The first 191 lines.
O meu último ano na Universidade Redmond começou.
Enquanto lutávamos para conquistar a honra do momento da formatura,
afundamos de cabeça na Literatura Clássica e perseguimos nossa inimiga Matemática,
às vezes ficando esgotadas de cansaço, a ponto de cair no desespero.
Sim?
Ah, não aguento mais!
Vale mesmo a pena continuar uma coisa dessas?
Do que você tá rindo?
Estava relendo um conto romântico que escrevi no Clube de Contos no passado.
Queria me distrair um pouco, então fui caçar algo no meu porta-malas,
mas praticamente só tinham histórias trágicas e bem chorosas.
São tão divertidas que chega a doer.
Eu também estou no meio de uma depressão e desespero, Anne.
Só que não estou me divertindo nem um pouco com isso.
No fim das contas, qual o sentido de estar vivar?
Já que está se sentindo assim, que tal dar uma lida nisto?
"Meus sepulcros"?
É uma obra-prima!
O Sr. Harrison talvez chamaria
de "uma história de pessoas que não conheço,
que ocorre em lugares que não conheço."
Já a Phil provavelmente diria: "Que insuportável".
Pois todas as pessoas que aparecem na história ou são assassinadas
ou acabam morrendo por causa de uma enorme depressão.
Elas não têm como escapar de, pelo menos, um desses dois.
Viu só? É de fazer qualquer um rir, não?
Tenho certeza de que eu estava afundada no sentimentalismo.
Já que eu não precisava derramar esse monte
de lágrimas, porque estava rodeada de pessoas amáveis.
Agora, eu entendo.
O que é isso aqui?
Ah, é mesmo! Este é um diálogo dramático entre um canário selvagem e o anjo protetor
do belo jardim, cheio de flores de ervilha-doce e flores Shion,
o qual o canário é convidado a visitar.
Eu me lembro do dia em que escrevi isto.
A Marilla tinha me dado uma enorme bronca por subir
no telhado de uma casinha de patos dos Copp, na Estrada Tory.
Ela ficou furiosa.
Eu vou tentar.
Capítulo 23
Aprendi a considerar pequenas barreiras como brincadeiras, e grandes barreiras como premonições de vitórias
Bom trabalho e obrigada.
Três cartas para Stella.
Duas cartas para Prissy.
Obrigada!
Quanto à carta endereçada à dona Jamesina...
está com selo da Índia.
Índia?
Quem será que é?
Deve ser um dos três admiradores dela.
Anne, pra você, só chegou isto.
E este monte grosso aqui são todas as cartas que o Jonas endereçou a mim!
Anne? Aconteceu alguma coisa boa?
É da revista "Amiga da Juventude",
dizendo que o pequeno conto que enviei há duas semanas foi aceito!
Oh! Anne Shirley!
Quando será publicado?! Quanto vai ganhar pelo manuscrito?!
Eles enviaram um cheque de 10 dólares.
A editora-chefe disse que quer ler mais obras escritas por mim!
O que você escreveu?
Era um rascunho velho que se passava originalmente em Avonlea.
Tentei dar uma leve mexida nele,
mas é uma história sem tragédia e sem romance.
Não imaginava que aceitariam!
E o que você pretende fazer com esses 10 dólares?
Ai, amigas, vamos passear na cidade e comemorar juntas!
Você não tem jeito mesmo, Phil.
Ah! E pensar que há uma escritora de verdade aqui, na Casa da Patty!
Isso vem acompanhado de uma grande responsabilidade, ouviu?
Verdade!
Um escritor é como um touro furioso indomável!
Sim, sim!
Há chance da Anne nos usar como modelos para as personagens dela, gente!
Não vou fazer nada do tipo.
O que queria dizer é que ter a habilidade de escrever e publicar
em uma revista vem junto a uma imensa responsabilidade.
Que fantástico!
Sim. Mas, até agora, só aceitaram contos curtos.
Eu tenho certeza de que você recebeu um talento de Deus. Não acha?
Eu não sei se diria isso, mas, bem, pretendo continuar escrevendo.
Pois quero tentar escrever histórias ainda melhores.
Te apoiarei nisso.
Tenho certeza de que você conseguirá se tornar uma excelente escritora.
Obrigada.
Que carinha de bobo apaixonado é essa?
Por sinal, você estará em casa neste sábado, à tarde?
Hã? E-Estarei...
Minha mãe e minhas irmãs irão te visitar.
Quê?
É o quêêê?!
Sinto muito por ser tão repentino...
N-Não há problema. Estou empolgada para conhecê-las...
A mãe do Roy,
não sei se por pura vontade própria ou se devido às circunstâncias,
está considerando a possibilidade de aceitar que você se torne membro da família Gardner.
Certamente dará uma boa olhada em todos os cantos e mínimos detalhes, Anne.
Phil... Não acha que é errado falar assim?
Está tudo bem.
Não penso em causar uma boa impressão a esta altura do campeonato.
Eu só preciso agir como sempre ajo.
Amanhã é sábado, sabia?
O que eu deveria vestir para recepcioná-la?
É a mãe do Roy. Não acha que seria melhor cuidar bem da aparência?
Tem razão...
Stella, organize um pouco melhor essas folhas.
Estão bagunçadas.
Acontece que não dá para evitar!
Se não fizer assim, não consigo escrever uma página sequer do meu relatório!
Seria melhor eu prender meu cabelo um pouco mais alto?
Pronto!
A torta de chocolate está finalizada!
Nossa, parece estar uma delícia!
Anda, Anne! Não fique com essa cara triste aí. Vamos tomar um chá!
Está bem.
Que cheiro gostoso!
Não é?
Oh!
Ai, não! Levei metade do meu dia para preparar!
Buá...
Está tudo bem. Ainda dá pra comer.
Anne, pega um pano lá na cozinha.
Certo.
Stella, pode dar ir lá fora rapidinho?
O chapéu que encomendei já deve ter sido entregue.
Se já chegou, então vai você.
Eu estou em um ponto muito importante aqui.
Poxa.
Tá bom, tá bom.
Bom traba—
A Casa da Patty seria este lugar?
Sim...
Eu me chamo Gardner.
É-É a Sra. Gardner?!
A Srta. Anne Shirley se encontra?
A-Aguarde só um momento, por favor.
E-Emergência! É a Sra. Gardner!
Quê?!
Mas ela não vinha só amanhã?!
A Sra. Gardner?
Não entendi também! Ela só veio e está aí!
Anne, rápido, vá se trocar.
Stella! Limpe essa sua mesa.
Ai, o que a gente faz com a torta?!
Por enquanto, limpa e guarda com esse pano.
Peço mil perdões pela demora!
Eu me chamo Philippa Gordon.
Sou uma amiga de universidade da Anne Shirley...
Roy é sempre um ótimo companheiro para a minha amiga!
Enfim,
a Srta. Anne está em casa?
Sim, claro, só aguarde mais um pouco e—
Olha só, ela chegou!
P-Prazer em conhecê-la, eu me chamo Anne Shirley.
Sejam bem-vindas à Casa da Patty.
Estas são as minhas filhas: Aline e Dorothy.
Prazer em conhecê-la.
Prazer em conhecê-las. Eu me chamo Anne.
E agora? O que eu faço? Tenho que falar alguma coisa...
Er...
Licença...
Que gato mais mal-educado!
Joseph! Rusty!
Srta. Anne.
Sim?
Você gosta de gatos?
Bem, sim...
Gatos não são do meu agrado.
É-É mesmo?
Ah, mas eu amo gatos!
De fato, eles possuem um lado meio egoísta e um espírito livre,
só que cachorros são dóceis e submissos demais.
Eu sinto que gatos são mais próximos dos humanos!
Fique em silêncio.
Ah, ali tem duas peças de cachorros.
Eu poderia dar uma olhada neles?
Claro, fique à vontade.
Qual seria a raça deste cachorro?
E-Eu não sei dizer...
Ei! Parem!
Aline, você está bem?
Argh, é por isso que odeio gatos!
Mas, enfim, Srta. Anne...
S-Sim?
Gostaria de saber como pretende
levar o relacionamento com meu filho no futuro.
Caso você...
— Ah! — Opa?
Agora, peço licença para nos retirarmos.
À vontade. Por favor, tomem cuidado no caminho.
Anne!
O Roy me contou várias coisas sobre você.
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