The first 200 lines.
O que é que tu foste fazer?
Monstro! Seu monstro!
DEZ DIAS ANTES
Seu cabrão...
Foda-se!
- Olá. - Desculpa, fiquei trancado cá fora.
Fui pôr umas coisas ao lixo e depois só ouço a porta a fechar.
O que queres? Uma escada?
Não. Acho que não deixei nenhuma janela aberta.
Preciso de ligar à minha amiga Stephanie.
A minha melhor amiga? Tem uma chave.
Eu também tenho, mas adivinha onde está? Dentro de casa.
Vale-me de muito.
Bem, é melhor entrares, não?
Desculpa, George. Fiquei trancado cá fora. Sinto-me um bocado parvo.
- Como andas? A escola? - Já é faculdade.
Faculdade! Boa! Parabéns.
- Aqui tens. - Mas não sei o número dela.
Ninguém sabe números agora.
Mas fez os pequenos-almoços solidários para os miúdos com a Marie,
pensei que ela o pudesse ter.
- A Marie já foi trabalhar. - Eu sei, podias...
Clive, estou ocupada, o que foi?
Sim, tenho aqui o Leo, o vizinho do lado, em cuecas.
- Ficou trancado cá fora. - Sabes porquê, não sabes?
A Bridget esteve no WhatsApp.
Eu a tentar trabalhar e é só notificações, tudo sobre o vizinho.
Porque sabes o que ela disse? Adivinha o que a Bridget viu.
Não me digas?
Como assim, a correr? A sair de casa a correr? Quem?
E depois? O Leo saiu de casa a correr?
Não, ele disse que tinhas o número da amiga dele.
Uma tal Stephanie. Sim, sim, é essa.
Sim, mas ela tem a chave, por isso manda-me o número por mensagem.
A Bridget, a vizinha da frente,
diz que viu um homem sair da tua casa a correr.
Saíste atrás dele, mas ele fugiu
e foi assim que ficaste trancado.
É verdade. Ele.
- Bom dia. - Olá.
Foi uma bela noite. Nunca tinha experimentado gooning.
Não enquanto casal.
- Queres café ou... - Sim, preto. Obrigado.
- Eddie. - Leo?
Exato, é isso.
Oferecia-te torradas, mas não tenho nada em casa.
Não esperava ter companhia. Apanhou-me um bocado de surpresa.
Não que me esteja a queixar.
Não te atrevas!
Cabrão!
Era o meu amigo, o Eddie.
Dormiu em minha casa. Quando foi embora, acenei-lhe adeus
e foi aí que saí para levar uns papéis, cenas, coisas para o lixo.
Bem... O número da Stephanie..
Eu sei, mas estou em cuecas e tenho de abrir o bar.
Eu sei que estás ocupada, desculpa, mas... Espera.
- Que caralho estás a fazer? - Fiquei, fiquei trancado cá fora.
Seu esquisitóide.
Steph, levo-te a passar o Natal fora. Pago tudo, juro, mas tira-me daqui.
Pronto, ótimo, ela tem a chave.
Saul, não devias estar nu à frente do Sr. Struthers.
- Não me incomoda. - Mas incomoda-me a mim, vai vestir-te.
- Cucu! - Ouve lá, já chega.
- Peço desculpa pelo meu filho. - Obrigado.
A Stephanie chega daqui a 20 minutos. Vai acabar algo no trabalho e vem cá.
Mandava-a num Uber.
Acha que são anti-sindicatos, nem pensar.
- Posso esperar aqui? - Não.
São só 20 minutos.
Não, tenho de ir trabalhar daqui a pouco.
Posso ficar a ver TV.
- A que horas é a faculdade? - Onze.
Não podes ficar aqui com ele.
- Porque não? - Ele tem 16 anos.
Olá.
Credo, onde arranjaste o casaco?
Foi o Clive, o vizinho. E não achou graça nenhuma.
A mulher dele estava sempre zangada.
É incrível ainda estarem juntos depois do que aconteceu.
Foi um engate, o Eddie. Fanou-me o portátil e bazou.
Fui atrás dele a correr e fiquei trancado cá fora.
- Sou uma vergonha. - Tens sorte.
Podia ter sido bem pior. Para o ano, fazes 60 anos, caramba.
- Ainda me posso divertir. - O quê, assim? A sério?
Ele não volta, Steph.
Viste no Instagram? O Curtis está em Itália, com ela.
Então, o que é incrível?
O que aconteceu ao Clive Goss, o Goss, o Boss?
- Dormiu com outra pessoa. - A sério?
- Nas férias, num parque de caravanas. - Que nojo.
Quer dizer, compreende-se.
Que mais há para fazer senão foder?
Pensando bem, têm um filho que tem, o quê, 25 anos?
- Mas o outro só tem 15. - Dezasseis.
A diferença de idades significa casamento em crise.
Ter outro filho nunca resolve nada.
- Comes demasiado queijo. - Bem, agora já não.
- E o trabalho? - Uma loucura. Graças aos da tua laia.
- Como assim? - Bem, a culpa é toda vossa, não é?
Culpa de quê?
Temos um miúdo na instituição, Chegou ao Reino Unido em dezembro,
mas veio ao abrigo daquele programa, logo, sem documentos.
Diz que tem 14 anos. Tem 14 anos o caralho.
Tem bigode. Tem barba!
Tem pelo menos 21. Mas diz que tem 14, portanto, tem 14.
E está lá dentro com miúdos e anda a levar os rapazes para os copos.
Não me digas que não há droga. Claro que há droga.
Mas é a forma como olha para as meninas.
Quando uma menina vai tomar banho, ali está ele, à porta, a sorrir.
Mas isso é só o começo.
Este rapaz, este homem, está no topo da lista para acolhimento,
o que significa que tenho de agilizar o processo.
As famílias de acolhimento têm filhas.
Mas o que é que lhes digo?
Não as posso avisar. Não me é permitido.
Se diz que tem 14 anos, torna-se automaticamente um facto.
Então, o que posso fazer? Nada.
E é culpa minha porquê?
Ele autoidentifica-se, foi a tua laia que inventou isso.
Obrigadinha.
Olá, como estás?
Susette, meu amor, nunca iria resultar.
Ainda bem!
- Olá! - Bom dia.
Bom dia! Isto são horas?
A Judy teve de ir abrir. Eu estava lá fora.
- Olá, Zee. Bom dia, malta! - Bom dia, chefe.
Ontem, quando saí daqui, ia direto para casa,
mas pensei: "Bem, só um copito no Monroe's".
Conheci um tipo chamado Eddie.
Alto, magro, giro. Conversamos, 90 minutos depois, levei-o para casa.
- Não! - Levei. Sexo brutal.
Poupo-vos os pormenores.
De manhã, levantamo-nos, descemos,
agarra no meu portátil e sai disparado para a rua.
Corro atrás dele, a porta fecha-se atrás de mim,
fico trancado fora, em pelota!
- Impossível! - Fiquei!
Em pelota, no meio da rua!
Só pude roubar um gnomo do jardim do vizinho para tapar as vergonhas.
Juro por Deus,
estou no meio da rua, com o cu ao léu
e um gnomo de jardim a tapar-me os tomates.
Esperem, não acabou. Vou a casa do vizinho,
ali está o filho do vizinho, acabado de sair do banho, ainda a pingar.
Vinte e cinco anos, pele rosada, molhado, em topless.
Só vos digo, de repente, o gnomo tinha uma cana de pesca.
Que maneira de começar o dia. Obrigado.
- Hanna, o que se passou ontem? - Doía-me a cabeça.
É para isso que temos o telemóvel das baixas.
Não pedes à Tania para dar o recado.
Ligas, porque está sempre comigo, se não está comigo, está com a Judy
e temos de saber para te substituir.
- Percebido? - Sim.
- Ótimo. O que foi? - É o Frederic, estava à espera.
Ias entrevistá-lo.
Certo, certo. O primeiro cliente do dia.
- Bom dia, Melba. - O costume.
Louise, ajudas a senhora?
- Obrigado. - É para já.
Então, Frederico, já trabalhaste num bar?
- Duas semanas no Pinnacle. - Porque saíste?
- Despediram-me. - Bela forma de começar.
Vamos lá ver, vem para trás do balcão.
- Quanto te pagavam no Pinnacle? - Dez.
Nós pagamos 12, mas tens de merecer.
Anda lá, mostra-me.
Dá-me um WKD, um gin tónico e uma vodka com lima, com gelo.
Mas não temos gelo. Mikey, podes ir buscar gelo?
É para já, chefe.
O serviço é rápido. Nada de cocktails.
O mais perto disso é um Blue Lagoon, mas sem andar a agitar nada,
vai logo para o copo.
- Sabes o que leva um Blue Lagoon? - Não.
Vodka, curaçau e limonada.
- Andas na escola? - Sim.
- Estudas o quê? - Filosofia.
Uau, filosofia.
- Sabes qual é a minha filosofia? - Imagino.
- Que se fodam todos. - Tinha razão.
- Estás bem? - Apanhei um choque.
Zee, vês os fusíveis?
Já te disse, está sempre a acontecer.
- Estás bem, Freddie? - Só um pouco atordoado.
Vamos fazer um teste, para ver se estavas a ouvir.
Diz-me lá, um Blue Lagoon leva vodka, curaçau e quê?
Não sinto a mão.
- Perdi-te? - Fiquei mesmo abananado.
Pronto, está bem.
Queres descansar e beber um copo de água?
Hanna, arranja uma cadeira ao rapaz.
Vá, descansa. Acabaste de sobreviver ao frigorífico.
Sim, estou um bocado tonto.
Falas com a Hanna? Ela anda a abusar. Não pode continuar a faltar.
Elu anda a abusar, elu falta muito.
- Pronto! - Caraças, chefe, tu também?
Francamente, Zee.
A tua gente é dos mais perseguidos no planeta e o que fazem?
A única coisa que vai irritar toda a gente.
Põem-se com isso dos pronomes e já ninguém vos pode ouvir.
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