İlk 200 satır.
Controle Apollo, Houston falando. Uma hora e 29 minutos de vôo.
E o primeiro contato de Mike Collins com a Apollo 8
segue sem resposta.
Deve ser...
Isso deve durar uns 15 ou 20 minutos...
...será uma grande checagem de todos os sistemas,
principalmente o de orientação e navegação.
E, conforme a nave espacial atravessa o Atlântico,
a tripulação dará seguimento
ã sua lista de verificação de injeção translunar,
para preparar para a impulsão.
Fizemos outra chamada e não ouvimos nada,
vamos deixar a linha aberta e aguardar.
Apollo 8, aqui é Houston, câmbio.
Houston, aqui é a Apollo 8, ouvindo alto e claro.
Câmbio. TLI mais 90.
SPS/G&N.
6, 3, 5, 3, 1.
As informações que Mike Collins está passando para Jim Lovell
são os números e ângulos procedimentais,
caso seja necessário abortar a missão
em dois períodos distintos,
após a queima da injeção translunar.
Após 90 minutos e após 4 horas.
Devemos ouvir alguns números.
0, 1, 7.
4, 7, 3, 9, 9.
Estrelas ao Norte,
rolagem 097,
guinada 356.
"Ullage", nenhuma.
Outros,
procedimento de alta velocidade não requerido. Câmbio.
Entendido.
Com licença, não tem água no quarto,
pode beber água da torneira, aqui?
É melhor não.
Entre, pegue uma daquelas.
- Obrigado. - Senta aí.
Quem é?
Moondog!
Nos anos 40,
Louis Thomas Hardin assumiu o pseudônimo Moondog
em homenagem a um cachorro que uivava para a Lua.
Ele ficava sempre na 6ª Avenida, em NY,
usando uma capa e um capacete viking.
Ele também era cego.
No início era conhecido por ser excêntrico,
mais que tudo.
Quem passava ali não sabia que aquele cara esquisito
era um artista muito talentoso.
De certa forma, não eram capazes de vê-lo.
Moondog conheceu pessoas como Leonard Bernstein,
Charlie Parker, Benny Goodman, nas ruas.
Apesar de ser cego e sem-teto,
no final ele foi reconhecido mundialmente por sua obra.
Deve ser um sentimento maravilhoso.
- Obrigado pela água e o Moondog. - Foi um prazer.
- Boa noite. - Boa noite.
Soundtrack
Desculpe, não falo português, só umas palavras.
Tudo bem, sem problemas. A sua correspondência chegou.
- Sou o Cris. - Sim, claro que é.
Sou Mark, seu colega de quarto.
- Me deixe pegar isto. - Obrigado.
- É um prazer. - Certo.
Cozinha, micro-ondas, água, fogão, café.
Você fica naquele quarto.
É bem confortável.
Pode carregar o celular, laptop...
Não, obrigado. Não trouxe nada disso.
Vim para me desconectar.
Deve ser difícil ficar longe por tanto tempo.
- Você tem filhos? - Não, sou solteiro. E você?
Tenho uma filha de 6 anos e minha mulher tá grávida.
Parabéns. Quantos meses?
6 meses, ouça, como conseguiu chegar aqui?
Me inscrevi há 4 anos.
Isso é o quê? É estudante? É um projeto científico?
- Não. - Por que aqui?
- Queria me isolar. - Entendi.
Ouça, vá ao alojamento 1
e veja o vídeo de segurança.
Está bem, ótimo. Eu irei.
- Você parece bem animado. - Estou mesmo.
Quais são as novas da Base?
Pedi para ver minha família e negaram.
Agora tenho que ficar e bancar babá pra esse merda.
Como é que ele é?
É Natal porra, Minha mulher grávida e eu aqui.
Você precisa se acalmar.
Não me diga para me acalmar!
Tem alguma pergunta?
Não.
Obrigado.
Com licença.
É verdade que tem um outro brasileiro aqui?
Você prestou atenção ao vídeo?
Assistiu ao vídeo?
Assisti, o chinês foi bem direto ao ponto.
- A sua caneca. - Obrigado.
Minha caneca. Sua caneca.
Ele teve uma vida difícil, que posso dizer?
O chuveiro, no máximo 3 minutos.
- Mantenha a área limpa. - Está bem.
Há quanto tempo está aqui?
Dessa vez, cerca de 3 meses.
É engraçado.
Essas sombras mais que tudo me lembram que estamos aqui.
"A sombra que tudo revela quando tocada pela luz,
sempre parece inevitável."
E agora temos mais uma sombra.
Ei, esse é o Cris.
- Olá! - Sou o Rafnar, muito prazer.
- Rafnar? - Isso, Rafnar. Rafnar.
- Cris, muito prazer. - É um prazer.
Senta aí, cara. O jantar está pronto.
Bom apetite.
- Primeiro as visitas. - É claro.
Obrigado.
Não gosta de frango?
Achou mesmo que a gente ia comer essa merda?
- Traga o MT. - Está bem, cara.
Vou buscar o jantar de verdade.
E então?
Qual é o seu plano?
Vou fazer autorretratos ouvindo música
nesse lugar vazio.
Depois, na minha exposição,
quando virem as fotos,
as pessoas vão colocar os fones que usei aqui
e ouvir a música que eu estava ouvindo
quando tirei as fotos.
E, então, vão entender o significado da minha viagem.
Quer dizer num lugar como este?
Veio até aqui para tirar?
Não é sobre mim, é sobre a Arte.
- Quanto tempo vai ficar? - 12 dias.
Que porra é essa?
Um quebra-gelo.
Mas...
Está vindo para cá?
Não, está muito longe.
Mas, nesta imensidão, parece estar bem perto.
- Bom dia! - Bom dia.
Só precisa da vaselina em condições de frio extremo.
Tá bem.
- Você é ciclista? - Mais ou menos.
Quero tentar realizar um sonho antigo
de fazer o percurso do Tour de France.
Legal!
Há algum carro aqui?
Não.
Pegou o mapa? O rádio? A bússola?
Tudo certo, está tudo aqui.
Mantenha o rádio perto do corpo, está bem?
Mais uma coisa, nunca vá para o sul.
Lá não há como saber
se está andando na terra ou no mar.
Se se perder lá, não será encontrado.
Você some, está bem?
Sempre olhe onde está pisando.
Se a neve tiver uma cor diferente,
é uma fenda.
- Está bem, que cor é essa? - Tipo um cinza, ou algo assim.
Fique perto da estação.
Cris, é o Mark. Está me ouvindo? Câmbio.
Cris, é o Mark, pode me ouvir? Câmbio.
Cris, é o Mark. Pode me ouvir? Câmbio.
Cris? Cris, é o Mark. Pode me ouvir? Câmbio.
Oi, Mark. Cris falando.
Oi.
Por que demorou para responder?
Mantenha a porra do rádio junto ao corpol
Está bem, está bem.
Já acabei, estou voltando para a estação.
- Olá. - Olá.
- Conseguiu trabalhar hoje? - Sim.
Por que está fazendo isso?
- Isso, o quê? - Esse projeto.
Provavelmente pelo motivo que você faz o seu.
Você tem um agente?
Não.
Ouça, é um ramo muito competitivo.
A arte é o mercado mais rentável.
Nada, nem mesmo drogas, te dão um lucro de 4.000%.
Quase sempre, os seus custos são o quê?
Pincéis, tinta, filme.
É porque você vende talento e ideias.
Se conhecesse um figurão, seria mais fácil.
Ainda assim, primeiro teria que convencê-lo.
Está aberta, entre.
- Olá. - Olá.
O que está fazendo?
Chamamos essa época do ano de MT,
significa época de micro-ondas.
- Precisa de ajuda? - Não, já acabei.
Quer dar uma volta?
- Agora? - É, todos vão.
- Está bem, para onde? - Não existe onde.
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