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- O que estás aqui a fazer? - Eu quero ficar com o relógio dos elefantes.
- Tenho medo do escuro. - Não sejas infantil. Vai para o teu quarto!
Despacha-te.
A Última Loucura de Claire Darling
Peço desculpa...
Diz-me, quem és tu?
Pronto.
Estou pronta.
Parece que viu um fantasma.
Não, mas já passou muito tempo.
Sente-se bem, Madame Darling?
Não, mas foi simpático da sua parte ter perguntado.
Pode fazer-me um favor?
Sim, claro.
Porque não vem ela própria?
Em casa durante anos, ela está a enlouquecer.
VENDA DE RECHEIO É TUDO PARA VENDA
FEIRA DE DIVERSÕES E CIRCO FOGOS DE ARTIFÍCIO À MEIA-NOITE
Adeus, meus queridos.
Uma nova vida vai começar para vocês.
Que seja uma vida feliz.
- Precisa de ajuda? - Não, obrigada, estou bem.
Madame?
Desculpe, temos de ir.
Ir para onde? Ainda temos de limpar o piso térreo.
Sim, mas nós trabalhamos na pedreira.
Se chegarmos tarde, estaremos em apuros. Vamos arranjar problemas.
- Trabalha na pedreira? - Sim, aos fins-de-semana.
Não se preocupe, eu sou a dona da pedreira. Vou só ligar para lá.
Isso não vai ajudar. A pedreira é propriedade de Chineses.
Chineses?
Ah, o quê! O meu marido é o gerente.
Ah, ele fuma! Com a sua idade!
- Também fuma. - Na sua idade...
- Então que idade é que eu tenho? - Não sei...
80?
Não me parece.
Madame, temos mesmo de ir andando. Vai pagar-nos?
Sim, sim, esperem. Vou buscar dinheiro.
Madame Darling...
- Sente-se mal? - Precisa de ajuda?
Sente-se bem, Madame?
Sim, estou bem. Obrigada meu rapaz.
Aqui está o dinheiro para todos vocês.
Em troca, vão ajudar-me a limpar a casa toda.
- Estão comigo? - Sim, claro.
Claro que sim.
É melhor eu ir buscar o meu chapéu.
Mas tu tens o chapéu na cabeça, Mãe.
Meu querido, mas o que estás aqui a fazer?
É aquele fato-macaco outra vez. Não te fica nada bem.
Porque é que está tudo cá fora?
Foste tu, Martin?
São as suas coisas, Madame.
E o meu nome é Lucas. Lucas Mercier.
Sim, desculpe. Desculpe-me, Lucas... Mercier.
Que outros móveis devem ser trazidos? Já não há muito espaço.
Sim, tem razão. Vamos buscar o resto quando tivermos feito uma venda.
- OK. - Vão até ao Café, querem?
Eu depois mando chamar.
- Eu tenho de vos dar dinheiro! - Não, você já nos pagou.
Ah! Pois, é verdade! Você é realmente muito simpático, Amir.
- Obrigado! - Abram o portão todo.
Amir é bom. Melhor que Rashid.
- Cala a boca, Martin! - Quem é o Martin?
Um palhaço que toca guitarra! Viste?
- Um mágico tão bonito. - Eles assustam-me.
- Mas não são caros. - Não, não são caros.
Não? Então vamos lá.
- Obrigado. - Adeus.
Madame Darling?
Não me reconhece?
Eu mentiria se dissesse que sim.
Eu sou a Martina.
Martine Leroy, a amiga da Marie.
- Marie, sim... - Andámos as duas na escola primária.
Sim.
Sim, Leroy, sim...
Oh sim, a pequena Martine!
- Olá, querida, como estás? - Estou bem.
Quanto quer por ele?
- 50 cêntimos. - Está bem. Aqui tem.
Adeus. Muito obrigado.
50 cêntimos? Mas...
O que é que você está a fazer?
Não estás a ver?
- Vai fazer bem ao meu fluxo de caixa. - Mas, uh...
O que é que está a vender exactamente?
Tudo. Estou a vender tudo.
E porque é que está a vender tudo?
Bem, porque, minha querida, porque...
Se quiser mesmo vender tudo,
posso chamar alguém... um perito...
Acabei de comprar dois anjos do século XIX a uma senhora.
Ela disse-me que você lhos vendeu por 20 euros o par.
Não importa, o preço é meramente simbólico.
- As pessoas gostam de uma pechincha. - E também está a vender os seus autómatos...
- E eu, os anjos, quero devolver-lhos. - Devolver-mos?
E o que é que quer que eu faça deles?
- Quer que eu previna a Marie? - Não, de modo nenhum. Só me faltava isso.
- Tens lume? Não encontro o meu isqueiro. - Sim.
- Bom dia, Martine. - Bom dia!
Que bom ver-te! Também vieste dar uma vista de olhos?
Sim.
Quanto é a escrivaninha?
20 Euros.
Uma óptima escolha. O meu bisavô...
comprou-a em 1920 ao Barão Malevray.
Conta-se que ele escondeu aí a mão embalsamada da sua amante.
Cortou-lha por ela o ter enganado.
Apesar disso continuaram a amar-se.
- Mas tem de a levar já? - Eu tenho de vender tudo.
- Bom... - Até hoje à tarde tem de sair tudo.
Caso queira mudar de ideias...
Nem pensar!
Aqui é a biblioteca.
Aqui é a sala de estar e o meu irmão Martin.
Não faças isso.
Então, então...
Não, mãe, não vás te embora!
Está bem, eu faço-te alguma coisa para tu comeres.
Oh, sim, eu estou com fome.
Eu quero comer!
É um relógio mágico, ajuda-te a adormecer.
És a Martine?
Tens bom gosto.
- Já alguma vez viste esta colecção? - Não.
Este aqui foi feito no século XIX
por um grande relojoeiro.
Este comprei isto para o meu pequeno Martin.
É uma maravilha.
Foi feito em 1910.
- Mãe, ele está a irritar-me. - Não, ela é que está a irritar-me.
Marie!
- Não, esse eu não vendo. - Pensei que estivesse a vender tudo.
Tudo... mas esse não. Outras coisas, mas não o relógio.
Como sabe onde é que ele está?
- E o que é que tu tens a ver com isso? - Nada...
- Só queria saber onde está para o pôr a salvo. - É muito querido da tua parte.
Podes ir buscar os rapazes ao Café? Estamos a ficar sem mercadoria.
Não... eu sinto muito. Isto é uma loucura.
Está bem, vou eu mesma.
Octávia!
Maldição! Vem cá!
Mãe?
É provavelmente um aparelho Alemão.
- Alemão? - Eu acho que sim.
Essa é a minha Avó.
Mãe?
Bom dia, minha querida.
Queres ajudar-me?
O que estás a fazer? Porque é que está tudo lá fora?
Nem tudo. Falta metade do salão ...e a sala de jantar...
Não é pouca coisa.
Felizmente os rapazes estão aí a ajudar-me.
O que é que te deu? Precisas de dinheiro?
Escuta minha querida, não me vais impedir de vender o que tenho para vender.
O teu interesse chega demasiado tarde.
Queres um? Fumar é bom para os nervos.
Marie?
Sim, Mãe, sou eu.
Engordaste um bocadinho.
Então, o que o traz cá, de repente?
Estive bem sem ti todos estes anos.
Obrigada!
Como é que estás?
Tudo bem.
Tudo bem? Só isso? Nada?
Diz-me...
...como é que estás. Estás bem? Já sou avó?
Não tens de me responder.
Tenho quase a certeza de que nem sequer estás aqui, minha querida.
Ultimamente, tenho tido a sensação de que estás prestes a desaparecer.
Desaparecer? Mas eu estou aqui.
Também podes estar morta...
Estás morta, minha querida?
O teu irmão esteve aqui hoje de manhã.
Diz-me o que é que se passa.
- Hoje é o meu último dia. - O teu último dia de quê?
Da minha vida, querida.
Da minha vida.
Onde está o teu Pai?
A Pilar também não veio hoje. Olha só...
Todo este pó! Está a ver? É...
Tudo bem, tudo bem.
Porque é que vieste?
- Para me devolveres o meu anel? - O teu anel?
Tu sabes... O anel que me roubaste.
Como é que me vens falar desse anel depois de todo este tempo?
É um anel muito precioso.
É uma herança de família importante, traz boa sorte.
- A minha Mãe recebeu-o da Mãe dela que o recebeu para o casamento. - Eu não o roubei!
- Como eu te disse, ele ficou na secretária do Pai. - Tu nunca me disseste nada.
- Onde está a secretária? - Não grites, consigo ouvir-te muito bem.
Oh, eu ia fazer chá! Podes ajudar-me?
Isto é pesado, tem água.
Não, não faças isso agora. Acalma-te.
Vou fazer o teu chá, está bem?
Eu já volto, está bem?
O que é que estás a fazer?
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