முதல் 200 வரிகள்.
Chamo-me Charles Bailly. O que vou vos contar,
eu próprio o vivi. Aconteceu mesmo.
Não é uma história inventada.
Bem podia ser feito um filme disso. Ao que parece.
Vejam, rapazes, isso não tem como falhar. Aí está a Royal Air Force.
- São Gloster Meteors. - Acho que são Messerschmitts.
Declos, são ingleses. Escuta.
Made in Inglaterra.
- Ouves? - Têm sotaque inglês?
Sim, percebo de motores. Fui taxista.
- Isso é outra coisa. - Ora, um motor é um motor.
O que achas, Pommier? São ingleses ou não?
Estou-me a cagar. Dá-me antes um belo cu.
Isso também não é tudo.
Tu falas com facilidade. Aqui estás bem servido.
Pensas sempre na mesma coisa. Se é que a isso se pode chamar pensar.
Há 2 anos que não toco numa mulher.
Tinhas tempo para as senhoras com aquela loja?
Entravam até 500 mulheres por dia na minha loja. Artigos de casa, o que queres?
Há mais alguma coisa ao seu dispor?
- Anda, a comida está pronta. - Já vamos.
E, no entanto, é a Luftwaffe.
- Então, Bailly, não pudeste esperar? - Gosto da minha sopa quente.
- Vimos a RAF. - Churchill também estava lá.
- Viste isso pelo charuto dele, Bussière? - Filho da puta.
O que quer dizer esse "filho da puta"?
Não lhe ligues. É um grande alarve.
- São ingleses. - Não viste nada.
Isso também não é preciso, eu sinto-o.
Escuta, eles jogam golfe.
Ouveste, pateta? Tu e a tua Luftwaffe.
Melhor assim. Errar é humano.
Um pedaço de lagosta, senhor conde?
Adoro caracóis, sobretudo em geleia de groselha. Como me apetece caracóis.
Delicioso.
Não está nada mal. Eles andam a preparar algo.
- Se ao menos largassem um regimento de raparigas. - Não aguentas tantas.
Ah não? Na altura de Munique, em '38, tive 4 ao mesmo tempo.
- Isso já nós sabemos. - E uma quinta para variar.
Não acreditam? Perguntem na loja.
- Essa canção já a conhecemos. - Don Juan na loja de departamentos.
- Diz isso outra vez se fores capaz. - Não arranjes confusão.
Esta é a última noite em que jantamos juntos.
Amanhã à noite já me fui. Depois podem zangar-se à vontade.
Diabos, já são 8 horas. A BBC já começou.
Com cuidado, não tão alto.
O país de Jeanne d'Arc e Napoleão voltará a mostrar o seu verdadeiro rosto.
Os traidores serão castigados.
Não queríamos esta guerra, mas vamos ganhá-la.
Os exércitos da liberdade sabem o que está em jogo.
Aí, esse entra.
A Inglaterra de Churchill desaparecerá do mapa.
E aquele cobarde general De Gaulle, que está a esbanjar o seu país...
- Vai receber o seu castigo. - Raios, é a Radio Paris.
Assim que a justiça e a liberdade triunfarem...
a França voltará a mostrar o seu verdadeiro rosto.
Ouviu A voz dos Franceses Livres.
- Já estávamos tarde de qualquer maneira. - Pouco aconteceu.
- É bom ouvir essas vozes. - Exatamente.
Em 1932 eu tinha uma namorada. Não, em 1931.
Tinha sempre de lhe telefonar, mesmo quando não tinha nada para dizer.
Ela simplesmente gostava de ouvir a minha voz. Dali tirava força.
- Então era maluca. - Não, era uma mulher maravilhosa...
- com umas mamas de cair para o lado. - Basta, já percebemos.
Então a tua decisão está tomada?
- Vais amanhã? - Sim, ao amanhecer.
- Tens a certeza? - Claro.
Não me parece uma boa ideia.
Não tenho razões privadas para ficar aqui, como tu.
Quer estejas aqui quer em Paris, os alemães estão em todo o lado.
Mas aqui, pelo menos, estão em casa. Aqui ainda se aturam.
Não me sinto em casa aqui.
Se sabes quanto tempo ainda vai durar, aguenta-se.
Então podes contar os dias. Mas não sabemos nada. 1940, 1941, 1942.
E ninguém nos diz por quanto mais tempo. Não quero ficar aqui a vida toda.
Em casa não tenho cem mulheres. Tenho só uma, e é com ela que quero envelhecer.
Muito calmo e sereno. Quero tê-la perto de mim todos os dias.
E sabes o que mais é?
- A Alemanha está-me a sair pela garganta. - Isso eu percebo.
- Não deves pensar tanto. - Tenho apenas uma boa memória.
Quando me prenderam, pensei que iria durar 3 semanas.
No máximo um mês. Caso contrário nunca me teriam apanhado.
- Então eu ainda estava fugido. - E se te apanharem?
- Se me apanharem? - Sim.
Estamos bem aqui. A maioria está muito pior. Temos sorte.
Se te apanharem, vais para um desses campos de trabalho onde te rebentam.
Segue o meu sábio conselho: fica onde estás e não te mexas.
Diz lá honestamente, já não tens vontade de ir embora.
- Estás a recuar. - Eu?
Já não te atreves a perguntar a Marlène.
Como chegas a isso? Não tenho nada a perder, pois não?
Daqui a uma hora saberás mais.
- Achas que ela gosta? - Com as mulheres nunca se sabe.
- Não é verdade, Marlène? - Não me chamo Marlène, mas Josepha.
- Para mim és Marlène, a minha vampirazinha. - Vamp de cama.
- Boa sorte com isso. - Boa noite.
Boa noite, pombinhos.
Se eu não te tivesse, também faria as malas.
És uma mulher bonita, a minha mais bonita.
Tens de me fazer um grande favor.
Tu devias ajudar-me.
Para os meus camaradas.
O que é que vocês acham, a Marlène acharia bem?
A Marlène é camponesa, pensa no dinheiro.
Todos os agricultores são, afinal, poupados.
- Eu devolvo-lhe a vaca. - Ela que acredite nisso.
Tem Bussière como penhor.
Raios. Começa-me um dente a apodrecer. Logo o meu melhor.
- De que é que estás a rir? - O plano de Bailly.
Escapar atravessando a Alemanha inteira com uma vaca.
- Genial. - O casal ideal.
Não só. É também uma amiga, uma camarada.
A vaca dá leite quando tenho sede, e eu conto-lhe historinhas.
- Finalmente alguém com quem falar, hein? - É mais uma outra espécie animal.
- Obrigado, sim. - Estou só a brincar.
Como vai esse harém entre as tuas orelhas?
A minha amada estava nua. E porque ela sabia o que eu desejava...
trazia apenas as suas joias, que tilintavam no seu pescoço.
Cala-te.
Horríveis são as noites... sem o teu corpo abençoado ao meu lado.
- Sem a tua boca, os teus beijos. - Eu disse: cala-te.
Que bárbaro. Estou a tentar sublimar as baixas paixões deste patife.
Mas a única coisa que estes versos lhe inspiram é "cala-te".
- Ele não tem nenhuma vaca consigo. - Cala-te.
E? Ela recusou?
Responde lá. Ela não o queria?
Se ela disse que não, podes dizer isso, não podes?
Já sei. Não vai acontecer. Não vai acontecer, hein?
- Sim, palerma. Vais ter a tua vaca. - Valente malcriado.
Não hesitou nem um momento. Uma rapariga para beijar. O que eu fiz logo.
Assustaste-me bem.
- É verdade, não é? - Senão não o diria.
Ele paga-lho na cama.
É um comentário de merda, Pommier. É uma miúda fixe.
Ela não precisa de dar nada em troca.
- Tens tudo? - Espero não ter esquecido nada.
Chocolate. Bolachas.
Obrigado.
As minhas coisas de barbear. Escova de dentes.
Açúcar.
A minha bússola.
Isto é para vocês.
3 camisas e um colete. Inglês sem dificuldade.
Italiano sem dificuldade. Alemão sem dor.
Se quisesse, teria tornado-me um verdadeiro poliglota.
Mas por causa desse estúpido klaverjas nem tive tempo de abrir esses livros.
Aprendes alemão sem dificuldade, e até com muito prazer.
Alemão na prática.
- Estudaste o mapa? - Durante 3 meses.
Esta é a rota. Ela também está na minha cabeça. 250 km.
Dez por dia. Cinco de manhã, cinco à tarde. Depois de 25
dias de marcha chego à estação de Estugarda. E
no 26.º dia estou em França. Se tudo correr bem.
Olha, se vais de qualquer maneira a Paris...
- Passa por aqui um instante. - Sem problema.
É a minha mãe. Ela mora na "Rue Pascal".
- Conta-lhe lá como isto vai aqui. - Eu farei isso.
Tenho de passar também por mais alguém?
É junto aos Gobelins.
- Não te chateia? - Não, de todo.
Que passei aqui 2 anos.
- Vamos escolher uma vaca? - Eu trato disso.
- Vendias também vacas na tua loja? - Confia em mim.
Deixa-o lá, se ele quer fazer isso.
- Escolho uma boa vaca leiteira. - Não, uma vaca para andar.
Deixa ver.
- Porque não? - Olho para o olhar.
O olhar?
- Portanto, não pode olhar com ar de carneiro? - Não.
Um olhar suave significa um carácter calmo e amistoso.
- Humano, portanto. - Exatamente.
- Percebes disso. - Sim, deixa isso comigo.
Um nariz húmido.
Uma respiração regular.
Uma bela pelagem. Sobretudo uma questão de mucosas.
A pele também. Vamos ver.
Vamos ver. Esta é a que deves ter. De certeza.
- Eu garanto por ela. Esta é a tua vaca. - Não, essa não é boa. Má.
Tu percebias disso, não é?
Como é que te posso agradecer? Nunca recebi uma vaca.
Adeus. E boa sorte.
- Que pessoa. O que é que devo dizer? - Simplesmente, obrigado.
Obrigado por tudo.
Muito obrigado.
Muito obrigada, senhora.
Tenta chegar depressa o mais longe possível.
A Marlène só comunicará a tua ausência daqui a 48 horas.
- Então já estarei longe, se ela quiser andar. - Essa anda bem.
A sua antepassada nadou mares, atravessou os Balcãs até ao Egipto...
onde deu à luz um filho. Chamava-se Lo, e era a amada de Zeus.
Então adeus.
Tu sabes, não é? Como a Marlène diria.
Adeus, meu caro.
- Vais para a "Rue Pascal", não é? - Pois claro.
E não penses demasiado nisso, hein? Casanova?
- O que é que hei-de dizer? - De nada. Vai agora.
- Não vos importa que eu vá embora? - Vá lá, homem.
- Bom dia, Bailly. A passear? - Sim, com Margueritte.
Adeus, Bockmann. Assim se chamava, o nosso vizinho.
Pensei que nunca mais o veria. Pensei mesmo que...
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