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Nosso propósito é examinar fatos de conhecimento público.
Os relatos se baseiam nas opiniões
de testemunhas e especialistas.
As declarações dos especialistas
não representam os produtores,
a plataforma nem autoridades públicas.
O veredicto foi dado no caso da família Palu.
Que ocupou as notícias da Turquia por muito tempo.
Quando soube da família Palu, pareceu uma história comum.
Naquele tempo eu não sabia nem um por cento do que sei hoje.
A história da família nos deixou horrorizados.
Ele está sendo escoltado por policiais.
Eu tinha medo. Poucas coisas me assustam.
As novas acusações e detalhes que surgiram
eram ainda mais assustadores.
Ao examinar o processo pela primeira vez,
havia elementos religiosos envolvidos.
Achavam que enviaríamos jinn para possuí-los.
Onde quer que olhasse, havia amuletos.
Diziam que tinha um mestre espiritual.
Realizava rituais estranhos.
Não podiam escapar da feitiçaria nem dos jinn.
Havia ameaças.
Na petição que apresentou,
afirmou que a família Tahnal traficava órgãos.
Uma organização criminosa.
Havia problemas com drogas.
E cravava agulhas nele quando ainda era criança.
Eu ia fugir.
Ia levar minha irmã.
Estendi a mão para minha irmã.
Mãe e filha desaparecidas.
Mãe e filha sumiram há dez anos.
As buscas continuam.
Houve assassinato, tortura, abuso...
"Meu cunhado me estuprou e me drogou."
Era o que ela dizia.
Durante anos, me culpei.
Porque eu abri a porta para meu pai.
Seu histórico inclui muitos crimes, de estupro a roubo.
Uma área de 400 metros quadrados foi escavada
sob supervisão de uma equipe especial.
Tudo existe dentro da família Palu.
Honra, dignidade, isso ainda existe aqui?
Se receberem pena de morte, eu iria para o céu. É o que penso.
Transformaram a própria família em monstros,
e é impossível viver dentro disso.
Para limpar a consciência, precisam se tornar visíveis.
E a melhor forma é em programas como este.
Estar na televisão pressiona cada policial.
Quanto mais o processo demora, maior a pressão.
Minha última lembrança é esta.
Vi aquela pobre mulher amarrada a uma árvore aqui.
FAMÍLIA PALU À MERCÊ DA ESCURIDÃO
Vim aqui em 1979.
Faça as contas.
Nos mudamos para esta casa em 1991.
Somos uma das famílias mais antigas do bairro.
Deixávamos as chaves na porta.
As pessoas podiam entrar quando quisessem.
Era muito bonito. Nosso bairro é muito bom.
20 DE MAIO DE 2006
Meu marido foi trabalhar.
Seriam oito e meia ou nove? Não lembro bem.
Ouvi um estrondo.
Saí imediatamente.
Quando cheguei, as pessoas estavam em frente à mercearia.
Perguntei ao vizinho Ismail o que tinha acontecido.
Ele disse: "Harun atirou no genro".
De repente, nossas vidas viraram um desastre completo.
Tudo desmoronou.
Estávamos em grandes problemas.
Não entendíamos o que tinha acontecido, por que, como, tão de repente.
Meu nome é Isa Palu. Nasci em 1977 em Kumru, Ordu.
Vivi lá até os oito anos.
Todos tinham uma casa ao lado do campo.
Viviam do cultivo de avelãs.
As avelãs começaram a faltar.
Como não havia trabalho, nos mudamos para Körfez.
Compramos um terreno e construímos.
No começo, não havia mais ninguém no bairro.
Quando nos mudamos, a família Palu já morava aqui.
Por um ou dois anos, não nos conhecemos.
Depois disso, começamos a visitar.
Eles vinham à nossa casa, nós íamos à deles.
Éramos bons vizinhos.
Meu nome é Fatih Palu.
Nasci no distrito de Körfez, em Kocaeli.
Graças a Deus, eu era feliz, e também um pouco mimado.
Pelo poder do dinheiro,
e porque tudo o que eu queria era feito para mim,
e porque eu era o filho mais novo.
Meu pai adoeceu em 1993.
Saía, fugia e depois voltava.
Começou a dizer que tinha visões.
Começou a suar muito.
Dizia: "Estou sufocando".
Piorava a cada dia.
As pessoas que o viam diziam: "Não vai sobreviver. Vai morrer".
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO
Em 1999, meu pai recebia
tratamento psiquiátrico em Erenköy, Istambul.
A esquizofrenia é, na verdade, uma doença psiquiátrica
que começa a mostrar sintomas no início da vida adulta.
Surge com sintomas como delírios,
ver coisas que não existem ou ouvir vozes, alucinações.
Claro, também há um componente genético.
Pode passar de pai para filho, e de filho para neto.
Harun era nosso vizinho ao lado.
Passamos anos juntos, compartilhando refeições na mesma mesa.
Harun rebocou o primeiro andar desta casa.
Era o tipo de homem que até hesitaria
em aceitar uma xícara de chá se você oferecesse.
Meu pai era operário.
Eu trabalhava com ele.
Virei mestre graças a ele. Ganhava muito dinheiro.
Era como um banco.
Até podia emprestar dinheiro às pessoas.
Quando deixei a escola na oitava série, soube que não ia dar certo.
Pensei que, em vez de virar um delinquente,
deveria ajudar minha família.
Ao sair da escola, comecei a trabalhar com meu irmão mais velho.
A família Palu era uma família comum que migrou de Ordu para Kocaeli.
Uma família típica deste país.
Em muitos aspectos, parecia a família turca média.
A família Palu poderia ter sido uma estrutura
que apoiava e também vigiava seus membros.
Todos nós vivíamos em harmonia. Nos reuníamos,
tomávamos uma decisão e seguíamos em frente.
Até que começaram os problemas.
Antes disso, tudo parecia perfeito.
Como uma família assim termina em uma situação dessas?
Existe o ditado: "Roupa suja se lava em casa".
É um provérbio ao qual muitas vezes recorremos na sociologia.
Estamos falando de uma ordem social
onde as coisas são encobertas em nome da privacidade.
Desde o início, a família percebeu intuitivamente
que algo estava errado,
e durante esse processo vimos que muitas pessoas
estavam ligadas a essa cadeia de crimes.
O que desencadeou esses acontecimentos
foi a situação em que Meryem se encontrou.
Somos cinco irmãos no total.
Dois homens e três mulheres.
A irmã da minha mãe, Emine Tahnal, é casada com Veysel Tahnal.
Veysel Tahnal também é irmão de Ahmet Tahnal.
Então, Emine Tahnal foi falar com minha mãe
e disse: "Meu marido tem um irmão.
Por que não casamos sua filha com ele?".
Meryem e Ahmet Tahnal se casaram
em um casamento arranjado em 1998.
Ahmet trabalhava na Prefeitura Metropolitana de Istambul.
Depois do casamento, começou a frequentar o café.
Sentia-se obrigado a ir com os amigos. Depois virou hábito.
Logo, Ahmet começou a convidar os amigos por conta própria.
Não voltava do café até muito tarde.
Tinha vício em jogo.
Se endividou por causa do jogo. Que dívidas?
Seguimos surpresos. Como isso pôde acontecer?
-Sei o que aconteceu. Não sabíamos. -Ele não estava lá, não sabe.
Um dia o telefone tocou. Minha mãe atendeu.
Era minha irmã Meryem.
20 DE MAIO DE 2006
Ela disse: "Não posso ficar aqui. Ahmet perdeu a cabeça.
Tenta me obrigar a deitar com outros homens".
Minha mãe disse: "Venha para cá. Vamos conversar
e ver o que está acontecendo".
Então chamou meu avô.
Meu avô disse: "Se é esse o caso, resolvam o problema".
Meryem veio para casa.
Menos de uma hora depois, Ahmet ligou.
Disse: "Estou indo aí. Preciso buscar Meryem.
Estão me esperando. Se não levar, vão me matar".
Uma hora depois, Ahmet chegou com uma faca na mão.
Perguntei: "O que é isso?". Ele disse: "Precaução".
Chamamos a polícia. A polícia chegou e o levou.
Fomos à delegacia.
Prestamos depoimento.
Encontraram uma faca de pão com Ahmet.
Mais tarde naquela noite, Ahmet foi solto.
E voltou outra vez para casa.
"Que fique uma semana. Depois façam o que quiserem".
Mal conseguimos tirá-lo da casa.
Na manhã seguinte, Ahmet voltou.
Repetia: "Vou levá-la", e começou uma discussão.
Acordei com o disparo.
Quando subi, Ahmet se contorcia no chão.
A casa inteira cheirava a pólvora.
Não havia sangue. Os policiais se perguntavam onde estava o sangue.
Depois vi meu pai disparando mais tiros da sacada.
Quando a ambulância o levou, todo o bairro estava lá.
Vi as pernas do rapaz se mexendo.
Estava em seus últimos momentos.
Depois que o genro morreu, cortamos todo contato com Hava.
Serei honesta,
todos os vizinhos a isolaram, seus laços com o bairro acabaram.
Nem as crianças se aproximavam deles.
Meus filhos não se aproximavam, e eu também não.
Não se deve estigmatizar.
Ter esquizofrenia
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