115 rreshtat e parë.
- Olá. - Entra.
Vamos para aqui.
- É bom ver-te. - Obrigada.
- Vieste de comboio? - Sim, vim de comboio.
Queres alguma coisa?
- Não, obrigada. - Certo.
Eu não quero ser uma destruidora de lares ou assim.
Como assim?
Não quero estragar o teu casamento.
Só isso.
O casamento sobreviveu a vários casos.
- Já? - Só nunca fiz parte de nenhum.
Estou a ver.
- Portanto... - Está bem.
Vamos subir.
- Tens a certeza? - Sim.
Desculpa, não... Tenho os olhos a lacrimejar, só isso.
Frances...
Não estou a chorar, juro. Estou feliz.
Já aconteceu antes com a Bobbi.
Ela diz que é sintoma da minha natureza reprimida.
Podes perguntar-lhe.
- Mas, por favor, não lhe perguntes. - Não pergunto.
É só uma reação física.
Sinto-me lindamente. Obrigada.
Meu Deus!
Não acredito no que fizemos.
Acreditas, sim.
Eu devia contar-te uma coisa.
- É um bocado constrangedor. - Continua.
Foi a minha primeira vez com um homem.
Está bem.
É estranho que não tenha dito antes?
Não. Era uma decisão tua.
Eu ia contar, mas perdi a oportunidade.
Desculpa. Por vezes, penso demasiado nas coisas.
Somos dois.
O que estarias a fazer, se eu não estivesse cá?
- A decorar as falas. - A sério? Para o quê?
Vou à Escócia daqui a alguns dias, é uma coisa para a televisão.
- É glamoroso? - De todo. É uma treta.
Sempre quiseste ser ator?
- Desde adolescente, acho eu. - Do que gostas mais?
Se é algo que consegues descrever.
É uma coisa previsível, acho eu.
Sei o que vai acontecer e o que tenho de dizer.
- Até à próxima. - Adeus.
QUERES VER UM FILME? DOU-TE COMIDA.
- QUE FILME? - ESCOLHE TU.
TENHO O FILME IDEAL.
Nick Conway. Está aqui algures.
- É de quando? - Tem uma classificação horrível.
- Não façamos isto. É estranho. - Não é nada.
Conhecemo-lo, claro que vamos fazer isto.
Pois, mas eu acho estranho.
Parece que ele tira a camisa a dada altura.
- Tu gostas dessas coisas. - Não vou ver o filme, Bobbi.
Está certo.
Porque o estás a defender?
Não o estou a defender. Só não gosto de escárnio.
Não fiz nada disso.
E não fui eu que o descrevi como um marido-troféu, já agora.
- Estás a ser má. - Má?
Ele não é propriamente um grande amigo, Frances.
Só o conhecemos porque é casado com alguém interessante.
- A Melissa não é interessante. - Ai não?
- Tu és demais. - Porquê?
Tu gostas dele.
- Estás a falar de quê? - Tu gostas do marido da Melissa.
- Estás apanhada por ele. - E qual é o teu interesse?
- O quê? - Tens ciúmes? É isso?
Gostas?
Foda-se, Frances.
Como conheceste a Melissa? Importas-te que pergunte?
Não há problema.
Eu vivia em Londres.
Já desde a escola de teatro. Muito trabalho.
- Parece-me fixe. - Acabava por ser.
Mas não gostava muito de Londres. Sentia-me só.
Conheci-a numa festa de um amigo, em Highgate.
Começámos a falar
e a sair juntos.
Toda a minha história romântica é só a Bobbi.
Fala-me sobre ela.
Éramos colegas na escola.
Tudo na Bobbi me surpreendia, sendo ela como é.
Podes imaginar a confusão que causou quando chegou.
Eu não era popular, mas ela escolheu-me mesmo assim.
Mudou a minha vida, agora que penso nisso.
Vocês são muito intensas.
Somos? Pois, acho que somos.
Como é que acabou?
Simplesmente acabou, não sei.
Não tive mais ninguém desde então e...
- Bom dia. - Bom dia.
- Tens um manuscrito para ler. - Obrigada.
Olá.
- Como estás? Ótimo, nada de novo. - Estou bem, e tu?
- Tens uma família secreta? - O quê?
Como aqueles tipos de que falam em podcasts.
De onde vem essa ideia?
Vi-te na cidade, hoje.
Com um bebé e uma mulher.
Era a minha irmã e a minha sobrinha.
Se te tivesse visto, apresentava-vos.
Eu não sei quase nada sobre ti.
O que queres saber?
- Quantos irmãos tens? - Só a minha irmã.
- E tu? - Sou filha única.
E venho de um lar desfeito.
Quando se separaram os teus pais?
- Quando eu tinha 12 anos. - Deve ter sido difícil.
Não, foi normal. Eles não se davam bem.
Acabou por ser um alívio.
Desculpa, já venho.
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