The first 192 lines.
Se você conseguir responder o enigma que eu vou lhe dar,
eu vou lhe dar os Margaux que você está procurando.
O que será que ele está planejando?
O que foi?
Um enigma?
Primeiro, beba-os e os compare.
Eu estou com sede...
Uma sede terrível e sem fim...
Alguém me dê água!
Eu estou sendo convidado?
Que cheiro é esse, que faz lembrar da morte?!
Um caixão... Isto é...
Que tal este vinho, Shizuku-kun?
É "A Morte da Rainha"...
Ela devia ser uma rainha que um dia governou uma nação.
Mas agora, ela é uma múmia de uma nação arruinada.
Entendi.
Ei, isso aqui é realmente um vinho de grande safra?
Tem mais um. Prove o da safra de 1978.
Este é o verdadeiro vinho da rainha!
Ele transborda em uma elegância que floresceu com maturidade!
É a verdadeira elegância!
O que eu quero perguntar a você é: qual é a diferença entre esses dois vinhos?
O quê?
Tente me responder. Qual é a sua conclusão?
Não com conhecimento, mas sim com seus sentimentos.
O que será que elevava o charme da rainha?
O que foi? Se não está a fim de responder, vamos parar por aqui.
Eu não sou desocupado, sabe?
São as pessoas.
Mesmo sendo abençoados com o céu e a terra,
se há uma causa do porquê um vinho tem pouca força,
é o que faltou em "céu, terra e pessoas".
É sobre pessoas, ou melhor, a influência das pessoas no vinho.
Uma rainha que transborda em beleza e inteligência
deixa de ser uma rainha se não tem pessoas para a reverenciar.
O Margaux de 1970 é um vinho que representa "o conhecimento e a força das pessoas".
Exatamente.
Na época, os administradores do Margaux não estavam investindo o suficiente na empresa,
produzindo vinhos apenas interessados na fama.
O resultado disso foi que acabaram produzindo
muitos produtos falhos, indignos de um grande château.
Essa garrafa é um deles?
Isso, um Margaux de 1970.
Mas o Margaux de 1978 tinha um nuance parecido com o de 2002.
Em 1977, a administração do château mudou,
e, em apenas um ano, tiveram uma recuperação maravilhosa,
e produziram este vinho, de 1978.
Em um ano?!
Porém, a glória posterior do Margaux se deve em grande parte ao lendário Paul Pontallier,
um viticultor com um senso genial.
Entendi... então o poder das pessoas é aproveitar ao máximo a benção do céu e a fertilidade da terra.
Então, como o prometido, vou lhe dar o Margaux de safra medíocre que você deseja.
O quê?! Você vai mesmo me dar?!
Eu, Tomine Issei, jamais faria a covardia de trair uma promessa.
Porém, antes disso, há mais uma coisa que eu quero lhe perguntar.
Quando você viu essas duas garrafas, qual foi seu primeiro pensamento?
Não pensei em nada. Só que queria beber.
O quê?
Eu sempre penso isso quando estou de frente para um vinho.
Eu me sinto como um viajante pelo deserto,
com uma sede incontrolável.
Vou pegar os vinhos na adega.
Eu tenho que agradecê-lo.
Ele veio até aqui me mostrar qual é o meu ponto fraco.
Entendi...
Cervejas Taiyô
Um Margaux de 1975.
Ele realmente não é muito persuasivo.
Sim. Para um Margaux, ele deixa a desejar.
Mas, talvez por ele ser de uma grande safra, ainda dá para aproveitá-lo.
Realmente...
Kanzaki, o Tomine pegou você, hein?
Isso é um desafio.
Ele sabe que há vinhos melhores de châteaux menores de mesmo ano que esse,
e está nos dizendo para encontrá-los.
Será que vamos conseguir fazer isso?
Procurar um vinho que possa vencer, dentre tantas possibilidades...
Ué, é algo fácil!
Ao menos é mais fácil do que procurar pelos Doze Apóstolos e o Gotas de Deus.
E-Ei, que tal perguntarmos para alguém que já bebeu todos os vinhos possíveis?
O quê? Por acaso, você está falando do...
Eu me nego.
Hã?!
Quem é esse velhote?
Ele tem essa aparência, mas é uma pessoa incrível!
Eu só lhe cedi o meu conhecimento
porque um amador não teria chances de ganhar contra o Issei, e não teria graça!
Mas você usou a negligência do Issei ao seu favor, e conseguiu ganhar a primeira rodada!
Desse jeito, até parece que eu fiz uma covardia para ganhar!
Se você está dependendo de mim para um desafio deste nível,
você com certeza vai sofrer uma derrota esmagadora na sequência!
Mas—
Desapareça logo da minha frente.
Já entendi! Nunca mais te peço algo!
S-Shizuku-san!
L-Licença, mas...! Quem deu a ideia de vir falar com você, Robert-san, fui eu!
Então você deve entender o que eu estou dizendo!
Mas é que, com os nossos fundos, os vinhos que podemos degustar são bem limitados!
Ei, vocês!
O que foi, velhote?
Eu quero que vocês façam uma coisa para mim.
Aqui.
Levem esta carta para a Escola de Vinhos do Japão.
Ei! Nós não temos tempo livre!
Eu já emprestei meu conhecimento a você várias vezes até então.
Estou pedindo para você retribuir o favor!
S-Shizuku-san... V-Vamos lá, pode ser?
Que coisa...
Não sejamos rudes...
Ai, ai...
Aqui é uma escola de vinhos superfamosa!
Eu li a carta.
Vamos começar. Por aqui, por favor.
Ele diz que não vai nos ensinar nada, mas nos deixa
beber por conta das suas conexões, hein?
C-Com licença, mas aqui é...?
Sim, é a área de limpeza.
Bem, sim, mas... o que vamos fazer aqui?
É a área de limpeza, então, vocês vão lavar coisas.
Não, mas nós viemos procurar um vinho...
O quê?
É isso o que diz na carta:
"Eu vou deixar esses 3 aqui, para pagar pelos meus vinhos".
"Por favor, deixe eles lavarem a louça por um dia".
Então, eu conto com vocês.
Opa, as aulas vão começar.
M-Mas não é isso—
Contamos com vocês!
É-É para lavarmos tudo isso?!
Ei! Vamos embora!
Espera aí, Honma-san!
Todas essas taças têm números diferentes,
e tem até a safra escrita nelas!
Quer dizer que eles estão degustando vários tipos de vinhos de uma só vez...
Com licença, que tipos de vinhos eles estão degustando na aula agora?
Hoje, está acontecendo um evento que só fazemos uma vez por ano!
O tema é "vinhos de Bordeaux dos anos 70 até os anos 90"!
São só vinhos de boas safras, mas nenhum deles é caro.
Quantos tipos serão bebidos?!
Bem, serão uns 500 tipos diferentes.
Quinhentos?!
Que degustação maravilhosa!
Vamos provar o resto dos vinhos enquanto lavamos as taças!
Oba!
Eu vou encontrar, e vou mostrar a você... O diamante em meio ao deserto.
Bem, depois de beber 500 tipos, é de surgir algo assim.
E estamos em três! Conseguimos achar vários vinhos bons em pouco tempo—
O que foi, Kanzaki?
Ainda não.
Não adianta ser só um vinho gostoso. Se ele não tiver algo além do sabor,
vai ser impossível mudar o pensamento já enraizado do Takasugi.
É mesmo! Então, vamos nos esforçar e seguir procurando!
Isso!
No fim, não achamos nenhum vinho que nos deixasse satisfeitos...
Pois é...
Ainda não acabou! Agora, vamos para um bar de vinhos!
É sério?!
Você vai pagar?!
Seu idiota!
Ontem fui eu que paguei!
M-Miyabi-chan, o que eu faço?!
Ah... Bem...
Eu vou dar uma passada em casa, e dar uma olhada nos meus materiais.
É mesmo, também podemos ir por esse método!
Até!
Sim, aqui é a Shinohara.
E aí, Shinohara-san. Já acabou o trabalho por hoje?
Takasugi-kun?!
Se você tiver tempo, não quer jantar comigo?
Sim, pode ser.
Eu vou buscar você. Onde você está agora?
Não se preocupe. Eu encontro você.
Nisso, você segue igual, não é, Shinohara-san?
Que restaurante maravilhoso!
É bem difícil conseguir reservar aqui.
Ei, e o vinho?
É claro. Vou preparar o Margaux de 2000.
Eu não preciso fazer a prova, então pode servir direto para ela.
Certo.
Bem, beba. Você deve saber,
mas parece que o do ano de 2000 é bem valioso, e difícil de conseguir.
Que aroma gostoso.
É bem saboroso, não? Mas tem uma certa aspereza também...
Ele custa 50 mil ienes. Acho que é o chamado "preço da marca", não é?
É porque abrimos uma garrafa de um vinho que ainda não estava pronto, e o bebemos direto.
Se esse Margaux fosse decantado com uma ótima técnica,
e fosse servido na melhor taça para ele,
você acharia que 50 mil ienes é pouco por ele.
Shinohara-san?
Takasugi, você não ligava para marcas...
Eu guardo o relógio que você me deu com carinho até hoje!
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