The first 200 lines.
Obrigado, amor.
Bem, bem, bem.
Sou o Jeff Goldblum.
Sou ator.
Toco um pouco de "jazz".
Um gato curioso, é verdade.
E estou sempre à procura do inesperado.
Acredito que, ao explorarmos algo normal, por vezes...
... podemos descobrir algo extraordinário.
TÉNIS
Ténis.
Maravilhosos ténis.
Estou aqui, à frente do que, para um leigo, decerto,
parece uma grande parede de calçado colorido.
Todos os sapatos nesta parede valem cerca...
... de um milhão de dólares.
A indústria dos ténis tornou-se um negócio de milhares de milhões, em três décadas.
Têm as cores do arco-íris...
São globalmente populares, nos campos de jogos, salas de reunião...
Parte é um jogo mental.
Mesmo não sendo dançarino ou atleta, sentimo-nos um.
Os ténis começaram por ser uma simples proteção para os nossos...
... queridos pés.
Hoje, foram transformados em algo muito mais...
... curioso.
O MUNDO SEGUNDO JEFF GOLDBLUM
Vejam só. Uma foto de... mim em pequeno.
Nesta altura, usava apenas um par de sapatos para brincar.
- Olá, miúdos. - Cá está. Keds.
Vamos cantar a música da Keds.
Só havia pretos ou brancos. E custavam uns cinco dólares.
SAPATOS COM MUITA GARRA
Com eles, fiz a minha primeira aula de dança.
E, várias décadas depois,
e, para mim, bastantes filmes depois...
... esse sapato...
... tornou-se um animal muito diferente.
A Sneaker Con.
Não sei se conseguem ver ao fundo, mas são filas.
Deve haver uns milhares de pessoas aqui a querer comprar ténis.
Desejem-me sorte. Vou precisar. Vou lá.
Estamos no Centro de Convenções de Huntington,
e Ellen Burstyn, com uma congregação internacional,
desceu a este sítio,
para prestar culto no altar do Sr. Ténis.
MAIOR EVENTO DE TÉNIS DO MUNDO
- Quantos anos tens? Treze. - Treze.
- Quanto já pagaste por uns ténis? - 1800 dólares.
Esperem lá.
Só pode estar a brincar. Estes ténis valem
- 12 a 15 mil dólares? - Sim. São de coleção.
Esperem lá.
Vejam o quanto as pessoas pagam.
Bem, deram-me um contacto
nesta berrante, mas fascinante, terra estrangeira.
Um Sr. Jaysse Lopez,
que, entre os fanáticos por ténis, é uma autêntica lenda viva.
Nunca vim a uma Sneaker Con...
MAGNATA DE TÉNIS
É um evento fantástico, porque há todo o tipo de gente
empolgada com a cultura, certo?
E, num espaço de seis a sete horas,
são trocados milhões de dólares.
- Milhões? - Sim.
Porque se tornaram assim tão valiosos?
- Porque pagam tanto? - Pensa em cartões de basebol.
Nesse caso, os colecionadores
ficam consumidos pela procura, certo? - Sim.
E é só um bocado de papel.
E, só porque tem uma imagem ou jogador diferente,
de repente, vale mais
do que outro. - Estou a ver.
- É o mesmo conceito. - Já percebi.
Já alguém tentou enganar alguém? Trazem ténis falsos?
Sim. Tem a ver com o peso, o cheiro, as texturas, a caixa.
- É este o cheiro. - É?
- Deixa-me memorizá-lo. - É quase como cheirar vinho.
- É bom. Sente-se... - Mas num sapato.
Sente-se uma nota a chocolate e cabedal, cabedal fino, gosto.
Este negócio está a fazer-se, agora?
34 000 dólares.
- 34 000 dólares. - Quê?
É o valor disto tudo? 34 000 dólares?
- Correto. - Estás a pedir pela mesa toda?
34 000 dólares.
Ou seja, uns 309 dólares por par, certo?
- 309 dólares por par? - Correto. 309 dólares.
- Compro por 32 800. - E se for 33 000?
Podia ser. Aceitas transferência?
É na boa ser por transferência? Podia...
- Isso mata tudo. - Não posso transferir?
Preferia dinheiro.
Podes dar-me um segundo, sem a câmara? Só um segundo?
Oh, meu Deus.
Fredo, tenho dois milhões de dólares naquela pasta.
Vou fazer uma sesta, e, quando voltar,
se não estiver na mesa... sabemos que não houve negócio.
Se estiver, saberei que sim.
Não é pessoal, são negócios. Lembra-te disso, Michael.
Não é pessoal, são negócios.
Estou a ouvi-los. Não olhem. Não tentem ouvir. É muito empolgante.
Está a passar-se alguma coisa.
Vou voltar, está bem? Vou ver se consigo ajudar.
- Fixe. Feito. - OK.
- Feito? - Sim.
- Encontrámos... - Apertaram as mãos.
- Encontrámos uma solução. - Isso, meu.
- Sneaker... - Primeiro negócio.
- "Sneaker Con" aos três. - Um, dois, três!
Sneaker Con.
Quando aprendemos as regras da Sneaker Con, de repente, vemos...
... que todos conhecem o jogo.
Tornaram-se um objeto de culto.
E a questão é: "Como chegámos aqui? Como aconteceu?"
Acontece que é uma história e tanto,
com algumas ligações bastante curiosas.
Tudo começou há uns 60 milhões de anos,
quando as árvores se tornaram a refeição preferida
de enormes bichos rastejantes e horripilantes.
Para se defenderem, as árvores criaram uma substância pegajosa e venenosa...
... basicamente borracha,
que era flexível e à prova de água.
Mas tinha uma particularidade... derretia-se ao sol.
E, uns milhões de anos depois, houve um tipo chamado Charles Goodyear,
que, por acaso, a deixou cair no fogão e a viu transformar-se...
... num material elástico, tipo cabedal,
e essa chamada "borracha vulcanizada" mudou o nosso mundo moderno,
dando origem a tudo, desde pneus, a mangueiras, bolas saltitonas e, claro...
... aos maravilhosos ténis.
E, hoje, os ténis estão num fértil período evolutivo.
SEDE DE INVESTIGAÇÃO ULTRASSECRETA
Salve Darwin!
Estamos em Portland, no Oregon, na sede da Adidas.
"Adidas", que pode ser dita de várias formas.
Olá. Vejam quem está escondido atrás dos fetos.
Olá. Como estás? Paul Francis.
CHEFE DE CIÊNCIA DO DESPORTO
Paul Francis. Deviam sentir este aperto.
- Muito bem. - Vamos lá.
- Tens é de esquecer tudo antes de saíres. - A sério?
Está bem.
Cá vamos.
Não esperava isto.
- Esta é a Elise. Elise, o Jeff. - Prazer.
É um prazer, Elise.
Vamos extrair informação da Elise,
que partilharemos com os designers e os engenheiros,
para criarmos o próximo produto.
- Isto é a Elise a correr. - É... a Elise?
Não fazia ideia de que a íamos ver sem quaisquer músculos ou carne.
- É só o esqueleto. - Só o esqueleto.
Mal a reconheço.
O que me interessa mais
é como a pisada influenciará o resto do corpo.
Que vês? Algo interessante?
Sim. Ela está a rodar mais para a esquerda.
E vemos a inclinação diferente na espinha lombar ali.
Tudo o que mudarmos ao nível do calçado
terá consequências mais em cima.
O Paul Francis e os investigadores criam sapatos especiais para atletas de elite.
E, agora, olhem para mim. Quem é o sortudo?
Ainda te fazemos correr na plataforma.
Está bem.
- Prontos? - Tom, estamos prontos?
Muito bem. Plataforma de força.
Foi quase, não?
Quase, tem de ser mais à frente...
Pensava que tinha acertado no meio.
É a primeira vez que falho.
Tenta correr, sem baloiçar.
Chamas àquilo "baloiçar"?
Um pouco.
Pois! Boa. Este correu bem.
Correu bastante bem, mas continuas a baloiçar demais.
Vamos tentar, sem baloiçar.
Não sei o que queres dizer com isso. Que queres dizer?
- Com um passo mais natural. - Sou completamente natural.
- Completamente natural. - Vamos lá.
- Sou eu. Macacos me mordam. - Sim.
É dinâmico.
- E agora, fotograma a fotograma. - Vamos lá.
- Lá vais tu. - OK.
Quando baloiças, apoias o centro do pé.
Há quem apoie o calcanhar primeiro.
- Sim. - E há quem...
... como tu, apoie o centro.
Como ajustaríamos o ténis?
Como apoio o pé mesmo no meio. Queremos algo diferente do ténis?
Pois. Parece que teríamos de colocar
mais apoio no centro para ti.
Mas, normalmente, não vemos o outro pé neste ponto da passada.
Só vemos isto em quem baloiça.
Acho que nunca vi isto num ecrã.
- Mesmo? - Sim.
Espera lá.
Analisámos e, agora,
o meu novo arqui-inimigo Paul Francis tem algo...
PESQUISA DE PERCEÇÃO
... a mostrar aqui ao Grande Baloiçador.
Uma engenhoca que o ajuda a desenhar sapatos, creio.
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