ആദ്യത്തെ 200 വരികൾ.
O meu pai raramente falava sobre o passado.
Com uma exceção.
Durante o seu percurso habitual da cidade para o campo,
decidiu parar para dar uma boleia.
Olá.
Este é o meu pai,
a dar boleia a estranhos.
Mas este homem era diferente.
Ele pediu para o deixar na Saída 77.
Uma estrada para lado nenhum.
Antes de sair, o homem fez um aviso.
Cuidado com os Bandeiras Negras.
São leais apenas a eles mesmos.
Disse para o meu pai juntar mantimentos e fugir.
Esconder-se num lugar seguro e isolado.
2 KM ÁREA INDUSTRIAL R.
E, sobretudo, ficar alerta.
Foi exatamente o que fizemos.
O Vidente. Foi o nome que o meu pai lhe deu.
Pois ele previu o fim.
Depois disso,
os Bandeiras Negras e outras milícias
entraram em conflito em nome da supremacia.
Tudo o que encontraram foi destruído, queimado e deixado a apodrecer.
As pessoas que escapavam à morte nas ruas,
acabavam por morrer à fome ou de frio dentro de casa.
Todas elas tinham uma coisa em comum.
Morreram com medo.
Com frio, fome e medo.
Depois, as coisas pioraram ainda mais.
Uma das milícias
conseguiu contaminar a rede de abastecimento de água.
Uma só gota era capaz de destruir todo o sistema imunitário.
Foi então que o inferno começou.
Cidades inteiras desapareceram do mapa.
A terra, que fora o berço das religiões, ficou completamente devastada.
Nós, os que conseguiram sobreviver, não podíamos agarrar-nos a nada mais
a não ser à fé na humanidade
e uns nos outros.
Esquece.
- Entendes o que quero dizer? - Sim.
Daí dizer para esqueceres.
O meu pai não te quer perto dela.
Não aceito isso.
Vou ter uma conversa com ele de homem para homem.
Achas que não sou capaz?
Xeque-mate.
Não estava atento. Outro jogo.
Outro jogo.
Pai!
Pai!
A paz esteja contigo.
Temos visitas.
- Quantas são? - Só vi uma.
Volta para lá. Prepara-te para me cobrires.
- Shuaib! - Chegou o momento, Jamal.
- Pai, vou contigo. - Não, não vais.
- Pai. - Maryam!
Não me trates como uma criança. Posso dar uma ajuda.
Eu sei, querida. Ninguém aqui é mais capaz do que tu.
Preciso que fiques aqui a cuidar dos outros.
- Dois toques, estamos bem. - Três, estão em apuros.
- Ela está doente. - Por causa da água.
Ajudem-me, por favor.
Não gosto disto.
Vem cá.
- Vem cá! - Espera aí. É uma armadilha.
- É da idade da minha filha, bolas! - Shuaib, não abras o portão.
Ajudem-me, por favor.
Ou matem-me.
Tenho de tentar.
Segura.
O que fazes, pai?
Não te preocupes. Ele sabe defender-se. Cobre-o apenas.
Shuaib!
- Fecha o portão assim que eu voltar. - Shuaib !
Cinco meninas perto da fonte de água
Apenas uma é o meu amor
Cinco meninas perto da fonte de água
Três foram à vida e restam duas
Se fosse a ti,
não me mexia.
Baixa a arma.
Dá-me a rapariga.
Baixa a arma, amigo.
- A rapariga. - Não volto a dizer!
Larga a arma.
Fica na minha mão.
Como te chamas?
Não é da tua conta.
Estás com quem?
Não é da tua conta.
- Chamam-me Abu Eissa. - Eu...
Eu sou um vagabundo. Não presto contas a ninguém.
O que te traz por aqui?
O que queres?
Água.
Preciso de água.
Dou-te um galão.
Dás-me a rapariga.
Isso é muito generoso da tua parte.
Com toda a água que tens ali em cima.
E só me podes dispensar um galão? Não é suficiente.
Não é só para mim.
E se além dela te der um pequeno presente?
O quê?
Tenho balas. Quantas quiseres.
De nove milímetros?
Não.
Tenho de 22 mm.
E de 7,62 mm?
Não me parece. Mas tenho...
Relaxa, Abu Eissa! Relaxa um pouco. Já te disse, é um presente.
Espera.
Tenho estas.
São muito úteis. Não precisas de uma arma para as disparar.
Basta usares um alfinete ou um prego.
Causam catástrofes.
Não preciso delas.
Ouve-me. Dou-te três galões de água.
Dás-me a rapariga.
E tu os teus amigos nunca mais cá voltam.
Não lhes peças permissão.
- Espera. - Isto é entre nós os dois.
Tens razão.
É entre nós os dois.
Shuaib! Volta para aqui!
Não consigo fazer pontaria!
Fogo!
No camião!
Shuaib!
Khaled?
Gabba?
Vá lá, pai. Sai da frente!
Pede-lhes que larguem as armas ou rebento...
- Estás bem? - Não disparem!
Estava de passagem por aqui.
Ouvi-vos a lutar.
- Escolhi o vosso lado. - E o que te traz por aqui?
Procurava abrigo.
Há bandidos por todo o lado.
Só queria encontrar boas pessoas.
Estás sozinho?
Gülbin!
Mais alguém?
Somos só nós os dois.
Posso ir buscar a minha navalha?
Já disseste olá a quem me deu um tiro?
A Gülbin não fala árabe.
Ela é curda e o meu curdo não é lá muito bom.
Mas, ainda assim, conseguimos comunicar.
- Pai! - Está tudo bem.
Não estás ferido?
Com mais pontaria, podias ter matado o meu benfeitor.
- Pensei que ele estava com... - Eu sei o que pensaste.
Está tudo bem.
Chamo-me Shuaib.
Ele é o Qais.
O meu nome é Mussa.
Salvaste o meu pai?
Obrigado.
Entra.
Limpamos-te a ferida, pelo menos.
O meu filho era o capitão da equipa de futebol dele.
O melhor marcador dois anos seguidos.
Que Deus o abençoe!
Lamento o que perderam.
Estamos todos no mesmo barco.
Amanhã, enterras a rapariga.
O sangue não é meu, não te preocupes.
Mussa, esta é a minha filha Maryam.
Olá.
- Daoud. - Sim.
Desenha.
Design gráfico e animação. Fiz alguns trabalhos para a TV.
Desenha.
Zaineb. Bilal. Temos convidados.
Sou o Mussa. Ela é a Gülbin.
- Olá. - Bem-vindos.
O palácio é grande. Estejam à vontade.
Que sítio é este?
Era uma fábrica de asas para aviões.
Há quanto tempo estão cá?
Há 318 dias.
Está tudo bem?
Queres dizer algo?
Mussa.
Ele devia ficar connosco.
Só o Mussa?
Eissa.
Mal conhecemos estas pessoas.
Não conhecemos este homem nem os vícios dele.
Ele salvou-te a vida.
Que mais precisas de saber?
Mas é preciso ter cuidado.
O mundo não é o que era.
Ter cuidado não impediu a mãe de ficar contaminada pela água.
Fiz tudo o que pude para a salvar.
Ter cuidado não é suficiente.
Foi este o conselho do Vidente, e acredito em Deus.
No comments yet. Be the first to leave one.