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Entre as ilhas da Indonésia
existe um remoto paraíso subaquático,
que contém algumas das espécies mais raras
e incríveis do mundo.
A evolução criou um mundo subaquático inigualável
de formas estranhas
cores vibrantes e espécies realmente incríveis.
O fluxo natural das marés e correntes
parece criar uma corrente constante de novas espécies,
o que leva à descoberta continua de novas formas de vida
entre as 1500 ilhas do arquipélago.
Este pacífico mundo aquático
criou espécies que não se consegue encontrar
em mais lado nenhum na Terra,
criando espetáculos elegantes
e de uma beleza verdadeiramente única.
Não há outro sítio
onde espécies desconhecidas e conhecidas
se juntem numa variedade tão colorida e tão apelativa.
O que começou há cem mil anos
com o constante movimento dos mares
evoluiu com o tempo
para criar o mundo único de diversidade natural
que vemos hoje.
Este mundo vai de recifes de franja em zonas de água clara
até às escuras mas coloridas profundidades do mar.
Venha connosco na nossa viagem
pelas maravilhosas paisagens subaquáticas de Raja Ampat.
Traduzido do sânscrito,
Raja Ampat significa "Os Quatro Reis".
A história por trás deste nome
reside na antiga mitologia da região,
que diz que quatro reis, chocados de ovos,
reinam as quatro maiores ilhas de Raja Ampat.
Este extraordinário mundo aquático
cobre uma área com quase o mesmo tamanho da Holanda.
Raja Ampat está no centro
do que é conhecido como O Triângulo de Corais,
uma área de grande diversidade marinha,
que vai desde as Filipinas,
até à Indonésia e Papua Nova Guiné,
e até às Ilhas Salomão.
Uma das famílias de animais mais comuns nestas águas
é a família dos bodiões.
Aqui encontramos várias classes de bodiões.
Mas embora o bodião seja a espécie mais comum de peixe,
está apenas no início da enorme diversidade de espécies
que se podem encontrar nos recifes do Indo-Pacífico.
Em Raja Ampat, uma zona com o tamanho de um campo de futebol,
é o lar de uma enorme variedade de espécies únicas
que se conseguem encontrar nas Caraíbas,
ou da Grande Barreira de Coral.
Devido a esta inacreditável variedade de biodiversidade,
esta área é, às vezes, chamada Amazónia dos recifes.
As quatro maiores ilhas de Raja Ampat
são Misool no sul,
Waigeo no norte,
e Salawati e Batanta no centro do arquipélago.
A população desta cadeia de ilhas é muito pequena,
e os que vivem aí
sobrevivem predominantemente trabalhando
na indústria de pesca ou turismo de mergulho.
Os recifes de Raja Ampat
têm de lidar com várias correntes subaquáticas.
O movimento destas correntes pode agitar o sedimento na água
e torná-la turva.
Às vezes, os movimentos de água
podem criar um cenário extraordinário
de cores e luz
após a água agitada e o sedimento
terem acalmado.
Estes habitantes do recife são uma subespécie
de um grupo de peixes conhecidos como roncadores.
O aspeto e comportamento dos roncadores
muda durante a sua vida,
com os jovens a serem mais coloridos e ativos
do que os que já atingiram a maturidade.
Durante o dia, estes peixes tendem a estar
em cardumes debaixo dos corais,
emergindo à noite para caçar.
Os roncadores não são tímidos,
e podem ser muito amigáveis com os visitantes.
Vamos seguir um deles
por entre esta secção do recife.
A vasta biodiversidade de espécies encontrada nestas águas
não pode ser explicada por apenas um fator.
O que se pensa ser
uma das principais razões desta abundância de vida
são os diferentes biótopos
encontrados na área.
Aqui, em Raja Ampat,
podemos encontrar os chamados recifes em franja,
relvados enormes de algas marinhas, e baías abrigadas,
que oferecem a vários tipos de espécies
condições perfeitas para viver.
Os bodiões de limpeza certificam-se
que todos os peixes do recife têm a pele saudável.
Os peixes que querem ser limpos
avisam abrindo as guelras e as mandíbulas,
que o bodião reconhece
como um sinal da sua passividade.
Isto quer dizer que o bodião de limpeza
pode fazer o seu trabalho
seguro de que não será comido.
O peixe precisa de ser limpo,
conforme a sujidade aumenta nas guelras,
o que leve a uma inflamação,
que cria problemas de respiração.
Esta tartaruga marinha é um habitante particularmente interessante
da área.
Todas as tartarugas marinhas nascem em terra,
mas só as fêmeas regressam para desovar.
Aqui, sob a proteção oferecida pelos recifes de corais,
as crias têm uma maior probabilidade de sobrevivência
do que se fossem criadas em mar aberto.
Esta área também contém o local de nidificação mais importante
para as tartarugas-gigantes,
a maior espécie de tartarugas do mundo.
Há dois grupos de corais principais:
os corais moles, mostrados nesta imagem
e os scleractinia, também chamados corais rochosos.
Os corais moles parecem mais vivos e vibrantes
do que os parentes, os corais rochosos.
A combinação de corais moles e rochosos
pode parecer anormal,
mas o crescimento do coral mole
pode ser visualmente espetacular.
Quando comprimidos, os corais moles podem ser muito coloridos,
e podem parecer flores estranhas, de outro planeta.
Os peixes não parecem espantados com esta beleza natural,
e passam entre os recifes com indiferença.
Conforme penetramos mais nesta selva de corais cheia de beleza e cor,
mais somos recompensados com um aumento de variedade
de criaturas vivas.
As atividades vivas e mexidas
das criaturas marinhas
dão à área o tom de uma cidade a prosperar.
O mar fundo e escuro ganha vida
com a variedade de espécies coloridas.
Criaturas grandes e pequenas andam pelos recifes,
quase fazendo parecer um recreio.
Este mundo subaquático parece oferecer
um sem-fim de surpresas.
Conforme nadamos pelos corais,
encontramos um cardume enorme de peixe miúdo
que procura abrigo numa baía.
Cada espécie diferente inventou
a sua forma de sobrevivência.
O peixe-palhaço, por exemplo,
consegue esconder-se nas anémonas.
Outras espécies do recife, como o peixe-leão
preferem métodos de disfarce mais extraordinários.
E alguns peixes esperam
que sobrevivam espécies amigas suficientes.
A questão de qual o método de sobrevivência é mais eficiente
é testada todos os anos pela natureza.
Se uma espécie não se conseguir adaptar
e mudar para enfrentar os desafios,
não encontrará um sítio para viver.
São estas as duras regras da natureza,
que existem até num paraíso como Raja Ampat.
As diferentes criaturas marinhas desta área
foram forçadas a mudar e a adaptar-se com o tempo
para sobreviver à seleção natural do processo evolutivo.
Isto leva a uma espantosa variedade de espécies
com as quais somos presenteados hoje.
Para sobreviver na natureza,
todas as espécies produzem crias
que se adaptaram um pouco mais do que a geração anterior
para melhor lidar com as condições em mudança permanente
criadas pelo seu habitat.
Este processo cria espécies que parecem estranhas,
e algumas criaturas desenvolveram características
que à primeira vista parecem ser um obstáculo.
Mas todas as características criadas pela evolução
têm o seu propósito específico para existir.
Os habitantes marinhos desta região
desenvolveram uma enorme variedade de estratégias diferentes para sobreviver.
Estes peixes-cirurgiões agrupam-se em cardumes enormes
e petiscam nas algas que vivem no coral.
O peixe-cirurgião deve o seu nome
às espinhas afiadas que tem nas pontas das caudas,
que parecem o bisturi de um cirurgião.
Estas espinhas são usadas pelos peixes
para se defenderem contra predadores maiores.
Outras criaturas esperam pacientemente num esconderijo,
até uma vítima insuspeita cruzar o seu caminho,
atacando no momento certo.
Esta é a estratégia preferida pelos cações ou tubarões-tapete.
O número de tubarões na região reduziu drasticamente
devido à remoção de barbatanas de tubarões n'O Triângulo de Corais,
o que implica que os tubarões são agora raros na área.
O peixe-porco, com as suas cores a padrões estranhos,
é um dos destaques de Raja Ampat.
Não se encontra com frequência uma variedade tal de cores e padrões
num único peixe.
Outra razão para a incomparável riqueza
de espécies naturais nesta área
são as florestas de mangue,
que podem ser encontras nas costas das ilhas.
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