200 บรรทัดแรก
COM A FORTUNA ÀS COSTAS
Trabalhaste? - Sim.
Bonito, não é? - Muito bom, muito bom. 400.
Não, senhor Mézeray, tudo fica mais caro. - 300 então.
E o que é isso? - Isso é uma estação.
Uma pequena estação. 200.
E isso? - Isso fica para si...
Não, eu pago. - Isso fica para si por 700.
Há muitas horas aqui, a tela, a tinta.
Sim, e a secagem.
E, senhor Dubois? - Desculpe-me.
Já é tarde, continuamos amanhã. Pode vestir-se de novo.
Bem, mas quantas telas levo? - Tínhamos dito...
Leva isso por 300. - Espera, 1, 2, 3, 4, 5, 6.
Sete. - São onze.
Com isso oito. - Então faltam-me três.
Mostre. - Senhor, como ousa?
O que é isso? - Uma tatuagem.
Exatamente uma reprodução de Modigliani.
Uma reprodução, eu?
Mostre lá. - Para trás, jovem.
Não me diga... - Não tenho nada a dizer-lhe, senhor.
Sabias disso? - Não.
E não dizes nada? Quero ver essa tatuagem imediatamente.
Senhor Legrain, posso apresentar-lhe o senhor Mézeray.
Um amante de arte e diretor financeiro.
E um ainda maior idiota. - É mesmo um Modigliani?
É um Modigliani. - Um verdadeiro?
Nunca ponha em dúvida a palavra de um legionário.
Mas isso é mesmo o trabalho de Modigliani?
Vai-te embora! - Tens razão.
Diz... silêncio. Senhor Legrain?
Senhor Legrain, compro-lho. - Não sou uma salsicha ou perna de porco.
500.000. Espera, então um milhão. - Queres um estalo?
Senhores, senhores. - Cala-te.
Como assim a minha boca? - Era para o outro.
Ofereço 2 milhões pelo que tem nas suas costas.
Como assim o que tenho nas costas?
Achas que sou uma prostituta, idiota? - Três.
Senhor Dubois, tem mesmo conhecimentos estranhos.
Desculpe-me, senhor.
Já o disse: Silêncio, tu!
Mais três pinturas!
Preciso de tempo.
Põe o avô lá, a avó. Toda a gente.
Meu Deus, como é extremamente insistente.
Senhor Legrain, ouça-me. Ouça.
Espera.
Não vá embora.
Vinte milhões. Veja. Veja.
E?
Está bem, não é?
Senhor Legrain. Não é nada mau, não é? Onde está?
Isso assustou-o, não foi? Está a ouvir-me?
O que acha? O que responde?
Não faz mal. Muito bem. Perfeito. Muito bem.
Foi muito bom, perfeito, muito, muito bom.
Sim? Como ele é como pessoa? - Ponha aí.
Como ele é? - Muito simpático, amável e educado.
Mesmo simpático? - Muito simpático.
Incomoda-o que ele seja negro? - Ah, não.
Incomoda-o que ele seja negro? - Não.
Não é racista? - Ah, não.
É racista? - Não.
Eu também não. Horrível.
Diga desculpe. - Desculpe.
Qual é o tamanho da obra? - O que disse?
Qual é o tamanho?
O tamanho? - E o preço?
Espera, espera.
Em primeiro lugar é um Modigliani.
Em segundo lugar é um muito belo Modigliani.
Em terceiro lugar é único no mundo: tatuado em pele humana.
Num belo dorso. - Certo, mas quanto custa?
Exatamente.
Antes de falar do preço do Modigliani...
têm de comprar tudo isto. Tudo o que está aqui.
Tem este, este e este. Veja, este é meu. Veja como é bonito.
Estes são impossíveis de vender.
Por isso vendo-os a si. - Não são bonitos!
O que disse? - Que não são bonitos.
Não, são simplesmente horríveis.
Já não os consigo ver. Fica com eles por um bom preço.
150 milhões. - Nunca.
Se quer esse Modigliani...
tem de levar tudo por 150 milhões.
Nem pensar. Nunca. Nunca.
Olá, está a ouvir-me? - Sim, senhor.
Ligue já para Bernheim em Nova Iorque. - Não, não o Bernheim.
E? - Acordo. 150 milhões.
160. - Há pouco disse 150.
170. - Ouça...
180. - Está bem, acordo.
Olá, está a ouvir-me? - Sim, senhor.
Mantenha esse senhor Bernheim na linha mais um pouco.
Não, dinheiro vivo. - Não tenho.
Tem sim. - Não.
Senhor Bernheim!
Ouça, é muito simpático, mas prefiro vê-lo ali.
Assim está bom? - Não, senhor Bernheim!
Se sim. Um pouco mais rápido. Muito bem.
Vamos respirar um pouco.
Certo, lá vamos nós de novo.
Vamos procurar o senhor Legrain mais tarde. Continue, caso contrário...
Um cavalheiro, um homem encantador. Muito educado.
Senhor Legrain!
Senhor Legrain!
De novo?
E com cúmplices. - Não, eu lhe explico tudo.
E eu também, diabos.
Baioneta na arma e ataque. - Não!
Mas sim! - Não.
Não se deixe despachar. - Ele está brincando.
E ainda por cima ingleses, nossos arqui-inimigos.
- Não, são americanos. - "Raus".
Eles vêm de Nova York. - Isso não importa.
Não. - Sim, importa.
Eles exterminaram os indígenas. - Nisso ele tem razão.
Cale-se, ou eu escalpo você. - Não.
Eles vão à Lua com computadores, mas comem pernil de cordeiro com geleia.
Não. - Sim, com suas trompetes de jazz e...
pílulas de despovoamento. "Senhores, vão para casa".
Eles só querem ver suas costas. - Eu não sou um museu, porra.
Sim... - Não...
Mas como lembrança de Pershing, ainda assim vou mostrar minhas costas a vocês.
Vocês vão ver, esperem. - Você, no canto, maníaco. Não, ali.
Você não olha. - Ok.
A visita terminou. - Obrigado.
Talvez de 1918...
Errado. 14 de julho de 1919, a noite após o desfile da vitória.
Onze quilômetros, todos estavam exaustos. - Conhecia Modigliani?
Sim, ele o conhecia muito bem. - Jovem, eu não o conhecia.
Foi em um café em Montparnasse por volta das 2 da manhã.
Um sujeito lá queria tatuar uma mulher nas minhas costas.
Sim, senhor, e então eu me deitei na mesa de bilhar.
Sim, senhor, e só anos depois soube que ele era Modigliani.
Isso também não importou, porque permaneci na Legião Estrangeira.
Sim, sim, rapaz.
Ah, você está aí. Aqui.
O que houve? - Meu pé.
Diga desculpe. - Você está louco?
Foi isso que aprendi com você. - O que isso significa?
Por que está me olhando assim? - Como?
Porque sou um criado? - Como?
Porque sou negro? - Você não é negro, é?
Sou sim. - Nem totalmente.
O que você tem a mais do que eu? - Eu... como?
O que você tem a mais do que eu? - Muita coisa.
Quais? - Como?
Diga então o que você tem a mais do que eu?
Boa noite, senhor.
Conhece minha esposa?
Querida, este é o senhor Smith e o senhor Larsen.
Que prazer conhecê-los. Meu marido falou muito de vocês.
Que alegria recebê-los aqui. Por favor, sentem-se.
Coloque isso aqui.
Agora ele também está me olhando. Conte.
Os senhores certamente querem um aperitivo. Pastis?
Ah não, querida. Uísque. Eles são americanos.
Lá eles bebem bourbon.
Quanto a esse Modigliani...
Ele o encontrou na feira da ladra...
foi lá que ele realmente começou. - Querido!
Sim?
Sobre esse Modigliani...
Ele o encontrou na feira da ladra essa foi sua primeira experiência profissional.
Querido! - Sim?
Sobre o Modigliani... - Ele o encontrou na feira da ladra...
Já chega! Para voltar ao Modigliani...
Aqui, querida, leia isto. Nada além de notícias horríveis.
Voltando ao nosso assunto então. - O Modigliani, como deseja entregá-lo?
Muito simples. É preciso um dia de hospital.
Usamos uma coisinha dessas...
Isso faz cócegas... e depois, hop, hop, hop. Como um guardanapo, e pronto.
Ele concorda?
Sim. Vou acertar isso com ele.
Quanto isso vai custar? - 500 milhões.
Quanto? - 500 milhões.
Por essa tatuagem? - Emoldurada.
Menos esses 180 milhões.
Não, isso acabou. Você comprou essas coisas.
Não, não, não. - Sim, sim.
Onde está o senhor Bernheim? - Tudo bem. Concordo.
Amanhã à noite às 8 horas você me entrega a assinatura do senhor Legrain.
Escrito. - Você vai receber isso.
Caso contrário, você nos devolve esses 180 milhões.
Cuidado, senhor Mézeray. Cuidado. Você terá que devolver.
Não se engane, eu entendi bem. - O que você entendeu? O quê?
O quê então?
Você é louco por vender essa tatuagem antes de comprá-la você mesmo.
Todo mundo está à venda. - E se ele não quiser?
Ele vai ter que, senão eu não me chamo mais Mézeray.
E se...
Já estou ouvindo suas reclamações há vinte anos.
Escute, meu pombinho.
Eu não sou seu pombinho, não sou de ninguém.
Tenho cara de pombo então?
Como quiser.
Já que estamos a falar disso, não quero que me trates por tu.
Porquê?
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