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A CASA DO DRAGÃO
Outra travessia queimada.
Talvez nunca cheguemos a Tumbleton.
Quanto tempo leva para reconstruir essa coisa?
Teremos que achar outra travessia e fazer o caminho mais longo.
A rainha odiará esse atraso.
Leve cem dos cavaleiros mais rápidos
e siga para o Septo de Pedra.
Garanta a segurança da barca e atravessem.
Vamos atrasar uma semana, mas não temos opção melhor.
É nossa última chance de atravessar o rio com um exército deste tamanho.
Vamos continuar aturando esse Cole e seu bando de parasitas?
Ficam nos rondando como malditas moscas.
Mais uma coisa que não toleramos no Norte.
Melhor aturar moscas do que congelar.
Mas já não suporto mais esse Criston Cole.
Nem no Norte nem no Sul.
Então permitam que meus lobos e eu saiamos à caça.
E acabaremos com ele.
Ou podemos jogar o jogo dele.
-Vamos para a próxima travessia? -Eles vão para o Septo de Pedra.
Estaremos à frente deles outra vez.
Recuar!
Se eu soubesse que esperávamos hóspedes, teria feito as camas.
-Procuramos Aemond Targaryen, o Regicida. -Claro. Vocês têm aparecido em hordas
desde que a rainha ingrata anunciou a recompensa.
Mas não encontrarão sua presa aqui.
Há um velho que bate a manteiga, mas ele é cego de ambos os olhos.
E o menino que alimenta os cavalos.
E os fantasmas.
Pelo visto, não conhecem a história deste lugar.
Dos trabalhadores que o construíram,
que morreram aqui,
acorrentados,
a serviço de Harren, o Cruel.
Este castelo respira.
Ele engole os gananciosos, os imprudentes.
As pedras de sua fundação foram regadas com sangue de homens,
e ele está sempre sedento.
-Não. -Não!
Seu covarde maldito!
Que se dane este lugar!
Está me ouvindo?
Afaste-se! Fique longe!
Meu irmão Aegon estava aqui.
O rosto dele estava em chamas.
Eu o vi. Ele se agarrava a mim, me arrastava para a escuridão.
-Meu irmão... -Foi só o sonho outra vez, só isso.
Foi só o sonho outra vez.
Ela viu.
Ela disse que eu morreria, que arruinei tudo.
Mãe.
-Ninguém entra sem ordem da nossa rainha. -Trata-se de uma questão delicada.
Não sei ao certo o quanto você entende dessas questões de...
problemas femininos.
Devo lhe agradecer mais uma vez por sua lealdade, grande meistre.
Permito-me pensar que sempre fui um servo fiel de vossa graça.
Mais do que isso. O senhor foi um amigo.
Mas agora temos uma nova rainha
e me encontro sob certa vigilância.
Temo que eu não possa mais lhe oferecer ajuda,
depois de hoje, sem fazer as devidas revelações.
Eu entendo.
Eu não quero.
Você precisa.
Pode ser um menino, entende?
O herdeiro de Aegon, um rival para Joffrey.
Para a própria Rhaenyra.
Ela vai matá-lo. Não terá escolha.
Ou, se não o fizer, vai tirá-lo de você. Aemond está vivo, até onde sabemos...
Está em Harrenhal.
Não. Ele esteve lá, mas fugiu, desapareceu.
Eu o vi.
Ele queima,
mas sem fogo.
Se Aemond ameaçar o governo de Rhaenyra, ela usará a criança como escudo.
Eu não consigo.
Helaena, por favor. Por favor.
Pelo seu próprio bem. Não deseja ser livre?
Não consigo.
-Olhe, pense... -Não, não!
Pense nisto como uma xícara de chá, nada mais.
Mas não é.
Não, não é. Escute. Escute. É uma bênção.
É um remédio ensinado aos meistres na Cidadela.
Ele me livrou da desonra e da ruína.
Livrou a própria Rhaenyra quando ela era jovem.
E também vai livrar você.
-Helaena, por favor! -Não.
Por favor, me escute.
Você carregará uma criança que nunca será nada além de refém
-ou peça em um jogo... -É meu!
Ele é meu! É meu!
Esperava que uma cadeira no Conselho bastasse como recompensa
pela lealdade da Casa Frey.
Mas Harrenhal seria a nossa recompensa!
O pagamento por darmos passagem aos seus Lobos do Inverno pelas Gêmeas.
-Prometido pelo seu próprio filho. -Meu filho está morto.
E agora descubro que a senhora prometeu nosso castelo como troféu
para qualquer cavaleiro andante
-que trouxer a cabeça de Aemond. -A senhora, inclusive, pode tentar.
O exército de Cregan Stark atravessou o Tridente.
Esperamos que a palavra da Coroa seja honrada.
Não importa se algum mercenário imundo se intitulou lorde de Harrenhal
nesse meio-tempo.
Por ora, no entanto, eu teria prazer em integrar o Conselho de vossa graça.
O que alguém poderia querer em Vila Vêneda?
Não em Vila Vêneda propriamente,
mas em um pequeno vilarejo nos arredores.
Fazendas foram queimadas
e os homens com quem falamos confirmaram que foi Vhagar.
Bastardo do Serpente Marinha. Agora, montador de dragão.
-Aquele é irmão dele. -Darry é nosso aliado.
-Aemond pode estar nos provocando... -Saqueando uma fazenda ou outra?
-Com que propósito? -Dragões precisam comer.
-Verme Branco, chamavam assim. -Mas são fugitivos.
-Iremos arrancá-los de onde estiverem. -A vadia.
Perdão.
Houve uma confusão ontem à noite no Portão do Dragão.
Usamos cavalos para dispersá-la. Se Lady Mysaria estivesse lá,
-dando o pão prometido com ensopado... -Ou se, por milagre,
a Patrulha da Cidade do Rei Consorte tivesse demonstrado um mínimo de contenção
ao perseguir crimes insignificantes
-e criminosos insignificantes. -Para onde Vhagar foi?
Tentamos seguir seu rastro, mas já era tarde demais.
Mais uma vez, não há sinal de Aemond.
Dois Mantos Durados foram encontrados mortos nas ruas esta manhã.
Executados por mãos desconhecidas.
Onde ocorreu?
Baixada das Pulgas.
Baixada das Pulgas.
Sempre foi um reino à parte.
Quase impossível de governar. Cheia de indesejáveis.
Vhagar aparece
enquanto Ormund Hightower reúne suas forças em Tumbleton,
-com algum propósito oculto. -Não gastemos energia
com uma raposa entocada. Se não vai queimá-lo...
-Não é uma... -Meu exército dará cabo dele em breve.
Quanto a isso...
Chegaram novas notícias do acampamento de Lorde Tully.
A marcha foi atrasada pela interferência de Sir Criston Cole e seus homens.
Queimam as travessias antes que o exército consiga alcançá-las.
Retornem para Riverlands.
Se Aemond apareceu uma vez, pode reaparecer.
Não se arrisquem, mas descubram seu paradeiro e objetivo.
Se me permite, vossa graça.
Nós retornamos esta manhã.
Lady Baela não comeu, muito menos dormiu.
Estou preparadíssima para voar.
De nada servirá se seus olhos estiverem cansados e suas feras, exaustas.
Enviarei Daemon.
Eu irei,
assim que resolver essas questões na cidade.
Nossos soldados estão mortos.
-É preciso prestar contas, não? -Estou em condições.
A perda sofrida pela Patrulha da Cidade é um crime, sem dúvida.
Mas Sir Luthor investigará.
Não é assunto para a Coroa.
Eles são meus homens,
e agora dependemos desses homens para assegurar seu governo.
Principalmente quando seus soldos estão atrasados.
-Vossa graça. -Agora não.
É sempre assim?
Daemon!
Será que estou de volta à Dragonstone e minha voz terá que competir com a sua?
Pelo contrário. Prometi cumprir suas ordens.
Só que… posteriormente.
Não estou brincando. Que autoridade me resta
se você só me obedece na hora e no lugar que escolhe?
Você é a rainha.
Ajo em seu interesse.
Ótimo.
Meu interesse é Vhagar.
O meu também. Mas temos tempo de sobra. Aemond está com medo.
Já fugiu de você uma vez.
-Não corremos perigo... -Há uma traição em algum lugar
e pretendo descobri-la.
Sua pretensão é a vingança.
E os deuses sabem que não a censuro por isso.
Mas a vingança pode esperar.
Neste momento, há um distúrbio na sua cidade
e você, você mesma, provavelmente foi a causa.
Não pedi a Sir Luthor que fosse brutal.
Você não precisava ter pedido nada a ele.
Vai se abalar por provocações vazias,
por listras pintadas nas paredes das tavernas?
São mais do que provocações. São um insulto aos meus filhos,
um desafio à minha própria legitimidade.
Você é a rainha dos dragões. A sua força é a sua legitimidade.
Vossa graça.
Boas notícias.
O jovem Príncipe Joffrey retornou do Vale há pouco.
Soube que perguntou pela senhora.
Irei encontrá-lo quando puder.
Ele deve estar cansado.
-Já passou muito da hora do rouxinol. -Não me importo.
Para que lado fica o oeste?
Não faço ideia.
Se me permite, vossa graça...
Não vou voltar. Não temos para onde ir.
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