The first 200 lines.
Pegue-me em dez minutos, Ray.
Chefe.
-Bobby? -Chefe.
Um pint e um ovo em conserva.
É pra já.
Se você deseja ser o rei da selva,
não basta agir como um rei.
Você tem que ser o rei.
E não pode haver dúvidas,
porque a dúvida causa caos e nossa própria morte.
Olá, meu amor.
Hoje é noite de namorar.
Às 21h, você e eu, River Café.
Quem está aí?
Ros, quem está aí?
MAGNATAS DO CRIME
Fletcher.
Buenas tardes, Raymundo.
Eu devia te acertar com esse rolo de massa.
Não seja babaca.
Só achei que podíamos tomar uma bebida juntos.
Tenho uma reunião no sábado no seu jornal favorito.
Sendo que o melhor detetive particular desta cidadezinha nebulosa
é este que lhe fala,
eles estão prontos para botar 150 mil no meu bolso para contar uns podres.
Isso é bom para mim. Mas, neste caso...
é ruim para você.
Big Dave,
editor extraordinário,
desenvolveu uma terrível antipatia pelo seu chefe
e sua cambada de amigos lascivos.
Ele quer destruí-lo e a todos os que querem cair nas boas graças dele.
Primeira página. Certeiro!
Vai ter sangue e penas por todo lado, meu querido.
Fala logo, Fletcher. Já estou ficando impaciente.
Nós dois sabemos que seu chefe tem bolsos bem cheios.
E eu gostaria de convidá-lo a dar uma vasculhada neles.
Do que é que você está falando?
Se fizer a gentileza de me dar 20 milhões de libras,
eu te darei tudo.
Cartões de memória, folhas de contato, gravações, tudo.
ROTEIRO ESCRITO POR FLETCHER
E um modesto roteirinho que escrevi sozinho.
Espera aí.
Passamos de 150 mil libras para 20 milhões.
Aumento considerável em 30 segundos.
Mas eu argumentaria que você tem sorte, pois isso não é nada
comparado ao que eu poderia e talvez devesse pedir.
Bom, graças a Deus você não é ganancioso, Fletcher,
seu babaca de merda iludido.
Eu gosto quando você me diz palavrões.
Isso me deixa excitado.
Tome uma bebida comigo. Está deliciosa.
Eu pesquisei. No celular. 1.500 libras?
Não sabia que podia gastar tanto numa garrafa de uísque.
Eu vou te contar uma história para explicar o porquê do meu preço.
Quer jogar um jogo comigo, Ray?
Eu não quero jogar.
-Por favor. -Não.
Eu falei para você jogar comigo, Ray.
Está bem.
Maravilha.
Agora quero que você imagine um personagem.
Um personagem dramático, tipo de um livro, uma peça ou um filme.
Mas não digital, não em um pen drive.
Analógico, processo químico. Mantenha a granulação do filme.
Velha escola, 35 mm.
Estou vendo isto através de uma lente,
e não estou falando da telinha. Não é televisão, Raymond.
Como eu disse, cinema da velha escola.
É o que nós do ramo chamamos de anamórfico. Ou formato de tela 2.35:1.
E quero que se junte a mim na jornada cinematográfica,
porque é cinema, Ray.
É cinema lindo.
Agora ligue a câmera.
Entra nosso protagonista.
Ele é bonito, é deslumbrante,
ele é da era de ouro, é um cara bonito, decente.
O nome dele é Mickey Pearson.
Esse cara tem uma bagagem única.
Americano, bolsa de estudos Rhodes,
então nasceu inteligente, mas pobre.
Um salto e tanto de um parque de trailers nos EUA
para a universidade milenar na velha Inglaterra,
onde ele estuda a arte obscura da horticultura.
Mas ele nunca terminou os estudos porque
ele descobriu sua vocação.
Uma vocação para o mal.
Ele é um mau menino.
Ele começa vendendo maconha
para seus ricos colegas britânicos de classe alta da faculdade,
e se dá conta de que é bom nisso.
Ele é claro e objetivo quanto à sua ambição
e ele transita pelos escalões da nossa complicada cultura.
Ele sabia como tirar vantagem de sua vantagem.
Ele era um animal faminto.
Ele era poderoso e cruel, astuto e rápido,
carismático e inteligente, mas
teve que fazer coisas inapropriadas para chegar aonde chegou,
estabelecer sua posição,
mostrar que seus atributos não eram superficiais.
Com ele era pra valer, certo?
Ele tinha um motor sob o capô
e uma arma em seu coldre.
Assim, ele não é exatamente limpo, nosso Mickey,
teve que batalhar para progredir.
Ele conquistou sua posição, digamos assim.
Isso foi logo no início,
e ele foi em frente com seu espírito pioneiro do Novo Mundo.
Quanto vale hoje? 100, 200, 500 milhões?
Mas agora as coisas começam a se complicar.
Ele chegou a um momento decisivo em sua vida.
A classe média e a meia-idade o afetaram.
Elas corromperam seu apetite pelos horrores.
Ele afrouxou.
Ele queria vender seus bens e sair de cena.
E parece que ele achou o cliente perfeito.
Corte seco, por favor,
para um jantar de gala.
Só algumas palavras para agradecer a Michael Pearson
por sua ilimitada generosidade e tempo.
Agora Mickey está cultivando
uma relação especial
com o erudito, letrado e mente aberta Matthew Berger.
Sim, Raymond, eu sei sobre o caubói bilionário judeu,
outro indivíduo dos EUA criando drama na Inglaterra.
E, por fim, para Matthew Berger, que surpreendeu com sua doação
para a construção de uma unidade de terapia cognitivo-comportamental.
Esses dois se conheceram antes. Sabe-se lá onde.
Na certa, na convenção anual de traficantes de drogas em Las Vegas.
Fizeram alguns pequenos negócios juntos,
mas agora estão prontos para o grande negócio.
Bom, isso foi inesperado, Matthew.
Agora entendo por que está na cabeceira da mesa.
Agiu sem que eu ficasse sabendo, não é, seu malandrinho?
Atraindo a atenção da aristocracia.
Gosto de atrair a atenção sempre que possível.
Você parece entender a importância do traje apropriado.
De fato, entendo.
Acho que um senso de pertencimento é vital em cada aspecto da vida,
sobretudo, talvez, quando se trata do vestuário.
Para cada visual há uma estação e para cada estação, uma estratégia.
Agora começa a dança alfa.
Eles não estão falando de vestimentas.
Ah, não mesmo.
Eles são como um par de cães
cheirando o rabo intelectual um do outro.
É como um bom duelo à moda antiga, Raymond.
Michael, estou ansioso para fazermos negócios juntos.
-Pode nos dar licença? -Pois não.
É melhor darmos boa-noite ao anfitrião.
E aí, o que você acha?
Não tenho certeza.
Ele é uma raposa. E raposas têm uma natureza previsível.
Acredite nesta judia com relação a esse judeu.
Se entrar no galinheiro,
haverá sangue e penas por todo lado.
Recém-chegados de uma caça ao faisão,
esses dois começam a gostar um do outro.
As perspectivas são boas, Ray. Muito boas.
Estou impressionado com o que fez com sua empresa.
Por mais que eu tente, não entendo como faz isso,
e meu negócio é erva.
Como alguém pode cultivar 50 toneladas de super skunk
sem dizer a ninguém como faz isso?
Fico lisonjeado em ouvir isso de você, Matthew.
Imagino que seu cérebro esteja derretendo
na tentativa de entender.
O brilhantismo deve ser reconhecido.
Diga-me os números novamente.
Duzentos milhões brutos por ano, 100 milhões líquidos.
Mas seu pessoal já sabe disso.
Eles analisaram os números por meses.
O mais importante é que vou vender para você por 400 milhões.
Mas você já sabia disso, não? Entre.
Bom, eu não posso ser específico quanto aos ônus e bônus.
Mas aqui tem muito dinheiro em jogo.
Pergunta: quanto valeria ter poder
para conseguir pôr fim numa operação como esta?
Resposta: um homem ganancioso iria querer metade do valor da venda,
mas um homem inteligente saberia que 20 milhões de libras
seria um valor inconfortável o bastante para fazer todos se sentirem confortáveis.
Você é um cara odioso, astucioso e criativo, não, Fletcher,
arquitetando um plano desse?
Na verdade, não fui eu que arquitetei.
Foi o Big Dave.
Ele me incumbiu de obter informações sobre o Mickey, ficar de olho nele,
vasculhar o lixo dele, revelar seus pecados.
Mickey Pearson, o odioso gângster ianque.
Nós vamos enterrá-lo.
Porque parece que ele tem um novo amigo. Lorde Pressfield.
Pergunta: é aquele lorde Pressfield?
Sua Graça, o duque?
Antes ele era o quarto na linha de sucessão ao trono.
Aparentemente, Mickey Pearson caiu nas boas graças daquele esnobe.
É com você, Fletcher. Preciso de um homem com sua criatividade e faro.
Sabe que é meu detetive favorito.
Acho importante se lembrar com quem você está falando, Dave.
Claro que eu me lembro, Fletcher.
Então, cuide para que o cheque não decepcione desta vez.
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