The first 200 lines.
SENTIDOS DO AMOR
Há escuridão...
e há luz.
Há homens e mulheres.
Há comida.
Há restaurantes.
Doença.
Há trabalho.
Trânsito.
Os dias como os conhecemos.
O mundo como o imaginamos.
Ei.
Ei.
Que tal ir para casa?
- Mas acabei de dormir. - Você dormiu, eu não.
Não consigo dormir com outra pessoa na cama.
- Está me mandando embora? - Preciso ir trabalhar daqui a pouco.
Dançamos e bebemos a noite toda, viemos para a sua casa...
você trançou comigo e agora me acorda e me manda embora?
Não consigo dormir com outra pessoa na cama.
- Que engraçado. - E como funciona.
Não sabia que tinha voltado a fumar.
O que você quer fazer?
Jogar pedras.
Em quê?
Gaivotas.
Querida.
- Você irá encontrar alguém. - Fique quieta e jogue.
Acho que preciso voltar para o trabalho.
Vamos.
Pobre criança.
- Líbano? - Marrocos.
Marrocos.
Isso é engraçado.
- O que é engraçado? - Vê-Ia aqui hoje.
- É h¡lário. - Só me acompanhe, sim?
Eles nos querem no hospital.
Não vai perguntar por que não vim trabalhar?
- Você estava doente. - Não doente, só infeliz.
Bem, é a mesma coisa.
- Infeliz por causa de um homem. - Não diga.
- Por que nos chamaram? - Para ver um paciente.
- Por quê? - O que está havendo?
- É o que vamos descobrir. - Ele está muito irritado.
Com licença. Quando poderei leva-lo para casa?
Só precisamos conversar com ele, então...
Ele precisará explicar tudo de novo?
- Bem... - Ouçam.
Ele me ligou e disse que estava indo para casa...
e, de repente, a voz dele mudou e ele caiu no choro.
Depois me disse que a vida não fazia o menor sentido.
Ele não costuma ser assim. É um caminhoneiro.
- Certo. - Depois encostou na calçada...
e disse que estava bem de novo. Mas não consegue mais cheirar.
- Ele não consegue mais cheirar? - Eu disse para irmos para o hospital...
porque isso não é normal, é?
Olá, Donald.
Aqui é Stephen Montgomery de novo.
- Não consegue mais cheirar? - Isso, Susan.
- Não sinto mais os cheiros. - Mas seu humor voltou ao normal?
Estou sentado aqui há quase onze horas...
meu humor não é dos melhores.
Mas não sente nenhum desconforto fora a ausência de cheiros?
Não, Susan.
E alguém da sua família ou do trabalho sofreu algo parecido?
Eu não faço ideia, porque estou sentado aqui, não é?
- O que você quer de mim? - A sua opinião.
Sou uma epidemiologista, Stephen. Por que estou falando com ele?
Porque temos outros sete como ele em Aberdeen.
Cinco em Dundee.
Onze aqui em Glasgow. Dezoito em Edimburgo.
Ha mais de cem casos relatados na Inglaterra.
Também na França, Bélgica, Itália, Espanha.
Todos nas últimas 24 horas.
- Como foram infectados? - Não sei se estão infectados.
Como assim?
As primeiras indicações não sugerem nenhuma conexão entre eles.
Nenhum contato. Nenhum padrão. Nada.
O que ele está dizendo? O que vocês estão lendo aí?
A minha esposa ainda esta aí? Deixem-me falar com ela.
Por favor, deixem-me falar com a minha esposa.
O que é tudo isso?
Talvez passe.
Então não vamos entrar em pânico.
Michael, é uma mesa de doze que acabou de chegar.
- Onde estão? No bar? - Sim.
Onde está a lagosta e o haggis? Preciso deles agora.
Pronto! Dois robalos e um halibute!
- São da mesa 5. - Você é um cretino.
- Qual o seu problema? - Por quê?
- Essas entradas são da mesa 7. - Aquela garota era uma graça.
- Qual garota? - "Qual garota?"
Transou com ela e a mandou embora, não?
- Mais um pedido! - Pobrezinha.
Theresa, cadê as saladas?
Uma ostra, uma sopa, um antepasto, dois patos e um bife mal-passado.
Sim, chefe!
Eu teria lhe dado um café da manhã. Morangos.
- Esquentaria o leite pro café dela. - Karen, o pudim da mesa 1.
Elas não querem os bonzinhos, só os cretinos.
- Os dois próximos, rápido, por favor. - Sim, chef!
E os raviólis, rapazes? Quanto tempo?
- Três minutos, chefe. - Certo, certo.
- Chef. - Como sabe se está fresco?
- Cheirando? - Não, veja os olhos.
Os olhos devem estar claros e as guelras vermelhas, não rosas.
Deve estar firme ao toque. E o cheiro?
- De peixe? - Pode cheirar a peixe...
mas se cheirar a peixe, não está fresco.
Deve ter cheiro de mar. Tem cheiro de mar?
- Cheira a peixe. - Richard, pegue outro robalo.
E os peixes ao sugo? Os clientes estão esperando!
Um dia.
Um dia, filho, você irá se apaixonar.
E ficará arrasado.
- Mesa 7. É o seu carma. - Pronto!
Apaixonado e arrasado.
Richard, preciso daquela panela! Richard!
- Oi, Jen. - Oi, querida.
Judy tem uma reunião na escola na quarta.
É mesmo?
- Quer ir comigo? - Claro.
Ótimo.
Posso chamar outra pessoa se estiver ocupada.
Não se preocupe. Não deve ser nada sério.
Ligarei assim que souber. Tudo bem?
- Você teria um cigarro? - Estou no telefone!
- Está falando com quem? - Ninguém.
Um cara está me pedindo um cigarro.
- Tudo bem, vou desligar. - Certo.
- Tudo bem, tudo bem. - Você tem fogo?
Tchau.
- Que tal casa e comida também? - Não, nem sei o seu nome.
Você tem nome?
Merda.
Ah, meu Deus.
Sou Michael. Trabalho no restaurante.
- Muito bem, marinheiro... - Sou o chefe.
Que bom para você!
Vamos lá, pessoal. O que já temos?
Checamos todos os casos da Escócia, mas não há equivalentes.
Sem mutações proteicas, sem agentes infecciosos, nada.
Nada indica que seja um vírus.
Não há equivalentes a nada que conhecemos.
Mas é importante dizer que não parece contagioso.
É importante dizer que está se espalhando.
Tudo bem.
Pode ser ambiental ou uma toxina desconhecida.
Pode ser terrorismo.
Certo, não é contagioso. Vou dizer a eles...
que provavelmente irá desaparecer em breve...
e que não precisam entrar em pânico.
Podem ter colocado algo na água.
Devastadas pelo luto
as pessoas são atingidas por tudo aquilo que perderam.
Amantes que nunca tiveram.
Todos os amigos falecidos.
Pensam nas pessoas que feriram.
Primeiro, devastadas pelo luto
E depois, sem sentir odores.
Esta é a doença.
Chamam-na de Síndrome Olfativa Severa.
S.0.S.
Sem dúvida é motivo de preocupação e exige um estado de alerta.
Mas não é causa de alarde.
Fiquemos atentos à confirmação do primeiro caso...
segundo a OMS, chegar ao nível 5 não significa...
Dizem que não é contagioso.
Mas quem ousa acreditar?
Nada.
- Devemos encerrar a noite? - Não sei o que devemos fazer.
Vamos seguir uns rabos de saia?
Você faz o trabalho, eu recolho os destroços.
- Não estou no clima, James. - Vamos!
Cuidado, Rich, isso é o que acontece quando se pega mulheres demais.
Ele se empanturrou da elite europeia.
Vou buscar o Entonox, rápido!
- Como? - Entonox.
Gás que faz rir. Santo Nitroso.
Santo padroeiro dos chefs.
Richard, não. Você vai se sentir...
James, deixe-o em paz. James!
- Recomendo ao senhor. - James, guarde isso.
Espere, espere. Pare, pare. Cheire o meu dedo.
- Sim? Estou sentindo o cheiro. - Consegue sentir o cheiro?
- Laranja. - Errado!
Bolas.
Homem ferido! Homem ferido! Rápido, evacuem! Evacuem!
- Boa noite. - Até mais.
- Até, chefe. - Boa noite.
- Sorriso na cara. - Boa noite, James.
- Trouxe seu cigarro hoje, marinheiro? - Ainda sou um chefe.
Meu pai chamava todo mundo de 'marinheiro'.
Trabalhou no cais a vida toda.
Ele nunca navegou, mas chamava todos assim.
- Tudo bem. - Mesmo quem ele não conhecia.
"Olá, marinheiro. Tchau, marinheiro."
Pode me chamar de marinheiro, se quiser.
Ou Michael.
Quando era criança, morria de vergonha.
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