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Em todo o país, donos de imóveis sofrem com problemas de invasão.
Os invasores estão prontos pra transformar o imóvel em lar.
Ocorria bem na nossa cara. Ninguém sabia.
Sou repórter do Los Angeles Times há 11 anos.
Este é um dos casos mais doidos em que trabalhei.
É assustador, complexo e cheio de reviravoltas.
Por que a gente não sabia o que estava rolando ali?
MULHER MIRAVA ÁREAS NOBRES
O que tem lá em cima?
Os corpos foram desmembrados…
Sherman Oaks é um bairro nobre
em Los Angeles.
Mansões multimilionárias.
Mas a gente nunca sabe o que acontece entre quatro paredes.
A Kingswood Road é uma rua sem saída,
bem pequena, onde todos os vizinhos se conhecem.
Muitas pessoas que moravam naquela rua viram Charles Wilding Jr. crescer.
Ele morava ali desde que nasceu, em 1951.
Era um garoto tímido. Perdeu o pai na adolescência.
Ele era bem próximo da mãe.
Jornalista, LA times
June Wilding era mais amigável, extrovertida
e conversava com os vizinhos.
O Charles, ao contrário, era mais reservado.
E então a mãe dele faleceu em 2017.
Depois que a June faleceu, a casa ficou em um estado deplorável.
Charles Wilding vivia sem a mãe, totalmente sozinho.
Os vizinhos o viam indo ao mercado
usando uma jaqueta bufante e uma touca de tricô.
Moro na mesma rua, bem na esquina da casa do Charles.
Sabíamos que ele estava velho e sozinho. Ele meio que se isolou de tudo.
No outono de 2020, na pandemia,
Charles colocou placas na casa que diziam: "Fique longe".
NÃO ULTRAPASSE
Ele fechou a entrada com tábuas. Tinha medo de que se aproximassem dele.
Ninguém o via mais.
Todos se perguntavam onde ele estava.
Meses se passaram e, de repente,
algumas atividades começaram a ocorrer na casa.
Parecia que estavam fazendo obras no imóvel,
o que não combinava com aquele homem que colocou uma placa pedindo
para ninguém se aproximar.
Então uma mulher começou a aparecer.
Aí essa mulher resolveu distribuir uma carta para a vizinhança.
A carta foi enviada a todos os moradores da Kingswood Road.
"Eu gostaria de me apresentar.
Muito obrigada pela compreensão com todo o incômodo e o barulho.
Estamos fazendo mudanças para regularizar o imóvel.
Durante a reforma, Charles vai morar na casa de praia em Carpinteria,
onde sempre passou o verão.
Estamos à disposição para atualizá-los ou tirar dúvidas.
Se o barulho incomodar, por gentileza,
entre em contato.
Atenciosamente, Caroline Herrling, administradora do imóvel."
O Charles nunca teve parentes próximos,
e a mãe tinha falecido anos antes.
Quem era essa Caroline Herrling?
Sou advogado do Charles. Ou achei que era.
Advogado
Há uns cinco anos, conheci Caroline Herrling.
Ela é uma garota tipicamente americana,
bastante animada e ativa.
Ela vestia um terninho da Chanel.
Estava impecável.
Disse que tinha estudado Direito e esperava o resultado da Ordem.
Deu entrada no testamento da June Wilding,
para abrir o processo do inventário.
O inventário é a partilha judicial dos bens do falecido.
A Caroline disse que tinha uma procuração para representar um idoso
chamado Charles Wilding Jr.
E o colocou no telefone.
Quando falei com Charles, ele disse:
"A Caroline cuida de tudo para mim."
Disse que estava velho e que ela cuidaria de tudo pra ele.
Isso não é incomum.
Em dezembro de 2020, o imóvel estava em reforma,
mas os vizinhos se questionavam,
porque o Charles nunca saía de casa.
Tinha algo estranho.
Aí, perto do Natal, os vizinhos chamaram a polícia.
Alô?
Eu moro em Sherman Oaks.
Um vizinho idoso desapareceu.
-Qual o nome dele? -Charles Wilding.
Tenho medo do que está acontecendo na casa.
E parece que tem algo estranho.
Certo. Vou enviar uma viatura para fazer uma verificação
e pedir pros policiais falarem com quem está na casa.
Precisamos de uma verificação de bem-estar na Kingswood Road, ****.
Suspeito…
Veio falar comigo?
Não, procuro Charles Wilding.
-Você mora aqui? -Não moro aqui, mas…
Eu administro o imóvel.
Sou investigador-chefe e, em dezembro de 2020,
os policiais encontraram uma mulher chamada Caroline Herrling.
Herrling. H-E-R-R-L-I-N-G.
Porque uma vizinha ligou…
Investigador
…preocupada com o paradeiro de Charles.
Viemos ver se ele está bem, porque estão preocupados.
Charles está em Carpinteria.
Desde quando?
Ele está em Carpinteria desde novembro.
Precisamos conferir se ele não está aqui.
Estavam com uniformes, o que não é incomum
durante a limpeza pesada em imóveis.
Tá bom, podem entrar na casa.
Mas peço para usarem respiradores.
É mofo preto. O cara do mofo…
Respiradores?
Não quero que fiquem doentes.
Estamos com máscara. A coisa está feia aí.
Está bem feia.
Tem comida, está nojento. Estamos limpando tudo.
Acredite, já lidamos com coisa pior.
Tudo bem.
E isto aqui… De quem é?
-Tudo bem. -Vamos.
Por aqui.
Desculpe, tem comida podre em tudo.
Parecia a casa de alguém que viveu recluso por anos.
Charles acumulou coisas durante os anos.
Ele acumulou muitos itens, várias coisas.
Os policiais vasculharam a propriedade.
Foi bem sistemático: entraram em todos os cômodos,
armários, banheiros.
A mãe morreu aqui.
O que tem lá em cima?
Tinha um cheiro de bolor na casa.
Não consegui identificar o que era.
Cheirava a casa velha e mofada.
Estava suja e bagunçada.
Não sei, é…
Nem dá pra entrar, mas fique à vontade.
O que é aqui? O quarto?
É o quarto dele?
Este era o quarto dele.
Ele não ficava aqui.
Ele ficava no sofá.
Não sabia que estaria assim.
Olhe.
Parece que está tudo certo.
Por fim, o Sr. Wilding não estava no imóvel.
Não havia sinais óbvios de crime.
Não havia provas que sugerissem que a casa tinha sido cena de crime.
E, segundo a Caroline, o Sr. Wilding estava na casa
em Carpinteria desde o último mês.
Caroline tinha toda a explicação.
Tinha os documentos que mostravam que ela era administradora
e a história parecia bater com o que estava acontecendo no imóvel.
Qual é o plano pra casa?
Quero ver se é melhor reformar a casa ou economizar pros cuidados médicos dele.
-Não é tão idoso. -É.
-Certo, pessoal. -Obrigada.
Depois que a polícia foi ao local, o caso foi encerrado.
NÃO ULTRAPASSE
Mas é uma rua tão pequena que, para os vizinhos,
estava na cara que tinha algo errado ali.
Então resolveram denunciar qualquer coisa estranha,
tudo que acontecesse ali.
Em outubro de 2021,
recebi uma ligação anônima de uma mulher.
Não quero registrar isso, mas não sabemos onde Charles está.
Somos vizinhos.
Outro vizinho já denunciou. Temos medo. Vai saber quem é essa gente?
Só não quero ter meu nome na denúncia.
Tenho medo dessas pessoas.
Elas parecem muito suspeitas.
Não havia sinal do Charles. Ninguém sabia o que houve com ele.
Os vizinhos suspeitavam que Caroline invadiu a casa dele.
Cadê o Charles? Ele está em perigo?
Fazia um ano que Charles estava desaparecido.
E os vizinhos daquela rua suspeitavam que havia algo errado.
Diziam: "Não vimos o Charles. Cadê ele?
O que faremos? O que podemos fazer?"
Eu não tinha prova nenhuma para afirmar
que ela tramava algo nefasto.
Acho que podemos chamar isso de 30 anos de intuição policial.
Algo me incomodava, e tive que investigar.
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