In His Own Image

In His Own Image (À son image)

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In His Own Image (2024) WEBRip
A Commentary by Paulo Morgado

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Published on: 2026-08-10
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The first 200 lines.

Sim, como sempre.

O casamento é amanhã, mãe.

Sim, portanto, sobre isso...

Amanhã não poderei ir.

Desculpa.

Tenho uma coisa em Calvi. Não poderei...

Não, amanhã não, preciso de ver uma pessoa.

Um amigo.

Eu sei que o almoço é amanhã. Não posso ir.

Mãe, não é contra ti.

Mas...

Mãe, ouve...

Não posso ir, é assim.

Não, não é para te aborrecer.

Ouve, mãe, amanhã trabalho cedo.

Está bem. Não, não sou só eu.

Sim, está bem.

Trabalho cedo amanhã. Fica bem, beijinhos.

Beijinhos.

Quer café?

Quer também?

Joseph.

A minha pequenina.

Os meus pêsames.

Obrigado.

Joseph, sinto muito pela Antonia.

Quando ele deu à Antonia a primeira câmara que ela teve nas mãos,

o seu padrinho, Joseph, ainda estava no seminário.

Nos últimos meses tinha desenvolvido uma paixão por fotografias de família,

que passava longos períodos a examinar cuidadosamente.

No início, o padrinho pensou que ela estava interessada nas suas origens.

Mas o enigma que a cativava não era esse,

mas a existência do próprio rasto.

Ela aprendeu a revelar negativos nos vapores ácidos

e a focar corretamente.

E mesmo assim, ela não estava satisfeita.

Foi apenas no verão de 1979 que começou

a tirar as primeiras fotografias que achou que valia a pena guardar.

Nesse verão, Pascal tinha 21 anos

e Antonia achou-o irresistível.

Há um problema.

Xavier!

Dá-me vinho branco!

Claro, um copo?

Xavier! Vinho branco!

Um último copo.

Já vai.

Porque estamos a bater palmas?

Estado Francês!

Assassino!

Eles vieram a correr

O confronto vai explodir

E intrigas estrangeiras

Hoje vamos nos retirar

E intrigas estrangeiras

Hoje vamos nos retirar

Deixem esta bandeira voar

Sob este jugo, aconteça o que acontecer

Durante 100 anos não apodreceremos nele

Das colinas ao mar Canta A Palatina

E a opressão cessará

Povo da Córsega, em frente!

A aurora está a nascer e aproxima-se

Para a Córsega soberana

Glória para toda a eternidade!

Para a Córsega soberana

Glória por toda a eternidade!

Ouçam esta canção

Pelo último da humanidade, E para o último soldado

Os seus antepassados, o seu sangue, o seu passo arrastado

É por ele e só por ele Que eu canto esta canção

Simon!

Para!

Que bela piza!

São as tuas raízes italianas.

Esta é a melhor noite da minha vida.

Para...

- Dá-lhe água. - Eu vou buscar.

Mesa 12!

Calzone para a mesa 12, por favor!

Ele quase caiu!

É um campo minado, há cocó de cão por todo o lado!

- Estás bem? - É a melhor noite da minha vida.

Divertimo-nos muito.

Está por todo o lado!

Vamos voltar.

Obrigado.

Estes sacanas.

São eles.

Maldito francês!

A 6 de janeiro de 1980,

o noticiário televisivo anunciava que os militantes autonomistas

tinham capturado 3 homens armados em Bastelica,

suspeitos de serem espiões,

encarregados pelo MAI de assassinar um deles.

Queriam uma conferência de imprensa

antes de entregarem os prisioneiros à justiça.

Em resposta, o Governo enviou carros blindados e polícia de choque.

Neste hotel em Ajácio

estão escondidos os membros do Coletivo Autonomista da Bastelica

com dois reféns acusados de atividades paralelas.

Apenas dois reféns, temos a certeza agora.

Um terceiro homem, preso em Bastelica,

era um cúmplice que se infiltrou na polícia paralela.

Pascal.

Pascal!

Pascal, aonde vais?

A Antonia nunca soube exatamente como é que o Pascal se juntou ao grupo

que se escondeu no hotel e reteve os seus hóspedes.

Esperavam convocar a imprensa,

mas só se esconderam durante 48 horas,

enquanto um ambiente de guerra civil reinava em Ajácio sob cerco.

Um agente morto, outros feridos por um atirador não identificado.

A polícia em pânico matou uma mulher e um rapaz

que iam a passar na altura errada.

O grupo concordou em render-se à guarda, não à polícia.

Puderam caminhar livremente do hotel para a esquadra da polícia,

carregando as suas armas descarregadas aos ombros.

Pascal e os seus camaradas foram presentes

ao Tribunal de Segurança do Estado e detidos na prisão de Santé.

Ele luta pelas suas ideias, tudo bem.

Mas também fez algumas coisas criminosas,

e não é correto que ele te arraste para elas.

Isso não se faz.

Ele não me leva a lado nenhum.

Ele fala-me o menos possível das suas ideias.

O que ele faz, o que não faz, não fala comigo, não me quer envolver.

Não quero que te preocupes.

Não há problema.

Não suportaria pensar em ti sob custódia policial.

Mas se eles arrombarem a porta,

seria a porta aqui, na nossa casa.

A casa da tua mãe, a minha, a do teu irmão.

Eu também tinha ideias quando tinha a idade dele!

Queria formar uma família, ter filhos, vê-los crescer.

Isso também não é uma ideia nobre?

As ideias podem ser vividas, faladas.

Não é preciso disparar sobre fachadas ou disparar sobre pessoas.

Não estou a contestar os teus sentimentos.

Mas quando pensas da mesma forma,

vais para a batalha sozinho.

Não arrastas contigo uma rapariga.

Ele não me diz nada.

Ele não te diz nada mesmo?

Estás a brincar? Ele acabou de sair da prisão.

Toda a gente vê como ele age.

Não tardará muito para ele voltar. E o que vais fazer entretanto?

Eu e a tua mãe vamos pagar os aviões para ires vê-lo?

É isso que tu queres?

Então, o que é que eu faço? Saio com alguém de quem não gosto?

Eu não disse isso.

Estou só a dizer...

não me faças morrer agora.

Eu amo-o. Não posso fingir que não amo.

Não contes comigo.

Ela escrevia-lhe quase todos os dias.

Ela tirava fotografias para ele.

Os amigos que aguardavam o seu regresso,

as ruas desertas, a chegada da primavera e ela enviava-lhe.

Ele pediu que não se preocupasse se não lhe respondesse muito:

não gostava de escrever e a monotonia da vida na prisão era tal

que não teria muito para lhe dizer.

Mas esperava que chegassem as cartas e as fotografias dela

e dizia-lhe que não se arrependia,

mas que estava impaciente por voltar a vê-la e por ver tudo o que,

graças a ela, ainda existia, pelo menos em forma de imagem.

Estás a caminho de casa!

Ele está a chegar a casa!

Bravo, bravo!

É bom te ver.

Queria agradecer a todos os nossos amigos que vieram esta noite,

que apoiaram o meu marido, a minha filha e eu,

todos os que nos apoiaram.

Hoje o meu filho está aqui e isso é a única coisa que importa... Pascal.

A dias melhores!

O Pascal não deu atenção à Antonia.

Entristecida, ela não podia alegrar-se com a sua libertação

nem sequer falar com ele.

Estava zangada consigo própria por ter ficado, exposta aos olhares de todos,

incapaz de escapar.

Antonia!

Anto...

O que estás a fazer?

Vais-te embora?

Sim, vou. Desculpa, não me sinto...

Não me apetece ficar, não me sinto bem, não me sinto confortável.

Odeio sair assim, mas não quero chamar a atenção.

Prefiro ir embora. A sério, volta para dentro.

Diverte-te com a tua família e amigos.

Devia ter falado contigo.

Obrigado pelas fotografias e cartas.

Falo a sério.

Fico contente por te ter ajudado.

Pascal!

A partir dessa noite, e todas as noites

em que ele não desaparecia misteriosamente, à mesma hora,

a Antonia e o Pascal voltavam a encontrar-se.

A Antonia era a mulher do Pascal.

Sem participar diretamente,

também ela viveu esta época de agitação política e protestos.

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