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BRINQUEDO
Aí! Ei, para!
Está trancada.
A polícia está vindo.
A polícia.
É ele.
Certo, senhor. Pode tirar os fones?
Senhor...
Pode olhar pra cá, pras lentes?
Pode confirmar seu nome?
- Cameron Walker. - Obrigada. Por favor, levante-se.
O suspeito é Cameron Paul Walker. Sem prisões anteriores.
Comportado até agora?
Sr. Walker, de acordo com a Lei de Bioidentidade 2029,
vou colher uma amostra de DNA.
Abra bem a boca.
Obrigada. Um momento.
CORRESPONDÊNCIA CATEGORIA 1
Puta merda!
Cameron Walker, está preso por suspeita de assassinato.
Não precisa dizer nada,
mas pode prejudicar sua defesa se não disser
algo que o ajude no tribunal.
Como ele estava quando o prenderam?
Ele é estranho.
Queria mostrar um desenho que tinha feito
e ficou agitado quando Mo pegou as chaves dele.
- Da casa dele? - Parece.
Verifiquem.
SALA DE DETENÇÃO B12 01/02/2034
- Detetive Kano? - Sim. Você é Minter?
Jen Minter. Desculpe o atraso.
- É ele? - Sim.
Não podem me dar caneta e papel?
Só uma canetinha.
Qual é o dele?
Apartamento 4.
Não me deram nada pra desenhar.
Não estamos numa escola.
Gosto de desenhar sob estresse.
Pode ferir alguém com caneta.
- Eu não faria nada. - Está machucando, putos.
Tirem isso dos meus pulsos. O que estão olhando?
Por causa de idiotas assim que não pode ter uma caneta.
Porra!
Eu tinha uma no meu bolso, mas eles pegaram.
- Sim, é o procedimento. - E minhas chaves.
Por que pegaram elas?
Temos que revistar seu apartamento.
Diga para não tocarem em nada.
Vou mostrar uma coisa.
Reconhece esta mala?
Sim.
Sabe o que tem dentro dela?
Um corpo que não conseguimos identificar.
Por que você fez isso?
Que merda é essa?
Está ouvindo isso?
Sim.
- Estamos sendo observados? - Só pelo computador.
O computador central do Estado?
Soube que é o mais poderoso do país.
Montado pelo governo. Muito potente.
Impressionante.
Oi. "Achou!"
Sr. Walker, só diga o nome da sua vítima.
Sinto muito, sei que você é o detetive-chefe fulano,
mas não entendi o que a senhora faz.
Avaliação psicológica.
Minha ou dele?
- Sua. - Quer saber da minha infância?
- Talvez mais tarde. - Tudo bem. Serei rápido.
Filho único, mãe distante, bebia demais.
Meu pai
era um grandão imprevisível e violento que nunca se acalmava.
Entendo que ele mesmo deve ter sido machucado,
mas era assustador para um garotinho.
Então fui mandado para a escola,
onde eu sofri bullying por anos.
Certo. Escute...
Estou tentando dar à sua colega uma visão geral dos meus anos de formação.
Você chegou a revidar os valentões?
Não. Nunca.
Eu não queria ser como meu pai.
Porque ele era violento?
Porque ele era um ser humano falho.
E quem não é?
Pois é.
Então, vamos continuar...
Depois da escola, fiz um ou dois amigos.
- Vamos falar de 1994. - Estou falando.
Isto é relevante.
Como?
Porque eu nem sempre fui tão confiante assim.
Eu aprendi a ser assim.
Em 1994,
eu jogava videogame,
escrevia sobre jogos.
Isso era minha vida.
- Isso! - Boa!
Que loucura.
- Beleza. - Continua.
Ei, Cameron!
Última edição. Acabou de sair.
Temos CDs na capa agora?
É o progresso.
Logo todos seremos ciborgues.
Pois é.
Meu rosto está aqui, cara.
- Sim, desculpa. É... - Tudo bem.
- Terminou a crítica daquilo? - Sim.
O que achou?
Nota 9,3. É muito bom.
Não, calma. Deixa aí.
Vem cá. Tenho algo pra você.
Já ouviu falar de Colin Ritman?
Programador genial que ficou gagá.
Claro, ele é... Bom, Colin Ritman é...
Ele voltou.
Está num projeto secreto pra Tuckersoft,
codificando tudo sozinho.
Beleza. O que é?
É secreto, então eles não dizem nada.
Conseguimos uma prévia exclusiva.
Colin pediu que visitasse a sede deles para ele fazer uma demonstração.
Ele pediu por mim?
- Eu disse que iria esta tarde. - Pessoalmente?
- Hoje? - Sim.
Cam, não se preocupa. Ritman não morde.
Beleza?
- É Cam da PC Zone, né? - Sim.
É um prazer. Meu nome é Mo, pode me chamar de Deus.
- Todos chamam. - Está bem.
- Era brincadeira, tá? - Sim, eu sei.
Tá, posso te levar até Col?
- Sim. - Beleza.
Este é o andar principal.
A fábrica de sonhos.
Col tem um refúgio particular nos fundos.
Ele trabalha melhor quando está no próprio mundo,
longe das pessoas normais.
Sem ofensa, amigo.
Ele pediu especificamente por você.
Ele disse que sua escrita retrata uma mente estranha, mas receptiva.
- Seja o que for. - Ele entende de mentes estranhas.
Beleza, amigo. Se acalma, tá? Eu posso chamar ele de doido, sou o chefe.
E amigo dele. Acho.
Desculpa, eu não...
Estou só zoando.
Todos sabem sobre o "surto" dele,
não que ele chame assim.
Mas ele está bem agora.
Se mencionar isso na sua matéria, vou arrancar suas bolas.
Beleza?
Col!
Este é Cameron, da PC Zone.
Prazer.
Admiro seu trabalho.
Obrigado.
E eu também.
Quer dizer, os seus... Admiro seus trabalhos.
Trabalho.
Te falta confiança.
Como é?
É vibrante nas matérias,
mas pessoalmente parece ter vergonha de existir.
Sem ofensa. Gosto disso. O mundo é cruel. As pessoas são horríveis.
O medo eterno seria uma resposta racional.
Pode se sentar.
- Quer meu apoio moral? - Não, obrigado.
Beleza, me avisem quando terminarem.
Sabe sobre o que vamos conversar?
Seu novo jogo.
Não.
Não vai me mostrar um jogo?
Não vou te mostrar um jogo.
Ele acha que é um jogo. A empresa também,
porque eles só pensam em vender.
Não é do que se trata.
Não há uma linha de código aqui que possa ser considerada um jogo.
Certo, por que isso... Como isso...
- Do que trata a maioria dos jogos? - Escapismo?
Tenta de novo.
- Vencer? - Conflito.
Matar. Conquistar.
Coisas primitivas. Acho que precisamos fazer coisa melhor.
Temos que criar um software que nos aperfeiçoe,
que nos melhore como seres humanos.
Ou pra que caralhos servem as ferramentas à nossa disposição?
BANDOLETES VERSÃO ALFA.
- Bandol... - Bandoletes.
Parte de um bando.
Criaturas. Animais. Formas de vida.
Vida senciente. É disso que se trata.
Não uma simulação.
Vida real.
Claro que tive que fazer parecer um jogo,
ou não iriam financiar, e ninguém iria comprar.
Mas foi uma camuflagem.
Vai nessa.
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