The first 200 lines.
Pronto! Ganhei!
- És a Solteirona. - Parece que sim.
Pobre pai. Uma velha solteira.
Que solidão.
A culpa foi tua, sabias?
Muitos homens queriam casar contigo, mas disseste que não a todos.
É verdade.
Acho que prefiro ser solteira do que esposa.
A sério?
E porquê?
Acho que a solteira é mais independente.
Edward, não a encorajes...
RECEIO TER UM CORPO
Digo que nos implica, torna-nos parte do sistema nojento deles.
Concordo completamente contigo, é nojento.
Mas o que podemos fazer?
Não podemos ter dois países separados com dois sistemas jurídicos distintos.
Claro que não. Por isso, eles devem acordar e torná-lo ilegal.
Estão a falar do quê?
Outro fugitivo. Um ricaço sulista qualquer,
que deve ter uns 200 escravos, perde um e alega que ele está em Amherst.
E se algum de nós vir o pobre coitado
e não o apanhar nem o entregar, apanha uma multa.
Ou é condenado à prisão.
Chamam a isso compromisso?
Não o farei.
Fazes bem. É horrível.
Devíamos ajudar os escravos a fugir.
E não apanhá-los e enviá-los de volta.
Isso está certíssimo.
Não concordas, pai?
Infelizmente, os sulistas organizaram a sua sociedade à volta disso.
Temos de ter algum respeito pelas regras deles.
Era esse o meu argumento.
Que nojo. A sério?
Sempre te achei mais radical, George.
Ouçam, eu tenho família no Sul. Não são más pessoas.
- São apenas... - Idiotas?
- Atrasados? - Antiquados.
O que devo fazer? Deixar de falar com eles?
Não, devias falar com eles.
Diz-lhes que o modo de vida deles é abominável.
Será um bom tema para o jantar de Ação de Graças.
Boa sorte a resolverem isso hoje.
Ouça...
Sr. Dickinson.
Queria falar consigo sobre uma coisa.
- Sim? - Angariação de fundos.
- Que tipo de angariação? - Para a capela nova.
Posso explicar-lhe os pormenores...
... em privado.
Certo. No meu escritório.
George, lembra-te que, esta tarde, temos o Clube de Shakespeare.
Eu sei. Trouxe a minha cópia das obras completas.
E não podemos passar o tempo todo
a discutir que peça ler, como é habitual. - Não sou eu que começo.
Queres ler sempre o Hamlet.
- Quem não quer ler o Hamlet? - Eu.
A Maggie já voltou dos Correios?
Talvez.
E havia alguma carta?
- Maggie? - Maggie?
- Maggie, voltou. - Tiveram saudades minhas?
- Muitas. Havia alguma carta? - Sim, alguma carta para mim?
Não havia cartas para vocês.
A Menina Sue não é grande correspondente.
- Não me escreveu uma única vez. - A mim escreveu.
Duas vezes.
Nada de impressionante.
Repare no monstro de olhos verdes.
- Tens ciúmes? - "Monstro de olhos verdes..."
Ouve!
Já sei que peça devemos ler hoje.
Otelo.
- Porque nunca queres ler o Hamlet? - O Otelo é mais interessante.
"Cuidado, senhor, com o ciúme.
É o monstro de olhos verdes que escarnece da carne de que vive."
Carne! Caramba! Esqueci-me de trazer um pernil.
Não é sobre angariações de fundos?
Não, não é.
É muito mais importante.
Conta lá.
Como já deve ter adivinhado...
... vim pedir a mão da Emily em casamento.
Certo, estou a ver.
Sr. Dickinson,
amo a sua filha.
Ela é a rapariga mais fantástica de New England inteiro.
E nada me faria mais feliz do que tê-la como minha noiva.
E já falaste disso com a Emily?
Bem, mais ou menos.
Quer dizer, ela nunca disse que sim.
No fundo, comunicamos por feromonas.
Mas acho que ela gosta de mim.
E eu sei que seria um ótimo marido para ela.
Vou ser professor.
Teremos uma vida feliz juntos, teremos filhos
e vou sempre protegê-la.
Professor, dizes tu?
- Professor de quê? - De Inglês.
Sou muito dedicado à língua inglesa.
Foste tu que publicaste o poema dela?
Não foste?
Bem...
Queria fazê-la feliz.
Mas, pelo que já vi, só pareces encorajar os impulsos mais loucos dela.
Um pai preocupa-se, entendes?
Bom dia, Maggie.
Henry, já acabaste de varrer as folhas.
Bem, é impossível acabar de varrer as folhas.
- Porquê? - Porque Deus fez demasiadas folhas.
Exatamente.
Então, podes ir ao ferreiro agora
buscar as ferraduras dos cavalos.
O problema é que o ferreiro é na rua principal, no centro da cidade.
É verdade.
Qual é o problema?
Estou a tentar manter-me longe da cidade, durante uns tempos.
Henry, meteste-te em problemas com uma mulher?
Ele não pode ir à cidade por causa do fugitivo.
Não é, Henry?
Receio bem que sim.
Aqueles bandidos são perigosos.
Podem tentar raptar-te, não me admirava.
Mas não és um homem livre? Tens os teus documentos e tudo.
Esta gente não liga aos documentos.
A recompensa é grande. E os documentos podem rasgar-se.
É ridículo. E ainda dizem que nós não respeitamos a lei.
É horrível.
Separam as famílias, tiram as crianças às mães...
Precisas de alguma coisa, aqui em casa?
Posso fazer isso hoje e ir ao ferreiro amanhã.
Eu vou ao ferreiro.
Não, não tem de fazer isso.
Não me custa nada. Fique aqui.
- Volta a horas do Clube de Shakespeare. - "Sai, perseguido por um urso."
- Lamento causar tanto alvoroço. - Não se preocupe.
Aposto que há tarefas a fazer em casa. Há sempre tarefas.
Bem, o piano precisa de ser afinado.
- Mas imagino que não o saibas fazer... - Sei.
Já o afinei antes.
De verdade?
- O Henry é músico. - A sério?
Sim, é um homem de muitos talentos.
Mas podemos dizer que os pianos são... o meu ponto forte.
Essa foi boa.
Meu Deus.
Henry, alguma vez representou?
Não que me lembre.
Esta pode ser a sua grande oportunidade.
Hoje vamos ler Shakespeare. Otelo. Pode ser o protagonista.
Não me parece.
Mas seria tão perfeito.
E adora Shakespeare. Sei que sim.
Menina Emily, acha que o seu pai aprovaria?
Na verdade, o meu pai é muito progressista no que toca a Shakespeare.
Ele até aprova que as mulheres leiam as personagens.
E as peças são muito melhores quando podemos atribuir as personagens
da forma adequada. - Se não se importa,
acho que é melhor não.
O teu correio, Susan.
Obrigada, Sr. Keillor.
Quantas vezes tenho de te dizer?
Trata-me por James.
Recebes muitas cartas.
Então... as crianças estão a dormir?
É uma boa pausa para ti.
Bem, avisa-me se... precisares de alguma coisa.
SUE GILBERT, RESIDÊNCIA DOS KEILLOR BOSTON, MASSACHUSETTS
MENINA SUSAN GILBERT, RESIDÊNCIA DOS KEILLOR, BOSTON, MASS
ABRE-ME COM CUIDADO...
Muito bem. Hoje vamos ler o Otelo.
Pensei que íamos ler O Amansar da Fera.
A sério? O Amansar da Fera?
É a história parva de uma jovem que quer casar,
mas tem de esperar que a irmã case primeiro.
Nem sequer é interessante.
Sim, quem se identificaria com isso?
Não percamos tempo com comédias.
A tragédia, meus amigos.
Devemos confrontar as trevas da vida.
Devemos olhar para o abismo.
Abismo.
O teu pai vai mesmo aprovar isto?
O quê? Porque te lembraste dele?
É que eu já li o Otelo e algumas partes são impróprias.
Shakespeare não tem nada de impróprio.
E o meu pai diz que posso ler as peças que quiser.
Ele questiona outros livros, mas não Shakespeare.
No mínimo, o Austin e eu podíamos ler o guião,
antes, para riscar as coisas que podem ser controversas.
Boa. Assim, estaremos mais atentas a essas partes.
Armado em moralista, George?
Só quero ser responsável.
Nem todos concordam que Shakespeare é próprio para...
Para quem?
Para...
... as raparigas.
George, estás a ser desmancha-prazeres.
Este é o meu Clube de Shakespeare e digo que vamos ler o Otelo.
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