The Big Swag

The Big Swag (La Grosse Caisse)

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La Grosse Caisse 1965 FRENCH 1080p HDLight AC3 2 0 x264-Fz v7 PT
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Mistari 200 ya kwanza.

COM A CAIXA EM FUGA

Está tudo bem? Viste o jogo ontem?

Há dez anos que o picotador de bilhetes Félix Pignol está na estação "La Rapée".

Dois pontos, 0.49 hora, vírgula, o carro do dinheiro.

Ou o vagão motorizado número 517 com a receita do dia.

Das 300 estações do metro, a caminho da caixa da RATP.

Com 600 milhões de trocos a bordo. Muito bem.

O vagão foi apelidado em tom de brincadeira de "a grande caixa", aspas.

E foi convertido numa cofre rolante.

Três recolhedores de dinheiro dividiam, terceira pessoa plural.

As notas e as moedas sobre as gavetas de aço.

Um trabalho de sonho.

La Rapée era a última estação antes da caixa da RATP.

Que se encontrava 900 metros mais à frente num subterrâneo.

- Angélique, um grogue? Eu pago. - Não posso esta noite.

Então também não sabes como acaba.

O fim fica extremamente emocionante. Hadley Chase vai ficar apavorado.

Diz isso amanhã, senhor Bourdin.

Olá, beleza.

Ela pensa certamente que é hospedeira de bordo. Já voou outra vez.

Ela faz isso para me manter na linha. Mas eu não caio nessa.

Eu pago um grogue, chefe. Depois leio um trecho do meu romance policial.

- A minha mulher espera por mim. - Então eu vou também.

- Numa outra vez. Temos visita. - Vão achar graça com certeza.

Está bem, já que pede tão gentilmente...

"Uma bela... presa".

Ponto de exclamação.

Fim.

"Os cinco sacos derivavam em direção a Île Saint-Louis...

A pesca podia começar. 600 milhões de trocos.

Uma bela presa. Fim."

O carro do dinheiro, um trapaceiro, Miss Metro, estação Arsenal, a presa...

Seis meses de trabalho, 325 páginas.

Podem preparar-se.

Romance, história policial.

De Louis...

Bourdin.

Um nome americano seria melhor.

Fleming, Hadley Chase...

Chandler. Os melhores já estão tomados.

Romance. Romance policial de Louis... le Normand.

Não o li.

Livro excelente.

Esse livro não vale nada.

- Foi a freira que o fez. - Idiota.

Nada de comentários impróprios durante o trabalho.

Se fizeres de palhaço, ninguém liga.

Coitado. Dá ordens, mas nem sequer sabe escrever.

Desculpa, o trânsito em Paris é um desastre.

Então apanha o metro. Até a senhora Metro de 1959 não tem de chegar sempre atrasada.

Angélique, de facto. Havia muita gente no teu guichê.

Sem dor no pulso, chefe?

- Vou transferi-lo, ouviu. - Obrigado. Parece-me bem.

- Tenho uma coisa para si. - Não era preciso.

Não é chocolate. É o meu romance policial.

Está pronto.

- Odéon. - Mudar em Austerlitz.

Vamos comer chucrute juntos.

- Como se chama? - "O assalto à RATP".

Tenho uma coisa para ti. Apanha.

- Não devias ter feito isso, Félix. - Não é nada. Gostas?

Lilases. Ótimo.

- Pignol, está tudo bem com a tua mulher? - E que te importa?

A criançada está a crescer um pouco? Quantos filhos tens? Seis ou sete?

- Quando te perguntam... - Exato. Então tenho de saber.

- Canalha. - És mesmo.

Foste tu que criaste uma família tão grande.

Depressa, aí está ele.

E o chucrute então, Angélique?

- Tinha combinado com o meu primo. - Sim, tinha-se esquecido.

Dá lá o teu livro.

- Vais lê-lo esta noite? - Se tiver disposição.

Que me importa. Não gosto de chucrute.

- Até sábado. - Às dez horas.

- Diz lá, quem é que escreveu realmente? - Eu, claro.

- Sozinho? - Queres uma chapada?

Nunca teria pensado. Li a noite toda. Ótimo.

A sério? Achaste mesmo tão bom?

Estou a dizer-te que não preguei olho.

Continua a andar.

Ficou completamente maluco, Bourdin?

- O que achaste da batalha de Arsenal? - Ótimo.

- Eu não teria pensado isso de ti, hein. - Ótimo. Estou espantado.

- Ainda vem alguma coisa? - Aí está o teu buraco.

E essa presa maravilhosa? Bem pensado, não é?

Tenho imaginação, sabes. Não te enganes.

Eu observo tudo sem que se note.

- Que algo assim nunca tenha sido feito. - Ainda bem que o dizes.

Isso prova que é uma história verdadeira.

E a cara de Pignol quando ler isto...

Vai ficar de boca aberta.

Será lançado depressa?

Fique na linha, senhora.

Senhor Gaston, tenho o senhor Mauriac para si na linha três.

Gostava de falar com o senhor Ganimard.

Tem marcação?

Diga que sou picotador de bilhetes e que escrevi um romance policial.

- Há um assalto enorme lá dentro. - O senhor Ganimard está infelizmente em viagem.

Senhor Simenon? Fique na linha, vou pô-lo já em comunicação.

E aquele senhor da Série Sombre... Marcel...

Não teve sorte. O senhor Dukamel está nos Estados Unidos.

Bem, então vou ler um trecho. Então saberá do que se trata.

"Pignol, furador de bilhetes em La Rapée,

viu o vagão chegar, como todas as noites.

O cofre móvel transportava o faturamento do dia de 600 milhões.

O empregado infiel tinha um sorriso manhoso no rosto."

Diga-me honestamente, não fica curioso sobre a continuação?

Sim, deixe-o aqui, então ouvirá de nós. Incrível.

- Louis le Normand é um pseudónimo? - O meu nome artístico. O que acha?

Na Série Sombre só vendem nomes americanos.

- Já pensava isso. - Brigitte.

Tenho aqui um manuscrito. Vão rir lá em cima.

O autor é furador de bilhetes no metro.

E daí? Um furador de bilhetes pode ter tanto talento como um burguês.

Olá, camarada-autodidata.

Aí temos o escritor.

Ouvi dizer que vais ganhar o Prémio Nobel.

- Gostaria muito de o ler um dia. - Então primeiro tens de aprender a ler.

Também és só um furador de bilhetes.

Alguns furadores de bilhetes querem subir na vida.

Cresceste mesmo. Que te deu?

- Sou autodidata. - Auto-quê?

Pobre rapaz. Nem sequer dominas o francês.

- Pára lá com as tuas palavras caras. - Em ti é tudo aparência.

Um autodidata desenvolve-se a si próprio.

Pensei que os teus pais tinham feito isso.

Deixa-me em paz. Não há mais esperança para ti.

Quem ele pensa que é? Já não passas pelo portãozinho.

Dêem-lhe outro boné, porque...

Então escreveu uma obra-prima?

- Parece mais alto do que o normal. - É assim que pareço às pessoas.

Mas pode tratar-me por tu, como antes.

Estamos todos a falar de ti.

Um otário como tu a escrever policiais...

- Como correu na editora? - Estavam entusiasmados.

Sabia-o, vais ficar famoso.

- Será lançado depressa? - Daqui a pouco estaremos num Cadillac.

Vamos beber alguma coisa daqui a pouco?

Então depressa, porque tenho uma reunião com o meu editor.

Para assinar.

Quer assinar aqui?

Mas o seu nome não é Bourdin?

"Senhor, infelizmente temos de devolver o seu manuscrito."

O seu tema não é forte, o assalto improvável.

"Por isso não podemos publicar a sua obra. Com os melhores cumprimentos."

Improvável.

600 milhões são por acaso improváveis?

Então venha ver por si próprio.

E a Seine não corre por acaso para o Ile Saint-Louis?

É mesmo um tempo incrível.

Diz lá, esse livrinho teu... Estou espantado.

- É mesmo muito improvável. - O que é que sabe disso?

- Está bem? Parece agitado. - Estou muito bem.

- Mudei de editor. - Porquê?

A Série Sombre foi vendida aos americanos.

Agora estou na Presses de la Cité, com Simenon.

- Mudei o título. - Porquê?

Só vendem títulos americanos.

- "Métropolitain Story". - Ótimo.

O título é muito importante. Ou pega em si ou não. Não se engane.

Les Presses de la Cité. Assine aqui.

Acabei de receber uma entrega da Hachette. O seu livro ainda não chegou?

Estão a ir longe demais. Talvez por causa das greves.

Tenho de ir. Estão à minha espera.

Muitas vezes fica numa gaveta.

Esse livrinho dele sairá certamente em Sint-Juttemis.

Vamos apostar?

Senhor escritor. O seu best-seller será lançado ou não?

Olha, chefe, esse livrinho do Bourdin, caímos bem que nem patos.

Ainda vai ser publicado ou não? A Angélique fala disso sempre.

Diga aos seus editores que tem 35.000 colegas, com as suas famílias.

Vamos beber alguma coisa daqui a pouco?

Se os editores não o querem, diga isso simplesmente.

Porque é que não o quereriam? Não era fantástico?

Vai ser publicado.

Plon, assine aqui.

Acabou de uma vez? O senhor vive muito alto.

- Anda alguma vez de metro? - Claro.

Escute, isto é mesmo verdade.

- Todas as noites às 0.45 em La Rapée... - Tenho de acabar a minha ronda.

Três minutos. Não peço mais.

"Não longe da linha de pesca, o saque flutuava.

Sullivan viu o primeiro saco de nylon, iluminado pelo pálido luar."

Reticências...

"Os cinco sacos flutuavam em direção ao Ile Saint-Louis."

Isto tornou-se uma captura maravilhosa: 600 milhões em moedas miúdas.

"Uma boa captura. Ponto." Fim.

Então, isso é improvável?

Passa mesmo. Parece um fait divers no jornal.

Por isso são capazes de muito.

- Um editor? - Não, malandros.

Tudo. Por ordem, exceto os feijões.

Cenouras raladas, aipo-rábano, pâté de campagne, azeitonas verdes...

Esteve muito tempo na prisão?

- Cinco anos. - Espantoso.

- Ele alguma vez fez um assalto? - Fez de tudo.

Vou comer qualquer coisa.

Bom apetite.

O ensopado de carne de carneiro.

Há uma grande mancha na sua lapela.

Maoni

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