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ആദ്യത്തെ 200 വരികൾ.

Bruxelas…

Acontecem aqui coisas boas. E menos boas.

Como em todas as grandes cidades.

Esta é uma rua de comércio. Todas as lojas ficam aqui.

Ali, é uma Casa da Juventude. Apresentam a peça de que falava.

Eva. Chamas-te Eva, não é? Ali. Estás a ver?

O melhor bar de Bruxelas.

A maior parte das pessoas vai à gare do Midi. Mas aqui é que é.

Ouves isto?

É o hino nacional de Bruxelas.

Estamos habituados. Não durmo, se não ouvir sirenes.

Tudo bem? Tiram boas fotografias?

Aqui, não há nada para ver. Vamos a outro sítio.

- Calma, estamos a ir. - Para a câmara.

- Calma, estamos a ir. - O que estás a filmar?

Larga a câmara. Para de filmar.

Desliga-a.

- Calma. - Está desligada.

Fiquem no carro. Eu falo com eles.

Foda-se. Olha só para aquelas fronhas. Parece o Jurassic Park.

Se eles entrarem, temos sarilhos.

- Fiquem calmos, vai correr tudo bem. - Calmos?

Tanto quanto sabemos, isto é uma armadilha.

- Não é, Joerie? - As portas estão trancadas, Eva?

- Quem é esse? - As portas estão trancadas?

Estão todas trancadas.

- Eva… liga o carro e avança. - Vá lá.

- Sai daqui. - Não tenhas medo. Tudo bem.

- Claro, pá. - Não o deixes entrar.

Eva, não estou a brincar. Carrega no acelerador e vamos.

Ele está a tentar entrar.

Então? Caraças!

Sorte a vossa que eu esteja aqui.

Eva, o que fazes?

Um flamengo. Goeiedag. Alles goed? Godverdomme.

- Falas neerlandês? - O quê?

- Neerlandês? - És doido? Para que serve?

- O que fazem aqui? - Filmamos uma reportagem.

Espera lá. Querem mostrar os bairros como são de facto?

Sim.

Com o Jean-Rachid como guia?

Sim, da última vez…

Ele só aparece quando há câmaras.

- Farias melhor? - O quê?

Queres mostra-nos os bairros?

Está bem. Combinado.

São 100 euros.

- O quê? - O quê?

Fazem isto à borla? É um passatempo?

Onde vamos?

Tumultos em Molenbeek, Anderlecht, Sint-Gillis. As zonas tensas de Bruxelas.

Adolescentes imigrantes presos por roubo.

A maioria dos criminosos vem de bairros pobres, habitados por imigrantes.

- Jovens marroquinos. - O suspeito é de origem marroquina.

… esfaqueou…

Um grupo de jovens marroquinos atacou um carro da polícia.

Pensa-se que o culpado pertence a um gangue norte-africano.

Imigrantes adolescentes presos por roubo.

As testemunhas dizem ter visto um homem estrangeiro.

Roubos.

Assaltos de carros.

… de origem magrebina.

O suspeito de homicídio tem prováveis origens norte-africanas.

Dez adolescentes muçulmanos presos por violência pública esta manhã.

Criminosos norte-africanos traficaram drogas através da Bélgica.

Os traficantes de droga são estrangeiros.

- A maioria dos presos é imigrante. - … maioria de estrangeiros na prisão.

O homem que esfaqueou tinha a pele morena e fugiu…

- … jovens de origem marroquina. - Estavam presentes jovens imigrantes.

As testemunhas dizem ter visto um homem estrangeiro.

… vários jovens marroquinos atiraram pedras à polícia.

Não é claro o que levou a isto.

Esta manhã, dez jovens muçulmanos foram presos por violência pública.

A maior ameaça à nossa segurança é o aumento de jovens muçulmanos.

Foram usados canhões de água para dispersar a multidão violenta.

Dez jovens muçulmanos presos por roubo.

Escola e assistentes sociais não têm influência nos jovens.

Adolescentes imigrantes atiraram cocktails molotov.

- Carros incendiados. - Cada vez mais jovens imigrantes…

Jovens imigrantes saem à rua para mostrar a sua raiva.

- Olá, minhas senhoras. Como foi? - Uma selva, pá.

- A sério? - Correu bem.

A sério? Aquilo ficou complicado.

O nosso aspirante a repórter de guerra.

Numa guerra, conheces o inimigo. Isto é infiltrar as linhas inimigas.

Aqui ou ali, qual é a diferença.

É diferente para ti, nunca atacam o tipo do som.

Ficarias admirado com o número de gente que pensa que é uma câmara.

Para a próxima, levas capacete e um colete à prova de bala.

E colas uma fita à volta, com "TV" lá escrito.

Eva? O Herman espera-te, no gabinete dele.

Eu sei. Vá lá, Peter, estás a gozar?

Já mal temos orçamento.

Sim, foi o que te disse. Disse-te isso.

Como foi? Bom? Então, ainda podemos passar mais tarde.

Não, Peter, o orçamento foi fixado. Sim.

- Porquê? - Espera um segundo.

Já tiveste muito tempo.

- Estou a tentar fazer bem. - Sim, mas devias estar a acabar.

- Diz quem? - Nós, o canal.

Pensei que o canal eras tu?

Não te queixes, está bem?

Peter… Do que falas?

Claro. O jogo dos média não vai mudar. Onde foste buscar essa ideia?

Encontrei uma pessoa local que nos quer mostrar a zona.

Tens uma semana.

Não, um orçamento é um orçamento. Sim?

Os meus espectadores exigem qualidade e esta custa dinheiro.

Olá, Eva. Como é estar nesses bairros? Há muito sexismo?

Não, trabalho numa história sobre esta redação.

Pode ir para o ar mais tarde?

- Tenho mais uma semana. - O quê? Como conseguiste?

Conheço esses miúdos, vêm aqui todos os dias.

Fazem compras na minha loja e, no dia seguinte, partem tudo.

Tire o carro imediatamente.

Depressa ou vou mandar rebocar.

Muito bem, toca a mexer. Não temos o dia todo.

- Olá, tudo bem? - Sim.

- Tudo corre bem? - Sim.

Estão todos com um ar saudável. Deviam estar na escola.

- São as férias. - Férias? Quais?

Carnaval, Páscoa, São Valentim?

- Prende-nos, se quiseres. - Vou ligar à tua mãe, Hamid.

Jilali, vou beber um café com a tua irmã. Sim?

- Espera. - Não vos quero ver a faltar às aulas.

- A senhora é fantástica. - Claro…

Porque participaram nos motins?

Ninguém nos toca!

Esses flamengos…

- Nem a polícia, nem os skins. - Os racistas. Filhos da puta.

Talvez a culpa seja vossa.

Talvez a culpa seja vossa.

Dos média. São vocês que nos lixam.

Quando aparecemos na televisão? Quando há motins, roubos…

Não admira que tenhamos má imagem.

A situação está descontrolada.

Talvez seja de eliminar o vosso patrão.

Pôr um de nós no lugar dele.

Isso muda a situação e a imagem que têm de nós.

- As filmagens ficaram bem? - Sim, sem dúvida.

- Posso vê-las antes dos outros? - Claro, dou-te um DVD.

Tira umas fotos do fundo e vê se gravas uns sons.

Está bem.

- Tens um cigarro? - É o último.

Podemos partilhar.

- Toma. - Obrigada.

De nada.

Vês este bairro? Sabes como era há 20 anos?

- Não. - Exatamente igual.

Era uma merda ontem, é uma merda hoje.

E continuará a ser uma merda daqui a 20 anos.

- Não há ninguém que possa mudar isso? - Na verdade… há pessoas que podem.

- Quem? - Nós próprios.

Quando nos deixarmos de merdas e deitarmos mãos à obra.

Vou contar-vos a história De um rapaz chamado Momo

Aos 12 anos, levanta-se cedo, bravo Tem o respeito dos adultos

Porque, como ele, não há muitos

Ele começa no rap E depois a bater

E o que faz ele da vida? Vais explicar?

Pronto, o Momo é adolescente

Já não lhe chamam "Momo" Agora é "delinquente"

É uma pena Era tão rapaz de bom coração

Com o tempo tornou-se um vilão

Senhor, esse lugar é meu.

Senhor, esse lugar é meu.

- Ouça. - Há outros lugares.

É o meu lugar, foda-se!

- O que tem este tipo? - Não sei.

- Queres que saque da arma? - Calma, o que fazes?

- Há aqui câmaras. - As câmaras que se fodam.

Era a brincar. Não somos estereótipos.

Fogo, Lahbib… Olha só aquela loira!

Caraças, que bomba! Vou pedir-lhe o número dela.

- Tu, com esse corte de cabelo? - Johnny Depp, irmão.

Olá. Posso fazer-lhe uma pergunta?

- Não falo francês. Desculpe. - Johnny Depp.

- De onde vem? - Da Rússia.

Rússia? Kalashnikov, cocktail molotov, Chernobil… Certo?

- Chernobil não é na Rússia. - Como se chama?

Para quê?

- Para o Facebook. - Porquê?

Sou o Johnny Depp marroquino. Estou a fazer um filme.

É sobre a mulher mais bonita do mundo.

Mais uma paragem e sacava-o.

- Olá. Chegaste há muito tempo? - Sim, já pedi um aperitivo.

Fizeste alguma coisa ao cabelo?

- Gosto. Está bonito. - Fui ao cabeleireiro por tua causa.

Hamid, faz-me o teu melhor corte.

Não achas que vais ficar como o Johnny Depp?

Lahbib, vais ficar com cara de deficiente. Olha para essa fronha ao espelho.

És tu, meu amigo.

Não os ouças. São uns invejosos.

Calma, Samir. Não vai doer. Vá lá.

- De onde vens? - Do Iraque.

- Como se chama ele? - Samir.

Samir, olha para mim.

Tens medo que doa?

Dá-me a máquina.

Tens razão, isto dói.

Dá-me a tua, Hamid.

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