முதல் 200 வரிகள்.
Em 2046, uma imensa ferrovia ligava o mundo inteiro.
Um trem misterioso parte para 2046, uma vez ou outra.
Todos os passageiros vão para 2046 com a mesma intenção.
Eles querem recuperar lembranças perdidas,
porque nada muda em 2046.
Ninguém sabe se isso é verdade
porque nunca ninguém voltou.
Só eu.
998...
997...
Se alguém quisesse sair de 2046, quanto tempo levaria?
Algumas pessoas partem com facilidade.
Outras acham que leva muito tempo.
Esqueci há quanto tempo
estou neste trem.
Estou começando a sentir solidão.
Pelo que me lembro, muitos foram para 2046.
Você é o primeiro a voltar.
Posso saber por que saiu de 2046?
Quando alguém me pergunta por que saí de 2046,
sempre dou uma resposta vaga.
Antigamente,
quando as pessoas tinham segredos
que não queriam contar,
elas subiam uma montanha,
encontravam uma árvore,
faziam um buraco nela,
sussurravam o segredo dentro dele, e depois tapavam com barro
para que ninguém, nunca, ficasse sabendo.
Uma vez, eu me apaixonei por uma mulher.
Depois de um tempo, ela desapareceu.
E eu fui para 2046.
Achei que ela estaria esperando por mim, mas não consegui encontrá-la.
Sempre fico imaginando se ela me amava ou não.
Mas eu nunca descobri.
Talvez a resposta dela seja como um segredo
que ninguém nunca descobrirá.
TODAS AS LEMBRANÇAS SÃO VESTÍGIOS DE LÁGRIMAS
Não prometeu que não iria voItar?
Eu vim ver você.
Por quê?
Não tenho perspectivas aqui.
Então vou ver como estão as coisas em Hong Kong.
Vai embora quando?
O navio sai daqui a 2 dias.
Por que veio me contar?
Pensei que poderíamos ir juntos.
Você não sabe nada sobre o meu passado.
Se preferir não me contar, não tem importância.
Se você ganhar, eu vou com você.
Ela encontrou um subterfúgio para me dispensar.
Pelo que me lembro, aquela foi a última vez que nos vimos.
Logo depois disso, eu saí de Cingapura.
Voltei para Hong Kong no final de 1966.
Foi bem na época da Revolução Cultural.
Não sabia quanto tempo ia ficar. Me instalei num pequeno hotel.
Eu escrevia contos para jornais.
Eles me pagavam 10 dólares por mil palavras.
No começo foi muito difícil. Eu tinha que sobreviver.
O que eu escrevia não fazia a menor diferença.
"Diário da Mulher Bazuca." A nova estrela é Fei Fei!
Uma mulher estonteante que tem bazucas enormes!
Um sucesso entre os que adoram peitos!
É claro que sim. Não vou dizer que os peitos são de silicone.
Logo me acostumei àquele estilo de vida.
Virei um especialista em mulheres.
Cada noite eu dormia com uma.
Mas nada dura para sempre.
24 DE DEZEMBRO DE 1966
Isso é verdade, mesmo?
Por que eu mentiria para você?
Você me conhece mesmo?
Você não fez um show em Cingapura, em 1964?
- Sim. - Você é a Lulu.
Eu era, na época. Não sou mais.
Qual é o seu nome agora?
Por que eu deveria dizer?
Na véspera do Natal de 1966,
encontrei com uma amiga de Cingapura, numa boate.
Nós éramos muito íntimos.
Mas, naquela noite parece que ela não lembrou de mim.
Nós já nos conhecíamos mesmo?
Como foi me esquecer?
Você disse que eu parecia seu último namorado.
Até me ensinou a dançar.
Continue.
Sempre me arrastava para o cassino.
Estava numa onda de azar. Devia uma fortuna.
Meus amigos e eu pagamos sua passagem para Hong Kong.
Você falava muito do seu último namorado.
Um chinês filipino de família rica.
Você ia casar com ele, mas ele morreu.
Você disse que ele havia sido o amor da sua vida.
Nessa época do ano,
não devia fazer você lembrar de coisas tristes...
Lembra que nós saímos para beber?
Nós conversamos muito...
Será que ela estava fingindo que não me conhecia?
Eu a levei de volta para o hotel. Ela estava desligada do mundo.
Ela tinha bebido demais. Por isso fui embora rápido.
Quando estava saindo, vi um número bem familiar.
Se não tivesse encontrado com ela,
eu não teria visto aquele número
e não teria escrito "2046".
- Posso ajudá-lo? - A Srta. Lulu está?
Lulu? Não tem nenhuma Lulu aqui.
Tinha uma Mimi, mas ela mudou daqui.
Mas eu estive aqui há 2 dias.
Sabe para onde ela foi?
Não! O que você quer com ela?
Nada sério.
É que fiquei com a chave dela e queria devolver.
- Pode deixar que eu entrego. - Obrigado.
Quer alugar o quarto?
Vim de fora e não me instalei ainda. Se tiver quartos, gostaria de ver.
Este hotel é simples, mas aqui só tem gente decente.
Você trabalha com quê?
- Escrevo para jornais. - Ah! Um colega do meio artístico!
Eu não tive sempre este emprego. Já fui artista também!
- Verdade? - Eu estudei canto em Harbin.
Na época, eu era tenor.
Vai ser um prazer ter você aqui.
- Quando pretende mudar? - O mais rápido possível.
Mas o 2046 precisa de uma reforma.
O 2047 está vago.
Pode ir dar uma olhada.
Não faz mal. Eu volto quando ficar pronto.
Ei, ei! Por que tem que ser esse quarto?
- É por causa do número. - Tem algum significado para você?
- Estou brincando. - Faça o seguinte:
dê uma olhadinha no 2047. Se achar bom, já pode mudar.
Depois você muda para o 2046 quando ele estiver pronto.
O que acha?
- Posso ver o quarto? - Mas é claro, por favor.
Eu mudei e descobri o que havia acontecido, na noite anterior.
Lulu tinha sido esfaqueada por um namorado ciumento.
Um baterista da boate. Ela gostava muito dele
e o comparava a um pássaro sem pés,
que não podia pousar nunca.
Ela passou vários anos com seu "pássaro sem pés."
A maioria dos namoros dela acabava mal, mas ela não ligava para os finais infelizes.
Não importava a história, desde que o papel principal fosse dela.
"Bom. Claro."
"Vamos. Vamos lá."
"Vamos lá. Vamos..."
"Sim, vamos. Claro."
"Entendido."
"Já entendi. Entendeu? Entendi."
"Entendo."
"Posso ir?"
"Pode ir. Claro."
"Entendido. Já... entendi."
A reforma do 2046 não demorou muito tempo.
Enquanto isso, fiquei vivendo no 2047.
"Claro!"
Comecei a ouvir uma voz estranha através da parede.
Pensei que alguém tivesse mudado para o quarto ao lado.
Mas era a filha do Sr. Wang, o dono do hotel.
Já decidi. Já decidi, eu vou.
Certo. Vamos indo!
Eu não entendia nada do que ela falava.
O porteiro me disse que era Japonês.
Parece que ela tinha um namorado japonês.
Diga para o motorista: "Granville Road, 220."
- "Garanvui..." - "Granville Road, 220."
- É travessa da Humphreys Avenue. - Pode repetir?
- Consegue dizer isso? - Fale devagar.
- Vou fazer um mapa. - Essa caneta é minha.
Vou repetir de novo...
Vire na Humphreys Avenue, perto da Kimberly Road.
Mas não vire na Salisbury Road. Entendeu?
Vou fazer um mapa.
- Granville Road... - Vire na Humphreys Avenue.
Não vire na Salisbury Road.
Lembre-se, não vire na Salisbury Road!
A empresa dele no Japão o havia enviado a Hong Kong.
Ao chegar aqui, ele se hospedou neste hotel.
O mundo está cheio de homens! Por que foi escolher um japonês?
Pode se livrar dele! Jamais irei conhecer esse sujeito!
Quer minha bênção? Enquanto eu estiver vivo, nunca!
A família do Sr. Wang sofreu com os japoneses durante a guerra.
Então eles tiveram que se separar.
Pode me dizer o que você sente?
Você me ama
ou não?
Tenho medo de ouvir sua resposta.
Mas tinha que perguntar mesmo assim.
Venha embora comigo.
Adeus.
Finalmente, o rapaz voltou para o Japão.
Foi quando a Srta. Wang começou a falar sozinha.
Ei, pode pedir para o seu chefe fazer silêncio?
É melhor o senhor ir falar com ele.
Ele ainda não foi embora? Por que voltou?
Não vou falar com ele!
Se não quer largar dele, vá embora com ele! Suma daqui!
Pensei que o Sr. Wang estivesse ouvindo música alta por amar ópera.
Na verdade, ele não queria que ninguém ouvisse a briga.
O que está fazendo?
Volte a me procurar quando for mais velha.
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