Sunday's Illness

Sunday's Illness (La enfermedad del domingo)

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Não insistam. Passem a outro grupo.

Movam-se calmamente e sejam breves e concisos

quando responderem a perguntas, sem serem informais.

Alguns dos meus convidados são especiais. Sabem o que quero dizer.

Se deixarem cair um tabuleiro, retirem-se. Há outras pessoas cuja função

é pedir desculpa e limpar.

Por último, não podem usar acessórios.

Nada de anéis, piercings, pulseiras ou brincos.

Tenho a certeza de que farão um ótimo trabalho.

Muito obrigada a todos.

Deseja vinho?

Vinho branco, por favor.

Desculpem!

Desculpem.

Desculpem.

- Não faz mal. - Estão a incomodar-vos?

- Não, eu adoro cães. - A sério?

- Posso dar-lhe comida? - Sim, mas ficarão doidos por si.

Ainda bem.

- Quer que intervenha? - Não há problema.

Devem gostar mesmo de si. Não costumam ser tão afáveis.

Não leve essa garrafa.

Dê-ma, por favor.

Olá, Ricardo. Como estás?

Olá. Queres tomar uma bebida connosco?

Não, obrigada. Tenho uma entrevista. Vemo-nos para a semana. Muito prazer.

Pedi um chá para ti.

E uma garrafa de água com gás, por favor.

Não queres tomar nada?

Podes tirar os óculos?

Desculpa.

Desculpa!

Não é permitido fumar aqui.

Até pode ser, mas ninguém repara se o fizer.

A não ser que reclamem.

Claro.

Nestes lugares, há sempre alguém desse tipo.

A tua família não sabe, pois não?

Não.

Nunca contaste a ninguém?

Não.

É estranho.

O quê?

É quase não existente.

É estranho.

Como me encontraste? É fácil encontrar uma pessoa fútil.

Como entraste em minha casa?

Se te contar, vais retaliar contra alguém

que não tem culpa. - Só queria saber se foi difícil.

Não. Podia ter cometido um massacre.

Estou a brincar.

Desculpe, senhora. Não se pode fumar aqui.

Vês? Ela disse-me que podia, lamento. - Não pode. - Está bem, vou apagá-lo.

O que queres?

Preciso que passes dez dias comigo.

O quê?

Isso mesmo.

Dez dias.

Não é uma ameaça.

Podes pensar nisso, se quiseres.

Obrigada.

O que sobrar serve de gorjeta.

Quanto?

Ela não quer dinheiro.

Como pudeste encontrar-te com ela sem me consultares?

- Credo, Anabel. - Queria resolver o assunto sozinha.

O que quer ela?

Passar dez dias comigo.

Onde?

Não sei.

Levantei-me e saí antes de ela explicar.

- Ameaçou-te? - Não.

Que idade tem?

Quarenta e dois ou quarenta e três.

Chama-se Chiara.

É minha filha e abandonei-a quando ela tinha oito anos.

Tens a certeza de que é ela?

Sim.

Porquê?

Revejo-me nela.

Pode entrar. Vão recebê-la agora.

Deseja tomar alguma coisa? Um café?

Não.

Por favor, sente-se.

Gostaríamos de esclarecer algumas coisas sobre o seu...

... pedido peculiar.

Quer passar dez dias com a Sra. Barnuevo.

Sim.

Por exemplo, qual é a agenda para o período que vão passar juntas?

- A agenda? - Sim.

Refiro-me a um calendário...

... de atividades.

Não existe nenhum.

Não vão fazer nada?

Vamos fazer alguma coisa.

Gostaríamos de saber se há uma solução mais rápida.

Uma compensação financeira, por exemplo.

Não.

E outro tipo de compensação?

Não.

Queria saber o que tem a ganhar.

Tem de perceber que achamos isto um pouco estranho.

Aparece aqui sem mais nem menos depois de trinta anos

e pede para passar uns dias de férias com a minha mulher.

Se soubesse como a encontrar antes, não teria demorado tanto.

E se ela recusar?

Não sei. Ainda não considerei essa hipótese.

Porque não?

Por causa do que somos.

Preparámos um contrato que estipula que, em troca,

vai renunciar qualquer parentesco com a Sra. Barnuevo.

É uma forma de nos certificarmos

de que, no futuro, não haverá outros pedidos como este.

Pode levá-lo e lê-lo quando desejar.

Não será necessário.

Mais alguma coisa?

Não havia um restaurante com um parque de estacionamento melhor?

Terias onde estacionar se, por uma vez, chegasses a horas.

Antecipámo-nos e pedimos para os três.

Vou pedir algo à parte.

Temos algo importante para te dizer.

Vão-se separar?

Não é isso.

Um de vocês está doente?

Não, a Anabel vai ausentar-se por dez dias.

E queríamos dizer-te isso.

Aonde vais?

Trata-se de um assunto que eu não posso resolver

e é ela que vai tratar disso.

Que assunto?

Por favor!

Porque me estão a contar isso?

Nunca me contam nada.

Tenho outra filha, que não vejo desde os seus oito anos.

Ela pediu-me para passarmos uns dias juntas.

Estão ambos malucos?

Parece que perderam o juízo.

- E se ela te quiser matar? - Não, querida...

Está tudo sob controlo.

Irias contar-me se ela não tivesse aparecido?

Ou eu nunca chegaria a saber?

Discutiremos isso mais tarde.

Dão-me licença?

Preciso de um cigarro.

Porque não se encontraram durante todo este tempo?

Ela foi criada pelo pai dela.

Porquê?

Abandonaste-a?

Sim.

Então...

... devias tratá-la bem.

Como está o Mathieu?

Ver o meu pai não faz parte do acordo.

Não te preocupes.

Como está ele?

Bem...

... ele morreu.

O que aconteceu?

Fumava muito.

Está enterrado no cemitério da aldeia, se quiseres vê-lo.

Quem vive aqui?

Eu.

Porquê?

Não sei.

Esperavas que estivesse ao abandono?

Não sei.

Talvez seja um altar em tua honra.

Por favor.

Serve-te.

Queres cozinhar ou preferes que seja eu?

Se quiseres, podemos fazê-lo juntas.

Vamos dividir as tarefas por enquanto?

Está bem.

Está bem.

- Não tens outro copo? - Não, eu não bebo.

Proibi-me de o fazer.

Se quiseres, podes acender a lareira.

Senão, vamos morrer de frio durante o jantar.

Não há rede nesta zona, por causa da montanha aqui atrás.

Não há problema.

O telefone analógico funciona. Está ali.

Podes ligar ao teu marido, se quiseres.

Está bem, talvez mais tarde.

- Não vai ficar preocupado? - Porquê?

Diz-lhe que pareço uma pessoa normal.

Que não parece que te quero matar.

Como te tornaste tão popular?

A carreira do meu marido abriu-me a porta àquele mundo.

Certo.

E pensaste que já tinha passado tempo suficiente.

Isto é impossível. A lenha está húmida.

Para quê?

Para me esquecer de ti.

Como conheceste o teu marido? Como é que ele se chama?

Bernabé. Bernabé.

Como o conheceste?

Quando me fui embora...

... voltei a estudar e ele era professor de Economia

na universidade.

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