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UM ESPECIAL DE COMÉDIA NETFLIX
Obrigado.
Meu Deus.
Sentem-se.
Muito bem.
Baixem-se. Temos piadas para contar. Vá.
Pronto, vamos lá começar esta merda.
Bill Cosby.
Não sei se recebem as notícias todas aqui em Nashville,
mas talvez eu diga algo desagradável para muitos de vocês.
Afinal, o Bill Cosby é um violador.
Eu sei. Quando eu era miúdo, via-o na televisão
e pensava para comigo:
"Aposto que ele não viola."
Já me enganei antes e voltarei a fazê-lo
porque afinal, a coisa preferida dele é violar.
Ele adora violar as pessoas, porra.
Pensem na vossa coisa preferida.
Talvez gostem de desporto, jardinagem, golfe. Não sei de que merdas gostam.
Pensem nisso. Agora, substituam-no
por violação.
E é isso que o Bill Cosby sente o dia todo, todos os dias.
Fiz este número na Austrália.
Escreveram uma crítica horrível do espetáculo.
E detesto que as pessoas se esqueçam que sou comediante e que estou a brincar.
Tenho de fazer este anúncio público, antes de fazer este número.
Acredito que, em muitos aspetos, violar é errado.
Acredito que, sempre que possível, devemos sempre evitar violar as pessoas.
Se saírem do espetáculo esta noite e pensarem em violar alguém,
o Jim Jefferies diz "não".
Mas o Bill Cosby não me daria ouvidos, pois não? Porra!
Porque ele adora violar.
Apresentaram-se 60 mulheres.
É um número grande, não é?
Na verdade, um pouco grande demais.
O verdadeiro número é 52.
Posso dizer aqui o que quiser, por isso arredondei-o para 60.
Quem se importa, porra?
Mais, na minha opinião, após violarem 20 a pena é a mesma.
Continuem a violar, é o que digo.
Portanto,
apresentaram-se 70 mulheres, certo?
O que aconteceu, suas Whoopi Goldbergs, foi que, quando surgiram as acusações,
disseram: "Não sei se acredito nestas mulheres todas.
Estão a tentar dar cabo do legado dele, ou uma treta dessas."
Porque estas violações aconteceram nos anos 70 e 80.
Disseram: "Porque demoraram tanto estas mulheres a falar?
Boa pergunta.
Acho que é porque,
de acordo com as violações,
elas não foram as piores, pois não?
Ele nunca as prendeu e violou, porra.
Ele drogava-as e estimulava-as com os dedos.
E já tive Natais piores com tios.
O que estou a tentar dizer é isto.
Se algum dia fosse violado,
gostaria de o ser pelo Bill Cosby.
Porque já sou um grande fã dele há tantos anos,
seria maravilhoso conhecê-lo.
De que outra forma o poderia conhecer?
Claro, estamos no mesmo mundo do espetáculo.
Na comédia.
Portanto, drogava as bebidas e as raparigas perdiam os sentidos.
Desconheço a situação difícil da mulher atraente.
Desconheço o inferno por que passam, diariamente.
Mas sei isto.
Se alguém drogasse a minha bebida, considerá-lo-ia um elogio.
Eu estaria no bar a dizer:
"Estou a ficar ensonado. Quem gosta de mim? Quem é?"
Então, ele droga a bebida e passam cerca de quatro horas desmaiadas.
Depois, acordam e dizem: "O que raio aconteceu?"
E a primeira coisa que veriam seria a cara hilariante dele.
Ele teria um par de dedos enfiados em vocês.
E diria:
"Com os dedos, as drogas, a violação e a palpação."
Digam-me se a vossa primeira reação não seria rir.
Estariam a ir para casa antes de a palpação vos chatear.
Estariam no vosso carro a dizer: "Bill Cosby! Foi mesmo de outro mundo!
Não, ele não devia ter enfiado os dedos em mim. Isso foi errado."
Ora bem,
fiz esse número de comédia. Eu estava a brincar, agora mesmo.
Fi-lo na Austrália
e eles escreveram um artigo muito mau sobre mim, com o título:
"Não Se Pode Brincar Com Violação."
Afinal, podemos.
Acabei de o fazer, porra.
E acho que podemos todos concordar que o fiz na perfeição.
Podemos brincar com tudo.
Uma piada não significa intenção, nem que já o fizemos.
Essa senhora escreveu um artigo sobre mim
e incluiu nele uma transcrição do número,
escreveu tudo o que eu disse.
Odeio isso. E vou dizer-vos porquê. Porque toda a minha aptidão na vida
é ser capaz de dizer coisas horríveis e ainda parecer simpático.
Tirem todo o... disso.
Se lerem o meu material,
é uma má leitura.
Se lerem apenas: "de acordo com as violações, elas não..."
"Meu Deus!"
Depois, ela começou a escrever e a dizer coisas do género:
"É opinião do Jim Jefferies
que as mulheres deviam ficar felizes quando são drogadas."
Foi uma piada que contei e não a minha opinião.
Não é algo que penso, mas que acho divertido.
Há uma grande diferença, caraças,
entre aquilo que penso e aquilo que acho divertido dizer.
A minha opinião real é esta.
Não quero ser violado pelo Bill Cosby.
Acho que ele é um homem horrível, porra, e devia ser preso.
É essa a minha opinião real.
Mas se eu aparecesse e dissesse isso, vocês diriam: "O Jim perdeu o jeito."
Algumas pessoas começaram a protestar em frente ao espetáculo.
Elas deixaram de vir, embora os espetáculos tivessem esgotado,
porque eu era considerado um violador.
Pois, está bem.
Sabem contra quem nunca protestaram devido ao material dos espetáculos?
O Bill Cosby!
Há que lhe dar valor.
Que homem digno.
Ele nunca disse palavrões. Nunca desceu...
...ao meu nível.
Que tipo com classe.
Era por isso que as pessoas iam ver o Bill Cosby,
porque queriam ver um comediante bom, decente e íntegro,
que viola...
...em vez de uma pessoa como eu, que só vai dizer coisas horríveis
e viola muito ocasionalmente.
Também tive reações adversas ao último especial, BARE. Também está no Netflix.
Nesse especial, contei muitas piadas misóginas.
Não me vou esconder atrás disso.
Eu disse muitas coisas misóginas em BARE. Recebi muitas cartas de reclamação.
Acho isso estranho, porque BARE era o meu quinto especial
e acho que fui misógino em todos os meus especiais,
e não recebi nenhuma carta de reclamação até agora.
Isso prova que, com as mulheres,
temos de repetir o que dizemos até elas nos ouvirem, porra.
Defenderei uma piada misógina como defendi a de violação
ou outra qualquer.
É... Estou a gozar.
Isto é um espetáculo. Sou um artista.
Isto não é uma TED Talk .
Não devem levar nada disto a sério, porra.
A única altura em que o correio hostil me incomoda...
...é quando se dirige à minha namorada ou lhe escrevem diretamente,
à mãe do meu filho.
Escrevem-lhe no Twitter ou assim.
Dizem coisas do género:
"Não tem dignidade, por andar com o Jim Jefferies."
E eu odeio isso.
Porque ela sabe isso.
Não precisa que vocês a incomodem. Tem tarefas a fazer.
Ora bem...
Engravidei a minha namorada seis semanas depois de a conhecer.
Acho que... Pois é, isso não é bom, seis semanas.
Acho que se quer casar
e penso isso porque ela o diz muito.
Eu não me quero casar.
Todos na minha vida me pressionam para que me case.
Odeio quando a minha mãe me liga e diz: "Porque não te casas com ela?
Já tens um filho com ela." E eu digo: "Sim, tenho um filho.
Um compromisso de 18 anos.
E assinei-o como um péssimo contrato de telemóvel."
Sou um pai excelente.
Faltam-me 15 anos, e depois ponho-me na alheta.
Mas o casamento é até à morte.
É um contrato de merda.
Há cem anos, a esperança de vida de um americano era de 52 anos.
Agora é de 83 anos.
Que se foda!
Tenho uma vida para viver!
Se eu fosse morrer aos 52 anos, claro, tenhamos companhia.
Na Idade Média, tinha-me casado. Metade das mulheres morria durante o parto.
Eu teria apostado nisso.
Mas ela faz exercício todos os dias, e come couve só para me irritar.
Em seis semanas, ela engravidou. Sinto que deixei escapar alguma coisa.
Seis semanas é muito rápido para engravidar.
Deixei escapar a nova namorada, a melhor altura da vida.
Os primeiros três meses do novo namorado ou namorada,
da nova relação, em que a pessoa é perfeita como o raio.
E dizemos: "Meu Deus. Adoro esta pessoa."
Após um mês, dizemos: "Esta..."
Bebemos uma cerveja com ela:
"Ela bebe cerveja. Queres ver A Guerra das Estrelas?"
Ela diz: "Quero." E dizemos: "Que porra!"
Ela dá-se bem com os nossos amigos.
A nossa mãe diz: "Ela é a tal." Dizemos: "Também acho que é."
Porque as mulheres conseguem controlar a maluquice durante três meses.
Durante três meses, conseguem andar por aí como um membro ativo da sociedade.
Aparecem nas nossas festas do trabalho e não choram.
Três meses e um dia depois, saímos do duche
e está debruçada sobre o nosso telemóvel, como o Gollum.
Então, passei da nova namorada, a melhor sensação do mundo,
para sair com uma tipa grávida.
Ora, nunca ninguém disse nem gravou nada como isto.
Nunca ninguém o disse num fórum público.
Mas as grávidas são as piores pessoas do mundo.
Por algum motivo,
a sociedade tem-nos dito que elas têm algum tipo de brilho, ou uma merda assim.
As grávidas são um bando de cabras.
Choram quando estão felizes e quando estão tristes.
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