The first 200 lines.
Taryn Brumfitt, de 35 anos, está a agitar a Internet
com a sua série de fotografias pós-parto.
Aprendeu a amar o corpo
e está empenhada em ajudar outras a fazerem-no.
Ela suporta tudo para encorajar as mulheres a gostarem do seu corpo.
Taryn publicou as fotografias como parte da campanha
para enfrentar as imagens negativas do corpo.
Ela diz que depois do nascimento do terceiro filho,
ficou obcecada com a ideia de voltar a ter o corpo que tinha antes da gravidez.
Era um domingo vulgar,
eu estava com algumas amigas
e estávamos a falar do nosso corpo.
E elas diziam que se debatiam
com o corpo em mudança, com o envelhecimento físico.
MOV. IMAGEM CORPORAL
Quando ia para casa, pensei: "O que posso fazer para as ajudar?"
Assim, mais tarde, nessa noite,
publiquei uma fotografia do antes e do depois no Facebook.
ANTES DEPOIS
As fotografias tradicionais do antes e do depois têm uma mulher antes.
Ela é mais pesada no antes, não está muito feliz
e depois perde peso e aparece milagrosamente feliz.
Portanto, eu troquei o meu antes e depois.
Sê leal para com o teu corpo, ama o teu corpo, é o único que tens.
Soube logo que publiquei que teria reações
porque os computadores e os telefones lá de casa
não paravam de dar sinal.
Que raio?
O meu marido, Matt, estava na sala de estar
e gritou: "Que se passa?"
E eu: "Nada. Não se passa nada."
965 "GOSTO".
Sim, a seguir, a Taryn gritou: "Está a tornar-se viral!"
E eu: "O que queres dizer com isso?"
Corri para o escritório, vi a fotografia
e indaguei: "O que fizeste com ela?"
Ela disse: "Publiquei no Facebook e tornou-se viral."
Eu: "Que queres dizer com está no Facebook e tornou-se viral?"
Milhares de pessoas
puseram "gosto", partilharam e comentaram.
E eu: "Estás a falar a sério? Publicaste..."
É que, essencialmente, era a Taryn em pelo.
Em pelo com bom gosto, mas nua na mesma.
A fotografia do antes e do depois espalhou-se por todo o lado.
Foi título de jornais em Paris,
em Londres, no Líbano, no Canadá,
nos Estados Unidos, na Coreia... em todo o lado.
As pessoas ficaram sideradas ao pensar
que uma mulher pudesse gostar do corpo depois.
ESTAMOS PRONTOS PARA O REAL?
Quer dizer, para mim, viver uma vida normal com os meus três filhos,
trabalhar como fotógrafa
e ter uma equipa de filmagens russa a passar dois dias comigo?
Bom, é esquisito.
Olá. Chamo-me Taryn Brumfitt.
Para o mundo exterior, parecia que estava num turbilhão de média.
Ficou chocada com a reação que obteve
quando publicou aquele antes e depois?
Fiquei!
Mas o que ninguém viu foi o que estava a acontecer à porta fechada
e que era eu estar a ver e-mails até às duas ou três da manhã,
a tentar ler milhares de e-mails
que recebia de mulheres e de homens também.
E as histórias deles eram,
credo, as histórias eram desoladoras.
"Tenho uma filha de quatro anos e nunca nadei com ela
porque não quero usar fato de banho."
"Não tenho intimidade com o meu marido há três anos
porque acho que sou repugnante.
Ele diz que me ama,
mas não consigo estar nua diante dele."
"Fui vítima de abuso sexual quando era criança e nunca contei a ninguém.
Comi como forma de aliviar a dor, mas agora estou gorda.
E ninguém sabe a minha história, toda a gente me julga
como se eu fosse uma porca preguiçosa e não sou.
Estou só a tentar sobreviver."
Muitas pessoas perguntam-me:
"Como aprendeu a gostar do seu corpo e o que fez?"
E acho que, para mim, não foi assim.
Nem sempre gostei do meu corpo.
Cresci como a maioria das mulheres,
a fazer dieta, a perder peso, a engordar,
a pensar: "Quem me dera não ter celulite",
ou "quem dera ser mais pequena aqui", fosse o que fosse,
mas sempre tive uma imagem corporal razoavelmente saudável.
Mas depois de ter tido o primeiro filho, tudo mudou para mim.
Estar grávida foi do melhor que há.
Adorei fazer crescer um bebé, adorei tudo.
- Vinte para as três. - É rapaz.
Adorável! Ele...
Lembro-me de tomar um duche umas horas depois
e a barriga que tinha aprendido a amar durante aquele tempo...
Olhei para baixo. E pensei: "O que é que aconteceu aqui?"
Era uma massa informe horrível.
CORRA - NÃO FUJA DE "A BOLHA"
ASSUSTA COME-NOS VIVOS!
Pois, inicialmente, quando vi,
pensei: "Taryn, acabas de dar à luz.
Não te preocupes com isso por agora, vai melhorar."
Esperei que melhorasse,
mas lembro-me de que, por volta do mês e meio do Oliver,
pensei: "Pronto, está na altura de recuperar o corpo."
Pois, saltei para o campo e joguei arduamente,
e em dada altura fiz uma interceção
e senti uma coisa quente a escorrer-me pelas pernas.
Disse: "Meu Deus", e fiz chichi pelas pernas abaixo.
Foi devastador.
Nos três anos seguintes,
tive mais dois belos e saudáveis filhos,
mas no que se refere ao meu corpo, as coisas iam de mal a pior.
Tinha mamilos do tamanho de pratos,
em momentos íntimos, saía leite dos meus seios
e houve uma altura em que evacuei diante do Matt
porque o meu pavimento pélvico estava fechado.
Acabei por odiar o meu corpo.
Parecia que tinha o corpo estragado.
Fazer uma operação era uma escolha óbvia como solução rápida
e marcámos a cirurgia, e tudo o que eu tinha passado,
o ódio, a repugnância pelo meu corpo,
ia ser reparado. Era tão empolgante.
E depois, estava a ver Mikayla a brincar
e tive um momento:
"Como é que vou fazer a operação?"
Que mensagem transmite isso à Mikayla?
O que fará isso por ela?
- Mikayla! Olá. Olha o passarinho! - Olha o passarinho!
E queria que ela aceitasse e gostasse do corpo dela como era
e fiquei destroçada, enquanto mãe, ao pensar
que a minha opção de mudar o corpo
podia fazer com que a Mikayla quisesse também mudar o dela.
Olhei para ela e pensei:
"És perfeita, tenhas o aspeto que tiveres."
Por isso, não consegui fazer a operação. Não era capaz.
Queria fazer a escolha por ela,
mas continuava a ter um corpo que detestava.
Desde esse momento, bati no fundo.
Estou presa a este corpo horrendo até ao fim da minha vida.
Tinha uma amiga que era personal trainer
e disse-lhe um dia:
"Não consigo tirar isto da cabeça.
Qual é a sensação de ter um corpo perfeito?
Mudar-me-ia? Far-me-ia feliz?"
E ela disse: "Porque não treinas e entras num concurso de bodybuilding?
Eu: "Estás a brincar comigo?"
E quando dei por mim, estava todos os dias no ginásio às 5h00 da manhã,
a treinar sem parar.
E mudei completamente a minha dieta e a forma como vivia.
Houve muito sacrifício pessoal,
mas o Matt e os miúdos também se sacrificaram muito.
Durante 15 longas semanas, tive cuidado com o que comia e treinei arduamente
e sabem que mais? Consegui.
... para Taryn Brumfitt.
Ali no palco, esperava sentir que tinha chegado
ao patamar onde tinha querido estar toda a vida.
Tinha um corpo perfeito para biquíni.
É o que muitas mulheres pensam e o que as motiva.
E nesse momento, só me ocorria:
"Para ter o que tenho agora,
foram precisos demasiados sacrifícios, demasiado tempo,
demasiada energia, obsessão e não vale a pena."
Senhoras e senhores...
Lembro-me de estar nos bastidores a ouvir as conversas
das outras mulheres.
"Quem me dera ter mais isto." "Quem me dera ter menos aquilo."
"Esta parte não é ótima." Foi um choque.
Pensei: "Credo, vocês também pensam isto."
... Clássico de Adelaide.
Ali estava eu, no meu momento de glória,
com o corpo perfeito e não estava feliz.
E algumas mulheres à volta também não estavam felizes.
E isso fez-me refletir.
"Como raio vão as outras pessoas estar felizes com o seu corpo?"
Senhoras e senhores...
Foi uma grande revelação para mim e um ponto de viragem na minha vida.
Portanto, no dia seguinte, levantei-me e retomei a minha vida,
mas com o clique da mudança na cabeça, que era:
"Este meu corpo não é um ornamento.
É um veículo, por isso, tenho de o abastecer bem
e quero mexê-lo e estar saudável,
mas quero fazê-lo à minha maneira."
Portanto, correr colina acima e chegar ao topo era bom
por causa das endorfinas e de ser ótimo estar junto da natureza,
e não tanto devido ao número de calorias que queimei
e a comida tornou-se outra vez um prazer.
Eu adoro comida e adoro boa comida.
Foi realmente um alívio. Foi realmente libertador.
De facto, a melhor época da minha vida foi depois do concurso,
ser apenas eu, mover-me, ser feliz e estar equilibrada.
ESTA MULHER QUER MUDAR A FORMA COMO VEMOS O NOSSO CORPO
Nesta fase, a fotografia antes e depois
fora vista por mais de cem milhões de pessoas.
ISTO É BOM PARA TODOS
A resposta foi avassaladora
e tornou-se claro para mim que este assunto era muito mais importante
do que eu tinha imaginado.
ODEIO O MEU CORPO
Pode descrever-me o seu corpo em algumas palavras?
Não é perfeito.
Flácido?
Atarracado.
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