200 dòng đầu tiên.
Eu nasci no futebol.
Eu vivo o futebol todos os dias da minha vida.
Sem o futebol, eu fico até meio sem rumo na vida.
Quando vou do vestiário ao campo…
é o último momento em que penso nas pessoas que amo.
Depois disso,
estou em outro mundo.
É uma experiência incrível.
Ronaldo!
Ele é obcecado pelo jogo. O jogo é a vida dele.
Futebol, é isso que me vem à cabeça.
O mais importante no mundo do José é vencer.
Com ele, você vai vencer.
Ele venceu o campeonato inglês e o italiano.
Ele venceu em Portugal e na Espanha.
Falta algum país?
Ele é incrível.
Uma personalidade altiva e forte.
Me descrever como pessoa? Chato.
Calculista.
Acolhedor.
Rabugento.
- Singular. - Bem-apessoado.
- Mau perdedor. - Engraçado.
É só colocar um microfone nele
e ligar a câmera.
Acho que você venceu porque ele permitiu que você ficasse por perto.
McCarthy. Boa defesa de Howard.
Costinha marca!
Quando você toca o céu,
quer ficar lá para sempre.
- Qual é a sensação de vencer? - De vencer? Normal.
Eu venci a vida toda.
Fundamentalmente, eu preciso sentir
que sou amado.
Agora começa a parte difícil, né? Então, tivemos bons momentos.
Mas também tivemos momentos difíceis e ruins.
Para ele, vencer era o mais importante. Quase a qualquer custo.
Ele não acredita que o clube em que trabalha é maior que ele.
Ele é um dinossauro.
Ele é uma desgraça.
Um pouco de respeito, cara.
Se arrepende da linguagem?
Ele tem um ego extraordinário.
Sim, e um complexo de Deus.
Você o via se tornando o grande técnico que é hoje?
Não.
Espero que, com este documentário, ele conte a história como foi.
Porque nem tudo são flores.
Ele nunca, jamais se culpa.
Não sou julgado como os outros.
Por quê?
Talvez seja culpa minha.
Bem-vindos à minha caixinha.
Essa é a minha história.
Tenho coisas aqui que significam muito.
Tenho chuteiras do Maradona dedicadas a mim.
Esta é do Diego.
Esta é do Cristiano Ronaldo na primeira temporada
como profissional no Sporting.
Isso é pra eu perceber que tenho 60 anos. Ou tinha.
- O quê? - Ali embaixo.
- Aqui? - Sim.
Sou eu! Um cara fez esse José horrível.
Não, não é ruim.
Comecei a vencer em 2003.
E meu último título foi em 2022.
Foram 20 anos vencendo.
Por isso querem contar minha história.
Não se faz um documentário com um cara que não ganha nada.
Não sei. Não é como se eu viesse aqui e me achasse especial.
"O Especial" é uma merda especial
que alguns caras na Inglaterra usaram pra me rotular.
Adoro que você diga isso
com um mural seu atrás de você.
JUNHO DE 2004
Obrigado, bom dia, bem-vindos ao Stamford Bridge.
Tenho o prazer de anunciar formalmente José Mourinho
como o novo técnico do Chelsea
com efeito imediato.
Por que o Chelsea, de todos os lugares que poderia ir?
Por que o Chelsea?
O Chelsea é o clube perfeito. Eles querem vencer como eu.
Temos que trabalhar com grandes objetivos.
Mas não me chamem de arrogante, o que digo é verdade.
Sou campeão europeu,
então não sou um qualquer.
Acho que sou alguém especial.
Quando ele se autodenominou "O Especial",
nós, jogadores do clube, ficamos pensando:
"Quem é esse cara? Estamos ferrados."
Mas, quando um técnico faz isso,
você pensa: "Estou com ele. É diferente, mas gosto."
Mas, para os britânicos, não podia se chamar de "O Especial".
Não é assim que fazemos aqui.
Quem assistia pensava: "Caraca, do que ele está falando?"
Ele nem tinha treinado um jogo ainda,
e dizia: "Sou O Especial."
Eu sei que sou.
E eu disse que era especial, não "O Especial".
Mas me perguntaram
se eu era bom o suficiente pra Premier League.
A Premier League será difícil, porque a liga portuguesa é mais fácil.
Não gostei do que disseram.
Achei que meu passaporte pra Inglaterra
foi a vitória na Champions League
com o Porto, uma semana antes de eu chegar ao Chelsea.
O Porto é o vencedor da Champions League.
Mas sempre foi assim na minha vida.
Sempre senti que tinha que me provar.
Venho de um país pequeno.
Eu não fui um jogador de futebol bem-sucedido.
Era uma época em que a maioria dos técnicos
eram ex-jogadores muito bons.
Então entrar em um mundo que era controlado e dominado
e era um círculo fechado
foi muito difícil.
Eu tive que lutar e provar que eu era diferente.
Eu queria fazer história. E nada ia me impedir.
Quando entrei no Chelsea,
era um período bem singular.
Tínhamos o Roman, o dono,
que foi o primeiro cara rico a entrar no futebol inglês.
Ele tem mais dinheiro do que qualquer um no mundo.
Sua riqueza é maior do que o PIB de 158 países.
E ele queria fazer do Chelsea o melhor clube da Europa.
Então começamos a procurar um técnico
que pudesse trazer sucesso.
José!
O objetivo era muito claro.
Ganhar a Premier League.
O maior rival era um time de invencíveis.
A história foi feita.
O Arsenal passou por toda a campanha da liga sem perder.
Depois, eu enfrentaria o maior clube da Inglaterra, o Manchester United.
O Manchester United é campeão da Inglaterra
pela oitava vez em onze temporadas.
E o Chelsea, naquela época, tinha…
Zero títulos da Premier.
Então tínhamos que lutar contra os fantasmas.
E os fantasmas eram: o Chelsea nunca vai ganhar.
Ele vai precisar de um tempo, como o time dele,
pra se adaptar ao nosso jogo inglês.
É uma liga diferente. É uma liga difícil de gerir.
Eu pensava: "Este é o Arsenal, e este é o Manchester United.
Temos que ser diferentes.
Então eu queria jogadores que pudessem dar ao Chelsea uma ideia diferente.
Eu gostava muito de alguns jogadores do Chelsea.
Obviamente, John Terry, Frank Lampard,
jogadores com um potencial incrível,
mas que precisavam do último empurrão.
E eu sabia que tínhamos poder financeiro pra atacar o mercado.
E comecei a montar o quebra-cabeça.
Foram apresentados hoje três jogadores que custaram 24 milhões.
Contratamos Arjen Robben e Petr Čech.
Um goleiro incrível.
Ele disse: "Todos começam do mesmo ponto.
Depende de você."
Era tudo o que eu queria ouvir.
Depois, trouxe dois jogadores de Portugal.
Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho.
Obrigado e bem-vindo ao Chelsea.
A maioria dos jogadores do José queria ir com ele.
Quando a notícia oficial saiu de que Mourinho iria para o Chelsea,
eu me lembro que liguei pra minha esposa e disse:
"Maria, faça as malas. Vamos para Londres."
Mas eu também queria alguns perfis físicos.
Didier Drogba é do Chelsea
depois de assinar uma transferência de 24 milhões de libras.
O motivo mais importante para eu ir para o Chelsea foi o José.
Ele disse: "Se quiser ser o rei do Marselha, fique lá,
mas, se quiser competir e ser o melhor da Europa,
venha jogar para mim."
Falei com o Sr. Roman sobre transferências.
Eu disse: "Essa é minha primeira opção, mas tenho aqui minha segunda opção,
a terceira, quarta e quinta."
Ele dizia: "Você pensa no futebol. Eu penso no dinheiro.
Sua primeira opção é a minha."
O Chelsea gastou 82,5 milhões de libras, mais que os três mais próximos juntos,
Arsenal, Manchester United e Liverpool.
Havia muita pressão desde o primeiro dia,
mas, como gastamos muito dinheiro, a pressão era ainda maior.
Você sabe que parte da imprensa espera que você fracasse?
Queríamos mostrar que não era só sobre dinheiro.
O mundo está cheio de gente que gastou e não teve sucesso.
Dias antes do início da temporada,
fui tomar banho,
e fiquei sozinho no chuveiro, e o José entrou.
Ele virou para mim e disse:
"Você é o melhor jogador do mundo."
Eu fiquei tipo: "Oi?"
Eu não concordei, mas disse: "Obrigado, chefe."
Ele disse: "Você é o melhor, mas não ainda, porque não tem títulos.
Até ter, não será o caso."
Ele não achava que eu era o melhor, eu não era.
Mas ele me motivou.
Pensei: "Melhor do mundo. José Mourinho acha isso."
Ele me deu um desafio.
"É melhor ganhar uns títulos."
Um papo no chuveiro foi a conversa mais eficaz da minha vida.
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