200 dòng đầu tiên.
Essa era a minha casa.
Eu decorei, cuidei do jardim.
Eu plantava, cortava a grama.
Eu fazia tudo.
Eu era feliz.
Ryder adorava morar aqui.
Mas ver a casa agora me dá raiva.
É difícil acreditar que a pessoa que eu conhecia há 25 anos,
minha melhor amiga e colega de casa, poderia fazer o que fez.
Mas foi algo diabólico.
Perverso mesmo.
Ela planejou tudo nos mínimos detalhes.
Me atormentar a deixava feliz.
Acho que nem me considerava humana.
Acho que, se eu tivesse morrido,
ela teria ficado nesta casa com meu filho.
E acredito que ela nunca mais teria pensado no assunto.
MORADORES INDESEJADOS
Conheci a Janie em 1995.
Eu tinha 22 anos,
e ela era quatro anos mais velha.
Ela era uma pessoa muito bacana.
Muito gentil.
Um pouco tímida e introvertida.
Quando nos conhecemos e começamos a sair juntas,
eu já estava divorciada
e tinha voltado para a casa dos meus pais.
Eu e a Rachel éramos muito próximos quando ela era criança.
Ela é a sexta de sete filhos.
PAI DE RACHEL
O primeiro marido da Rachel era bastante obstinado.
Ele sempre queria as coisas do jeito dele.
Acho que foi um começo difícil para ela,
e por isso não durou muito.
Depois do divórcio,
acho que a Rachel se sentia bem menos confiante do que deveria.
E foi quando ela conheceu a Janie.
Eu estava muito acostumada a ser criticada o tempo todo.
Mas ela não me julgava,
então parecia que eu finalmente podia ser eu mesma com alguém.
Eu estava morando com meus pais,
mas queria sair de lá.
E ela não queria mais morar sozinha, porque o apartamento havia sido invadido.
Nos conhecíamos há poucos meses,
mas olhamos uma para a outra e pensamos: "Aí está a solução."
Quando fui morar com a Janie, me senti muito segura.
Eu nunca tinha morado sozinha.
Da casa do meu pai, fui para a faculdade e me casei.
AVISO FINAL VENCIDA
Ela era muito boa com as finanças, com organizar as contas.
Cada uma tinha seu dinheiro,
mas ela também decidia o que eu fazia com meu dinheiro.
Então ela sempre me pareceu muito adulta.
E aos poucos ela me ensinou a fazer algumas dessas coisas.
E os meus pontos fortes eram ajudá-la a fazer amigos
e também a se divertir.
A Janie e eu íamos a bares e saíamos para dançar.
Às vezes fingíamos que eu não falava inglês,
e ela era a intérprete.
Nós éramos imaturas e meio bobas,
mas nos divertíamos.
Quando conhecemos a Janie, nós não…
IRMÃ DE RACHEL
…imaginamos que ela poderia ser tão estranha.
Acho que a Janie nunca teve tantas amigas, ou amigos no geral, na infância,
então acabou se apegando muito à Rachel.
Acho que até tentava ser como ela.
E queria inclusive se vestir como ela e ser amiga dela, sabe?
Quando conheci a Rachel, a princípio, foi só de passagem,
porque eu ainda estudava Medicina na Universidade de Utah.
Eu fazia internato de urgência, e ela era paramédica.
Sabe, você acaba se aproximando das pessoas que levam os pacientes.
A Rachel era divertida e sociável, estava sempre passeando e paquerando,
tinha muitos amigos e um ótimo emprego.
A Rachel era muito sociável e extrovertida,
e a Janie era o yang do yin dela.
Superquieta e reservada.
Sempre que saíamos para dançar,
se alguém tentasse conversar ou chamasse a Rachel para dançar,
não era difícil notar um ar de ressentimento na Janie.
Sempre houve uma espécie de possessividade
da Janie com relação à Rachel.
Eu acabei conhecendo um cara.
Ele era lindo, e eu estava completamente apaixonada.
A Janie começou a reagir diferente.
Ela tinha opiniões muito agressiva sobre ele.
E algo nela mudou. Uma aura obscura tomou conta dela.
Eu nunca tinha visto esse lado dela.
Se assistíssemos a um filme, ela ficava no pé da escada
gritando a plenos pulmões que o filme estava muito alto.
Era constrangedor.
Mas a desculpa dela era sempre:
"Só quero te proteger. Ele parece ser mulherengo."
Então eu me sentia mal até por ficar chateada com ela.
No começo, achei que fosse o caso
de um amor não correspondido.
Ou que talvez ela se sentisse rejeitada
porque queria um relacionamento romântico com a melhor amiga.
Isso deu início a uma era
em que todos achavam que ela era apaixonada por mim.
E ela não era.
Não é apaixonada por mim.
Até que ela começou a ficar com ciúmes quando eu fazia amigos.
Do nada, ela começava a gritar comigo de forma quase incoerente.
Ela me chamava de vadia na frente da pessoa.
Uma vez perguntei a ela se não gostava de mim.
A resposta dela foi:
"Você é minha família. Só não quero te perder."
Enfim…
Em retrospecto, é fácil identificar o quanto ela era controladora.
E funcionou, porque acabei diminuindo minhas atividades sociais
para agradá-la, porque eu sentia que estava sendo uma má pessoa.
Não parecia haver um equilíbrio de altos e baixos na amizade delas.
Imperava a máxima de que os opostos se atraem.
E talvez, em algum momento, isso tenha se tornado uma codependência.
JANEIRO DE 2010
14 ANOS DEPOIS
AMBULÂNCIA
Fui paramédica por seis anos, até que machuquei as costas.
Tive uma hérnia de disco, mas tentei voltar ao trabalho.
E a dor só piorava.
O médico disse que eu não podia ficar tanto tempo sentada,
não podia levantar mais de 4,5kg.
Então, por causa da lesão nas costas,
eu não podia mais ser paramédica.
Antes disso, a Janie administrava os gastos,
mas eu contribuía financeiramente.
Até que, pela primeira vez, não pude mais.
E me sentia culpada por isso.
Sempre gostei muito de fazer exercícios e ser ativa,
da minha carreira e de ser sociável.
De repente, eu perdi essas três coisas de uma vez.
E houve um período muito curto entre isso
e eu descobrir que estava grávida.
Foi uma situação em que o pai biológico decidiu não se envolver.
A essa altura, eu e a Janie já morávamos juntas há muitos anos.
Mas, pela primeira vez em nossa amizade,
a Janie tinha controle absoluto sobre mim.
Porque eu estava desempregada, grávida
e tinha uma lesão nas costas, então sentia muita dor.
Eu precisava dela.
Aí a situação ficou muito difícil mesmo.
Não tinha mais nada que eu gostasse na minha vida
além do Ryder.
Pode descrever o Ryder?
Ryder, por favor, saia.
Ele vai andar por aí tentando fazer todos…
Ryder, vem cá.
O Ryder é mágico.
Ele é a melhor coisa que eu já fiz.
O Ryder nasceu em 2010.
O Ryder tem autismo,
e ele não se comunica verbalmente.
Quando ele era bebê, disseram que provavelmente nunca falaria,
porque, com certa idade, ainda não tinha habilidades verbais.
Gosto muito de música, porque sempre amei dançar.
Quando corro, me perco na música com os fones de ouvido.
Então passei os 18 meses seguintes cantando tudo para ele.
Por causa da neuroplasticidade,
a fala e o canto fazem caminhos diferentes.
Então se o caminho da fala não funcionava,
eu queria me comunicar com ele pelo da música.
Dorme em paz, ó Jesus…
E deu certo.
As primeiras palavras do Ryder foram canções.
E até hoje, com os fones de ouvido, ele se perde na música.
Como eu falei, ele é mágico.
Como sou mãe solo, quando ele nasceu,
a primeira coisa que fiz foi contratar um belíssimo seguro de vida.
Então quem quer que tivesse a guarda do Ryder,
receberia o seguro de vida para cuidar dele.
A Janie estava listada como guardiã do Ryder no meu testamento.
Eu confiava totalmente nela,
e paguei caro por isso depois.
Depois que meu filho nasceu,
tive outra hérnia de disco como consequência do parto.
Eu sentia muita dor, mas pensava que ia melhorar.
Nem todo mundo com hérnia de disco precisa operar.
Eu deixei passar por muito tempo,
porque estava convencida de que conseguiria viver uma vida normal.
Por fim, precisei fazer uma ressonância.
O médico disse: "Se não fizer a cirurgia, terá uma deficiência permanente."
JIANEIRO DE 2015
Quando fiz a cirurgia em 2015,
eu e a Janie já éramos amigas há mais de 20 anos.
Quando voltei para casa após a cirurgia,
tive que tomar analgésicos para controlar aquela dor física absurda.
Na maioria das vezes, eu só ficava deitada na cama.
A Janie via isso acontecer e se sentia mal por mim,
então começou a cuidar do Ryder.
Por causa da lesão da Rachel,
ela não conseguia pegá-lo no colo e cuidar dele direito.
Foi aí que a Janie entrou como uma segunda mãe, por assim dizer.
Ela conseguia levantá-lo,
colocá-lo no canguru e levá-lo de carro para todo canto.
A Rachel não conseguia fazer isso na época,
mas era grata à Janie por cuidar do filho para ela.
Eu não costumava estar por perto porque morava a cinco horas dela.
A nossa família ficou muito feliz
por Rachel ter uma amiga que conseguia ajudá-la tanto.
No comments yet. Be the first to leave one.