Mistari 200 ya kwanza.
A história do futebol deu-nos grandes nomes,
focados num único objetivo:
marcar golos.
Mas também há quem nos tente guardar, de nos parar e de nos impedir de entrar.
Por algum motivo,
parece que agora todos querem ser guarda-redes.
Porquê?
Talvez tenha que ver com um tipo em particular.
Por isso, hoje vou contar-vos a história de um tal Emiliano Martínez.
Sim, aquele a quem todos chamam Dibu.
O prémio The Best da FIFA para melhor guarda-redes da temporada
vai para o argentino Emiliano Martínez.
Perguntam-me sempre sobre quem são os meus ídolos
ou que guarda-redes eu admirava quando era miúdo, e eu digo sempre:
"Ver a minha mãe a fazer limpezas durante oito, nove horas…
O meu pai a trabalhar…
Eles são os meus ídolos." Obrigado a todos.
Ele é campeão do mundo e o melhor guarda-redes do torneio.
Emiliano Martínez, o melhor guarda-redes do ano.
Melhor guarda-redes da Copa América 2021.
Dibu Martínez ganhou o prémio Yashin da Bola de Ouro para melhor guarda-redes.
Mais uma vez, Dibu Martínez foi eleito o melhor guarda-redes do mundo.
É o que todos os miúdos sonham desde os seis anos.
Era o meu objetivo, estava pronto.
BASEADO NUM CONTO DE HERNÁN CASCIARI
- Não consegues! - És inútil. És um passador.
Idiota! Não serves para nada!
Nunca tive medo da bola. Sou muito exigente comigo mesmo.
Via outro guarda-redes
e não percebia porque não lhe davam uma oportunidade.
Sempre aguentei tudo.
Não aceitava não jogar. Estava num momento difícil.
Houve muito sacrifício. Não foi de um dia para o outro.
Eu esperava que ele dissesse: "Chega, quero voltar."
Era um miúdo que tinha o objetivo de triunfar.
A mentalidade do Emiliano fá-lo sobressair.
Esse caminho fortaleceu-o.
Sim, a equipa foi escolhida. O Emiliano Martínez vai jogar.
O nível do Emiliano é claro. E ele pode jogar.
Olá, desconhecido!
Com dois guarda-redes, o que vai Martínez mudar?
Dizem que ele deve tudo ao treinador!
Se não têm TV por cabo, não sabem onde ele joga.
O que vai tentar na baliza?
E tudo encaixou.
Não sou novo na seleção argentina.
Fui aos Mundiais Sub-20 e Sub-17.
Olá, campeão.
Eu decido se serás um herói ou um vilão.
Sei que injetei ânimo na seleção.
Se escolher o lado, tenho 80 % de hipóteses de defender.
Vou comer-te vivo, mano.
O Dibu é uma personagem.
É doido.
Se ele te disse isso, é porque vai acontecer.
Ele foi uma ótima adição para o grupo como um todo.
Com as defesas dele.
E com a personalidade.
Estás nervoso, não é?
Defenda ou não, a confiança está lá.
Eu sabia que ele ganharia a posição assim que fosse convocado.
O Dibu é uma personagem incrível.
Fazia-nos sentir que o adversário podia rematar, mas não ia marcar.
Quando está na baliza, parece maior.
Se tivesse de embater no poste para defender, ele embatia.
Ele tem um sexto sentido.
Para mim, ele tinha algo.
Ele sabe a verdadeira razão.
Ele nasceu para ser guarda-redes.
EMI MARTÍNEZ: O MIÚDO QUE FAZ O TEMPO PARAR
Mil e quinhentos milhões de telespetadores em todo o mundo estão a ver este jogo.
Argentina contra França!
Deixem-me sonhar um pouco!
A equipa de Messi contra a de Mbappé!
Quem sairá vitorioso?
Ao entrar em campo para jogar a final do Mundial,
senti um vazio no estômago que nunca tinha sentido antes.
Quando vês a taça gigante
e as 60 ou 70 mil pessoas no Estádio Lusail…
… sentes a adrenalina da final do Mundial.
Acreditamos em vocês.
Acreditamos nesta equipa. Vamos, Argentina!
Ver as pessoas a cantar fez-me lembrar
a minha infância na Argentina e o recreio da minha escola.
Ao grande povo argentino, salve
O Peque Coco estava lá.
Que os louros sejam eternos…
E um pouco mais à frente, Ale, o meu irmão mais velho.
Que conquistámos…
A professora a dirigir as crianças.
Foi quando descobri o interruptor.
Vivamos coroados de glória…
O quê? O que é isto?
Porque tenho um botão no umbigo?
O que me está a acontecer?
Olá?
Olá?
Estão congelados?
Que estranho.
Professora, o que se passa?
Não percebo!
Respondam-me!
Coco! Coco, acorda!
Professora, o Coco não fala comigo!
Não acredito! Fui eu?
O que fiz?
Ou juremos morrer gloriosamente!
Ou juremos morrer gloriosamente!
Ou juremos morrer gloriosamente!
O que foi aquilo?
Viajei pelo mundo, mas Mar del Plata será sempre o meu lar.
Ir a pé para a paragem de autocarro às sete da manhã para ir para a escola.
Ir a pé da praia de Punta Mogotes até ao bairro Jardín,
que demorava 30 ou 40 minutos.
Pedalar até ao campo de futebol com traves de madeira e sem rede.
Eu e o meu irmão passávamos muito tempo juntos.
A essência da família, o pai e a mãe, sempre nos ensinaram a irmandade.
Éramos inseparáveis.
Havia uma cerca de arame à frente da casa.
Devia ter 15 metros de comprimento. E a bola ia e vinha o dia todo.
Competições, penáltis, matar no peito, cabeceamentos, letras.
Brincávamos todos os dias, sempre com uma bola no meio.
Emi, vai para a baliza.
Mas quero jogar à frente.
Eu marco os golos, tu impedes que marquem, está bem?
Está bem.
Lucas Tanque,
Brady Mosquito,
Loquercio Caracolinhos,
Diego Garello,
Pata Suárez,
Ariel Amolador.
Ariel leva a bola pela direita.
Amolador remata, golo!
Emiliano foi apanhado de surpresa.
Caracolinhos aproxima-se.
Falta. É falta.
Para cá. Não, para lá. Aí, está bom.
Toto Bertoglio.
É um cruzamento longo e muito alto.
- Um grande cabeceamento! - Não!
- Não! - Coco tenta bloquear…
- É autogolo! - Não!
Peque Coco.
Porquê?
Guarda-redes, isto é para crescidos.
Porque não vais fazer castelos de areia?
- Que passe do Toto! - Não!
Amolador aproxima-se a toda a velocidade.
O que estás a planear?
Não… O que estás a fazer?
Não faças isso!
Vou comer-te vivo!
Defesa incrível de Emiliano Martínez!
Inacreditável, Emiliano! Quantas mãos tens?
Ganhámos! Vamos!
Inacreditável!
Meu, és uma besta!
Aquilo foi incrível. És um craque!
São as calças da escola.
A mãe vai dar-nos um raspanete.
Os Mostris são mais velhos do que eu. Nasceram em 1989, 1990.
Íamos à escola, jogávamos, íamos à praia juntos o dia todo.
Começámos a chamar-nos "Mostris" e ficou.
É difícil explicar o significado dos Mostris.
Na Argentina, em Mar del Plata,
quando éramos miúdos, queríamos um nome que nos identificasse.
E acho que o nome Mostri foi o que mais pegou…
"Lá vem o Mostri."
Os Mostris são o nosso grupo.
Emi, Toto, Diego, Ale e eu.
O irmão de um amigo e outros chamavam-nos "Mostris".
"Olá, Mostri."
Começaram a chamar-nos "Mostri" e roubámo-la.
A palavra ficou.
Até tatuámos o nome em árabe.
Confiámos totalmente no tradutor daquela altura.
Pensámos que dizia "Mostri".
Depois, na Inglaterra, num ginásio com o meu irmão,
um árabe disse-nos: "Mostri."
E percebemos que a tatuagem dizia mesmo "Mostri".
Não havia Internet na altura.
Não sei porque está em árabe.
Mas éramos jovens.
Talvez agora tatuássemos "Mostri" em espanhol.
Não sei porque foi em árabe.
Mas somos cinco
e ainda nos chamamos "Mostri".
No bairro onde o Emi vivia,
dava para ver os campos a cinco quarteirões.
Fazíamos sempre torneios com as crianças do bairro.
Passavam o dia todo com a bola. De manhã, à tarde.
À noite, às vezes jogavam à chuva. Sempre gostaram de futebol.
Havia sempre uma bola, desde muito pequenos.
Meninos! São vocês?
Aconteceu alguma coisa?
Olá, rapazes. Como foi a escola?
Olá, pai! Jogámos na praia.
Perdemos 3-0, mas o Emi fez uma defesa brutal.
Emi, conta-me tudo.
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