena tentar reparar.
E tem ideia de quem lhe quer mal, senhor Latam?
Não.
Não faltam canalhas.
Mas esse tipo… talvez um concorrente?
Só há um: o senhor Blériot, e não é o seu estilo.
Oh, o estilo… sabe bem!
Brigadeiro, viu o que encontrei?
Conhece isto?
É um isqueiro - não é seu?
Não, porquê?
Encontrei-o no hangar junto a uma bancada.
G.L., isso diz-lhe alguma coisa? - Não.
G.L., G.L… e Latam?
Chama-se Hubert.
G.L… Gaétan, Gustave… à escolha.
Conhece-o?
Não.
Ninguém conhece este isqueiro?
Por favor, brigadeiro.
Este objeto tem relação com o sabotagem?
Isso não é da sua conta - posso ver?
Nunca visto.
Mostre-mo.
Desculpe, posso dar uma olhada?
Sim, é isso, sem dúvida.
É seu?
Não, mas acho que conheço o proprietário.
Quem é? - Vi-o ontem à tarde.
Estava aqui para a partida.
Começou a falar.
Falava de Latam, Blériot, aviação.
Estava tão excitado que fumava cigarro após cigarro.
Assim reparei no seu isqueiro.
O nome dele? - Não perguntei.
Sabe onde o encontrar?
Disse que tinha ficado aqui - Delerche…
Um cliente com iniciais G.L.?
Espere, vou pensar.
Tem um registo, não?
Com tantas entregas atrasei-me.
Isso pode trazer-lhe problemas.
Como é o homem? - Quarenta, fato cinzento.
Ah sim, um parisiense - onde está?
Saiu há menos de meia hora com uma mala.
Perderam-no por pouco - direção?
Não - eu sei.
Diga então.
Estrada para Calais.
De carro? - Não, a pé.
Como?
A pé.
É o senhor Justin Guest?
Sim.
Como se chama?
Lemaire, Gustave Lemaire.
E este isqueiro, conhece-o?
Sim, procuro-o desde esta manhã.
Veio de propósito?
Prestável - onde o encontrou?
Temos algumas explicações para lhe pedir.
Venha à gendarmaria.
Vai explicar tudo - em marcha.
Ok, trato disso.
Recomeçamos.
Profissão? - Mecânico de aviação.
Ah? onde trabalha?
Sim - e onde exatamente?
Com Blériot em Paris.
Com Blériot?
O que faz aqui?
Ele enviou-me - para quê?
Para vigiar a partida da senhora. O patrão interessa-se um pouco.
Eles discutem a travessia do Canal da Mancha.
Então, no fundo, este incidente acaba por lhe ser favorável.
O que quer dizer?
Onde estava você na noite passada?
Ora, eu estava no meu quarto de hotel.
Não, senhor presidente da câmara, perguntámos ao patrão do hotel.
A sua cama nem sequer estava desfeita esta manhã.
Então onde estava você? Além disso, é no hangar
do avião da senhora que encontramos a sua caixa.
Mas isso não é possível, eu nunca lá estive.
Então onde estava você?
Bom, se é assim, prefiro dizer a verdade.
Eu estava com uma senhora.
Uma senhora.
Uma senhora.
Que senhora?
Não sei, conheço apenas o seu primeiro nome: Yvette.
Você sabe como é, longe de casa, num hotel, às vezes...
Ela parecia sozinha, então ofereci-lhe uma bebida.
Enfim, passámos a noite juntos.
Não vão fazer um escândalo por isso. Se a minha mulher souber...
Façam entrar a pessoa.
Boa tarde, senhora. Sente-se, por favor.
Então, conhece-o?
Naturalmente.
Mas como foi possível...?
Desculpe-me, senhora, isto é um pouco embaraçoso, eu sei.
Mas o caso é grave e tem de nos dizer toda a verdade.
Este senhor afirma ter passado a noite consigo.
É verdade? - O quê?
Atreve-se a dizer tal mentira! Não tem vergonha? Só porque eu
aceitei beber um copo com ele. Não tem vergonha nenhuma!
Enfim, Yvette, isso não é possível. - Proíbo-o de me chamar Yvette.
Mas o que significa isto?
Então vem?
Naturalmente, isso não faz sentido.
Não é verdade! Ela nem sequer acredita nisso.
Passámos a noite juntos.
Bem, vamos deixá-la ir. Esta cena é ridícula.
Além disso, posso provar o que digo.
Façam entrar o homem que me acompanha.
Quem é? - O meu marido, simplesmente.
Entrem, senhores.
Queres dizer a estes senhores onde passei a noite?
Tu? Bem, no nosso quarto de hotel comigo. Enfim...
Mas isso não é verdade! Passei a noite inteira
com ela, toda a noite! Ela mente, e ele também!
E no fim, o que querem de mim?
Estás louco.
Não, ele não está louco. Sabe muito bem o que faz, pelo contrário.
Pelo menos ele pensava isso. Mas agora
o jogo dele acabou, confie em mim.
Alphonse, prende esse tipo.
Quem quer que seja, o culpado teve muito trabalho para nada.
De facto, a TAM mandou construir um segundo motor.
Recebi sobre este assunto a visita do senhor Blériot.
Sim, conheço-o pessoalmente.
A sua participação numa coisa dessas está fora de questão.
E quanto a ele, garante a honestidade do seu mecânico.
No entanto parece bastante comprometido.
Sim, talvez até demasiado.
Então vão dar uma vista de olhos lá.
Levo o Pujol e o Terrasson.
Oh não! Porque não toda a brigada, já agora?
Está a tomar-me por Creso?
Houve muita gente a tocar nessas peças?
À parte o ajustador, em princípio os dois mecânicos da TAM e eu próprio.
Então vamos tirar as suas impressões digitais, as dos dois mecânicos...
Veremos quais ficam.
Então?
Ainda decidido a negar?
Naturalmente, não tenho nada a ver com isto.
E o seu isqueiro?
Não sei. Vi-o nas mãos de alguém.
Aquela mulher com quem afirmou ter passado a noite.
Mas juro que é verdade.
Porque mentiria ela?
Não sei. Talvez tenha medo do marido.
No entanto, o marido confirmou as declarações dela.
Ou então estão ambos loucos.
Ou então dizem a verdade.
Não! Digo-lhe que não é verdade!
Talvez haja outra hipótese.
Qual?
Falaremos disso depois. Pode levá-lo.
E então?
Nenhuma destas impressões digitais no motor.
Mesmo? - Sim, sim.
Vamos, adeus. Vá embora.
Adeus, senhor comissário.
Senhor Latam, quando pensa partir?
Amanhã. - Senhor Latam, o senhor...
Sim, sabe, senhor comissário, eu
vejo muito bem. É uma jovem, com o marido.
Imagine, eles partiram ontem, sim.
Eles tinham vindo ver a descolagem de Latam.
Nem sequer esperaram pela segunda tentativa dele.
Mas é para amanhã de manhã.
Mostre-me os seus processos.
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