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Então, é isto.
Obrigada.
- Estás a gozar? És a melhor colega de casa que já tive.
- Mando-te mensagem quando estiver instalada.
É bom que mandes.
Aquele carro. Qual é a cena?
Assistente social?
Não, professora.
Não, orientadora escolar.
- Bom dia. Ainda não abri bem.
Só uma garrafa de água, por favor.
- Espere um segundo. Vou abrir a caixa.
- As garrafas de plástico são más para o ambiente.
Como disse?
Tem ar de vegana. É vegana?
Fazem aqui um wrap vegano óptimo.
De cogumelos e tofu com molho barbecue.
Estou bem.
- Elas não a estão a incomodar, pois não?
Meninas, não vos pago para ficarem sentadas.
Ainda temos dois minutos.
- E que tal um dos nossos cheesebúrgueres?
Não há melhor hambúrguer nos Kootenays.
Estou bem.
- Devia comer qualquer coisa. Ainda morre à fome.
- Devia deixar de fumar. Ainda lhe caem os lábios.
Ca...
Bra.
E claro, o que dá jeito nisto
é que fica muito perto do seu consultório no hospital.
Quer dizer, é óptimo para ir a pé.
E aqui fica a casa de banho, o lavabo.
Sou um bocadinho exigente com casas de banho.
E este é o quarto de que lhe falei,
que tem acesso lá para baixo, para a piscina.
Enfim.
Sabe, como eu estava a dizer,
construímos isto por cima da piscina
porque já quase não a usávamos.
Às vezes, na Primavera, inunda,
mas nada de muito grave.
Se sentir algum cheiro estranho,
ligue-me e venho bombear a água.
Está bem.
Acho que vai
ficar bastante confortável aqui.
Ah, claro, ainda não tive oportunidade de pintar.
Pode pendurar um quadro por cima dessas manchas.
Sim, não faz mal.
Se decidir ficar mais tempo,
posso pintar isto por si.
Da cor que quiser.
Precisamos de todas as médicas simpáticas que conseguirmos na vila.
Há mais uma coisa, já agora.
Tem de desculpar os mexericos daqui.
Em vilas pequenas, isso pode ser complicado.
Não acredite em tudo o que ouve
sobre quem vivia aqui antes.
O Lucas, acho que andava meio deprimido.
As coisas não lhe correram muito bem.
E depois ela voltou para Vancouver.
Até se parece com ela. Tem uma irmã?
- Não. - Irmão?
- Sou filha única. - Então, meio mimada.
Está bem, vou deixá-la em paz.
Não sei porque acho que já lhe disse isto,
mas a renda vence no último dia do mês,
não no primeiro.
Nem imagina quantos inquilinos se baralham com isso.
Tenha um bom dia.
Trouxeste a carrinha para o barco?
Não, não, isso é no próximo mês.
Ainda está frio de mais para esqui aquático.
Passa por cá antes de saíres.
- Sim, claro. Manda cumprimentos ao Dave.
Peço desculpa. Está outra pessoa a usar o gabinete
e isto é uma espécie de arquivo, por assim dizer.
Então, Dra. Terringer, certo? Vem de Calgary?
Sim. E é Joanne Terringer. Jo.
- Antes de mais, bem-vinda aos Kootenays.
Ficamos sempre contentes
por ter tantos médicos substitutos a passar por cá.
Muitos vêem as nossas montanhas e lagos
e decidem simplesmente ficar.
Há muitas oportunidades aqui.
E, claro, como sabe, sendo médica substituta,
pode trabalhar em prevenção ou em tempo parcial.
Tem mesmo muitas opções.
E tenho aqui uma nota
a dizer que exerce como substituta há sete anos.
Está correcto?
No Ontário, Quebeque, Novo Brunswick,
Manitoba, Saskatchewan, Alberta, sobretudo em vilas pequenas, sim?
E houve alguns problemas.
- Tenho recebido tratamento intermitente
nos últimos três anos por stress pós-traumático.
E continua em tratamento?
Intermitentemente.
- Perdoe-me, Dra. Terringer, não quero perturbá-la,
mas pode explicar-me o stress pós-traumático?
- Há cinco anos, fui visitar a Escola Preparatória St. Joseph's
em Frederickton, Novo Brunswick.
Era o dia das profissões.
E o meu sobrinho pediu-me para falar à turma dele
sobre como me tornei médica.
- Meu Deus, peço imensa desculpa. Não fazia ideia.
Admito que tenho tido dificuldades.
- Sim, há aqui uma nota nesse sentido.
Vejo que também houve algumas queixas.
- Como disse, passei por uma fase difícil.
- Sabe que já não está em período probatório.
Se houver queixas aqui, a sua licença será revogada.
Então, tenho-a marcada para esta terça-feira
às 8h00 em ponto na sua clínica.
E depois, às 18h00 dessa noite,
no Creston Valley Hospital, com o Dr. Kurt Franklin.
Ele é o director clínico. É mesmo um tipo impecável.
Vai dar-se bem com ele, portanto...
Há um sítio maravilhoso junto ao lago.
De certeza que acabará por o ver um dia.
Espero que goste de estar cá.
Olá, mãe.
É agradável.
Sim, vejo as montanhas daqui onde estou sentada.
Sim, as pessoas são simpáticas, muito profissionais.
Não sei, deixam-me toda drogada, mas tomo-os.
Como está o pai? Não, ainda não estou preparada para isso.
Diz-lhe só...
Bem, diz-lhe que se o emprego ainda estiver
disponível quando eu voltar, penso nisso, está bem?
O quê?
Não.
Não.
Bem, o perdão é uma coisa complicada, mãe.
Dizes isso todos os anos.
Talvez um dia se torne verdade.
Será?
- Espero que sim. Talvez com a nova directora isso aconteça.
Sim. Não sei.
Disseram que ela era bastante virada para ciências.
Sabes uma coisa? Só tive 89% nisso.
Oh, pobre génio. 89%.
- Sabes que tenho de ter só excelentes
se quero entrar na UBC. Ela própria me disse isso.
- Já tens tipo excelente mais a Física.
- Sim, mas isto vai baixar-me imenso a média.
Taylor, descontrai.
Continuas destinada a salvar o ambiente.
Não te preocupes com isso.
Sabes o que a minha mãe disse?
Disse que, se eu não tiver Bom a Biologia,
vou ter de ir para a escola de Verão.
Biologia?
Não sejas cabrão, Ryan.
O quê? Biologia é fácil.
Mesmo.
- Não é nada. Bioquímica é mesmo difícil.
Credo, vocês
vão dominar o mundo ou quê?
Então, amigo?
Vais ver a peça no fim-de-semana?
Estás a falar de quê?
- Isso não é desculpa. Ao menos tens o carro do teu pai.
- O Tesla? Ele não me deixa conduzi-lo.
Não posso tocar naquele carro.
Nem posso estar a menos de um metro daquele carro.
- Então, porque não apanham o autocarro
para Portland?
O quê? O Greyhound? Nem pensar.
Não vamos no Greyhound.
Com este sol, estás a gozar?
Ei, Ryan, vens connosco?
Já te disse, tenho de estudar.
- Não, tem de andar atrás de gajas, é isso que tem de fazer.
Ryan, ao menos arranja o E.
- Não queres atravessar a fronteira com isso.
Compra-o em Portland.
O quê? Estás a gozar.
Na nossa fronteira, são todos uns conas, pá. Não.
- Como queiras, pá. Só não sejas apanhado.
Olha, quero falar contigo sobre uma coisa.
Está bem?
- Só queria saber o que achas de uma coisa.
Tipo?
- Aqui não. Falamos amanhã.
Está bem.
- Ryan, traz cá esse cu ossudo de químico.
No chão não, Ryan.
Nem no meu piano.
Há costeletas para o jantar daqui a uma hora.
Não tenho fome.
São barbecue.
O que se passa com os teus olhos?
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