ആദ്യത്തെ 200 വരികൾ.
Fedora!
Fedora morreu.
A lendária estrela de cinema morreu ontem no subúrbio de Paris...
...ao jogar-se, ou cair, embaixo de um trem.
O rosto fabuloso...
que ocupou as telas durante 40 anos...
já não existe.
Quem poderia esquecer dela como Madame Bovary...
Joana D'Arc ou Lola Montes?
O enigma da incomparável atriz polonesa...
nunca deixou de fascinar o público.
Estimava-se sua idade entre 60 e 70 anos...
...mas sua beleza radiante jamais parecia apagar-se.
O sepultamento será realizado privadamente.
Antes disso, seu cadáver será velado em sua casa de Paris...
para que seus milhares de admiradores possam dar-lhe o último adeus.
Eles fizeram um bom trabalho...
...considerando a forma horrível como sua vida acabou.
Bem, ao menos ela se foi com estilo...
com refletores, violinos...
guarda de honra com plumas no capacete e câmeras de televisão...
como se fosse uma noite de estréia.
Sentados lá em cima, no camarote VlP...
aquela sua insólita comitiva...
a velha condessa e seu filho, a Srta. Balfour e o Dr. Vando.
...com os olhos marejados e tristes. Canalhas!
Não me farão de bobo nem por um segundo!
Pobre Fedora, talvez as coisas pudessem ter sido diferentes.
Talvez estivesse viva...
se eu não tivesse ido a Corfu para procurá-la.
Isso foi há duas semanas.
Você é produtor de filmes?
Lembra-se de "Zorba, o Grego"? Trabalhei nele.
-Ah, é? -Fiz um papel pequeno, mas fui bem.
Com certeza.
Trabalha na Paramount ou na 20th Century Fox?
-Não. -Tenho uma suíte de luxo para você, na cobertura!
Escute.
Sou um produtor independente.
Oh, não recebe diárias de viagem.
Nesse caso, tenho um quarto muito bom, com serviço e banheiro.
-Esse está bom. -número 19.
O desjejum é servido toda manhã e está incluído na diária.
-Nunca tomo café. -Lamento, não posso abater da diária.
-Quer ar condicionado? -Por favor.
-Está de férias? -Não, em viagem de negócios.
Este é o banheiro. Há água quente até as 10 da manhã e a partir das 6 da tarde.
Vou consertar isso.
A telefonista fala inglês?
-Oh... Ela fala grego, alemão, italiano... -Mas inglês, não.
No momento, não. Posso ajudá-lo?
Quero falar com... Vila Calypso.
Com a condessa Sobryanski.
Vou tentar.
Vila Calypso. Srta. Balfour falando.
O que deseja?
Meu nome é Detweiler.
Barry Detweiler. Estou viajando pelas ilhas gregas em meu iate...
e parei em Corfu para saudar a minha amiga Fedora.
Sinto muito decepcioná-lo, Sr. Getweiler.
Ou Detweiler, com D, mas isso é impossível.
Ora, vamos! Fedora e eu estivemos juntos nos velhos tempos de Hollywood.
E não venho muito aqui por estas bandas.
Isso é impossível, porque Madame Fedora não está aqui.
Oh... Para falar a verdade, esta não é apenas uma visita social.
Tenho algo muito importante para falar com ela. importante para os dois.
Não está entendendo. Ela não está em Corfu.
Por que não a procura em Paris? Ou talvez em Marbella?
Já o fiz, mas disseram-me que estava aqui, na casa da Condessa Sobryansky.
Pois lhe informaram muito mal.
-Quem é? -Um turista americano.
Está perdendo seu tempo, senhor. Não volte a ligar para cá.
Diga-me, além da Condessa, quem mais vive nessa vila?
Há uma mulher inglesa, secretária ou acompanhante...
e um médico louco com um brinco dourado.
-O Dr. Vando. -Sim.
Vem muito ao nosso bar e sempre bebe uma garrafa de conhaque.
E essa atriz, Fedora? Já a viu por aqui?
Sim, há duas semanas. Na cidade, fazendo compras.
Quando se é velho, gosta-se das jovens, mas essa Fedora...
-A que distância está a vila? -Fica na costa. Precisará de um carro.
-E depois precisará de um barco. -Um barco?
A vila fica em uma pequena ilha, isolada.
Por sorte, meu cunhado tem um barco. Ele pode levá-lo.
Sr. Detweiler!
Pode embarcar.
O sol se levantava por trás das montanhas enchendo-as de raios avermelhados.
Havia blocos de nuvens junto ao topo que logo desapareceriam.
Todos os sons estavam selados pela névoa.
Do leste, chegava o som de um inseto.
Os homens de carruagem forçavam sua vista até que Pavlov...
apontou algo e disse: "Lá está."
O inseto tomou a forma de um helicóptero.
Sobrevoou a ponte duas vezes e logo se inclinou de tal forma...
...que podíamos ver o piloto e o observador nos olhando.
Shilov disse: -Não queremos que aterrisse muito perto da ponte...
temos que nos impor.
Pavlov disse, "Dê-me a pistola".
Abaixou a janela e disparou para o ar.
O projétil explodiu produzindo uma brilhante chama rosada...
que ficou suspensa por um momento, como um segundo sol.
Agora se podia apreciar a profundidade da colina.
Uma escarpa de 700 metros...
até o leito seco de um rio...
cujas águas tinham sido desviadas por causa do Transiberiano.
Ao pôr do sol, a neve da planície adquiria uma tonalidade rosada.
Um turbilhão de fumaça azul saía do trem da estação.
Quem lhe deu permissão para desligar meu aquecedor?
-Se está com frio, que vá para dentro. -Vá você e ponha lá o seu disco.
Ou melhor ainda, não o coloque. É o que há de mais vulgar!
Farei o que tiver vontade.
Parece que se esquece que esta é minha casa!
Ficaria feliz se pudesse sair daqui o quanto antes.
Pare com esse maldito barulho!
Cadela! Cadela!
Como se atreve?
Não seja ridícula. Sabe que a excitação lhe faz mal.
-Se ela fizer isso de novo, vou matá-la! -Não vai, não.
-Gostaria de ver a Madame Fedora. -Não está.
-Não me venha com essa, acabei de vê-la! -Não está.
-É só isso que sabe dizer, "não está"? -Não está.
-Oh, Sr. Detweiler. -Sim?
-Tenho um telegrama para o senhor. -Para mim?
O que mandou ontem para Madame Fedora.
Foi devolvido sem abrir.
Filha de uma cadela! Tem que haver algum jeito.
Ninguém entra nessa maldita vila?
Uma empregada, 3 vezes por semana.
O carteiro, com a correspondência...
E o açougueiro, com a carne para os cães.
Ninguém de fora?
No ano passado, um fotógrafo da "Paris Match" entrou lá.
Disse que era um grande jardineiro!
Precisava ver como os cães o deixaram!
Alguma sugestão? Alguma idéia?
Eu, quando tenho problemas, uso meu amuleto, me dá sorte.
Você realmente acredita nessa bobagem?
Oh, vamos ver se entende...
100 dracmas por peça... O que tem a perder?
Garçom.
Não, não...
Não!
-Teo. -Não demoro nem um minuto, senhora.
Não tenho esse minuto.
-O filme que encomendei já chegou? -Fale baixo! Ok, acabou de chegar.
-Dê-me. -Custa 3.000 dracmas.
-Pagarei na próxima vez. -Disse-me isso na última vez.
Não confia em mim? Vou dar-lhe isto.
Relógio, não! Eu paguei em dinheiro, você tem que pagar em dinheiro!
-Dê-me! -Só quando puder pagar por isso.
Madame Fedora? Olá.
-Sou Barry Detweiler. Lembra-se de mim? -Não.
Vou dar-lhe uma pista. Hollywood, 1947, MGM.
-Eu era assistente de direção. -Como é o seu nome mesmo?
Barry Detweiler, mas me chamavam Dutch, por meu aspecto holandês.
Sim. Você tem dinheiro?
Tenho.
-Pode ser em dólares? -Pode ser.
Tome. 100 dólares.
Coloque aqui.
Vejo você na semana que vem?
-Está tudo bem? -Muito bem.
Fico feliz.
-Disse que já trabalhamos juntos? -Sim, na MGM.
-Mas não existe mais, não é? -Mais ou menos.
Venderam terrenos e leiloaram tudo.
Você se lembra daquela cama dourada em forma de gôndola...
onde se deitava com Robert Taylor?
Venderam-na por 450 dólares.
-Robert Taylor... ele morreu, não é? -Em 69.
E Clark Gable, Tracy e Joan Crawford.
-Claro, os anos pesam sobre todos. -Sobre você, não, Fedora.
-Está igual há 30 anos atrás. -Obrigada.
Não lembra-se da praia em Santa Mônica...
em meu automóvel?
-Já faz tanto tempo... -Truman era o presidente. Éramos jovens.
-Adeus, senhor. -Um momento.
-Vim da Califórnia só para vê-la. -Oh, é mesmo?
Sim, agora sou produtor. Já fiz 12 filmes.
O último, "Morte na China", recebeu três indicações.
Eu não vou mais ao cinema.
Agora estou preparando um novo filme, com um papel escrito para você.
-O quê? -Enviei-lhe o roteiro.
-Não o recebi. -Enviei-lhe três cópias.
Uma para Paris, outra para Marbella e outra para cá.
-Eles me escondem as coisas. -Quem?
Mentem pra mim, vigiam-me o tempo todo.
As pessoas da vila? Pensei que eram seus amigos.
Não tenho amigos.
Tenho que ir.
-Disse-lhe para esperar no carro. -Queria comprar revistas.
Pague-as, por favor.
Querida Fedora...
os anos têm sido mais gentis com você do que comigo.
É por isso não me reconheceu esta tarde.
Permita-me, então, que refresque-lhe a memória.
Foi em 1947.
Estávamos filmando "Leda e o cisne".
Eu era o segundo assistente.
Você ainda não se tinha se dado conta da minha existência...
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