The first 200 lines.
DOUTOR SONO
Aonde você vai, Violet?
Só colher umas flores.
Não vá muito longe.
FLÓRIDA
Minha rosa silvestre irlandesa
A flor de mais doce beleza
Você pode procurar em qualquer lugar
Mas nenhuma se pode comparar
Com minha rosa silvestre irlandesa
Olá.
Onde você encontrou essas?
Conheço todos os lugares secretos.
Você quer uma?
Quer saber por que uso este chapéu engraçado.
Eu sempre uso este chapéu.
Tanto que faz parte do meu nome agora.
Meus amigos,
meus melhores amigos me chamam de Rose, a Cartola.
Parece uma cartola de mágico.
Ela é.
É uma cartola mágica.
Você quer ver?
Nada nas minhas mangas.
Nada na minha cartola.
Relaxe, é meu amigo.
Está perdendo a mágica.
Ponha a mão dentro.
Uau!
É tão linda.
Porque é especial.
E falando em especial,
você também é um pouco mágica, não?
A flor na minha mão, de que cor é?
Tudo bem, querida.
Não vou me assustar. Eu prometo.
Roxa.
Violeta...
como você.
A gente não come flores.
A gente come, sim.
Mas estas são especiais.
Querida, as especiais é que são as mais saborosas.
Minha mãe está me esperando.
Não, fique. Fique um pouco. Veja mais mágicas.
Você é uma coisinha especial, não é mesmo?
Violet?
Violet!
Violet!
Vi...
CAPÍTULO UM VELHOS FANTASMAS
Por favor.
Ei. Está tudo bem, velhinho.
Está tudo bem.
Pronto.
Está sequinho.
O que aconteceu?
Você tem que falar comigo, Danny.
Você não fala desde que partimos...
Por favor, velhinho.
Por favor.
Então...
você não vai falar, hein, velhinho?
Você também não falava muito quando nos conhecemos.
Um garotinho...
obrigado a passar o inverno naquele velho hotel deteriorado.
Só ele, a mãe e o pai dele.
Um pai tão sombrio quanto o garoto é inteligente.
E, nossa, como ele é inteligente.
Um garoto iluminado como o fogo
em um lugar...
o pior lugar para alguém que possui iluminação.
Lembra-se da primeira vez que conversamos de verdade?
Quando eu falei dentro da sua cabeça?
Fez você se sentir bem, não é?
Saber que não estava sozinho.
Meu pai tentou me matar.
Não foi exclusivamente ele, você deve saber.
Aquele lugar alimentou o lado sombrio dele, assim como alimentou a sua luz.
E havia um pouco de luz nele também.
Assim como você tem um pouco desse lado sombrio.
Todos nós temos as duas coisas.
Para mim não acabou.
Você achou estranho como eu apareci daquela vez?
Quando você precisou de mim.
Alguém fez isso por mim também.
Minha avó me ensinou,
e eu ensinei a você.
um dia, Danny Torrance, você vai ensinar a alguém.
Não vou.
Ah, não vai?
Digo, usar a iluminação.
Não mais. É perigoso.
Creio que às vezes é.
Ela me encontrou.
Ela vai ficar voltando até me pegar.
Você tem razão.
O Overlook está condenado. Fechado com tábuas.
São velhos fantasmas famintos e estão tentando te alcançar.
E nem vão parar com ela.
Imagens de um livro.
Você disse que eram imagens de um livro e não podiam me fazer mal.
Para algumas coisas,
coisas sombrias, a iluminação é como comida.
São mosquitos em busca de sangue.
O Overlook
sempre foi apenas imagens para mim.
Mas eu não era tão iluminado quanto você é.
Ninguém é tão iluminado quanto você.
Então você, naquele maldito hotel, era como uma bateria de um milhão de watts
conectada.
E ele a comeu.
Você o tornou real.
Começou assim que você entrou por aquela porta.
Não dá para fazer nada, eu lamento dizer,
mas você não é criança.
Está mais velho agora.
Bem mais velho, num certo sentido.
Preste bem atenção.
O mundo é um lugar faminto.
As coisas mais sombrias são as mais famintas e comem o que for iluminado.
Como um enxame de mosquitos ou sanguessugas.
Não se pode fazer nada quanto a isso.
O que você pode fazer...
é colocar contra eles aquilo pelo que eles vieram.
Meu avô...
era um filho da puta malvado.
Mente perturbada.
Mesmo tipo de perturbação do seu pai.
Ele me batia violentamente e na minha avó também.
E quando ele morreu, eu dancei.
Mas ele continuou voltando.
Aparecendo no meu quarto.
De terno cinza e com fedor do mofo que ia se formando nele dentro daquele caixão.
Um dia, ele me agarrou, e ele era real.
As unhas dele eram compridas, haviam crescido no túmulo,
e elas me cortaram, velhinho.
Profundamente.
Então minha avó...
ela me ensinou um truque.
Ela me deu um presente.
E quero que você conheça esta caixa...
completamente.
Não olhe somente. Toque nela.
Enfie seu nariz dentro e veja se tem cheiro.
Conheça cada canto,
cada uma das coisas.
Por quê?
Porque você vai construir uma igualzinha na sua cabeça.
Uma até mais especial.
Da próxima vez que aquela bruxa aparecer,
você estará preparado.
Vou levar você até sua mãe.
Wendy deve estar preocupada,
e ela não deveria ter que se preocupar nem mais um dia de sua vida.
Aquela mulher pagou a dívida dela.
Danny!
Danny!
Danny!
Aí está você.
Aonde você foi?
Que susto você me deu!
Não faça isso comigo. Entendeu?
Nunca faça isso comigo.
Nunca faça isso comigo.
CRIANÇA DESAPARECIDA VIOLET HANSEN
Ei, o que que há, velhinho?
Qual é a piada?
O que vai cozinhar?
O que vou cozinhar, amiguinho? Ora, cozinhar você.
Eu?
Claro.
Ai! Você está me matando!
Ai!
Agonia!
Deixe-me ver agora.
É óbvio que este não é um coelho comum.
Portanto, preciso criar uma estratégia magistral, brilhante, engenhosa...
Tudo bem, velhinho?
E se eu o atraísse para...
-Tudo, mãe. -...uma britadeira?
Não, não, complicado demais.
É, complicado demais. Mas e se eu...
Detalhes demais.
É mesmo. Detalhes demais.
-Qual é mesmo seu nome, fofo? -Dan.
Dan.
NOVA JERSEY
Eu estava bebendo com a moça, tá legal?
Você vai tomar seu remédio.
Solte-o.
Levante-se. Saia daqui.
Nossa, acho que você o matou.
E se você o matou?
Espero que tenha matado.
Você me ouviu?
Vou beijar pra sarar.
Não.
Não.
Não.
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