Stutz

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Stutz 2022 1080p WEBRip x264-RARBG
A Commentary by LegendasPTPT

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Published on: 2022-11-14
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The first 200 lines.

- Então, Stutz? - Olá, Jonah.

Vá, entretém-me.

- É o que dizes quando me sento. - É o que digo a toda a gente.

Quando temos uma sessão de terapia que não é filmada.

A outra coisa que dizes que me parte todo, o que é ótimo, é:

"Não descarregues para cima de mim."

Sim, tu descarregas para cima de mim há anos e estou farto.

Bem, aqui estamos nós. Porque achas que estou a fazer um filme sobre ti?

Acho que é pelas minhas ideias.

Acho que as minhas ideias surtiram efeito contigo

e queres expor outras pessoas a essas ideias.

Se calhar…

Não sei, se calhar é uma forma de tentar ter controlo sobre mim…

Não sei bem. É porquê?

Decidi fazer isto porque queria mostrar as tuas ferramentas

e os ensinamentos que tu, Phil Stutz, o meu psicoterapeuta, me passaste,

de forma a que as pessoas possam aceder-lhes

e utilizá-los para melhorar as suas vidas.

Pensei em filmarmos uma sessão num dia

e falar das ferramentas que criaste que mais me têm ajudado.

Parece-me bem.

E…

Quero fazer isto de forma a honrar

a vida de alguém de quem gosto e que respeito muito.

Está bem.

Mas podes ser engraçado às vezes?

Qual é a primeira pergunta que fazes?

Primeiro pergunta-se: "O que quer? Porque veio cá?"

Os psiquiatras costumam dizer:

"Não interfiram no processo do paciente. Terá respostas quando estiver pronto."

É uma treta. Não é aceitável.

Quando comecei, a norma era:

"Sou neutro. Estou só a assistir. Não tenho nada em jogo."

Era um processo lento e havia muito sofrimento.

Tu conheces-me, a minha reação era: "Vão-se foder. Estão a gozar comigo?"

Se lidar com alguém com depressão que tenha medo de não recuperar, digo:

"Faz exatamente o que te disser.

Garanto-te que te vais sentir melhor. Acredita em mim."

Quando entrei no teu gabinete, sentámo-nos e tu disseste:

"Eis o que deves fazer."

Deste-me algo para fazer. Deste-me uma ferramenta.

Sim, é fundamental.

Queria rapidez.

Não é curar uma pessoa numa semana, isso é impossível.

Queria que a pessoa sentisse alguma alteração, algum progresso.

Dá-lhes esperança. Pensam: "Porra, é possível."

O que são as ferramentas?

Uma ferramenta é algo que pode alterar o nosso estado de espírito imediatamente.

Pega numa experiência que costuma ser desagradável

e transforma-a numa oportunidade.

Alteram o nosso estado de espírito

e dão-nos esperança de que não nos sentiremos assim para sempre.

Exato.

São exercícios de visualização mental em tempo real

que fazemos naquele momento.

Sim. Eu sou como um professor.

Ensino as pessoas a utilizá-las e também quando as utilizar.

Todos os teus pacientes, incluindo eu, têm cartões.

São desenhos das ferramentas que fazes nas sessões e levamos para casa.

A minha forma de pensar é muito visual.

Comecei a desenhar os cartões para mim, mas ajudava imenso os pacientes.

Os cartões têm o poder de transformar grandes ideias em imagens simples.

Era uma forma de comunicar com o paciente mais poderosa do que palavras.

Quando pegam no cartão, há uma ligação entre nós os dois, um laço.

Sim. Nós temos uma relação pessoal única.

Daí estares a deixar-me fazer um filme sobre ti.

É algo que nunca senti no mundo da terapia.

A minha vida melhorou imenso por trabalhar contigo

e, se funcionou comigo, talvez funcione com outras pessoas.

Está na hora dos medicamentos.

- Do quê? - De tomares os medicamentos.

- O alarme tocou. - Obrigado.

Merda.

Jonah, queres tomar comprimidos para Parkinson?

Deixei-me disso há anos.

Quando eu era miúdo e tomava droga,

se me tivessem dito que, 50 anos depois, ia andar a tomar mil comprimidos…

- Isso é tudo para a doença de Parkinson? - Sim.

Quando temos Parkinson, o mais importante, e que pode ser bom,

é termos de planear muitas coisas pequenas.

Quando tenho de sair da cama,

tenho de me contorcer todo para me levantar.

A coisa mais difícil para mim é sair da cama de manhã. Mas por outras razões.

Por outras… Pois.

Antes de te conhecer, a minha experiência com a terapia era muito tradicional.

Eu falava e a pessoa dizia: "Como é que isso o faz sentir?"

Ou: "Interessante".

- No fundo, mantinha-me à distância. - Sim.

Estava a pensar que, na terapia tradicional,

pagamos a uma pessoa e contamos-lhe os problemas todos

e a pessoa limita-se a ouvir,

mas os nossos amigos, que são idiotas,

dão-nos conselhos.

- Sim. - Sem pedirmos.

- Sim. - E nós só queremos que eles oiçam.

E que o psicoterapeuta nos dê conselhos.

É assim: não é que os psiquiatras não queiram ajudar, a sério que não.

Mas eu sempre senti que faltava alguma coisa.

Uma ferramenta é uma ponte entre o problema e a causa do problema

e a outra margem, onde se ganha algum controlo sobre o sintoma.

É uma questão de possibilidade, mas não uma definição da treta da palavra.

Possibilidade significa que nos sentimos a reagir de forma diferente.

Parece…

Como se diz? Banal. Mas é verdade.

Umas das primeiras coisas em que trabalhámos foi na força vital.

É uma coisa imediata que muda a nossa vida

e a que qualquer pessoa se pode agarrar.

Foi o meu primeiro passo para começar a melhorar.

Sim, exato. Eis um exemplo clássico.

Um tipo deprimido entra no meu gabinete e diz:

"Sei que tenho hábitos de merda, que sou indisciplinado e preguiçoso.

Mas, se soubesse o que devia fazer,

qual é a minha missão nesta vida, eu iria logo fazer isso.

Mas não sei o que devia fazer, por isso vou ser preguiçoso e não fazer nada."

E daí vem a depressão, como é óbvio.

Há algo que se aplica a ti

ou a qualquer pessoa que não tenha um rumo ou que não saiba o que fazer a seguir.

A resposta é: podemos sempre trabalhar na nossa força vital.

FORÇA VITAL

A única forma de descobrir o que devíamos fazer e quem somos

é ativando a nossa força vital.

A força vital é a única parte de nós capaz de nos guiar quando estamos perdidos.

Podemos imaginar a força vital como uma pirâmide com três níveis.

A base é a nossa relação com o nosso corpo físico.

O segundo nível é a nossa relação com outras pessoas.

E, no topo, está a nossa relação connosco.

A base é a nossa relação com o nosso corpo físico.

Basta pormos o nosso corpo a trabalhar. Resulta sempre.

O mais típico é não se fazer exercício.

Também há a questão da dieta e do sono.

Que percentagem disso é que nos faz sentir melhor no início?

Quando começamos, cerca de 85 %.

É bastante alto.

Isso é de loucos, foda-se.

Quando era miúdo, era como se fazer exercício e dieta significasse

que a nossa aparência era errada.

Nunca me sugeriram fazer exercício ou dieta pela minha saúde mental.

Gostava que isso fosse exposto de outra forma.

Sim.

Porque, para mim, isso causou muitos problemas,

incluindo problemas entre mim e a minha mãe.

A minha atitude com ela foi muito:

"Vai-te foder. Não quero, estás a dizer que estou mal."

Elabora isso.

Podia elaborar, mas não vou porque este filme é sobre ti, não sobre mim.

E se disser que, quanto mais elaborares, mais fácil é para mim falar sobre isso?

Já pensaste nisso?

Diria que devias fazer um filme sobre mim em vez de eu fazer um sobre ti.

Essa foi boa.

Esse é o primeiro nível.

O segundo é a relação com outras pessoas.

Quando as pessoas ficam deprimidas, não cortam relações.

É mais como um barco a desaparecer no horizonte.

Começam a afastar-se da sua vida

e as relações são como…

É como quando escalamos uma montanha e usamos pitões que servem de apoio.

As nossas relações são como apoios que nos ajudam a agarrar-nos à vida.

O principal é tomar a iniciativa.

Quem fica à espera dos outros não percebe isto.

Podemos convidar alguém que não achamos interessante para almoçar.

Não importa. Vai afetar-nos de forma positiva.

Essa pessoa vai representar toda a humanidade.

Isso é o nível do meio. O nível mais alto é a relação connosco.

Digamos que temos de criar uma relação com o nosso subconsciente.

Ninguém sabe o que está no seu subconsciente se não o ativar.

Um dos truques para isto é escrever. É mesmo mágico.

Melhoramos a nossa relação connosco através da escrita.

Há quem diga: "Escrever o quê? Não sou interessante nem escritor."

Não importa. Escrever é como um espelho.

Reflete o que está no subconsciente

e vamos escrever coisas num diário que não sabíamos que sabíamos.

São os três níveis da força vital.

Se estiverem perdidos, não tentem descobrir tudo.

Concentrem-se na força vital primeiro.

É pela paixão.

Aumentamos a força vital para descobrirmos aquilo que nos apaixona.

Mas o primeiro passo é ligarmo-nos à nossa força vital

e qualquer um pode fazê-lo.

Se trabalhar na pirâmide, tudo o resto vai ao sítio?

Tudo o resto vai ao sítio.

Como é que isto te vem à cabeça?

Tive um supervisor… Era muito novo. Ainda nem sequer tinha o meu consultório.

Falava com pessoas sobre o que tinha acontecido há 30 anos

ou a causa dos seus problemas.

Saíam da mesma forma que entravam, a sentirem-se na merda e sem esperança.

Perguntei-lhe:

"Podemos fazer alguma coisa para que se sintam melhor mais depressa?"

E ele vira-se para mim e diz:

"Nem te atrevas."

Era alguém que não compreendia a condição humana.

Disse: "Temos de fazer alguma coisa no momento."

Não tem de resolver todos os problemas,

mas temos de lhes dar a sensação de que podem mudar já.

Não queria que saíssem sem nada.

Alguma vez te perguntaste se podia ser a ação errada?

Não.

Eu costumo dizer que, nesta área,

eu sou uma pessoa normal, exceto por isto.

Eu concentro-me na pessoa e bloqueio tudo o resto.

Desde miúdo que as pessoas me contam os seus problemas.

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