CineMagia: The Story of São Paulo's Video Stores

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CineMagia: A História das Videolocadoras de São Paulo

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CineMagia-A-História-das Videolocadoras de São Paulo 2017 DVDRip Xvid dCd
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Yayınlandı: 2018-07-02
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İlk 200 satır.

Não sei, eu nunca fui em uma locadora...

para alugar algum vídeo assim, tipo, que eu queria.

Mas sempre foi presente na minha infância alguém trazendo...

algum vídeo de alguma locadora para gente assistir.

Do lado da minha casa tinha uma locadora.

Aí, ela faliu, porque ninguém ia lá.

Às vezes eu ia e tal, mas eu nunca precisava por causa da internet, sabe.

Agora com essa facilidade para baixar, você assiste o filme, apaga ele.

Se você quiser ver de novo, você deleta e baixa de novo.

Então, não sei.

Eu sinto que de certa forma, eu acho que é uma facilidade...

para quem é cinéfilo porque pode ver um monte de filme.

Mas acho que perde um pouco esse romantismo...

de pegar a caixa do DVD que é físico, que você cria um vínculo.

É uma dificuldade, mas que faz você ter...

um contato maior com aquela obra.

Para contar esta história, a gente tem que viajar no tempo...

ir lá para trás, até 1976, para começar a contar uma história...

super bonita e muito vencedora desse segmento.

E a pessoa que foi precursora, foi idealista...

foi quem apadrinhou todo este mercado...

que é o Adelino dos Santos Abreu. Ninguém conhece assim.

O Ghaba.

Eu estava fazendo pós-graduação, quando eu ganhei uma câmera Super 8.

Foi uma época que eu fui para a aldeia dos índios Xavantes.

Então eu filmei muito as atividades da aldeia.

Só que eu não tinha noções básicas de cinema. Eu não sabia.

Então eu entrei, tinha um curso chamado GRIFE, que é:

"Grupo de realizadores independentes de filmes Super 8".

Então eu fui fazer o curso lá, porque era o unico curso...

que existia fora de uma faculdade.

Aí eu li uma matéria em algum lugar que tinha um outro realizador...

uma outra pessoa que tinha estado com índios Xavantes...

em outra aldeia, Pimentel Barbosa e tinha feito um documentário.

E como eu voltei apaixonadíssima pelos índios...

porque eles são apaixonantes, eu falei:

"Quem é essa outra criatura que também teve contato com os índios"?

Eu falei: "Meu Deus, uma coisa em comum...

alguém com quem eu possa conversar a respeito dos Xavantes".

Adelino dos Santos Abreu.

Ghaba é assim: O Ghaba foi estudar em uma escola que ninguém conhecia.

E tem uma fruta que chama gabiroba.

Que todo mundo sabe que tem essa fruta...

mas nem todo mundo conhece. E aí deram o apelido de gabiroba...

porque era um indivíduo não muito conhecido.

Meio estranho ali no meio do pedaço de toda a molecada.

Gabiroba ficou. Como gabiroba era muito longo, ficou Ghaba.

Aí, um dia eu estou saindo do GRIFE, eu me lembro de ter visto...

alguém passar por mim, fui embora.

No mesmo dia, um, dois, três dias depois ele me liga. Eu falei:

"É você que é o Adelino? Ah, que bom, graças a Deus...

eu vou te conhecer para falar dos índios Xavantes".

Daí ele foi em casa para assistir o meu material que eu tinha filmado...

e nós juntos montamos o filme.

A gente começou trabalhando com produção.

O Ghaba naquela época tinha uma firma chamada "Disk Filmes".

E nós começamos a trabalhar com produções de Super 8...

para mais tarde trabalhar com vídeo, em produções...

institucionais e treinamento.

Muitas vezes em nosso trabalho, a gente ia fazer, por exemplo...

um orçamento do trabalho.

Antes de qualquer coisa ele já falava "Não, vamos cobrar tanto".

Eu falei: "Ghaba, as coisas não são assim, tanto".

Eu fui, eu fazia e o resultado era idêntico...

ao que ele tinha chutado antes. Ele falou:

"Tá vendo, eu já tinha falado antes e você precisou fazer...

todas estas contas para chegar na mesma conclusão".

Ele era muito intuitivo, ele captava as coisas de uma forma...

e com muita exatidão.

Todo o lugar ele conhecia gente. Ele não parava.

Ele ia na Santa lfigênia e conhecia todas as lojas...

ele era amigo de todo mundo em todas as lojas.

Muito fuçador, fuçava em tudo.

É assim que ele ia sabendo das coisas que estavam acontecendo.

Tinha um amigo meu que tinha uma lojinha que se chamava "Studio Z"...

chamado Zilto Freitas. E ele importava vídeo cassete.

E meus clientes que não tinham vídeo cassete...

viajavam e traziam fitas, e queriam vídeo cassete...

daí eu comprava dele e vendia para os meus amigos.

Daí começou o vídeo clube. Você entrava lá...

entrava com duas fitas de jóia, preenchia uma ficha, era associado.

Eu cheguei a ter acho que uns 3 mil sócios, 4 mil associados.

E no Brasil chegamos a 32 mil associados.

E para controlar a saída e entrada das fitas...

eu desenvolvi um negócio de chapeira de cartão de ponto.

Fui eu que lancei. Então o cara pegava o filme...

com uma ficha que tinha na chapeira de cartão de ponto...

presa na parede, entregava para a recepcionista...

a recepcionista pegava a fita no arquivo...

e fomos desenvolvendo esse tipo de coisa.

Então a gente percebeu que produção chegou uma hora que não estava tendo...

tanta demanda para o tipo de produção que a gente fazia.

Então o Ghaba falou: "Estou sentindo que o mercado tá precisando...

conseguir levar o filme pra casa". Ele falou:

"Uma coisa é ir no cinema que tem toda aquela magia...

que você entra e tem aquela tela grande e tal".

Mas ele falou: "Mas as pessoas sentem a necessidade...

de trazer o filme pra casa". Existia um vídeo clube. O Ghaba falou:

"Vamos montar uma vídeolocadora, então".

A OMNI nunca foi um vídeo clube. A OMNI nasceu como locadora.

O termo locadora é um termo do Ghaba. Não existia o termo.

"Não quero ser vídeo clube. Eu quero ser uma locadora.

É isso o que eu faço. Por que eu vou dizer que não é"?

E começou locadora. OMNI vídeo locadora.

"E acabou, é comercial, é para ganhar dinheiro e é aqui que eu vou seguir".

Aqui não existia nenhuma legislação, não existia nada.

Os filmes que tinham aqui eram trazidos de fora.

Trazer filmes de fora significa contrabandear filmes.

Então, não havia outra maneira a não ser contrabandear.

Se você queria ter filmes aqui no Brasil, em vídeo cassete, em VHS...

você tinha que trazer de fora.

A ideia do Ghaba era anunciar: "Nós temos um amplo acervo de filmes".

Não tínhamos coisa nenhuma, tínhamos dois filmes.

Ele falou: "Não tem problema".

Eu falei: "Mas Ghaba, como que a gente vai anunciar...

que tem tantos filmes se a gente tem dois, eu acho".

A gente tinha um ou dois. Ele falou:

"Fica fria. Deixa que eu me viro, pode deixar".

Isto começou na minha casa, na gaveta de um móvel que eu tinha lá.

Cabia né, a locadora inteira numa gaveta para você ver...

que não tinha nada. Então ele anunciou e deixou meu número.

E as pessoas ligavam, eu atendia.

"Ah, tudo bem? Temos um grande acervo e tal". "Vocês tem tal filme"?

Então eu falava: "Um minutinho, eu vou consultar pra ver...

se nós estamos com este filme aqui ou se saiu, se está alugado".

Que alugado, ele nem tinha o filme.

Desligava e ligava correndo: "Ghaba, estão querendo tal filme".

Então ele saia correndo, não sei como ele se virava.

Ou ele comprava de alguém ou eu não sei como ele fazia.

Mas ele parecia com o filme. Aí eu ligava:

"Sim, sim, esse filme já devolveram, tá conosco, pode vir buscar".

E os clientes vinham na minha casa para pegar os filmes pra alugar.

Até que meu marido falou assim: "Escuta, chega, né?!

Fica esse entra e sai. O que é isso aqui?

Isto aqui é uma residência, não é um lugar comercial".

Falei: "Não, espera aí que a gente já está arrumando".

Alugamos um apartamento na Faria Lima.

E dentro do quarto dele tinha OMNI Video.

Na sala, as pessoas iam e pegavam um ou outro filme...

sentava ali quem não era muito íntimo para entrar no quarto.

Mas era dentro do quarto dele.

Dentro de uma prateleira com uns tijolinhos e umas tábuas, assim...

e no meio alguns filmes.

Porque no começo era assim, era um amigo...

depois um amigo do amigo e a coisa começou a ficar séria.

De repente chegava um cara que era empresário.

A gente ia ser mandado embora, né?!

Porque, imagina, em um prédio residencial...

tinham duas senhorinhas que moravam no apartamento da frente...

que ficavam horrorizadas. Falava assim:

"O que é isso, que toca campainha, entra homem...

toca campainha, entra mulher. O que vão fazer aí"?

E aí realmente, nós tínhamos que tomar essa decisão.

Aí, era um pouco mais do meu lado, né, racional, dizendo:

"Ghaba, não é aqui. Não podemos fazer isso aqui.

Você tem um contrato que é um contrato residencial.

Nós temos que ir para um prédio comercial".

E aí ele começou a pesquisar, muito ali do lado.

Tinha em cima do banco Sudameris...

que era na época, um conjunto comercial.

Então ele falou: "Ah, eu gostei do nome.

Eu vou dar o nome de OMNI".

Eu falei: "Ghaba, OMNI não é um nome fácil de pronunciar".

Ele falou: "Não, não, eu acho que vai dar certo e tal".

E deu certo. As pessoas acabaram sabendo pronunciar a palavra OMNI.

A primeira vez que eu entrei, eu fiquei fascinada com aquilo.

Eu falei: "Eu quero isso para mim.

Eu tenho que fazer alguma coisa para conseguir fazer isto".

Porque eu me senti inserida, muito naquele contexto.

Quando eu vi aquele clima, era assim...

sabe o trabalho que você ia amar, que você faria com paixão...

que você juntaria tudo para fazer aquilo que você gosta?

Então, foi realmente aquele momento, foi um clique, sabe?!

Eu falei: "É isso o que eu quero fazer".

Eu trabalhava em banco, minha vida anterior a 2001...

eu tive doze anos em um banco.

A minha área de ocupação, assim, minha área social de relacionamento...

era a avenida Paulista.

Porque era o complexo bancário, né?!

E era assim, quase em frente ao MASP, sabe...

tinha toda uma conversa, um diálogo muito forte, assim...

no sentido geográfico da coisa.

E o Ghaba tinha um filme dele, que eu já não aguentava mais assistir...

porque todo mundo que ia em casa ele colocava aquele filme, que era...

"2001 - Uma Odisséia no Espaço". E o Ghaba falou assim:

"Ponha 2001. 2001 é bacana, porque é um nome futurístico".

E eu abri a 2001 com total assessoria dele.

Sem ele eu não teria conseguido abrir. Isto é fato.

Eu abri com duzentos filmes, foi da minha indenização do banco.

Foi um investimento que eu fiz, de um trabalho de quase quinze anos.

Eu acreditei, eu tinha certeza, sabe...

eu tinha que passar por aquela experiência.

Era uma novidade muito grande.

Então as pessoas entravam e "O que é isso aqui"?!

Eu ensinava, isto aqui vai te dar possibilidade...

vai te abrir a possibilidade de fazer isso em casa...

esta é uma coisa socializante, que você pode trazer seus amigos.

Então, esta coisa de trabalhar o produto, que me encanta muito.

Que eu fiz a minha vida inteira.

A minha função na 2001, era exatamente essa.

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