Mistari 200 ya kwanza.
NETFLIX APRESENTA
Está bonita assim, amor.
O quê?
Falei que você está linda hoje.
Não estou ouvindo!
Falei que você está linda hoje, amor!
Obrigada.
Amor!
Estou meio tonto, pois a vida é boa.
-A gente conseguiu, porra! -Conseguiu o quê?
Escrevi, dirigi e estreei um filme que arrasou hoje à noite.
Viu aquilo? Viu a reação do público?
Viu a reação do público?
Viu a reação do público?
Foi um soco no estômago.
Choraram nos últimos oito minutos,
e, na hora dos créditos, foi como a porra de uma bomba.
Pareceu uma explosão.
Isso é bom.
Não acredito que é real, amor.
Depois falei com seis críticos. Seis ou sete.
Todos babando em mim.
Entende?
Os brancos da Variety e da IndieWire adoraram.
A moça branca do LA Times amou.
Disse que sou o próximo Spike Lee, Barry Jenkins ou John Singleton.
Eu disse para ela: "E o William Wyler?"
Deu para ver que ela pensou: "William Wyler era negro?"
E, então, ela percebeu: "Merda. Isso também é racista."
Ela ficou nervosa, vermelha. Foi legal demais.
Marie, foi uma piada.
Ela tropeçou nas palavras, dizendo bobagens tipo:
"O filme é muito comovente."
"Malcolm, fiquei sem chão. Nossa, Malcolm."
Só: "Malcolm."
Típico de gente branca.
Foi interessante ver que,
porque sou negro e sou o diretor,
e a protagonista é negra,
ela tenta me enquadrar sob um viés político,
apesar de o filme ser sobre uma garota que tenta ficar sóbria.
Há certos obstáculos por ela ser negra?
Pode apostar.
Certo? Essa é a realidade, mas não é um filme sobre raça.
É sobre vergonha, culpa e como não dá para fugir disso.
Fico irritado por ver tantos jornalistas
exibindo a própria formação universitária.
Malcolm, você tem formação universitária.
Sim, mas não sou acadêmico. Não sou elitista.
Não faço filme para as três pessoas da aula de estudos de mídia que respeito.
Sou um cineasta.
Certo?
Não sou um cineasta, amor? Pois é.
E vou participar da conversa geral sobre cinema
sem que um jornalista branco sempre
diga que estou falando sobre raça só por ser conveniente.
Consigo imaginar as críticas.
Vai ser o seguinte. É assim que escrevem.
"Este filme é um estudo sensível sobre os horrores…"
Gostam dessas palavras.
"…os horrores do racismo sistêmico no setor da saúde mental."
Em vez de ser um filme comercial sobre uma viciada em recuperação.
Essas malditas pessoas são muito pedantes.
São mesmo. E a gente entende.
São inteligentes e politizadas.
Deixem que os artistas se divirtam um pouco com a arte.
Está escrevendo um filme sobre a Angela Davis.
Mas isso é diferente.
Escolhi fazer um filme essencialmente político,
mas nem tudo é político porque sou negro.
Acho que a Angela Davis discordaria de você.
Discordaria, né?
É sério. Se eu decidir fazer a porra de um filme LEGO,
não será para dizer
que o império norte-americano se fez com blocos do trabalho escravo.
Talvez só queira fazer um filme LEGO.
-Não quer fazer um filme LEGO. -Verdade.
Mas aquele filme LEGO foi massa. Foi demais!
E você nunca recebeu uma boa crítica na vida.
Droga, isso… Tem razão. Merda.
Está reclamando de críticas que nem foram escritas.
Outra verdade.
Então pare com isso. Fica parecendo um babaca.
É.
Mas entende o que eu digo.
Sim, mas deixe isso para outro dia.
É.
Só reclamou da moça branca do LA Times por causa daquela crítica negativa.
Não foi só negativa, foi idiota. Tem diferença.
Você venceu.
Ela o comparou a Spike Lee e Barry Jenkins.
Mas é uma jornalista muito medíocre.
Então não é o próximo Spike Lee ou Barry Jenkins.
-Duvido que ela conheça William Wyler. -Eu não conheço.
Está pronto, amor? Lá vem o macarrão.
-Não conhece William Wyler? -Não.
Ele fez Os Melhores Anos de Nossas Vidas.
É demais. Ben-Hur?
Um dos diretores mais versáteis. O Morro dos Ventos Uivantes.
Tome aqui.
A Princesa e o Plebeu.
Sim, alguns clássicos.
Mas você não trabalha com cinema.
É, Malcolm, não trabalho.
-Você gostou de hoje? -Foi legal.
"Legal".
Enquanto falava com aquele pessoal gentil, sorridente e rico
que, um mês atrás, teria me ignorado,
eu olhava para você.
E pensava:
"Você é a criatura mais linda do planeta Terra."
E a mais sexy também.
Não tem ninguém mais sexy. Anthony mesmo disse.
Não de um jeito ruim.
De um jeito positivo.
Quando eu via você…
com seu suco de cranberry com água com gás…
sorrindo e conversando…
Eu pensava: "Sou sortudo pra cacete!"
-Estava doido para vir para casa. -Muito meigo.
Agarrar e beijar sua bundinha linda.
Dizer que amo você.
Amo você, Marie.
Quer manteiga com ou sem sal?
Só quero você.
O que foi isso?
-Quê? -O sorriso amarelo.
-Não foi. -Juro que foi.
Não foi nada.
Mentira. Eu noto. Sei quando tem algo aí.
Talvez não note.
Noto, sim.
-Não comi a noite toda. -Não é isso.
É 1h. Podemos comer e dormir?
Por favor, Marie. Não quero brigar.
Nem eu. Por isso estou fazendo macarrão.
Então você está brava.
Não.
-Foi o que Anthony disse? -Não.
-A piada sobre você ser modelo? -Não.
Não leve a sério. Ele é velho e de outra era.
Não levei a mal.
-Jura? -Juro.
-Foi Taylor? -Não.
-Tem certeza? -Tenho.
-Sei que fica estranha perto de Taylor. -Não fico, não.
-Fica intimidada. -"Intimidada"? Sério?
-Fica calada. -É diferente de estar intimidada.
-Quis dizer… -O quê?
Me faz parecer inferior, e ela, a rainha da Inglaterra.
-Não, eu só quis dizer… -O quê?
O quê?
Ela é uma estrela.
Vai se tornar uma estrela.
Não dê azar, Malcolm.
Só não tenho nada bom para dizer a ela. Não me sinto intimidada.
Ela percebe.
Sério?
-Sério. -Como sabe?
-Só sei. -Sério?
Ela vê como você é com os outros. Falante, engraçada.
E daí? Sou sociável.
Sim. Por isso ela fica insegura.
Por outros seres humanos terem personalidade?
Não. Por ela perceber que você fica diferente.
Ela vai sobreviver.
Por que está brava?
Marie, você está brava.
Marie, por que está brava?
Marie!
Marie?
Marie!
Marie.
Marie, fale comigo.
Não é uma boa ideia. Conversamos amanhã.
-Mas está brava comigo. -Não é nada.
Não posso dormir assim.
Malcolm, acredite,
não vamos dizer nada de produtivo.
-Como sabe? -Conheço você.
-Como assim? -E amo você.
O que significa?
Você só mantém o sangue-frio no trabalho. Mesmo assim, nem sempre.
Sempre que acontece algo bom,
você precisa achar algo,
encontrar um mínimo detalhe,
para garantir que não haja motivo para comemorar.
-Sério? Quer falar disso? -Quero.
-Certo. -Está bem. O que foi?
-Seu discurso, Malcolm. -Me poupe.
Você ficou louca.
Falei sério quando disse que sempre encontra um detalhe.
Você não me agradeceu. Não é um detalhe. É importante.
Mas agradeci várias vezes antes.
Sabe que sou grato.
Cometi um erro. Por que vamos ampliar isso?
-Porque é amplo. -O quê?
É o resumo da nossa relação.
-Não pode ser sério. -É muito sério.
-Você é louca. -Exagerado.
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