Tucci in Italy

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ആദ്യത്തെ 200 വരികൾ.

"Veja Nápoles e morra."

Assim disse Goethe no século 18.

Muita gente o levou ao pé da letra.

Quarenta mil pessoas estão enterradas bem aqui

nas catacumbas sob a cidade.

Mas vou voltar lá pra cima, onde Nápoles é bem viva.

Acho que a melhor forma de entender o que torna um país

e seu povo únicos é pela comida.

Meu Deus.

-Ao centenário. -Ao centenário.

E isso é ainda mais verdade na Itália.

Este é um dos pratos mais bacanas que já vi cozinhar.

É meio que uma música.

Aqui, até o formato da massa e o molho que a acompanha

refletem diretamente a identidade…

Caramba! Nunca comi nada assim.

…e moldam o caráter e a história de cada região,

tornando-as únicas.

Meu Deus! Está muito bom.

Uau!

Eu sou Stanley Tucci e vou explorar as conexões complexas

entre a terra, as pessoas e a comida

para descobrir a essência de cada região

deste país que eu amo: a Itália.

TUCCI NA ITÁLIA

Estou em Nápoles.

A cidade mais barulhenta… do mundo.

Durante três mil anos, Nápoles parece ter existido

em um estado de ameaça constante.

Alguns dizem que é por isso que a cidade é tão viva.

É a capital da Campânia, lar de seis milhões de pessoas,

e metade delas vive à sombra do Vesúvio.

Apesar do seu litoral idílico e paisagem exuberante,

é uma região com histórico de pobreza e dificuldade.

Então como esses dois fatores moldam a famosa culinária da Campânia?

Achei uma rua tranquila em Nápoles,

algo praticamente impossível.

E já evitei ser atropelado pelo menos duas vezes hoje.

Desde a época em que Goethe exaltou suas qualidades,

Nápoles sofreu 300 anos de desgraça absurda.

Erupções, invasões e crime organizado deixaram sua marca.

Mas, recentemente, a cidade parece estar virando a página.

Estamos em Sanità, um lugar histórico incrível.

-Um lugar muito específico. -Sim, muito diferente.

E por quê?

Tem uma energia impressionante,

e sempre respeitamos a comunidade

porque é importante manter a energia aqui no bairro.

O chef Ciro Oliva tem uma pizzaria no bairro Sanità,

um dos mais pobres da cidade.

Antigamente, em Sanità, digamos quando eu tinha 11 anos,

era um bairro com alto índice de criminalidade.

QUEM AMA NÃO ESQUECE

Por causa da máfia, uma ou duas pessoas eram assassinadas todos os meses.

É.

E as pessoas de outros bairros de Nápoles

não vinham ao meu bairro.

Conseguimos criar uma rede

de rapazes jovens do bairro.

E, através da arte e cultura,

conseguimos, passo a passo,

a mudar o que o bairro Rione Sanità era.

Hoje, partes da cidade, que já foram áreas de risco,

floresceram de volta à vida.

Mas a boa comida sempre esteve aqui, mesmo nos períodos mais difíceis.

Hoje, Ciro não vai me levar para comer pizza,

mas a um restaurante onde vamos comer outro prato emblemático,

que é altamente ligado à história da cidade.

RESTAURANTE MIMÌ

Mimì alla Ferrovia é uma instituição napolitana.

Ele está firme há 83 anos

sob três gerações da mesma família.

-Stanley. -Oi.

-Bom dia. -Bom dia.

Como vai?

-Bom te ver. -Bom te ver também.

É comandado atualmente pelo chef Salvatore Giugliano.

Venha, quero te mostrar o pimentão também.

-Olhe. -Que lindo!

Como fazemos o pimentão recheado, nós cozinhamos na grelha.

-Você recheia o pimentão? -Nós recheamos tudo.

-Agora estou fazendo a parmigiana. -Tá…

Depois fritamos a berinjela. Temos o tomate,

que é de Nápoles, Campânia.

Temos talvez um dos melhores tomates

-da Itália porque… -Do mundo.

Aqui, estamos usando um tomate do Vesúvio.

E agora fazemos uma espécie de lasanha,

mas só com vegetais e muçarela, parmesão e manjericão.

-É uma receita muito antiga… -É.

…motivo pela qual temos uma guerra com a Emília-Romanha e Sicília.

-Sério? -Porque há uma batalha

entre as regiões da Itália sobre a parmigiana.

Apesar das origens serem disputadas,

a primeira receita registrada de parmigiana remonta ao século 18,

quando Nápoles foi tomada pela dinastia Bourbon.

-São camadas. -É.

De fato, influências francesas estão presentes na culinária napolitana.

Até o ragu tem esse nome devido à palavra francesa para "ensopado".

É assim que a minha família faz, sem a farinha, como você.

-Gosto sem a… Como se diz? -É.

-Farinha de rosca. -Não gosto.

Fica pesado demais.

Não vejo a hora.

-Tá, vou ver o Ciro. -Tá.

-Tá, Stanley. -Obrigado.

-Te vejo na mesa. Buon appetito. -Beleza. Obrigado.

-Stanley. -Roberto, muito prazer.

Roberto Salomone, fotógrafo local e amigo do Ciro, almoçará com a gente.

-Salute. -Salute.

Ele é testemunha de como a cidade mudou na última década.

Nápoles nos últimos dez anos

-mudou disto pra isto. -É.

Considere que, dez anos atrás, como jornalista,

eu só podia entrar em Rione Sanità acompanhado pela polícia.

Havia criminalidade à luz do dia.

Nápoles era só um lugar onde as pessoas pousavam

-para ir pra Capri, Costa Amalfitana. -É.

Mas agora é uma das mais autênticas…

-É um destino turístico. -Com certeza.

É, um destino turístico.

Pessoal.

-Salvatore é uma lenda. -Olá.

A parmigiana de berinjela.

É isso aí.

-Vamos cortar? -Claro.

Vamos servir o Stanley primeiro.

Sirva o Stanley.

Isso é a cara de Nápoles.

Totalmente Nápoles.

-Veja que maravilha. -Meu Deus!

É uma das minhas comidas preferidas.

Agora sim.

-Sente o aroma? -Sim.

E a parmigiana precisa de pão.

-Sempre. -Sim, sempre.

Genial.

Que delícia!

Quando eu era jovem, eu levava isso

pra almoçar na escola, dentro do pão.

É?

Que delícia!

-Meu Deus. -Nós amamos Nápoles.

E, se pudermos transmitir esta paixão nisto,

nesta parmigiana de berinjela,

tipo, é um dos motivos pelos quais as pessoas vêm a Nápoles.

Esta cidade meio que vive um segundo Renascimento.

Um prato tão cheio de camadas como a própria Nápoles,

a parmigiana só poderia ter vindo deste caldeirão cultural que é a cidade.

Nápoles sempre foi contaminada.

Começou há muitos anos, desde a dinastia Bourbon,

-desde o domínio francês. -Certo. Espanhol.

Acho que é a melhor parte de Nápoles.

Quando os italianos dizem "contaminação", eles querem dizer "influência".

Achamos que há a "contaminação" das pessoas

que vêm de fora, mas depois fazemos do nosso jeito.

Queríamos exportar a parmigiana ou a pizza,

exportar Nápoles pro mundo todo.

Certo. É incrível.

-Ei, pessoal. -Tim-tim.

Viva Nápoles!

Curtam Nápoles.

Em Nápoles, a existência diária

é um equilíbrio sutil entre a vida e a morte.

Um dos meus atores preferidos,

o amado cômico Totò, uma vez disse:

"Nápoles vive de milagres."

Mas não foi só a capital da Campânia que teve suas provações e tribulações.

Imagino como deve ser viver na base do Vesúvio,

sabendo da sua potência e do que já causou.

Dizem que esse é um dos motivos pelo qual as pessoas não reformam a cidade

nem recolhem o lixo, pois vivem perto do vulcão e…

tipo, que diferença faz?

Estou indo a Gragnano, ao sul do Vesúvio.

Apesar da proximidade do vulcão,

historicamente, esta parte da Campânia encarou uma ameaça pior: a fome.

Mas hoje, nesta cidade de quase 30 mil habitantes,

dizem que fazem a melhor massa do mundo…

mas essa reivindicação não veio sem luta.

Esta é a Via Roma.

É a "rua da massa".

Peppe Guida, chef local, entende um pouquinho do assunto.

Suas receitas incríveis de massa o fizeram ganhar uma estrela Michelin.

Esta rua ficou famosa

devido à exposição à brisa marinha

que ajuda a massa a secar lentamente.

As pedras também fazem grande diferença.

O nosso pavimento é feito de rocha vulcânica do Vesúvio.

Ela absorve o calor e depois o libera.

Até os anos 60, a rua inteira era coberta de massa por todo canto,

que ficava de 24 a 36 horas pra secar.

As condições em Gragnano produziam um produto tão incrível

que, no século 19, o rei Bourbon no poder

mandou aumentar esta rua para poder secar mais massa.

Mas, quando o norte industrializado da Itália

começou a fabricar massas de modo mais eficaz,

o povo de Gragnano não conseguiu competir.

Mas Peppe acredita que ainda há alguns fabricantes de massa

que continuaram com essa tradição no século 21.

Pastificio dei Campi é um dos melhores fabricantes de massa

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